A Stranger Paradise

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Bórgia Ginz

Ansiamos a instituição da livre circulação e transmissão de objectos da criação intelectual abstracta. O Homem não é; o Homem é uma potência do que pode vir a ser. E nós ambicionamos o Homem-outro. Nós não nos baseamos nas velhas teorias. Nós não nos baseamos em nada. Construimos realidade. A nossa.

astrangerparadise.com

 

Joséphine Muller

De jour en jour le besoin s'impose d'avantage. Il ne se prête plus guère à une considération détachée. La stylistique appliquée n'est pas l'observation du réel.

astrangerparadise.com/josephinemuller

 

Ian Linter

Non musika Excentrica IN! For electronikal renoise Key. Submit Random Science & reduction. Overflow cast Numar is for Den emon exp & la mort pour Vitas body convolution.

astrangerparadise.com/ianlinter

 

Juca Pimentel

Eu olho para Ti, e tenho medo, minha querida… Eu vejo-Te despida num sonho purpúreo e diabólico, e sinto nojo… e sinto vontade de vomitar, meu amor….

omnicorn.com/jp

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10 Aug

Bronssi, publicado por Bórgia Ginz

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Pumbra

 

 

My body despedaçado
anseia pela tua existência.
Leve suave brisa do mar.
Não te amo de uma maneira
vã,
não te quero na comodidade
do meu abraço.
Quero-te violenta nos sonhos do amor.
Na Luz que incendeia os
olhos que choram baixinho.
O teu ventre sofre de mim.
O meu corpo sofre da tua plenitude.
És um beijo volátil do
tamanho do mundo.
Amo-te amei-te amar-te-ei
de todas
as cores dispersas.
E assim o meu vento
será sempre o teu vento,
feito de ondas de mar
da altura dos meus sonhos, enormes!
Os teus clarões de beleza,
aqueles
que os olhos permeiam de mansinho,
são-me totalmente pérolas em mim.
És o meu tudo.
Na tua morada do adeus
viste-me e amas-me?
O meu olho esquerdo vocifera
mil razões para te amar.
Se o teu olho viesse de encontro ao meu,
e assim juntos dançassem uma
balalaica de tempos imemoriais!
És demasiado diamante para
te ter apenas em carvão!
És o meu diamante mais puro!
Um leve odor de paixão
que eu retirei dos teus cabelos
é-me companhia.
Todos os meus passos estão
possuídos de ti.
Vejo-te nas esquinas,
aquelas que me querem muito
pois são cruzamentos de vidas,
vejo-te na garra dos pássaros
que passam em debandada e gritam amor,
pelos céus fora,
pela noite fora.
Vejo-te aqui e ali,
e nos dois sítios
ao mesmo tempo.
E ousas chamar a isso
outra coisa que não amor?

 

 


Diamante

 

 

Há sonho em
fim de tarde domingueiro,
em cor estilizado
e forte de pessegueiro construído.
Há corpos que se escapam
a mãos acolhedoras,
tão longe
se afiguram em
meias sombras renascidos.
Eu observo toda a gente com a
paixão de quem não tem nada...
Tudo são pérolas e diamantes,
pequenos cristais translúcidos que volteio suavemente
nos meus dedos ansiosos de recém-nascido.
Da mesa do café onde me encontro,
janela fechada para todo o meu passado,
eu antevejo as torres
torneadas a marfim do meu presente.
E alegro-me com isso...
E sinto-me todo,
sinto todos os meus músculos
prontos para a acção mais rápida,
sinto o meu cérebro capaz
do raciocínio mais genial,
mais impossível...

