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	<title>Airf'Auga 4 - A Stranger Paradise</title>
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	<title>Airf'Auga 4 - A Stranger Paradise</title>
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	<item>
		<title>Airf&#8217;Auga 4</title>
		<link>https://astrangerparadise.com/airfauga-4</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Bórgia Ginz]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 09 Aug 2009 19:45:16 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Airf'Auga 4]]></category>
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					<description><![CDATA[<div style="text-align:center">Metalurgia – Juca Pimentel</p>
<p>Bronssi</p>
<p>THX – Sofia Bravo</p>
<p>Suicidiária e outros poemas – Bórgia Ginz</p>
<p>Venus of Kazabäika</p>
<p>Contos Normais – Bórgia Ginz</p>
<p><strong>Capa e THX Series – Sofia Bravo</strong></div>
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			<p><img class="size-full wp-image-2661 aligncenter" src="https://astrangerparadise.com/wp-content/uploads/2009/08/AirfAuga-4-1.jpg" alt="Airf'Auga 4" width="1066" height="1523" srcset="https://astrangerparadise.com/wp-content/uploads/2009/08/AirfAuga-4-1.jpg 1066w, https://astrangerparadise.com/wp-content/uploads/2009/08/AirfAuga-4-1-768x1097.jpg 768w" sizes="(max-width: 1066px) 100vw, 1066px" /></p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;">Metalurgia &#8211; Juca Pimentel</p>
<p style="text-align: center;">Bronssi</p>
<p style="text-align: center;">THX &#8211; Sofia Bravo</p>
<p style="text-align: center;">Suicidiária e outros poemas &#8211; Bórgia Ginz</p>
<p style="text-align: center;">Venus of Kazabäika</p>
<p style="text-align: center;">Contos Normais &#8211; Bórgia Ginz</p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;">Capa e THX Series &#8211; Sofia Bravo</p>

		</div>
	</div>
</div></div></div></div></div><p>The post <a href="https://astrangerparadise.com/airfauga-4">Airf’Auga 4</a> first appeared on <a href="https://astrangerparadise.com">A Stranger Paradise</a>.</p>]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Metalurgia, por Juca Pimentel</title>
		<link>https://astrangerparadise.com/metalurgia-por-juca-pimentel</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Juca Pimentel]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 09 Aug 2009 19:57:47 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Airf'Auga 4]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Ali vai ele,<br />   o coito!<br />   Ali vai ela,<br />   a sombra!<br />   Om os meus  olhos negros de panos<br />   de censos e  fúteis enganos<br />   o último take  da tua enodora exctimada, lodora,<br />   tútril,  enxangue, ólida, quesh´ra, parfidean, lockia,<br />   loucura.</p>
<p>The post <a href="https://astrangerparadise.com/metalurgia-por-juca-pimentel">Metalurgia, por Juca Pimentel</a> first appeared on <a href="https://astrangerparadise.com">A Stranger Paradise</a>.</p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>&nbsp;</p>
<div id="aa1">
<p>&nbsp;</p>
<h2>Anemómetro</h2>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Ali vai ele,<br />
o coito!<br />
Ali vai ela,<br />
a sombra!<br />
Om os meus olhos negros de panos<br />
de censos e fúteis enganos<br />
o último take da tua enodora exctimada, lodora,<br />
tútril, enxangue, ólida, quesh´ra, parfidean, lockia,<br />
loucura.<br />
Os macacos escapam do toque como pequenas maravilhas todas feitas de pérola enrubescida pelo Sol que queima como um farol anunciando a extrema loucura<br />
que evapora os sentidos para os tornar pontuais<br />
a ponto de serem ponto no meio do círculo<br />
flutuante onde as mortes se amam.</p>
<p>Juca Pimentel<br />
Os bons sentimentos não são boa musa&#8230;<br />
Vai dar-se início à Arte. Vou tocar<br />
Uma punheta!</p>
<p>Sorvo o teu odor como se fosse<br />
um pincel pincel de formas bem augustas<br />
e Agosto é o tempo de cobrir a ramagem<br />
que verte orvalho e termos de esporas.<br />
A tua esporra poderá ser bem vinda<br />
se for a de ocasião e de termos<br />
inequívocos e fortes como se fosses<br />
a madrepérola do tempo em po po.<br />
A fome que temos é grande<br />
e assim aspiramos o odor do vazio.<br />
Da noite&#8230;<br />
A sonolência que te invade é toda feita de pérola<br />
e assim aspiras o odor do vazio.<br />
Da noite&#8230;</p>
<p>És a minha sombra volátil e suspensa.<br />
Ternura antes de tempo, fútil, encomenda extraviada.<br />
És a paixão do excremento,<br />
subtil, encomenda extraviada.<br />
Longo eterno beijo na nuca entreaberta pelos<br />
lábios semicerrados de sangue.</p>
<p>Vermelho o teu olhar e enfim sós.<br />
Eu tu e o machado suspenso da gaiola em cima<br />
do chinês.<br />
Afinal o chinês é alemão.<br />
Som de violinos são as vozes dos entes parentes<br />
e crianças infantes de sagres preta fresca à noite<br />
numa mesa de Bar verde. O Bar.<br />
Tantas palavras e o que resta; a mortandade<br />
do espasmo senil que gesticula perante mim,<br />
em frente a mim,<br />
acenando um cadáver isquesito<br />
de contornos fáceis e previsíveis<br />
mas perto da mãe Sol transexuada.<br />
Quero-te e entanto não estás, pelo menos como<br />
devias. És-me tão somente.<br />
Como foste criar a sombra.<br />
A eterna. A sombra majestosa do início da noite das<br />
vinte e três horas e treze minutos no relógio cinco adiantado.<br />
Analfos.<br />
Clima ensurdecedor e pobre de ser<br />
útil porque queima. (Os teus ventres salientes são ensurdecedores)<br />
Afinal o chinês alemão é alemã.<br />
Mais violinos a comporem bela música para os meus ouvidos.<br />
Acaso paraíso terá esta definição?<br />
Lógicas em mim e de mim afora dentro de mim e sons e<br />
violinos e chineses alemãs por implicação matemática, mas<br />
aqui a matemática está a mais, as coisas deveriam ser<br />
lógicas apenas por implicação, e instruendos<br />
de instrumentos nas mãos, história, agonias talvez<br />
do século III e turbinas com os cornos no chão, e<br />
turquídeas ferozes sem o sentido correcto, e vales<br />
a subir um escorpião todo feito de pénis e todo<br />
implodindo-me na cara.<br />
Um apenas som espera do outro lado do salão,<br />
as mãos unem-se pela ponta dos dedos antes enfiados em<br />
cetins de crosta, com as velas incendiadas nos cabelos<br />
das Níneves que dançam.<br />
Rostos de corda, notas nos dentes, Mozart nos regaços,<br />
olhos nas súplicas&#8230; e cada vez mais<br />
plurais em grupo de dois.<br />
Longamente o teu olhar persegue-me<br />
doce maravilha esta fuga de pernas no ar em cima<br />
do cadafalso<br />
veloz esta súplica que tende a sentir o infinito muito maior<br />
do que o imaginado<br />
longo olhar vazio cheio de cheias no país da eterna secura<br />
funerais aguentam o meu corpo<br />
cortejo imagem fútil esta a do cortejo que segue atrás.</p>
<p>Antes foi o tempo das misericórdias, vestes incendiadas do<br />
desejo, antes foi o tempo das carícias nos ventres inexistentes das orquestras, dos violinos.<br />
Coisos. Luvas. Larvas. Ternas. Rouquidões.<br />
Vejo as pessoas mas não as sinto. Quer dizer, sinto-as<br />
de uma forma que julgo não ser perfeita, única, ou pelo<br />
menos multicolor, sonora, completamente única.</p>
<p>Os toques fortuitos nos guarda-chuvas apenas me dizem que chove na cabeça<br />
destas gentes de pénis murcho em direcção ao trabalho.</p>
<p>Três ponto<br />
Depois da morte, elevado ás honras immortais<br />
Desprezado, obscuro e espoliado</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><em>O desprezo, a obscuridade e a espoliação do contemporâneo poderá ser a fonte da sua imortalidade. As honras poderão ser nada mais do que germes que minam a consciência, pois a elevam da categoria humana e assim a terminam. Homens elevados a Deuses são apenas falsos homens. As estátuas matam mais do que a fome. </em></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Os novos olhos são-no eloquentemente,<br />
com pontas de espasmos senis e febris e sonoros como um peixe.<br />
Ânus transversais querem-se amenos e<br />
aconchegados de medo.<br />
Torna-se tudo reflexo e despojos verdes analfos<br />
pela tempestade fora. O meu odor não é o teu.<br />
E assim a realidade tomba de lado até tu desapareceres.<br />
Porventura desconcertante?!<br />
Dois melões e um pudim!<br />
Que sensual esta mulher de dois melões e um pudim.<br />
Passas, passas, olhas e não tens cheiro porque não te cheiro<br />
porque passas, passas e apenas olhas.<br />
De bom grado agarrava-te um peito e<br />
o mostrava ás minhas gentes.<br />
Um dos teus peitos apenas seria um, mais um,<br />
mas um cheio de todo, todo cheio de toque,<br />
todo tocado pelas minhas gentes de peito na mão,<br />
com o teu peito na mão que seria uno e perfeito como o teu<br />
outro peito.<br />
E agarrava-te o teu peito menos um, um menos um<br />
elevado ao infinito das minhas gentes austeras e<br />
risonhas porque esperam algo de mim.<br />
E eu dar-lhes-ia o teu peito zero.<br />
Analfos.<br />
Estonteante a tua sobriedade piedosa de Deusa.<br />
Om os meus olhos são-no imperfeitamente,<br />
e mamo-te como um desesperado.</p>
<p>Ontem aquela mulher era um anjo.<br />
Ontem que foi ontem e será sempre ontem<br />
na comodidade das ondas.</p>
<p>Tu deixas-me maluco.<br />
Domingo de manhã.<br />
Claro está que a meta morfose é<br />
um paradigma que só a inteligência justifica e<br />
demonstra. Um ocaso imenso de ficção.<br />
E claro está que temos um censo fora da lógica,<br />
e ilógica porque lemos e estamos imersos em céu azul dentro das cidades.<br />
Antes do tempo.<br />
Antes do tempo.<br />
Blá-blá que te esfumas e partes como sempre fizeste.<br />
Terror no circuito.<br />
Em frente a uma porta quase lá.<br />
Em frente ao olho esquerdo em frente do buraco.<br />
A tua fechadura é imensa.<br />
Brasa e calor na face esquerda. A tua pele de água queima.<br />
O teu mamilo é enorme, pujante, escuro pela luz da lâmpada,<br />
eternamente esquerdo, dentes, dentes nele, dentes no<br />
mamilo escuro pela luz da lâmpada, mandíbulas.</p>
<p>Saio, e afunilo o som dos meus passos, pequenos e a contratempo,<br />
duros, sólidos, como gaitas de foles tão rapidamente cheios como vazios.<br />
O dia não nasceu há muito, pelo que as ondas da multidão<br />
tornam a rua um pequeno ribeiro sem peixes nem ostras<br />
cheias de pérolas que um dia estarão nestas montras. O meu reflexo<br />
esvaziado nos vidros destas montras assemelha-se a um pequeno riacho<br />
com peixes e ostras cheias de pérolas. Vou comprar cigarros naquele<br />
café da esquina com mulher estilizada nela. Vou também dizer adeus<br />
a essa mulher que dorme ainda entre as rugas dos meus lençóis.<br />
-Mulher sólida, perpétua, que fazes café na manhã que é<br />
ainda pequena coisa em breve majestosa mas pequena agora.<br />
Tomo o café com pequenos goles. Sinto um cheio aqui dentro<br />
do meu querer, um cheio grande e voluptuoso,<br />
tão perto de se tornar tudo. O sono vai descendo à terra<br />
como um pássaro gigante. Eleva-se dos meus pés um pequeno<br />
pó quando me dirijo ao balcão e peço um maço de cigarros,<br />
aquele ali, do lado direito, o primeiro da fila da direita, em<br />
cima, não, o outro, sim, esse, obrigado.<br />
Saio, e afunilo o som dos meus passos, pequenos e a contratempo,<br />
duros , sólidos, como gaitas de foles tão rapidamente cheios como<br />
vazios. Um breve olhar pelo meu pequeno mundo mostra-me<br />
A minha pequena grandeza. Esta cidade poderia muito bem<br />
um dia matar-me.</p>
<p>Comboio do mundo, súplica em uníssono sem acento,<br />
rosa a florir no sapato, de solas desfeitas, paredes vertidas na horizontal,<br />
medíocre cantilena de sangue.<br />
Os medos fundem-se aqui,<br />
como estamos livres do mundo e de nós, arriba,<br />
frente para a frente que se quer vício e não rotina,<br />
e amenas obras nos leitos, resíduos de mim.<br />
Temos um olho demasiado fechado, os outros atiram pedras<br />
e nós continuamos com um olho demasiado ranhoso.<br />
Ala para a frente que se faz tarde.<br />
Acima os cumes acima que estão longe, estas subidas e<br />
pantominas nos vales, estes fusíveis da unidade quebrada.<br />
Som, movimento, gargalhadas, uma porta que se fecha, não, não,</p>
<p>vozes completamente desconhecidas, suave embalo, a frente está<br />
atrás de mim, nas minhas costas, e eu não a vejo, vejo<br />
apenas o que já esteve à minha frente mas está agora atrás de mim,<br />
