A Stranger Paradise

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Bórgia Ginz

Ansiamos a instituição da livre circulação e transmissão de objectos da criação intelectual abstracta. O Homem não é; o Homem é uma potência do que pode vir a ser. E nós ambicionamos o Homem-outro. Nós não nos baseamos nas velhas teorias. Nós não nos baseamos em nada. Construimos realidade. A nossa.

astrangerparadise.com

 

Joséphine Muller

De jour en jour le besoin s'impose d'avantage. Il ne se prête plus guère à une considération détachée. La stylistique appliquée n'est pas l'observation du réel.

astrangerparadise.com/josephinemuller

 

Ian Linter

Non musika Excentrica IN! For electronikal renoise Key. Submit Random Science & reduction. Overflow cast Numar is for Den emon exp & la mort pour Vitas body convolution.

astrangerparadise.com/ianlinter

 

Juca Pimentel

Eu olho para Ti, e tenho medo, minha querida… Eu vejo-Te despida num sonho purpúreo e diabólico, e sinto nojo… e sinto vontade de vomitar, meu amor….

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01 Jun

Juca Pimentel - Manifesto caralhótico

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Manifesto caralhótico

 

 

 

Camaradas, a falência do intelecto enquanto entidade abstracta e própria de cada um, a falência da acção como processo de construção de algo que caracteriza a qualidade de um ser, a falência do processo homem enquanto detentor da máxima inteligência, logo da máxima verdade, esta falência enorme, é a vossa. Sim, porque de facto neste preciso momento riem-se do que leram ou olham para o outro.

Devo esclarecer que escrevo neste momento em folhas de guardanapo e com uma caneta que dificilmente consegui que alguém do café me emprestasse. Há muito que me apercebi que as teorias nada dizem, e o que de facto interessa é o como. Aqui não há intelectualismos. Dou-lhes o buraco mais fundo.

Voltando ao tema que decerto já esqueceram porque é certo que o que vos interessa é a intriga: a falência do animal homem. O animal homem tende a abandonar a sua condição de homem para se volver aranha hiperbárica. Podem tentar procurar perceber o que quero dizer com isto, eu próprio o tentei, mas cheguei à conclusão de que entrar na essência do homem actual é entrar no domínio do absurdo. Camaradas, como se parecem com as meninas larocas que passam tanto tempo em frente ao espelho e assim se estupidificam! Não há tempo para tudo. E o homem existe em plena consciência disso, tanto que faz eternamente escolhas, apesar disso se ter esquecido. Essas escolhas dão-se num perímetro em que prima a ausência de qualquer sentido de abstracção e cuja orientação é iminentemente sexual. Isto é, o factor que determina a essência do contacto entre os indivíduos e a sua relação com o real, é totalmente determinado pela característica animal que garante a sobrevivência da espécie. Volto a repetir: SEXO. Quero que toda a gente sinta o fodilhão que é. Mulher incluida, óbviamente. Claro que isso advém do sexo ser ainda um dos mais solicitados elementos de troca entre indivíduos, pelo menos o mais excitante. O própio sexo tende a ser utilizado como arma de arremesso cultural pela estratosfera do poder que permite assim, por enquanto, laivos de unicicidade ao indivíduo, mas cujo tentáculo sedoso determina a forma como o próprio sexo é realizado. Irá cada vez mais foder-se à Bosq'd'Azevinho. Acreditem, do mal o menos, é bem mais interessante foder à Godard.

 

A reconstrução do homem, porque trata-se de facto de reconstruir sobre o que já foi construído, torna-se urgente na zona do sonho, e é bem mais complexa do que um seu aspecto sexual. Será um tema para muitas palavras, e ainda mais acções, para mais tarde. O homem-todo é que importa aqui.

definição de homem
comer
sonhar
ir
respirar
amar
sentimento
palavra
elemento
foder
riso
beleza
cabelos

homem-todo
cagar
dormir
andar
cheirar a erva
olhar
sensação
força
tela
fode-me
amor
riso
mãos neles


 


O Homem tende a acompanhar a noção de realidade, sempre volátil porque dependente do conhecimento, e por ele transformada, porque esta parece de certa forma proporcionar-lhe uma qualquer paz interior, aparentemente condição necessária à preservação da espécie. Trata-se, no fundo, da eterna procura da eliminação do medo através da sua simples eliminação.

Assim posto, será também eterna a destruição do mito, apesar de em boa verdade apenas se verificar uma alteração da sua condimentação. Podemos comparar um qualquer filme de Hollywood e a sua realização na sociedade portuguesa actual, à genese-fornicação-génese entre o mito do deus do vinho e o agricultor romano.

A destruição do mito surge precisamente em função de uma diminuição real do conhecimento, pela extrema pressurização da noção em detrimento do conceito. (Conceito no sentido de significante). Porque o mito nunca acontece connosco. Falando-se não em destruição, mas sim alteração do conhecimento, não evolução, a qualidade do mito parece depender da qualidade do conhecimento.

A criação humana, em especial a de contornos artísticos, cinema, televisão, música, teatro, literatura, pintura, tal como a sua assumpção no seio do intelecto, é unívocamente determinada pela qualidade do mito.

 

 

 



Juca Pimentel

Juca Pimentel

Eu olho para Ti, e tenho medo, minha querida… Eu vejo-Te despida num sonho purpúreo e diabólico, e sinto nojo… e sinto vontade de vomitar, meu amor….

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