Oh! Não fosse eu apenas eu,
e poderia ser tudo e toda a gente!
Vejo mulheres a quem
gostaria de me dar,
vejo corpos que gostaria de sentir com
a palma da minha mão dourada,
vejo lábios
que gostaria de aflorar
com o meu beijo eterno...
Dia e noite
sonho com o meu Deus de prata
agigantado ao Infinito!
Consumindo
vidas em suaves embalos de torso despido,
com o Sol a dourar tudo,
fileiras intermináveis de prazeres
a enternecê-lo e a embriagá-lo.
Apoteoses febris de luxúria !!
E eu a dirigir
uma orquestra de mil instrumentos feitos de sonho!

 

Não existem dobras nem rugas verdes no meu semblante.
Uma Rainha cristalizada e purpúrea levanta o véu
sobre o meu olhar...

 

 


 

Metempsicose Aptúndica

 

 

Ontem aspirei um sonho…
Envolto em malvadez e desencanto,
fui seguindo pela tracção d'O envolto em penumbra.
E quis ser generoso com a dúbia
presença do estranho sentir de sucção
que metamórficamente me percorreu o corpo.
Quis acrescentar que estava solto,
num percurso sonâmbulo de permissividade oculta.
No entanto,
fui interceptado pela razão omnítica
de acordo com a perda de censo que
me foi invadindo lentamente,
após longas horas de meditação em
volta de um sexo aberrante.
Depois,
foi a loucura que tomou conta do
meu ser.
A pouco e pouco senti-me invadir de uma
loucura corporal tal
que decerto estaria flutuando
num qualquer antro derivante do Astral.
Era,
sem dúvida,
a Permanência Newtoniana que discorria a espaços.
Cruelmente real e aleatória que tal.
Por essa altura senti-me
ameaçado por algo exterior que não sei o quê.
Acordei...
...na minha cama, no meu quarto, na minha casa
num corpo que não era o meu...

 


Z

 

 

Filigrana pura
esvoaçante ao vento.
És bálsamo expelido de
mim para fora,
com candeias azuis e vermelhas
encastradas no teu seio desnudado.
Fere-se toda a lucidez
quando te toco;
um tilintar de copos vazio
que ecoa na minha mente
asfixia o teu olhar.
O teu olhar vermelho…
Com fumo à mistura,
em confusão estrambótica
de sensações sem sentido,
que a máscara me escapa
para todo o sempre.
Arde volátil todo o querer que
é antigo e de renome.
Uma mulher pura...
Uma recordação...
Estreito o teu sonho
no sonho do meu Amor.
Vejo a tua voz que me acaricia
palavras suaves de sono,
em lençóis brancos de paz.
Esses olhos em sombras projectados,
com as formas todas
vertidas nos teus lábios entreabertos.
O som de um beijo que cai
no fundo suave do corpo…

 

 

 

SMYNTHEUS (1)

 

 

dorso
torso
fim que ele escolhe
bum…
ar
vertigem
indício de côr
som
tom
a estrela é grande e foge-me

bum…

e
las
ti
ci
da
de
amena
do
fundo
da
alma

bum…

ouvem-se vozes de cantores mortos acima da
linha do horizonte decapitado pelos prédios altos…
vazio
sonho
narciso florido
explosão dupla

bum… bum…

(1) SMYNTHEUS é, em Antonin Artaud, Apolo Smyntheus: que é o
excedido, o extremado, o ponto de ruptura, o abcesso maduro.

 

 

 



Bórgia Ginz

Bórgia Ginz

Ansiamos a instituição da livre circulação e transmissão de objectos da criação intelectual abstracta. Como forma de acesso dos comuns mortais a realidades outras; como forma de incentivar cada indivíduo a criar a sua própria realidade. O Homem não é; o Homem é uma potência do que pode vir a ser. E nós ambicionamos o Homem-outro. Não confiamos no intelecto humano quando este se constroi encima da total ignorância sobre o absoluto da matéria. Apenas constatamos a intelectualidade que nasce da experimentação directa de um objecto material. O mundo tomba sob o peso de cada teoria nova baseada em velhas teorias do absurdo humano. Nós não nos baseamos nas velhas teorias. Nós não nos baseamos em nada. Construimos realidade. A nossa.

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