mas de frente para mim, porque eu sigo de costas voltadas para<br />
a frente a para algumas gargalhadas, ela está a pensar em&#8230; sei lá,<br />
sente, amigo, achas que vou cair?<br />
Cheiro a presunção.<br />
As hormonas explodem, seios tesos, pissa que apetece morder,<br />
cona sonora de vento.</p>
<p>Treze vozes que se juntam aqui.<br />
Estão aqui. Sentadas pela estrada fora e amenas.<br />
Antes volúvel que vulva aparente.</p>
<p>Política e ciência: o mito do desespero.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Analfo este som.<br />
Vibrante este som.<br />
Inteligência aberta na carótida.<br />
Fosso no ardil do cão com cio,<br />
funesta majestade de sombras feita e impelida.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>O mundo está de antemão fodido.<br />
E eu à cabeça!</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><em>Linda mulher de cornos dilacerados, vestes de sombra os passos atrás marcados, atrás de ti. </em><br />
<em>Tens os olhos incendiados por uma qualquer perífrase do espírito, sanguessuga da mente, e volátil és na dispersão,<br />
meu cruel suicídio.<br />
Nas tuas mãos os cantos pareciam diurnos, para se anteverem no escuro mais tarde, olhos, em brasa.</em><br />
<em>Ai a mente de quem é um e não dois e meio.</em><br />
<em>Linda visionária do tempo. </em><br />
<em>As armas ao alto dão-se nas datas de festa, na data de dias enormes que se seguem a esta noite, se os houver.</em></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2>Cercadura</h2>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>O romance trepa pelas<br />
paredes como uma andorinha ferida<br />
teimando o seu voo.<br />
Funde-se com anemia<br />
na alma das gentes de espírito<br />
que trepam pelas paredes como doidos.<br />
Os hediondos estéticos assumem<br />
o seu amor por aquilo que excita,<br />
consomem as entranhas em jantares de pompa,<br />
e fornicam a arte por amor ao Deus.<br />
Regular a beleza é cercar os sentidos.<br />
E o romance trepa os sentidos<br />
com paredes hediondas.<br />
Crer na Beleza é morrer.</p>
<p>Os Amantes dispersam-se pelos campos nus<br />
de vergonha.<br />
Num voo rasante cortam<br />
as amarras que os prende ao sol pedra,<br />
beijam-se num atónito sentido de si,<br />
a estética prende-os ao sonho de outro.<br />
É tempo de se espetar as agulhas<br />
no âmago do querer,<br />
inflamar o sangue morto<br />
com a alucinação do romance.<br />
Os olhos turvos animam-se perante<br />
a sua própria imagem,<br />
olhos que querem o fundo de si,<br />
olhos que se amam como se fossem únicos.<br />
E tramas de conas, pissas.<br />
Sombras voláteis.<br />
Batem-se as portas<br />
num tremer constante de pó.<br />
Quando o trono,<br />
bandeira encenada,<br />
é vertido em súplicas a três dimensões.<br />
Pois quero que estas palavras queimem.</p>
<p>O habitante menos um<br />
revolve a sua origem de homem-todo<br />
para se sentir presença em rodopio.<br />
Os tempos trocados<br />
afirmam-no em dor.<br />
Quando os hediondos plasmáticos<br />
se fundem para tolher o passo do simples de espírito.<br />
É sempre este tempo de penúria.</p>
<p>O cancro foge da mente em forma de ondas.<br />
O cancro é bem vindo quando é do próprio dia.<br />
A sua maravilha e a dos cornos confundem-se<br />
como sombras,<br />
é deles o trono nos céus.<br />
Como me apetece esbracejar o corpo,<br />
dominá-lo no anti momento da sua desgraça<br />
queda.<br />
As cinzas queimam-se ao vento suave,<br />
implodem os tronos que deixam para trás,<br />
o seu tempo será o de anemia<br />
e lógicas de fundos em brasa,<br />
pernoitarão para sempre no mistério.<br />
Como me apetece esbracejar o corpo,<br />
atirá-lo no anti momento da sua desgraça<br />
queda.</p>
<p>Coloco os cornos<br />
todos os dias que me embelezo.<br />
São bem belas estas astes que me encimam<br />
a inteligência.<br />
Por isso mesmo estou à vontade<br />
para continuar a minha estupidez.</p>
<p>Quando se ama<br />
é preciso estalar três vezes os dedos.<br />
Pois o início é o tabu.<br />
A não promessa como compromisso<br />
maior.<br />
O desvario.<br />
Olhos nos dedos de morte.<br />
Até se esgrimar a sensação<br />
do fundo que submerge.<br />
Não percebo bem o que digo<br />
mas sinto-o demasiado.<br />
Como de resto se pode<br />
sentir tudo o que apenas<br />
pertence ao desejo.</p>
<p>O Romance quando nasce<br />
vem sacado de roubo.<br />
Um tumulto de tronos no Hediondo.<br />
As mulheres gostam deles nas orelhas,<br />
para que se tornem<br />
enfim quase belas,<br />
pois não haverá maior enternecimento<br />
do que o mistério.<br />
Os seus beijos pálidos assemelham-se<br />
a rasgos de heroísmo,<br />
as suas cabeças tontas assemelham-se<br />
a caralhos ao vento,<br />
porcos quanto inocentes.<br />
Como toda a gente que conheço.<br />
Os hediondos estéticos são indomáveis,<br />
e matam para o provar.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2>Líquido</h2>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>O alheamento<br />
nas trombas,<br />
nos volúveis estados<br />
de metalurgia,<br />
encandeiam a posse<br />
como se esta fosse para bem<br />
longe,<br />
para o fim da utopia<br />
ou do fardo que dela cresce.<br />
Essa utopia lenta,<br />
tipo valsa de fúnebre alento<br />
com ondas de vermes que dançam<br />
nas balaustradas do desencanto.<br />
Essas vozes em<br />
coro desarmonioso,<br />
fausto e pobre<br />
no mesmo sentido desabrido.<br />
Se calasse<br />
os tempos,<br />
eles me diriam que nada mais podem<br />
fazer<br />
ou alhear<br />
e que tudo não passa<br />
de sombras,<br />
novamente estas sombras<br />
de olhos em furos de fome.<br />
Tornozelos vazios.<br />
Nas tuas eternidades que<br />
se afastam,<br />
que calam os membros,<br />
que calam os tempos,<br />
que calam as frontes,<br />
as minhas,<br />
as do ninguém,<br />
eu despejo ácido e vibrações sonoras.<br />
Não há perícia<br />
que afronte estes mistérios.<br />
As portas abertas deixam<br />
passar apenas um vento vazio,<br />
destituído de prática<br />
e inerte no além corpo.<br />
No meu além corpo em sangue.<br />
Toro psicadélico.</p>
<p>Anulamento.</p>
<p>Entram estas<br />
mulheres no perímetro<br />
do meu fumo.<br />
Mulheres anciãs,<br />
com ventres cheios de<br />
mistérios orgânicos que me<br />
faltam,<br />
que eu deixo para trás,<br />
deixando-me elas para trás<br />
quando se ausentam<br />
na procura de um<br />
outro espaço.<br />
Metalurgia.</p>
<p>La ter gia<br />
fonde de mental ka ess kas<br />
La brume<br />
et donc par le aeniman troissure<br />
Toissence<br />
La brume</p>
<p>Os panfletários<br />
progridem o som<br />
pelas pretuberâncias<br />
que colocam nos<br />
seus actos.<br />
Amam-lhes as frequências.<br />
Pom.<br />
Sombras de mim mesmo.<br />
Porque continuo meteoro fútil,<br />
pobre,<br />
meio animal de consolo,<br />
que nada, mada sada,<br />
nada, nada, vale.<br />
Mas ao mesmo tempo,<br />
vejo estes galos de<br />
lenços na cabeça,<br />
mestres da dança do arrepio,<br />
estes benfazejos<br />
da musicalidade<br />
e da felicidade na terra,<br />
e a deslocação é demasiado grande<br />
para que não exista algo.<br />
Algo por que valha a pena ser eu.</p>
<p>Onomatopeia<br />
que prende os<br />
tempos.<br />
Bem sei que o argumento<br />
por excelência<br />
é o absurdo.<br />
E este absurdo é o meu argumento.</p>
<p>Piano ventríloquo,<br />
que te expandes por estas<br />
paredes que recordam<br />
o esquecimento de umas outras,<br />
que alimentas<br />
os mesmos alentos dos ventos d’além,<br />
e baixas<br />
agora a frequência até<br />
esta se tornar<br />
saltitante<br />
apenas por existir,<br />
és testemunha<br />
do meu trono vazio.<br />
Falo-me com todas as coisas que detesto.<br />
Desço muito baixo para comprovar o<br />
que sinto<br />
sou.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&#8211; Eu, perante ti, transformo o sonho no seu próprio ocaso inevitável e profundo de turpor, que se escapa para logo se fundir como um escolho da mente, e no entanto será sempre a irrealização a ditar este sonho, esta volúpia que apenas existe na tua cabeça. Nada importa eu saber-me bela ou incandescente; tu não me realizas a potência que em mim sinto, não procrias o meu corpo de sensações irrecusáveis. São apenas velórios mais ou menos especiais, de figuras que colocaste em mim, mas que eu não reflito, que se apoderaram de ti como se fossem minhas, mas em boa verdade não existem. Como se o papel onde escreves as tuas façanhas fosse de fraca qualidade e assim se deteriorasse à mínima agrura atmosférica, ou à falta dessa agrura. Tudo se torna num ponto onde a máxima procura é ensimesmada, sem sentido, ou com um certo sentido que não é o meu, e mesmo que fosse eu o recusaria. Bem vês que a verdade é bem diferente do desejo que a sua procura desencadeia. E se assim não fosse, cá estaríamos nós para que assim se tornasse.<br />
<em>&#8211; Muito bem, afasto-me.</em></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><em> </em></p>
<h2>O terrível desespero da saudade</h2>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>O terrível desespero da saudade<br />
Tremenda sonora partida do fundo para dentro<br />
Quando todos os mistérios se fundem em sombra<br />
E a morte espreita pelo canto do olho da morte</p>
<p>As súplicas errantes de quem tem um medo maior que as mãos<br />
E faz a penúria tornar-se grande quando faz zumbido crescente<br />
Quando a côr se desprende do tecto<br />
E assinala a turva existência sem meios</p>
<p>Alas em busca de fome e proveito danoso<br />
Funda escarpada que sobes pela nuca acima<br />
E te esgueiras pela mão do condenado fútil<br />
como pérolas<br />
Anátemas de juventude em sangue</p>
<p>Longos beijos te dou<br />
Meu amor de longas carnes<br />
E sons de púrpura em seda milenar<br />
Ventos do fundo bem preciosos<br />
Amálgamas de fetiche cornos no chão</p>
<p>Lambes-me a mão que me ergue o despudor<br />
E tramas de conas enfileiradas por cima dos sentidos vazios em ti</p>
<p>Além do fim será sempre uma súplica<br />
Ter o deus na fuça sempre a tremer perante o teu escalpe sagrado<br />
O terrível desespero da continuação<br />
Permanece em mim<br />
Pelo tempo fora<br />
Como se tratasse de um sino de fraude possuído<br />
Entidade arbitrária<br />
A alma pode ser um refugo mas continuará pálida em paralelo<br />
Vezes em demasia pelo tempo fora<br />
Um contemplar de outras razões que não a usam<br />
Plurais de formas pouco definidas<br />
Em solavancos de sonos entrecortados pelo medo<br />
E tudo isto a sonhar alto enquanto a queda é eminente<br />
Vamos morder o sono da mente<br />
E tornear os dedos que se fecham<br />
Fumar um estrondo metafísico porque meta incansável<br />
Olhos de penumbra meio céleres e vagos<br />
Deitados pelas encostas de declive suave<br />
E duradouro<br />
Dannar é um impossível<br />
Tal como os números sem razão aparente<br />
Dedos de fungos cheios mas solenes<br />
Semeados em terrenos tão férteis como obscuros<br />
Prevejo a minha queda como um farol<br />
Prevejo a deusa dançante na minha mão que não é um bem<br />
Apenas propriedade<br />
Alto vazio<br />
A escolha poderá muito bem um dia tornar-se impossível<br />
Quando a irrealidade tombar e o meu nariz<br />
Aquecer-se de encontro à penugem do teu sovaco</p>
<p>Admiravelmente de encontro a ti</p>
<p>As vezes que escapam ao sentir<br />
A desabrochar no jardim de pedras<br />
Aquelas que nem eu nem tu lá pôs<br />
E fundos de moda fantasmas na luz</p>
<p>Sempre um desejo que se quer único na vertente do verdadeiro apocalipse<br />
Que torneou o odor dos fins de tarde amenos<br />
Chupados por deusas inconscientes e belas<br />
Perfuradas por mancebos a contraluz</p>
<p>Lama perante a vergonha de ti<br />
E turba de fome a cair aos pedaços<br />
Inconsequentes os teus passos<br />
Lume fome inalterado<br />
As raivas são grandes se forem do próprio dia<br />
Amar-te-ei então em dias alternados</p>
<p>Os terrenos da alma são breves passagens pelo cosmo,<br />
pedaços de inércia tão original como o pecado</p>
<p>Eser de mercúrio inflamado<br />
Sono perpétuo te extingo a afinidade com o diabo<br />
A solo de três quartos de nota<br />
Breve majestade de erro<br />
Súplica em fúria<br />
Masturbus envolve-se na miséria<br />
Pensa três vezes na morte<br />
Um rodopio na presença de Deus<br />
Castra-se no tempo e luta em demasia</p>
<p>Amas-me o tempo todo feito de caralho</p>
<p>Calabouço suspenso no âmago do teu terror<br />
Longo e ameno franzir de olhos<br />
Turvos como a noite de Inverno<br />
Fria no passeio de pedras pequenas<br />
Lagos afectos dentro de mim e apenas isso</p>
<p>Todo o tempo foi talvez um tempo de misericórdia<br />
Miséria</p>
<p>A des-honra dos sentidos<br />
Dá-se no campo da metamorfose</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2>Passadeira</h2>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Anatomia do golpe pérfido.<br />
Na loucura que assombra o sentir simples,<br />
e o transtorna na extrema placidez de um gemer de troncos,<br />
mastodontes febris como a minha loucura,<br />
ou como a minha amante só.<br />
Nesta esquina de rua civilizada,<br />
onde o pó não tem descanso,<br />
onde as sofreguidões não têm descanso,<br />
e rondam os passos como se fossem areia.<br />
Presos.<br />
Sentado à mesa que escolhi,<br />
ou que me escolheu pois esteve sempre aqui à minha espera,<br />
imóvel na sua plenitude diária,<br />
verde na sua estética diária,<br />
imutável,<br />
testemunha da minha própria mobilidade de cobra.<br />
Os corpos que se venderam passam por mim.<br />
Aqueles que como eu também um dia<br />
aparentaram essa mesma mobilidade,<br />
e no entanto agora deixam-se estáticos,<br />
mas em movimento,<br />
nas suas viaturas blindadas.<br />
O tempo transforma os corpos.<br />
Deixará incólume o espírito.<br />
<em>Um sonho uma vez,</em><br />
<em>um sempre sonho.</em><br />
<em>Uma aparência uma vez,</em><br />
<em>um sempre nada.</em><br />
São apenas os corpos a desejarem<br />
outras metafísicas,<br />
outras podridões de um outro quilate,<br />
e a mente a ditar o seu rol de intrigas.<br />
As suas clarabóias de anestesia,<br />
inercial,<br />
porque sempre a mesma.<br />
A velhice será a única comprovação<br />
daquilo que somos neste preciso momento.<br />
As coisas serão as mesmas,<br />
instalando-se apenas a preguiça<br />
de esconder o que agora desejariam envergonhadamente que fossem.<br />
E afinal de contas,<br />
os corpos apenas passam honestos.</p>
<p>Nas têmporas<br />
Do dia negro eu encontro repouso,<br />
suicida mental de um<br />
turpor maquiavélico,<br />
sopro de penumbra em torno<br />
da auréola mortal<br />
que assombra,<br />
fundo que pressente<br />
o terror pelas mãos<br />
de prece oculta.<br />
Libertinagem.</p>
<p>Neste café de esquina<br />
que assombra pelo desconhecido,<br />
e é sombra que me<br />
anula pela intensidade que se<br />
esvazia,<br />
esta mesmo que de mim<br />
brota na parafernália.</p>
<p>Os homens que entram<br />
com os líquidos oblíquos<br />
nos rolamentos do seu andar,<br />
e olham a sua refeição de Rei<br />
antagónico e cru.<br />
Cobradores de almas vazias,<br />
com lixo a compor a<br />
imagem da flor que<br />
não tem dono,<br />
que não é deles,<br />
que não é minha.<br />
Eles vão e voltam outros.</p>
<p>Planeamento.<br />
Falha inacabada.<br />
O que sei são apenas dúvidas,<br />
alimentadas pelo embalo constante<br />
das fisioterapias internas<br />
que a mim próprio imponho.<br />
Como cachimbadas de ópio semi-controladas<br />
por heroína hedionda.<br />
Um quanto nervo para<br />
a progressão da pirueta,<br />
uma quanta ferroada<br />
para a travagem que se pretende súbita.<br />
Um alento,<br />
um desalento.<br />
Um débil sim,<br />
um forte não.<br />
Ainda resta fazer a soma<br />
destes processos todos.<br />
Até quando?</p>
<p>Os transeuntes<br />
atravessam-se plenamente,<br />
vorazes,<br />
mas cheios da calma<br />
que o conhecer o seu presente<br />
lhes dá.<br />
O sarampo<br />
cresce como se fosse pó inacabado<br />
dos tempos tocados alados,<br />
feridos nas têmporas da morte,<br />
aquela que me é como amante hiper-perfeita,<br />
a que me morreu.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2>Poema destravado</h2>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><em> </em></p>
<p><em>Não vou escrever para ti.</em></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Baixam-se as asas<br />
pelas rochas leves de água<br />
em espuma quebrada<br />
aos solavancos.<br />
Tenho visões de<br />
mares em rochas quebrados<br />
e espuma em saltos<br />
aproximando-se através do vidro.<br />
Vejo as rochas e o<br />
mar que surge em catarata<br />
e a água se fende<br />
na espuma que<br />
salta.<br />
Mas já as vi há tanto tempo<br />
que já nem sequer sei como eram.<br />
Já as vi há tento tempo<br />
que se tornaram incómodas.<br />
Porque o que transmito<br />
não são recordações.<br />
Este anemómetro tolo regula<br />
o fundir,<br />
o estranho metafísico,<br />
porque sangue em sangue se forma,<br />
é animal que geme<br />
e vocifera o além possível<br />
como um coxo,<br />
e pumba,<br />
cá treme o punho porque a mente se torna idiota.</p>
<p>Vou-me deixar<br />
cair na lama,<br />
e olhem que não sabem o que eu<br />
sinto por ela!,<br />
vou-me libertar no tijolo que em<br />
mim mente,<br />
pelas horas mortiças<br />
que me encandeiam a mente<br />
no ponto alto da minha fúria tão pura.<br />
Anemómetro adorado,<br />
fúria de Alberin;<br />
o turno da noite<br />
que se esconde na<br />
sombra,<br />
que me lembra a desmembração<br />
tipo série<br />
em paralelo<br />
com dois solavancos de preta.<br />
Um olho<br />
pelo outro sempre ficaria bem,<br />
e apercebemo-nos sempre anemómetro<br />
desta dúbia sensação de tudo<br />
o que se diz ter a ver contigo<br />
e do que falo é do<br />
meu olho e o da preta.<br />
Plêiade dos povos,<br />
a mestiça ronda-me os panos com o<br />
seu braço louco de tom<br />
e punha-me nela se fosse<br />
tempo de sentir.<br />
Ela é a tal da cor que<br />
não existe,<br />
a tal da cor que eu fabrico com<br />
peles de várias mulheres<br />
das quais retirei a luz<br />
até ao negro.<br />
Disforme pelos<br />
cantos das paredes,<br />
meio curva para<br />
acompanhar o<br />
som que enche os cantos<br />
destas paredes,<br />
com estas paredes<br />
a serem paredes<br />
e eu a lembrar-me delas porque<br />
quero ser poeta,<br />
e a merda é outra.<br />
Não vou nada,<br />
não tenho nada,<br />
e as coisas não são assim<br />
ou assado,<br />
não são de uma maneira de puta,<br />
nem ohs nem uis pois<br />
a merda<br />
é outra.<br />
É outra!<br />
Só não sei o que é.<br />
Nem sei se é isto,<br />
mas pôr o tempo<br />
no papel é fodido.<br />
Palavras para quê.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><em>Não escrevi para ti.</em></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><em> </em></p>
<p>&nbsp;</p>
<h2>Lamaa</h2>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Alama é sedooosa<br />
Trem’o tempo numa onda<br />
no labbirinto que lh’ aclara<br />
a fronte diabo de Deusa.<br />
As trantas divinas vão-lhe saciar<br />
a fronte sedooosa de musa<br />
tua mulher divinal medusa<br />
tua virginal<br />
mulher em fúria<br />
campãnoola suave lamúria.<br />
Nan tão pouco<br />
surge belo o horror do só<br />
pelo só estado de amourir<br />
o lamento que turva com os oiros<br />
frios lentos solenes nos dentes<br />
que me pisam o corpo<br />
na alma dura tão pura<br />
na alma dura tão sua.<br />
Alama é sedooosa<br />
Trem’o tempo numa onda<br />
no labbirinto que lh’ aclara<br />
a fronte pura de Deusa.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>XER<em> <br clear="all" /></em></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2><strong>O término da questão social perante o tempo</strong></h2>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Algum tempo é constante: a sua passagem mede-se por sub-intervalos iguais.</p>
<p>A aparência inflamava-lhe o corpo.<br />
-Porquê que há tanto tempo não fodemos!<br />
Ela, de olhos fechados, braço sobre a barriga, com as mãos a afagar a sua cintura.<br />
-Não sei. Só que&#8230; apetece-me mas tenho muito sono. Tenho andado com muito sono.<br />
Ele ouviu e prezou o seu tempo, e a loucura que o purificava ali, naquele momento.<br />
-Queres tu dizer que não temos fodido porque tens sono – ergueu o punho bem alto enquanto desprezou acima de tudo o seu querer.<br />
-Oh! Eu sei lá, não tenho uma razão para estar assim, pode-se estar e pronto, e eu, meu deus, quero um sonho mas não o tenho, enquanto tu, foste a bandeira majestosa que se enxovalhou e agora não interrompe sequer o meu ressonar. Ali, bem longe, estás tu, mancha de betume, greta de porta que não se fecha, torneira em forma de cigarro que tanto oscila como cai, e apenas tu estás lá. Mais ninguém. Querido, não há motivos para eu estar assim. Além disso, há os comprimidos.</p>
<p><em>Barrei-me todo no sucesso, enfim, completo, da minha futilidade.<br />
Liquidei-me sem antes me acender até ao brilho da brasa. Penetrei-me todo.<br />
No coiro da vida. Velha teia que afunda a beleza.<br />
Um traço oblíquo permanecerá para todo o sempre em mim,<br />
marca da epopeia heróica de um homem pelos mares de Tchau Tchin.</em></p>
<p>Ela agora dorme. Ele, sonha acordado. Um dia será um belo esquecimento.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2></h2>
<h2><strong>Masturbus</strong></h2>
<h4>Cântico Semi-Rami</h4>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Querida Masturbação<br />
do género humano amada pelo tempo e tempo<br />
Que manual te expandes sem outro auxílio que as belas mãos<br />
e assim te escondes na fricção das glandes<br />
com os teus instrumentos no âmago da uretra<br />
Mecânica é tua força quando exercida no buraco anal<br />
de imensos objectos provocadores da eterna tumefacção<br />
É a tua psicose a engrandecer-te<br />
O doce roçar levíssimo roçar pelos genitais<br />
na Piça que te é adorada<br />
Nos tomates de tusa<br />
Foste tu que te apoderaste de mim<br />
e transbordaste a sólida e numérica fama<br />
do jugo Homem enfim grande<br />
e violenta é a tua face de fome<br />
Anciã a tua génese de tromba larga pelo Homem fora<br />
Das trombas humanas padecida<br />
que é longo o caminho da tua escada espiral acima<br />
até ao toque que apenas pressentes<br />
Galdéria adorada<br />
Os dedos são tua armadilha e o odor do teu ocaso<br />
entranha-se-me nas vísceras dos membros<br />
quando o choro é apenas multidão de espasmos<br />
Fetiche da multidão<br />
macerada pela porcaria dos dedos<br />
lixo<br />
mecanicismo psicológico de sexualidade<br />
Tu que fazes erecções experimentais de prolongada inércia<br />
O Homem enfim cadela anseia e foge<br />
coito do pré fabricado<br />
Com um coice desbravas a multidão de sexos e sonos<br />
de seios fartos e coloridos até ao ínfimo grão de cor<br />
que tem uma determinada frequência espectral<br />
e coloniza o afagamento<br />
Se fosses minha vibrava-te um golpe no cérebro<br />
A válvula na uretra<br />
Ponta afiada na glande<br />
Água a jorros por ti adentro ó Piça desmezurada e podre<br />
Ardo-te o pénis e o membro agora outro vai e vem<br />
e sugas-me o ser com esse fluido quente que por mim entra<br />
E ponta afiada no corte<br />
Corte na piça e dela sai o Amor<br />
Louco como um corte<br />
Masturbus<br />
és feito de perícia<br />
Inicias o canto enquanto as outras dormem<br />
Enfias-te pelos pedestais e congeminas maravilhas<br />
nas enfermarias do desejo<br />
Metes-me no cú esse halo eléctrico e transmites<br />
a voltagem exacta do meu desmembramento<br />
Cú de energia ansiã como eu</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2>Morteiro</h2>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Hipocondríacos de todo o mundo,<br />
acaso uma punheta vos serve,<br />
isto é,<br />
acaso uma punheta vos chega?<br />
Aqui está o homem só,<br />
benevolente com a sua própria miséria,<br />
ou mulher,<br />
o que brota o além como se<br />
fosse hipnotismo,<br />
do barato.<br />
Metrelhadora.<br />
Na sua fronte soturna<br />
brota o anfíbio supremo,<br />
o que maravilha o adeus,<br />
o só anfíbio solar.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2>La Beria</h2>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Meu amor de longas vestes.<br />
Encaixo-te os dentes com alicates<br />
marchetados a diamantes.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
</div><p>The post <a href="https://astrangerparadise.com/metalurgia-por-juca-pimentel">Metalurgia, por Juca Pimentel</a> first appeared on <a href="https://astrangerparadise.com">A Stranger Paradise</a>.</p>]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Necror</title>
		<link>https://astrangerparadise.com/necror</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Sofia Bravo]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 10 Aug 2009 17:59:46 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Airf'Auga 4]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160;</p>
<p>The post <a href="https://astrangerparadise.com/necror">Necror</a> first appeared on <a href="https://astrangerparadise.com">A Stranger Paradise</a>.</p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div class="qt-vc-row-container"><div class="vc_row wpb_row vc_row-kentha"><div class="wpb_column vc_column_container vc_col-sm-12"><div class="vc_column-inner"><div class="wpb_wrapper">
	<div class="wpb_text_column wpb_content_element  qt-the-content" >
		<div class="wpb_wrapper">
			<p><img class="size-full wp-image-2647 aligncenter" src="https://astrangerparadise.com/wp-content/uploads/2009/08/Sofia-Bravo-1-Necror.jpg" alt="Sofia Bravo Necror" width="1066" height="1411" srcset="https://astrangerparadise.com/wp-content/uploads/2009/08/Sofia-Bravo-1-Necror.jpg 1066w, https://astrangerparadise.com/wp-content/uploads/2009/08/Sofia-Bravo-1-Necror-768x1017.jpg 768w" sizes="(max-width: 1066px) 100vw, 1066px" /></p>
<p style="text-align: center;">Sofia Bravo</p>

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			</item>
		<item>
		<title>Bronssi</title>
		<link>https://astrangerparadise.com/bronssi</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Bórgia Ginz]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 10 Aug 2009 18:15:36 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Airf'Auga 4]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://astrangerparadise.com/?p=1469</guid>

					<description><![CDATA[<p>My body despedaçado<br />   anseia pela tua existência.<br />   Leve suave brisa do mar.<br />   Não te amo de uma maneira <br />   vã,<br />   não te quero na comodidade <br />   do meu abraço.<br />   Quero-te violenta nos sonhos do amor.</p>
<p>The post <a href="https://astrangerparadise.com/bronssi">Bronssi</a> first appeared on <a href="https://astrangerparadise.com">A Stranger Paradise</a>.</p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div id="aa1">
<h2>Pumbra</h2>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>My body despedaçado<br />
anseia pela tua existência.<br />
Leve suave brisa do mar.<br />
Não te amo de uma maneira<br />
vã,<br />
não te quero na comodidade<br />
do meu abraço.<br />
Quero-te violenta nos sonhos do amor.<br />
Na Luz que incendeia os<br />
olhos que choram baixinho.<br />
O teu ventre sofre de mim.<br />
O meu corpo sofre da tua plenitude.<br />
És um beijo volátil do<br />
tamanho do mundo.<br />
Amo-te amei-te amar-te-ei<br />
de todas<br />
as cores dispersas.<br />
E assim o meu vento<br />
será sempre o teu vento,<br />
feito de ondas de mar<br />
da altura dos meus sonhos, enormes!<br />
Os teus clarões de beleza,<br />
aqueles<br />
que os olhos permeiam de mansinho,<br />
são-me totalmente pérolas em mim.<br />
És o meu tudo.<br />
Na tua morada do adeus<br />
viste-me e amas-me?<br />
O meu olho esquerdo vocifera<br />
mil razões para te amar.<br />
Se o teu olho viesse de encontro ao meu,<br />
e assim juntos dançassem uma<br />
balalaica de tempos imemoriais!<br />
És demasiado diamante para<br />
te ter apenas em carvão!<br />
És o meu diamante mais puro!<br />
Um leve odor de paixão<br />
que eu retirei dos teus cabelos<br />
é-me companhia.<br />
Todos os meus passos estão<br />
possuídos de ti.<br />
Vejo-te nas esquinas,<br />
aquelas que me querem muito<br />
pois são cruzamentos de vidas,<br />
vejo-te na garra dos pássaros<br />
que passam em debandada e gritam amor,<br />
pelos céus fora,<br />
pela noite fora.<br />
Vejo-te aqui e ali,<br />
e nos dois sítios<br />
ao mesmo tempo.<br />
E ousas chamar a isso<br />
outra coisa que não amor?</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2>Diamante</h2>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Há sonho em<br />
fim de tarde domingueiro,<br />
em cor estilizado<br />
e forte de pessegueiro construído.<br />
Há corpos que se escapam<br />
a mãos acolhedoras,<br />
tão longe<br />
se afiguram em<br />
meias sombras renascidos.<br />
Eu observo toda a gente com a<br />
paixão de quem não tem nada&#8230;<br />
Tudo são pérolas e diamantes,<br />
pequenos cristais translúcidos que volteio suavemente<br />
nos meus dedos ansiosos de recém-nascido.<br />
Da mesa do café onde me encontro,<br />
janela fechada para todo o meu passado,<br />
eu antevejo as torres<br />
torneadas a marfim do meu presente.<br />
E alegro-me com isso&#8230;<br />
E sinto-me todo,<br />
sinto todos os meus músculos<br />
prontos para a acção mais rápida,<br />
sinto o meu cérebro capaz<br />
do raciocínio mais genial,<br />
mais impossível&#8230;</p>
<p>Oh! Não fosse eu apenas eu,<br />
e poderia ser tudo e toda a gente!<br />
Vejo mulheres a quem<br />
gostaria de me dar,<br />
vejo corpos que gostaria de sentir com<br />
a palma da minha mão dourada,<br />
vejo lábios<br />
que gostaria de aflorar<br />
com o meu beijo eterno&#8230;<br />
Dia e noite<br />
sonho com o meu Deus de prata<br />
agigantado ao Infinito!<br />
Consumindo<br />
vidas em suaves embalos de torso despido,<br />
com o Sol a dourar tudo,<br />
fileiras intermináveis de prazeres<br />
a enternecê-lo e a embriagá-lo.<br />
Apoteoses febris de luxúria !!<br />
E eu a dirigir<br />
uma orquestra de mil instrumentos feitos de sonho!</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Não existem dobras nem rugas verdes no meu semblante.<br />
Uma Rainha cristalizada e purpúrea levanta o véu<br />
sobre o meu olhar&#8230;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2><strong>Metempsicose Aptúndica</strong></h2>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Ontem aspirei um sonho…<br />
Envolto em malvadez e desencanto,<br />
fui seguindo pela tracção d&rsquo;O envolto em penumbra.<br />
E quis ser generoso com a dúbia<br />
presença do estranho sentir de sucção<br />
que metamórficamente me percorreu o corpo.<br />
Quis acrescentar que estava solto,<br />
num percurso sonâmbulo de permissividade oculta.<br />
No entanto,<br />
fui interceptado pela razão omnítica<br />
de acordo com a perda de censo que<br />
me foi invadindo lentamente,<br />
após longas horas de meditação em<br />
volta de um sexo aberrante.<br />
Depois,<br />
foi a loucura que tomou conta do<br />
meu ser.<br />
A pouco e pouco senti-me invadir de uma<br />
loucura corporal tal<br />
que decerto estaria flutuando<br />
num qualquer antro derivante do Astral.<br />
Era,<br />
sem dúvida,<br />
a Permanência Newtoniana que discorria a espaços.<br />
Cruelmente real e aleatória que tal.<br />
Por essa altura senti-me<br />
ameaçado por algo exterior que não sei o quê.<br />
Acordei&#8230;<br />
&#8230;na minha cama, no meu quarto, na minha casa<br />
num corpo que não era o meu&#8230;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2>Z</h2>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Filigrana pura<br />
esvoaçante ao vento.<br />
És bálsamo expelido de<br />
mim para fora,<br />
com candeias azuis e vermelhas<br />
encastradas no teu seio desnudado.<br />
Fere-se toda a lucidez<br />
quando te toco;<br />
um tilintar de copos vazio<br />
que ecoa na minha mente<br />
asfixia o teu olhar.<br />
O teu olhar vermelho…<br />
Com fumo à mistura,<br />
em confusão estrambótica<br />
de sensações sem sentido,<br />
que a máscara me escapa<br />
para todo o sempre.<br />
Arde volátil todo o querer que<br />
é antigo e de renome.<br />
Uma mulher pura&#8230;<br />
Uma recordação&#8230;<br />
Estreito o teu sonho<br />
no sonho do meu Amor.<br />
Vejo a tua voz que me acaricia<br />
palavras suaves de sono,<br />
em lençóis brancos de paz.<br />
Esses olhos em sombras projectados,<br />
com as formas todas<br />
vertidas nos teus lábios entreabertos.<br />
O som de um beijo que cai<br />
no fundo suave do corpo…</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2>SMYNTHEUS (1)</h2>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>dorso<br />
torso<br />
fim que ele escolhe<br />
bum…<br />
ar<br />
vertigem<br />
indício de côr<br />
som<br />
tom<br />
a estrela é grande e foge-me</p>
<p>bum…</p>
<p>e<br />
las<br />
ti<br />
ci<br />
da<br />
de<br />
amena<br />
do<br />
fundo<br />
da<br />
alma</p>
<p>bum…</p>
<p>ouvem-se vozes de cantores mortos acima da<br />
linha do horizonte decapitado pelos prédios altos…<br />
vazio<br />
sonho<br />
narciso florido<br />
explosão dupla</p>
<p>bum… bum…</p>
<p>(1) SMYNTHEUS é, em Antonin Artaud, Apolo Smyntheus: que é o<br />
excedido, o extremado, o ponto de ruptura, o abcesso maduro.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Chuva Sobre Violetas</title>
		<link>https://astrangerparadise.com/chuva-sobre-violetas</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Sofia Bravo]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 10 Aug 2009 18:41:31 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Airf'Auga 4]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160;</p>
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	<div class="wpb_text_column wpb_content_element  qt-the-content" >
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			<p><img class="size-full wp-image-2652 aligncenter" src="https://astrangerparadise.com/wp-content/uploads/2009/08/Sofia-Bravo-2-Chuva-sobre-Violetas.jpg" alt="Sofia Bravo Chuva sobre Violetas" width="1066" height="1198" srcset="https://astrangerparadise.com/wp-content/uploads/2009/08/Sofia-Bravo-2-Chuva-sobre-Violetas.jpg 1066w, https://astrangerparadise.com/wp-content/uploads/2009/08/Sofia-Bravo-2-Chuva-sobre-Violetas-768x863.jpg 768w" sizes="(max-width: 1066px) 100vw, 1066px" /></p>
<p style="text-align: center;">Sofia Bravo</p>

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			</item>
		<item>
		<title>THX, por Sofia Bravo</title>
		<link>https://astrangerparadise.com/thx-por-sofia-bravo</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Sofia Bravo]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 10 Aug 2009 18:45:47 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Airf'Auga 4]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>E se eu fosse a mais bela de todas as mulheres, o mais  doce de todos os seres, a mais terna das criaturas, o que faria com tanto? Se  não te tivesse a ti para me contemplar! E no entanto… não sou  tudo isto, não sou nada disto, mas tu  fazes-me sentir como tal. E tenho-te por efémeros momentos em Luas já altas,  sendo a despedida sempre tão dolorosa e desajeitada. Parece prenunciar um fim  inevitável, quando o que eu quero é apenas existir em ti!</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<div id="aa1">
<p align="center"><strong>OSSÂNICO</strong></p>
<p>E se eu fosse a mais bela de todas as mulheres, o mais doce de todos os seres, a mais terna das criaturas, o que faria com tanto? Se não te tivesse a ti para me contemplar! E no entanto… não sou tudo isto, não sou nada disto, mas tu fazes-me sentir como tal. E tenho-te por efémeros momentos em Luas já altas, sendo a despedida sempre tão dolorosa e desajeitada. Parece prenunciar um fim inevitável, quando o que eu quero é apenas existir em ti!<br />
A minha doença é incurável longe de ti, porque a minha cura…és tu!<br />
E procurar-te-ei na impossibilidade, procurar-te-ei na improbabilidade de um para todos os seres humanos à face da Terra! Que vago!… Que vazio! E mesmo neste vazio rebusco-te, vasculho em tudo, e só vejo parecenças contigo. E nesse incessante procurar deparo-me com a infeliz solidão de quem ama… a solidão é sagaz… e descubro que ela esteve sempre aqui no meu peito, e que se instala cada vez que tu estás ausente, ocupando cada vez mais espaço á medida que o tempo passa.<br />
E dói-me na Alma a minha memória!<br />
A recordação das tuas mãos a sufocarem-me de desejo, essas carícias a corromperem com o teu cheiro a minha malvada inocência, esse alecrim e malva que temo tocar porque são o meu veneno. Esse veneno do qual saboreio a maldade de não te ter, de ser, de pertencer…<br />
Este maldito destino, infeliz prisão de vazio que me deixa apenas flutuar nas minhas emoções desmedidas e incoerentes, para assim me deixar exausta de tanto desejar, essas malvas, esses lírios negros em que quase fui tua!</p>
<p><em>A confusão </em><br />
<em>reinou outrora </em><br />
<em>no sonho cheio de Poesia.</em></p>
<p>Hoje,<br />
o amanhecer é bem mais confuso<br />
e a alvorada tarda em chegar.<br />
As palavras&#8230;.<br />
são o meu revólver,<br />
e eu dou-lhes lustro cada vez que penso em puxar o gatilho.<br />
O projéctil vai-me ferir,<br />
como toda a incúria dos meus sonhos,<br />
esses sonhos que tanto gozo tenho em medir.<br />
O fim.<br />
A minha única salvação<br />
que reside na ponta desta pequena forma dourada.<br />
Tenho no bolso o poder da vida e da morte,<br />
e farei uso dele&#8230; em mim.<br />
Antes,<br />
vou-me descalçar nesta rua cheia de calhaus<br />
e senti-los debaixo dos meus pés<br />
com toda a intensidade que me é possível ,<br />
e esperar que a dor me acalme o juízo,<br />
que não tenho.</p>
<p>Os joelhos e os dedos dos pés também em peregrinação se lhes juntam,<br />
e agora as mãos e o tronco.<br />
Arrasto-os no chão húmido e molhado pela chuva<br />
desta noite Invernal.<br />
Sussurro,<br />
porque não tenho voz para toda a revolta<br />
que é a dor do meu corpo,<br />
que é a Alma já muito<br />
ferida no tormento negro dessa minha revolta,<br />
alma amarga como fel,<br />
envenenada nesta angústia,<br />
sem fim,<br />
sou eu<br />
própria,<br />
que se aquece nela<br />
como quem se enrola num véu negro de Igreja<br />
e o usa contra tudo o que é exterior.<br />
É este o legado do meu descontentamento.<br />
Este é o legado da minha dor.</p>
<p>As palavras são o revólver,<br />
a que dou lustro,<br />
enquanto penso em puxar o gatilho.</p>
<p>És um jardim fechado<br />
Abandonado ao vento.<br />
Sento-me num qualquer dos teus bancos,<br />
E não, não ficarei sentada<br />
Caminharei antes, por entre as tuas árvores.<br />
Olho as nuvens apressadas<br />
Que logo se perdem nas folhagem das árvores<br />
Que me cercam, e o vento que as agita<br />
agita também um rodopio de folhas<br />
Vermelhas, caídas no chão<br />
Elevando-as até á minha altura<br />
Numa espiral sonora, própria das folhas de Outono<br />
Rodopiam à minha roda,<br />
elevando-as e esmorecendo na canção do vento frio de Outono<br />
O riacho corre sorrateiro<br />
Por debaixo da ponte de madeira<br />
Salteando as pedrinhas,<br />
num sapateado alegre e distraído</p>
<p>Molhando gentilmente as raízes que repousam como<br />
Mãos cheias de longos dedos na beira do riacho<br />
Nas margens, o verde do musgo é tão alegre<br />
Que dá vontade de gritar com ele<br />
Toda a sua cor sublime de vida<br />
E caminharei com os pássaros<br />
A contarem-me histórias fúteis<br />
A contradizerem-se numa estridente algazarra<br />
Por entre este jardim fechado<br />
Habitado pelo vento,<br />
O vento sopra e espalha no infinito<br />
O aroma silvestre dos deliciosos frutos<br />
Que colho e saboreio como vinho<br />
Em bebedeiras de vida.</p>
<p>Anjo perdido,<br />
procura uma sombra<br />
anda fugido,<br />
algo que o esconda<br />
de rosto triste<br />
este sol que queima<br />
alma dorida desta realidade que teima<br />
desta vida sofrida<br />
que arrogante surge<br />
perturba as Crianças<br />
e o seu tempo que urge<br />
sacode-lhes a esperança<br />
e deixa que a mente lhes turve<br />
sem pensamentos nem Alma<br />
eis o Diabo que surge.</p>
<p>Vida impossível<br />
em todas as suas sinuosas farsas<br />
as minhas lembranças atraiçoam o destino<br />
que em caprichos é insuportável<br />
Esta aguarela viva<br />
que se pinta de caprichos<br />
da mão de um louco qualquer<br />
tela velha cheia de rugas<br />
imperfeições da loucura<br />
que atormenta cada instante meu<br />
da minha vida esborratada<br />
cheia de erros<br />
cheia do nada<br />
tu escreves em folhas novas<br />
e pintas em novas telas<br />
aquilo que haveria de ser<br />
o meu Mundo<br />
cheio de rosas<br />
mas eu sou Violeta<br />
e as violetas<br />
morrem á chuva.<br />
As tuas lágrimas<br />
ferem, de uma forma atroz<br />
molham-me de angústia<br />
neste vazio&#8230;<br />
na tua ausência.<br />
E quem chora sou eu<br />
e de angústia estou encharcada.</p>
<h2>Letras Douradas</h2>
<p>Letras douradas em pergaminho Violeta<br />
Caras pintadas num teatro maneta<br />
Portas Altas De fronte de um Altar<br />
Negros hábitos encolhidos a chorar<br />
Torre mística da Igreja Matriz<br />
É lívido o sorriso que me diz:<br />
-É por ali que tens de ir…<br />
Não creio que seja feliz.</p>
<p>(Estática, tento esconder a minha voz)</p>
<p>Sou um ser híbrido que se molha<br />
Com a dor de um ser feroz<br />
E mata sem pudor o sentimento<br />
Num agreste vento de Tarot maior<br />
E que de repente<br />
Sente algo que a perturba<br />
E sou eu própria a sentir-me só<br />
Adormecida num vale de Lágrimas<br />
A chorar o belo a detiorar-se<br />
A magia perdida<br />
O encanto disperso<br />
Na solidão que ninguém sente</p>
<p>Um sopro veloz de angústia<br />
Dissipa o Amor verdadeiro e cristalino<br />
Como as pedras preciosas desfeitas em pó<br />
Ou as penas de pavão que já não voam<br />
Que são cortadas para belos efeitos de velório<br />
A sete palmos da terra do cheiro intenso<br />
Da água putrefacta dos cemitérios</p>
<p>É só&#8230;<br />
Está só…<br />
Ainda não se libertou da cruz do calvário<br />
Que é a da perda<br />
Que é o corpo sem vida<br />
Que jaz inanimado e sem amor<br />
Como uma rosa vermelha<br />
Que morre sozinha<br />
Sem ninguém a contemplar a sua doce ternura<br />
Sons de sublime perícia serpenteiam no sentimento fúnebre&#8230;<br />
Vozes em lamúrias docemente sentidas de angústia perturbadora<br />
E que gritam em uníssono represálias de uma sinfonia ardente<br />
Falam de ódio porque não lhes é permitido Amar<br />
Anjos de espadas procuram o ultriz<br />
Oferecem recompensas a quem lhas vingar<br />
Na lua brilhante de prata<br />
Centelhas velozes de medo<br />
Torturam e mutilam o Amor<br />
Desse ser híbrido a quem não é permitido Amar<br />
Poderei eu ofertar-lhe as memórias que me perturbam?<br />
Poderei eu esquecê-las?</p>
<h2>A Árvore do Poeta</h2>
<p>Esse poeta,<br />
feito de retalhos,<br />
com a fisionomia<br />
marcada pelos defeitos e virtudes<br />
das paixões e angústias.<br />
A face expressiva,<br />
entalhe de vivências.<br />
As várias faces.<br />
A alma de cinza<br />
ou verde de sempre criança,<br />
na busca da inocência<br />
ou sabedoria<br />
do sonho sempre em azul.</p>
<p><em>As jarras onde crescem caules contêm a essência da poesia.</em></p>
<p>Dos caules<br />
pendem folhas escritas<br />
que voam ao vento<br />
e voam muitas vezes<br />
sem que ninguém as leia ou contemple<br />
e passa o tempo<br />
e elas caiem<br />
como as vivências que mudam<br />
e acabam no chão fértil do pensamento,<br />
alimentando essa mesma essência<br />
de alma<br />
de poeta<br />
neste ciclo.<br />
Dor.<br />
Sangue.<br />
Representando assim o Amor.<br />
Essas raízes bem presas ao chão<br />
do Mundo terreno,<br />
das paixões,<br />
nesse amor de pássaros e vento<br />
em voo livre,<br />
de rochas que<br />
estão sempre lá na sua velhice antiga,<br />
com os minerais a serem a essência da terra<br />
sempre mutável para nós,<br />
que tentamos diluir nos elementos<br />
do pensamento<br />
tornando-os pó,<br />
que se molda<br />
de acordo com a vida,<br />
e que eu quero diluir,<br />
transformar,<br />
ser.</p>
<h2>Da’ Wah</h2>
<ol>
<li><u>O Apelo Interior</u></li>
</ol>
<p>Sinto-te&#8230;<br />
no correr do meu sangue.</p>
<p>No desejo ofegante das lembranças quentes&#8230;<br />
nas vozes, nos cultos sagrados.<br />
És impregnado de fantasia,<br />
tenho-te condensado,<br />
no formol dos meus sentidos<br />
em todas as minhas moléculas,<br />
o teu ventre quente&#8230;</p>
<p>Todos os meus sentidos apurados, para te sentir melhor.</p>
<p align="center">-Ahhhhhh!&#8230;&#8230;&#8230;</p>
<p><strong>In</strong>&#8230;<br />
Já nada&#8230; do que foi real, o voltará a ser!<br />
Ficará para sempre<br />
nas catacumbas carnazes<br />
do que jamais será&#8230;</p>
<p><strong>Teri</strong>&#8230;<br />
Derrama encanto,<br />
mesmo em terras outrora adormecidas<br />
Despertando um extinto sentido&#8230;</p>
<p align="center">-Ahhhhhh!&#8230;</p>
<p><strong>Or</strong>&#8230;<br />
Abismo<br />
Império perdido<br />
Sétima dimensão<br />
talvez entre a vida e a morte<br />
e digo-te&#8230;<br />
Esses teus lábios&#8230;<br />
me beijarão!<br />
O teu corpo&#8230;<br />
se dará ao meu!<br />
Num tal impulso de terror,<br />
que perder-se-á no espaço,<br />
nessa sétima dimensão!</p>
<p>Resgato-te<br />
pela ponta dos dedos.</p>
<p align="center"><strong>I&#8230;</strong></p>
<p align="center"><strong>II&#8230;</strong></p>
<p align="center"><strong>III…</strong></p>
<p align="center">Rasgo e&#8230;</p>
<p align="center">Chão!</p>
<p align="center">Espuma, convulsão<br />
Dilação, conquista<br />
Grita, geme, fala,<br />
caminha, anda, trás<br />
Vem&#8230;Vem&#8230;Vem&#8230;<br />
Onde!<br />
Tardo na colina&#8230;<br />
no vale que desconheço<br />
na fonte perdida<br />
Q ninguém viu<br />
Nasceu ontem<br />
Com a chuva de Inverno<br />
Pura&#8230; escorre&#8230;<br />
Dissipa<br />
bosques molhados<br />
Água, terra&#8230;.<br />
Barro&#8230;. Argila&#8230;.<br />
Tranquila da sua existência perdida<br />
Passiva, crua, fria&#8230;<br />
Existência ocasional<br />
Capricho&#8230;compromisso</p>
<p align="center">Meio de mim<br />
se afoga em ti<br />
à deriva, esconjurada<br />
entranhada,<br />
estreita<br />
Quer endireitar-se<br />
Assim&#8230;<br />
Lunática obsessão, Rigoroso&#8230;.<br />
Vórtice, luping<br />
No memorial dos sentidos<br />
Infindável saliente<br />
proeminente no passado<br />
Impossível ser uma previsão futura<br />
são os sonhos que me lembro<br />
de não esquecer<br />
são tudo o que tenho<br />
no futuro<br />
que não é meu.</p>
<p align="center">Ainda&#8230;</p>
<p>Eu sei&#8230; aquilo quero é apenas o que quero, o meu desejo deste momento é completamente irreal. É precisamente esse o fascínio do desejo, ou não fosse eu o que sou, e deixaria de desejar o impossível.<br />
O irreal é idealizado por mim até ao pormenor, para que o desejo seja aquilo que quero.<br />
A vida subtilmente adoçada com o irreal.<br />
Algo que muito desejo, tem as qualidades de um ser prefeito, que me parece só em mim existir, porque a perfeição não é universal.<br />
O perfeito não se materializa!</p>
<p>Longínquo sentimento de razão que me traria algum alento sem sinceras esperanças busco uma coisa invisível, sempre ao longe.<br />
Tenho nas mãos os cardeais de um tesouro, que não se situa neste planeta!<br />
O Amor é um Beco sorvedor dos meus mais secretos lamentos, geometricamente medidos a partir de cardeais inconcretos, na dualidade de existências.<br />
São espectros do sentir de fera mansa, que se quer equilibrar nas diagonais do destino, e aos tropeções perde-se em becos sem saída, No Exit.<br />
Sou equilibrista nato que bamboleia na corda laça da razão, infinita teia crua da tristeza que se constrói na Alma, abafando-me assim o pudor, enlaçando-me com gestos mansos, deixando-me fraca com tanta ternura, vulnerável nas mãos de um predador.<br />
Eu&#8230; estrambótico ser alado de sentimentos cruéis…<br />
És a Obra-prima da minha loucura frenética em desespero melancólico.</p>
<p>E não te mereço nem por um só devaneio.<br />
Sinto-te como um&#8230; mero frio, que me tacteia a espinha&#8230; dissipando-se em suaves delicias, ornada de magistrais prazeres, fulcro total, és tudo!<br />
Eu, esqueleto trémulo, ténue, de memórias em vórtice, fragmenta-se em tremor no epicentro poeirento da tua memória. Espiral incontornável de sensações efémeras, ansiedade&#8230;<br />
Enrolam-se por mim acima, com braços, nádegas, coxas, as mãos nas minhas, estas que desejam esculpir o torpe barro dos sentidos, levando-o depois para a ressurreição. Mas, para ti sou apenas a expressão de um maneirismo feito á toa, inobservante!</p>
</div>
<div id="aa1">
<h2>Lorelei</h2>
<p>Obra-Prima da minha loucura frenética,<br />
fluir de desejos melancólicos!<br />
Ternura&#8230;<br />
Lívido ornamento dos sentidos,<br />
quer-me persuadir!<br />
Nua&#8230;<br />
Pérola Epiteal reflectida no espelho,<br />
loucura inquietante!<br />
Ossos&#8230;<br />
Esqueleto trémulo, ténue de memórias,<br />
cambaleia por entre destroços!<br />
Morta&#8230;<br />
Inspira as carícias fugazes<br />
desse corpo que te quer possuir<br />
na ternura do predador.<br />
Ele é teu&#8230; Agora!<br />
Tumba&#8230;<br />
No turbilhão da confusa<br />
dualidade das existências.<br />
Penumbra&#8230;<br />
Negro.</p>
<p>Albina e Cega<br />
Morta e Des&rsquo;Almada<br />
Náufraga<br />
Suspiro&#8230;<br />
alívio que reconhece a esperança.<br />
O sopro&#8230;<br />
É o Vento dos Homens.<br />
Estou enleada no lodo.<br />
Mas talvez a superfície me encandeie.</p>
<p><em>Tenho a meus pés, os alicerces de uma grande obra.</em><br />
<em>Tenho a Alma em construção.</em></p>
<p>A ruína é majestosa, requer cuidados.<br />
A construção&#8230; Perícia.<br />
O mestre será virtuoso.<br />
O propheta, cego.<br />
O Deus, absorto.<br />
O Rei, Imperador.</p>
<p>Já que a confusão reina, pondo e dispondo aos olhos da minha impotência, não é altura para provar nada a ninguém. Não há nada a provar! As provas ficaram para trás, assim como as escolhas acertadas; ficaram silenciadas nos presentes que já tiveram lugar. E lá ficaram!…<br />
A vida é um movimento incessante, e quando acelera rumo ao nada, a vaga é tempestuosa, forte, incontornável , toma-la à força! E a nossa desgraça… A fadiga silencia-nos. Deixo-me então ir para um Futuro que ainda poderá ser claro, e descobrir a direcção a tomar.</p>
<p>Autómato andrógino fatigado.</p>
<p>Toda a permanência torna-nos estáticos. Somos todos iguais em qualquer estaticidade. Não nos desembaraçamos do cordel sempre esticado da virtude. Não nos desenlaçamos desse cordel demasiado esticado que nos começa a marcar os tendões, começando assim a falta de força. Largo a meada e tudo se desenrola… Rasgo por força o cordão umbilical e toda a pele que reveste o coração. Rasgo… pela força da mudança.<br />
A mudança!…<br />
O Novo&#8230; Paladar, Olfacto, Presenças…Vasculho e Rebusco na cumplicidade o que desconheço, e encontro coisas que quero só para mim. E nado fundo, nesse Futuro que ainda há-de ser menos turvo.<br />
Vaga fria&#8230;<br />
Fria de desconsolo&#8230;<br />
Desalento.<br />
Lancinante…</p>
<h2>Cássio</h2>
<p>Dormente!<br />
Feto vacilante no recôndito útero do Mundo.<br />
Dormente!<br />
Estático<br />
Vacila e cresce numa redoma,<br />
agita-se no seu interior.<br />
Vacilante<br />
Útero estático,<br />
Em constante movimento,<br />
cresce numa redoma de inquietude,<br />
esbraceja de braços cruzados,<br />
apertados de encontro ao peito.<br />
Perímetro cefálico,<br />
córtex condicionado ao Rei dos sentidos:<br />
A Visão&#8230;<br />
Enquanto ela domina,<br />
todo o Mundo permanece encandeado na sua própria beleza.<br />
A mente dormente,<br />
encandeada em estímulos passionais.</p>
<p>Sente a proximidade do vácuo.<br />
Um infinito impalpável,<br />
longínquo&#8230;<br />
Dominante!<br />
Os sentidos são limitados<br />
pelo perímetro da percepção, imediata!<br />
Isolação.<br />
Talvez nos abstraia do exterior.<br />
Talvez torne possível a absorção do real.<br />
-Não há progresso sem acção!<br />
Sem interacção com o Exterior!<br />
-Fecha os olhos!&#8230;<br />
Percebe o porquê da nossa impotência!<br />
Isola-te.<br />
De qualquer comodidade<br />
ou de outra existência paralela à tua.<br />
No vazio&#8230;<br />
Perpetua a procura de algo,<br />
não sabendo exactamente o que é.<br />
Nada me satisfaz.<br />
&#8230;sinto-me completamente anestesiada.<br />
-Que loucura tão contida!&#8230;<br />
Loucura Lúgubre<br />
dos meus sentidos mais rebuscados.<br />
Tudo me parece tão pequeno,<br />
quase tudo deixa de existir,<br />
nada se materializa em desejo,<br />
é tudo vago&#8230;<br />
Amplo&#8230;<br />
sem intensidade.<br />
-O que se passará comigo?<br />
Será que a ciência explica?<br />
&#8230; A metamorfose do espírito insatisfeito,<br />
em abstracção completa?</p>
<p>Desmaio em mim!<br />
O Outro eu&#8230;<br />
que ainda se mexe,<br />
cutuca com uma Vara<br />
Num Corpo&#8230;<br />
caído no espaço vazio.<br />
Só&#8230;<br />
É-me difícil viver com ela,<br />
essa companheira insalubre,<br />
completamente insalubre<br />
para os meus sentidos<br />
bem apurados na loucura sentimental.<br />
Dentro da minha Redoma,<br />
estou fisicamente condicionada,<br />
os sentidos parecem perder as<br />
estribeiras!<br />
&#8211; A qualquer Momento&#8230;</p>
<h2>THX</h2>
<p>Na carne fria<br />
Molhada das minhas memórias<br />
Com os olhos dormentes<br />
De tanto sangrar a Alma<br />
Só queria poder arrancar de mim<br />
Toda a minha angústia<br />
Não me desiludir quando Amar<br />
Dormir contigo<br />
Ao invés das memórias<br />
Sorrir contigo<br />
E sentir o riso<br />
No meu corpo todo<br />
Ouvir as histórias<br />
Sem ti…<br />
O Mundo parace não ter Ar<br />
Não ter cheiro<br />
Não ter cor</p>
<p>Estou doente<br />
Demente de ti</p>
<p>&#8211; O meu corpo decompõe-se, na loucura desenfreada desta fuga ao Ódio que está em todo o lado, que me persegue, que fala dentro de mim, e fujo de mim, fujo de tudo, desse ódio que existe em mim…<br />
Quer levar-me à loucura. É um velho frio e nojento; ama-me com tal desleixo, que me entalou no ventre a mortandade que ele idealiza em mim. Como arrancar de mim a pureza amável do monstruoso ódio que me possui…<br />
&#8211; Mata-o.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Cristalz</title>
		<link>https://astrangerparadise.com/cristalz</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Sofia Bravo]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 10 Aug 2009 19:05:57 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Airf'Auga 4]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160;</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<div class="qt-vc-row-container"><div class="vc_row wpb_row vc_row-kentha"><div class="wpb_column vc_column_container vc_col-sm-12"><div class="vc_column-inner"><div class="wpb_wrapper">
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			<p><img class="aligncenter size-full wp-image-2645" src="https://astrangerparadise.com/wp-content/uploads/2020/10/Sofia-Bravo-3-Cristalz.jpg" alt="Sofia Bravo Cristalz" width="1066" height="1411" srcset="https://astrangerparadise.com/wp-content/uploads/2020/10/Sofia-Bravo-3-Cristalz.jpg 1066w, https://astrangerparadise.com/wp-content/uploads/2020/10/Sofia-Bravo-3-Cristalz-768x1017.jpg 768w" sizes="(max-width: 1066px) 100vw, 1066px" /></p>
<p style="text-align: center;">Sofia Bravo</p>

		</div>
	</div>
</div></div></div></div></div><p>The post <a href="https://astrangerparadise.com/cristalz">Cristalz</a> first appeared on <a href="https://astrangerparadise.com">A Stranger Paradise</a>.</p>]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Suicidiária e outros poemas, por Bórgia Ginz</title>
		<link>https://astrangerparadise.com/suicidiaria-e-outros-poemas-por-borgia-ginz</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Bórgia Ginz]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 10 Aug 2009 19:10:38 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Airf'Auga 4]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://astrangerparadise.com/?p=1477</guid>

					<description><![CDATA[<p>Escrevo em desalento fortes sonhos castrados por mim Incógnitos de cor verde que me penetram para logo me Despejarem dor e acidez nos cabelos velhos e deslavados Que eu sei serem meus na escuridão do meu ventre só Estou ameno, colhido na turva água do dia findo Finalmente no arcanjo que chora com o gelo Nas suas mãos doidas de espinhos a fremir Ferozes pilares que se encontram adormecidos por baixo dos corpos Dos olhos de jóias perfuradas na noite pobre do meu querer</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<div id="aa1">
<p>&nbsp;</p>
<h2>Suicidiária</h2>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Escrevo em desalento fortes sonhos castrados por mim<br />
Incógnitos de cor verde que me penetram para logo me<br />
Despejarem dor e acidez nos cabelos velhos e deslavados<br />
Que eu sei serem meus na escuridão do meu ventre só<br />
Estou ameno, colhido na turva água do dia findo<br />
Finalmente no arcanjo que chora com o gelo<br />
Nas suas mãos doidas de espinhos a fremir<br />
Ferozes pilares que se encontram adormecidos por baixo dos corpos<br />
Dos olhos de jóias perfuradas na noite pobre do meu querer<br />
Enfeitas-te, oh, querida noite que tanto foste travo e testa<br />
Cheia de rosas em semblante de oiro e que agora me<br />
Deixas virgem de cor e som, escorregadio na neve<br />
Eu vejo a tristeza dos meus queridos braços e pernas<br />
Tatuados por amigos de cinza nos olhos febris<br />
Eu vejo a amizade que os meus membros têm por mim<br />
E que eu não aconselho ao fim da mármore alta do Judeu<br />
Eu vejo homens violados por mulheres imaginárias<br />
Nas esfíngies violentas do adeus sonâmbulo<br />
Na noite adocicada do teu encolher de ombros<br />
Nascem os tornozelos dos anjos cantantes<br />
Das misericórdias supremas<br />
Em fins de tardes coçadas por mãos de Deusa<br />
Cruel e anónima, com os seus dedos esguios<br />
A esvoaçarem nos campos de ervas cheios<br />
Como os olhos dos felinos que se atravessam<br />
Nas estradas onde não passam carros<br />
Como os mendigos de pão no bolso que se afastam<br />
Em ondas de pernas brancas e lisas no escuro<br />
Como o suco de sexos usados em quartos de<br />
Paredes vazias com os mirones entrecortados<br />
Como a execução gráfica do condenado em páginas<br />
Adoradas e torpes como violetas e narcisos murchos<br />
Como as veias que sangram e dão vida a corpos<br />
Nus que se estendem pela manhã nascente<br />
No fim do mundo agonizante que quer pêndulos<br />
No seu sexo guarnecido a jóias milenares<br />
Eu sei que nasci para viver todos os dias<br />
Com as mulheres que eu não conheço todas doidas<br />
A fazerem carícias nas grades do meu calabouço suspenso<br />
No ar imundo que eu respiro para morrer<br />
Os pássaros que eu tenho no meu peito com cabelos<br />
Não são meus nem eu quero aprisioná-los com<br />
Palavras doces e mãos abertas em amor na ponta dos dedos<br />
Quero-os a pisar terras que eu não sei<br />
Que eu nunca sonhei mesmo depois de ter sonhado<br />
Tal como as sombras que se abatem por sobre as paredes nos<br />
Finais de tarde esquecidos e não violentos por serem sóbrios<br />
Queria poder aspirar o odor dos gatos quando estão com cio<br />
E em cima dos montes altos suspiram amor a cobrir-lhes o pêlo<br />
Há na fome do mundo todo um olhar vazio que se detém<br />
Sobre a minha nuca e eu piso com os dentes que se afastam</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2>Amantes longos</h2>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong> </strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>A alavanca puxa o tronco caído,<br />
verme latente a três dimensões,<br />
que se dissemina pelos poros que assombram<br />
beijos de cores disformes que se afastam.<br />
Anjos supremos diletantes em esforço<br />
anunciam a queda fuzil de tempos novos<br />
lestos alheios de antas vazias.<br />
Nervocide beija o amante morto em furo.<br />
O amante puxa a alavanca que se anuncia feroz<br />
e permanece em força bruta entre os seus dedos de carmim.<br />
O seu corpo beija Nervocide pela metafísica<br />
e percorre os elos que faltam na obscuridade latente<br />
entre olhos vazios furos de morte e espasmos senis.<br />
As peles deixadas ao acaso sussurram perenes.<br />
E a Bela deixa cair os braços pelos tendões.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2>Plano inclinado</h2>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong> </strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Lamento sempre o que vem<br />
e o que te tem<br />
para bem longe do Unicórnio dourado<br />
da minha lonjura.<br />
Esta doce estranheza que embarca<br />
sublime rumo ao monstro<br />
que se deita comigo no fim de mim.</p>
<p>No fim é sempre plano.<br />
Penetramus é o assombro do real inquebrável!</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Viajo no encalço do tempo<br />
meio perdido na imensidão do buraco<br />
que nasce a meus pés<br />
pelo movimento dos meus pés<br />
que me enterra enfim sempre aqui.<br />
Este impenetrável assombramento<br />
do que foi e nunca será<br />
a absoluta conjugação da Pirotécnia.</p>
<p>No fim é sempre plano.<br />
Penetramus é o assombro do real inquebrável!</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2>Bronssi</h2>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong> </strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Lon Min of tuly<br />
Ie donc par beltran<br />
Ka ess kas et june<br />
Ik tong pum pum</p>
<p>Sor per la fool des viles<br />
Ik tong pum pum lokes<br />
Dir fias el transksection<br />
Jor lion filles et kas ess kas</p>
<p>Rimbaud loked in furt<br />
Gonmeyer flip flop transisteur<br />
Duct ca los tier<br />
Ta beltran et ka ess kas</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Árvore do Poeta</title>
		<link>https://astrangerparadise.com/arvore-do-poeta</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Sofia Bravo]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 23 Oct 2020 22:16:49 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Airf'Auga 4]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160;</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<div class="qt-vc-row-container"><div class="vc_row wpb_row vc_row-kentha"><div class="wpb_column vc_column_container vc_col-sm-12"><div class="vc_column-inner"><div class="wpb_wrapper">
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			<p><img class="size-full wp-image-2658 aligncenter" src="https://astrangerparadise.com/wp-content/uploads/2020/10/Sofia-Bravo-5-Arvore-do-Poeta.jpg" alt="" width="1066" height="1306" srcset="https://astrangerparadise.com/wp-content/uploads/2020/10/Sofia-Bravo-5-Arvore-do-Poeta.jpg 1066w, https://astrangerparadise.com/wp-content/uploads/2020/10/Sofia-Bravo-5-Arvore-do-Poeta-768x941.jpg 768w" sizes="(max-width: 1066px) 100vw, 1066px" /></p>
<p style="text-align: center;">Sofia Bravo</p>

		</div>
	</div>
</div></div></div></div></div><p>The post <a href="https://astrangerparadise.com/arvore-do-poeta">Árvore do Poeta</a> first appeared on <a href="https://astrangerparadise.com">A Stranger Paradise</a>.</p>]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Venus of Kazabäika</title>
		<link>https://astrangerparadise.com/venus-of-kazabaika</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Bórgia Ginz]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 24 Oct 2020 07:07:31 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Airf'Auga 4]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O’, perco-me Toda!<br />
Entro no Teu Dommynio de Sonho<br />
e és a minha Funesta Maravilha.<br />
Espero pelos Teus Anjos nos braços,<br />
Gótticos Embates na minha Ventura,<br />
e entretenho a minha Virtude<br />
com os Tronos da Tua Pureza de Guerreiro.</p>
<p>The post <a href="https://astrangerparadise.com/venus-of-kazabaika">Venus of Kazabäika</a> first appeared on <a href="https://astrangerparadise.com">A Stranger Paradise</a>.</p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div class="qt-vc-row-container"><div class="vc_row wpb_row vc_row-kentha"><div class="wpb_column vc_column_container vc_col-sm-12"><div class="vc_column-inner"><div class="wpb_wrapper">
	<div class="wpb_text_column wpb_content_element  qt-the-content" >
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			<h2>Fora</h2>
<p>O’, perco-me Toda!<br />
Entro no Teu Dommynio de Sonho<br />
e és a minha Funesta Maravilha.<br />
Espero pelos Teus Anjos nos braços,<br />
Gótticos Embates na minha Ventura,<br />
e entretenho a minha Virtude<br />
com os Tronos da Tua Pureza de Guerreiro.<br />
A minha Mente é Tua Cama.<br />
Aplicas-Te Duro na minha Coroa<br />
e rolas-me nos Ventos do Nada para Bem Longe,<br />
para a Lonjura.<br />
E cá fico.<br />
Perante O Negro do Tempo em que se Tornaram Os Teus Cabelos.<br />
O’, perco-me Toda!<br />
Enfio-me pelos Teus Pedestais Loucos em Fúria!<br />
O’, perco-me Toda!</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><em>Vénus Caída</em></p>
<p>&nbsp;</p>
<h2>DRAMA ESTÁTICO A DUAS DIMENSÕES<br />
ou<br />
A PARAFERNÁLIA DO DESOSSADO</h2>
<p>(pum)</p>
<p>Lanebt.<br />
Quem tem os pós nos medos?<br />
Lanebt.<br />
Quem tem os pós nos medos?<br />
Lanebt.</p>
<p>Fim</p>
<p>Dramaturgia litúrgica com arremesso de matéria<br />
pesada na dilaceração.<br />
Lamento diário a 5 rpm. 1 rpm=380º.r. Dissonância<br />
concreta.<br />
Sala senhorial com metafísica aberrante na<br />
proporção. O encaixe dá-se<br />
pela medula. Óculo transviado.</p>
<p>2º Fim</p>
<p>O homem podre afasta-se pelo meridiano.<br />
A sala abate-se sobre a audiência.</p>
<p>Fim último</p>
<p>Em metamorfose oxidada, surge o pânico!</p>
<p>Lanebt, suspira de alivio!</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><em>Venus in Shadow</em></p>
<p>&nbsp;</p>
<h2>Mortandade elíptica</h2>
<p>Vocês,<br />
os mortos,<br />
os que me rodeiam a pretuberância,<br />
vão rastejar pelos lodos da fé<br />
enquanto espreitam a oportunidade<br />
de anteverem o meu sexo sagrado,<br />
de lhe tocarem com os dedos de<br />
esperma hediondo,<br />
infecundo,<br />
gangrenado.<br />
Vão lamber os cotos pela lamúria<br />
de serem tão toscos na celeridade.<br />
Oh, homens castrados que nada<br />
valem para além de um tiro!<br />
Lamento-me de ser tão bem lapidada<br />
no meio de vós,<br />
animais da formatura<br />
em rebanho.<br />
Amputo-vos a sombra,<br />
decepo-vos o cérebro quase existente,<br />
aniquilo-vos o tempo que já vai sendo demasiado.<br />
Adorarei saber o vosso sangue a escorrer pela calçada do cemitério,<br />
depois do louva a deus que enterra os corpos e os leva<br />
para o precipício de Abdalon.<br />
Eu lá estarei, de pernas abertas e mãos em forma de adeus.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><em>Venus of Kazabäika</em></p>

		</div>
	</div>
</div></div></div></div></div><p>The post <a href="https://astrangerparadise.com/venus-of-kazabaika">Venus of Kazabäika</a> first appeared on <a href="https://astrangerparadise.com">A Stranger Paradise</a>.</p>]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Li</title>
		<link>https://astrangerparadise.com/li</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Sofia Bravo]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 24 Oct 2020 07:16:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Airf'Auga 4]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160;</p>
<p>The post <a href="https://astrangerparadise.com/li">Li</a> first appeared on <a href="https://astrangerparadise.com">A Stranger Paradise</a>.</p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div class="qt-vc-row-container"><div class="vc_row wpb_row vc_row-kentha"><div class="wpb_column vc_column_container vc_col-sm-12"><div class="vc_column-inner"><div class="wpb_wrapper">
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			<p><img class="size-full wp-image-2674 aligncenter" src="https://astrangerparadise.com/wp-content/uploads/2020/10/Sofia-Bravo-6-Li.jpg" alt="Sofia Bravo Li" width="1066" height="1278" srcset="https://astrangerparadise.com/wp-content/uploads/2020/10/Sofia-Bravo-6-Li.jpg 1066w, https://astrangerparadise.com/wp-content/uploads/2020/10/Sofia-Bravo-6-Li-768x921.jpg 768w" sizes="(max-width: 1066px) 100vw, 1066px" /></p>
<p style="text-align: center;">Sofia Bravo</p>

		</div>
	</div>
</div></div></div></div></div><p>The post <a href="https://astrangerparadise.com/li">Li</a> first appeared on <a href="https://astrangerparadise.com">A Stranger Paradise</a>.</p>]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Contos Normais, por Bórgia Ginz</title>
		<link>https://astrangerparadise.com/contos-normais-por-borgia-ginz</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Bórgia Ginz]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 24 Oct 2020 07:46:14 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Airf'Auga 4]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Acordei tarde. Abri a portada de madeira da janela do meu quarto e vi como a noite se aproximava: mais alguns minutos e nada mais haveria do que a própria escuridão. Um sono fácil ter-me-ia rapidamente feito tombar por sobre a cama de lençóis desfeitos, mas quis ver até que ponto ainda dominava os meus músculos, e em verdadeiro esforço dirigi-me até à sala e retirei o maço de tabaco do bolso do casaco.</p>
<p>The post <a href="https://astrangerparadise.com/contos-normais-por-borgia-ginz">Contos Normais, por Bórgia Ginz</a> first appeared on <a href="https://astrangerparadise.com">A Stranger Paradise</a>.</p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div class="qt-vc-row-container"><div class="vc_row wpb_row vc_row-kentha"><div class="wpb_column vc_column_container vc_col-sm-12"><div class="vc_column-inner"><div class="wpb_wrapper">
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			<div align="center">
<div style="max-width: 900px;" align="justify">
<h2>Sonâmbulos</h2>
<p>Acordei tarde. Abri a portada de madeira da janela do meu quarto e vi como a noite se aproximava: mais alguns minutos e nada mais haveria do que a própria escuridão. Um sono fácil ter-me-ia rapidamente feito tombar por sobre a cama de lençóis desfeitos, mas quis ver até que ponto ainda dominava os meus músculos, e em verdadeiro esforço dirigi-me até à sala e retirei o maço de tabaco do bolso do casaco. Nada era para mim mais importante, naquele instante, do que levar o cigarro aos lábios e acendê-lo, até me envolver todo de fumo cinzento que por certo me afagaria a face ensonada. O rádio estava ligado. Mas não ouvia som algum. Dir-se-ia que todo eu repousava no mais inerte dos pântanos, amenamente frouxo. Regressei ao quarto e tirei do guarda-fatos um par de calças. Como elas pesavam! Senti os dedos, todos enclavinhados naquele tecido poeirento, a rangerem como guizos ferrugentos, entorpecidos. Sentei-me na borda da cama e fiquei a olhar as manchas de humidade nas paredes do quarto. Os ombros dobrados, voltados sobre si mesmos, como se fossem peças defeituosas de uma máquina qualquer, pareciam querer deitar por terra todo o meu corpo mole e doentio, até tudo perder o seu significado e eu fechar-me no aconchego da minha própria solidão. O meu vazio não tinha matéria: perdia-se a vontade no sono da carne.Quando saí já a noite tinha inundado toda a cidade naquela ausência de luz que ilumina todas as coisas de uma forma mais pura. Caminhava pelo passeio, meio encostada às paredes dos edifícios, como se me precavesse de uma qualquer recaída que me fizesse desfalecer e cair. Os meus olhos perscrutavam em redor. Mas não viam nada. Toda eu repousava no mais inerte dos pântanos, completamente frouxa. Mas continuei, convencida de que estava a caminho. Observei as montras iluminadas em meu redor, cheias de luz a fazer-me cerrar os olhos e repletas de coisas inúteis que toda a gente vê mas realmente ninguém quer comprar. Apressei o passo. Senti-me impelida para a frente, em direcção a um desconhecido, tão desconhecido que no entanto eu sabia tão bem todos os seus contornos, a ponto de o ver bem à frente dos meus olhos. Gritei com todas as minhas forças; um grito sujo, imundo. Mas ninguém o chegou a ouvir: a voz entalou-se-me nos dentes, e dei comigo parada no meio do passeio, com a boca meio escancarada, asfixiada, desfeita pela angústia. Não! Não voltaria àquele sítio de maneira alguma. Não quero! Senti o quão baixo tinha descido, mas vi bem também como o meu sonho voltava a adocicar-me a língua com uma vontade tão livre que me senti forte, magnânime, única. Andei durante alguns minutos, pausadamente, desfrutando uma sensação que há muito me deixara. Até que me encontrei mesmo em frente àquilo que mais temia. A porta erguia-se alta e direita. Foi quando me apercebi que o grito estava sujo&#8230; de sexo.</p>
<p>Peguei no auscultador do telefone e lentamente comecei a marcar o número. Esperei alguns segundos. O sinal de chamada parecia-me distante, exageradamente longínquo, como se eu não estivesse ali; nem eu, nem o telefone, nem o mundo.<br />
&#8211; Estou&#8230;, fez-se ouvir uma voz.<br />
&#8211; Sou eu, repliquei, já pensava que não estavas.<br />
&#8211; Não. Acordei há pouco e estava no quarto.<br />
Peguei no telefone e aproximei-me da janela do meu sétimo andar, donde fique a observar as pequenas pessoas parecendo-me tão insignificantes, tão sem sentido.<br />
&#8211; Também me levantei tarde. Hoje foi horrível. Ela não estava de acordo com nada do que lhe dizia. Discutimos muito.<br />
&#8211; Vocês não podem continuar com essas coisas, interrompeu ele. A continuar assim prefiro nem me levantar.<br />
&#8211; Eu já não controlo muito bem a situação. Bem vês, ela é minha mulher, só que&#8230; ela revolta-se demasiado.<br />
&#8211; Compreendo&#8230; Quer dizer, não compreendo nada: eu já não lhe interesso?<br />
&#8211; Sim, penso que sim. A situação é que a aborrece, e sabes como a noite apesar de tudo a impressiona.<br />
&#8211; Mas ela vem ou não vem?<br />
&#8211; Sinceramente não sei. Penso que sim. Provavelmente passará&#8230;<br />
&#8211; Espera, estão a tocar, vou ver quem é&#8230;<br />
&#8211; Depois volto a ligar. Adeus.<br />
Ele desligou o telefone, ao que logo o segui. Voltei para a cama.</p>
<p>Ali estava ela. E eu continuava com a mesma sensação de dispersão, de ausência, parecendo mesmo que ela própria aumentava todo o meu mal estar. Olhei-a nos olhos e no entanto foi como se não a visse de todo, pois ela confundia-se com a minha própria sombra reflectida na parede. Quis dizer-lhe como gostava que ela estivesse ali, como tinha esperado todo o dia que ela aparecesse, mas não era verdade, e a cama ainda desfeita parecia não me deixar mentir. Ela disse qualquer coisa a que não liguei. O que teria sido: um cumprimento, um adeus? Sentei-me na poltrona e ali fiquei a olhar para ela, com o cigarro meio fumado entalado entre os dentes, com as pernas cruzadas em gesto de fuga. E foi então ela falou e eu ouvi tudo. «Olha, eu quero-te, todas as noites, noite após noite, sempre mais e mais, só que&#8230; eu não sou apenas um corpo, sinto as coisas quentes demais&#8230;» Não quis ouvir mais nada. Levantei-me, com as mãos trémulas cerrei as cortinas da janela do quarto, dirigi-me para a cama e sussurrei: «Despe-te&#8230;» Ela hesitou, e ali ficou com os braços pendentes como moribundos, semelhantes a corpos executados. O quarto estava agora cheio de um barulho ensurdecedor, vindo de todos os lados, dos locais mais escondidos e inalcançáveis. Eu não compreendia a origem de tanto ruído. Tinha desligado o rádio e de fora não vinha som nenhum pois a janela estava bem fechada. Num relance percebi a origem de tanto barulho: era ela que me dizia qualquer coisa. «Não faças isso, não assim, tenho medo de estar aqui contigo, de noite, só contigo. Eu quero estar contigo, mas de noite&#8230; também quero estar com ele, vocês&#8230;» A minha cabeça latejava, possessa de um silvo agudo nauseante. Senti-me submergir nas águas lodosas de um pântano, totalmente frouxo. Consegui chegar à sala. Levantei o auscultador do telefone e lentamente comecei a marcar o número.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2>O equívoco</h2>
<p>Ali estava eu. Ofegante e completamente afundado na enorme poltrona do quarto encoberto em penumbra. O corpo dela jazia infielmente naquele pedaço torpe e cruel de mim, no meio do torpor obsceno dos lençóis em desalinho. Um fio de sangue sulcava a sua face esquerda, parecendo antes um golpe suave de baton que uma mão nervosa fizera perturbar a brancura da pele. Matei-a. Mas tive um bom motivo. Matei-a antes que ela me matasse a mim.<br />
Nunca a amei de verdade. Era sempre ela que exigia uma certa auréola de maravilhoso a inundar a nossa relação, os nossos passeios, os nossos beijos supostamente inflamados. E eu olhava para ela e fixava os seus dois olhos asfixiados de tanta paixão, que não me restava outra hipótese que não a de tentar um amor que eu sabia impossível. No fundo, ela era uma mulher adorável que muito dificilmente eu conseguiria magoar. Tinha passado um ano desde o primeiro dia em que a vi, totalmente encharcada no meio do passeio a olhar o céu enegrecido, enquanto à sua volta uma multidão de pessoas se acotovelava para tentar fugir à bátega de água que se abatera subitamente sobre a cidade. Também eu não tentara fugir, de maneira que em breves segundos apenas eu e ela ficáramos ali, sem nada para dizermos um ao outro, mas felizes por não estarmos sós. Quando nos apercebemos estávamos os dois bem agasalhados a beber uns cálices de Porto, no aconchego do meu sótão. Descobri que ela estudava Ciências Biomédicas, no instituto superior da cidade, e que falava fluentemente francês. Não foi difícil combinarmos um encontro, delicioso, que tornou fácil um ainda outro encontro, e mais outro, e mais outro&#8230; O tempo passou e agora vivíamos num apartamentozinho que alugáramos. Não posso precisar como tudo se começou a precipitar. Apenas sei que um dia ela chegou ao pé de mim e me perguntou se poderia ir a uma festa com umas amigas. Eu conhecia todas as suas amigas, o que me fez achar a ideia interessante, pois já não era a primeira vez que fazíamos uma farra juntos. “Gostaria de ir sozinha!” Mas claro! Que ideia a minha! Era óbvio que ela pretendia ir sozinha!. Só que eu, no meio do mais estranho torpor, tinha partido do princípio que estava incluído nos seus planos. “Claro! Claro!&#8230;” Nessa noite não me senti na melhor das disposições, pelo que afastei a ideia de sair também. Tentei ouvir uns velhos discos que me pareceram extremamente enfadonhos. Não tardou a aparecer uma ligeira dor de cabeça. Tentei ler uns quantos livros que também não me interessaram por aí além. Sentia uma enorme náusea a percorrer-me o corpo; algo que me fazia tremer as mãos de uma maneira inconcebível, diabólica. Deitei-me na cama, onde permaneci durante horas, tempo em que não parei de me revirar de um para o outro lado, envolvido pela imensa escuridão do quarto que me apertava o peito. Não parava de pensar nela. O medo daquela solidão era bem mais forte do que o desejo de estar só. Não conseguia parar de pensar que fora derrotado por qualquer coisa que desconhecia, algo que tinha uns contornos completamente indefinidos, abstractos. E era exactamente o facto de não saber o porquê do meu choro que me confundia, ao ponto de me atormentar até aos cabelos. Tive que me levantar. E foi assim que saí. Tinha por todos os meios de encontrar uma paz que se me escapava. Talvez o frio da noite me restituísse o semblante ameno e calmo. Andei durante algumas horas, em que fui fumando os cigarros uns atrás dos outros, pois a caixa de fósforos tinha chegado ao fim. As minhas mãos pareciam possessas, dominadas por uma força, um nervosismo que não conseguia controlar. Tremia de frio. Ao longe vagueavam uns quantos bêbados, completamente embrenhados na sua loucura gratuita, alcoólica. Pensei que um copo me iria aquecer. Talvez o calor de um bar me confortasse por alguns instantes. Entrei no primeiro que encontrei. Encarei com dificuldade o tipo que estava à porta; ele olhou-me de cima da escada, e não sei porquê senti-me imensamente culpado, como se não tivesse o mínimo direito de entrar ali. Eu era um desesperado. Lembrei-me que já tinha estado ali, uma noite, com ela. A recordação bateu-me forte, atingindo-me bem dentro do crânio, e o mal estar chegou célere, sob a forma de um enjoo violento. Dirigi-me ao balcão e pedi um bock. Não foi preciso muito tempo para que me pusesse a olhar em redor, num verdadeiro esforço de a antever. É que tinha colocado desde logo a possibilidade de ela estar ali! Percebi então que não entrara naquele lugar, não tinha saído de casa e ido até ali por mero acaso. Vilmente, estupidamente, eu procurava-a! Acabei por vaguear pela cidade durante a noite inteira. Quando cheguei a casa amanhecia. Abri a porta muito devagar. Ela dormia, muito suavemente, completamente estendida na nossa enorme cama de casal.<br />
Essa noite foi o início do meu declínio. Um declínio lento, muito lento, mas inevitável. Até que comecei a ver aquela mulher a assustar-me enquanto progredia nas suas pequenas coisas e todas elas me transmitiam o desengano do sentir. Os pequenos gestos começavam agora a tornar-se grandes afrontas, e tudo sempre em espiral, a crescer enquanto observava o tomar do café, ou o erguer da perna para a suave entrada no autocarro. Deitava-me sempre consciente do touro que se espreguiçava à minha volta, por todos os lados, que me lambia os cotos muito lentamente, com sevícias de puta rebuscada, longa, toda empanturrada na sua prolongação, no vício fremente de desavergonhada. E todas as noites comigo! De dia, perseguia-a. Mas de noite ela estava sempre comigo. E eu pus-me louco, até tudo sentir na espinha do meu cérebro, até a confusão começar a degradar-me o raciocínio e a acção. Entrara no labirinto do não-ser. Aniquilava-me. Até que tudo acabou na ponta de uma faca.<br />
Foi só isso que aconteceu. E ali estava eu, sentado na grande poltrona. Levantei-me. Movimentei-me com dificuldade, a penumbra não me deixava reorganizar a ideia que tinha sobre o que acontecera ali, e com o mínimo cuidado saí.<br />
Dei uns passos pela rua. A noite já tinha chegado há muito, pelo que não foi difícil ocultar-me dos olhos acusadores das pessoas. Também elas me exigiam razões. Mas ao mesmo tempo tudo me aparecia irrisório, cruelmente banal. Via agora como a realidade chegava até mim de uma maneira enganosa, sem propósitos de veracidade, como a fazer-me sentir culpado por ser eu e não outra pessoa. Olhei em redor, enquanto acariciava a faca ainda bem quente nos bolsos húmidos de sangue, no intuito de encontrar um rumo preciso por entre as pessoas, mas em vão: continuava tão indeciso como antes. Decidi entrar num café. Pedi café. A empregada sorriu-me, possivelmente como costuma sorrir a todos os clientes que entram, mas eu não era um cliente qualquer, e a sua face colou-se imediatamente à face de Ana, toda ali, sem sentido. Arrependi-me de ter entrado; afinal ainda não estava preparado para enfrentar a expressão das pessoas. O aspecto do líquido negro e quente que fumegava à minha frente não me agradava de maneira alguma, parecia-me exageradamente viscoso, e desejei com todas as forças que contivesse um veneno qualquer que me fizesse alhear de tudo, finalmente. Tomei o café. Por sinal até me soube bastante bem.<br />
Quando saí estava possuído da mais pura angústia. No lugar do meu peito havia agora um imenso buraco, não um buraco vazio, mas um extremamente pesado, denso, como se tratasse antes de uma bola de chumbo aquecida ao rubro. As pernas estavam sólidas, petrificadas. Se espetasse uma agulha nos meus músculos decerto não sentiria nada. Era o fim.<br />
Um indivíduo aproximou-se e pediu-me lume. Mal lhe via a cara, toda ela tapada pela mão que empunhava o cigarro nú e expectante. Procurei nos bolsos a caixa dos fósforos. Durante bastante tempo; os bolsos pareciam-me poços sem fundo. Acabei por encontrar a caixa e estendi-a ao homem. Foi a surpresa. Eu estava louco! Na minha mão estava agora a faca, reluzente, com algumas pingas de sangue a caírem por sobre o cigarro. Não acreditei no que vi e fechei os olhos, à espera da algazarra que se iria dar. Na minha cabeça um martelo fazia estalar os nervos como se estes fossem um sino de igreja. Esperei, sentindo já os braços vigorosos das pessoas que me iriam aprisionar. Mas nada aconteceu. Apenas ouvi um “Muito obrigado!”. Quando abri os olhos já o homem se tinha embrenhado na noite, completamente encoberto por uma névoa de fumo de tabaco.</p>
<p>Depois dessa noite, acabei por vê-la umas duas vezes mais, até que partiu para Madrid. Demorei algum tempo a aceitar a ideia de que ela me tinha trocado por outro.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2>Simplesmente calmo</h2>
<p>Pedi o café. Sentei-me à mesa do fundo, no tasco, e esperei que ele chegasse. Era já a segunda vez que repetia esta acção automatizada nas últimas duas horas. Em diferentes sítios, com diferentes desconhecidos ao balcão a falarem enquanto comiam. Só que desta vez andei mais tempo pelas ruas à procura de um local agradável, percorri mais vielas e ruas desta cidade que eu conheço tão bem e que afinal nada me diz porque ainda procuro um novo local onde possa tomar o meu cafezinho sossegado. Por isto e por aquilo tudo sentime ligeiramente cansado. Depois de uma pastelaria, lógica me parecera a entrada naquela taberna, como encadeamento inevitável da queda de um homem que se sente sempre calmo demais. Sim. Porque tomo café, várias vezes ao dia, para ver se me enervo com qualquer coisa. Dizem que o café aguça os sentidos, põe os nervos em sobressalto. Vai daí, peço sempre um café de todas as vezes que saio à rua. Não posso afirmar seguramente quando foi que tomei este hábito como meu, certo é que já lá vão alguns anos. Remonta aos tempos em que ainda tinha vida, mulher em casa, casa onde viver, com televisão e radiofonia e esquentador para a água quente do banho. Mais precisamente tudo terá começado nos últimos tempos dessa minha existência pacífica e integrada. Devo até dizer que nunca fora grande apreciador de café, nunca o seu sabor amargo e torrado me parecera agradável. Mas agora, permaneço horas no café, a olhar para os outros enquanto me tento enervar.<br />
Sempre fui muito calmo. Tentem lembrar-se de alguém conhecido vosso que seja extremamente calmo e imaginem que eu consigo ser ainda mais calmo do que ele. Esse problema sempre se revelou pernicioso durante a minha vida, na escola e mais tarde no trabalho, tanto que sempre foi encarado pelos outros como se de indiferença se tratasse. E isso não, indiferente é que não sou. Nunca o fui e nunca o serei, e desafio quem quer que seja para que venha dizer o contrário! Sempre cumpri o meu dever, e posso assegurar, coisa que muito boa gente não pode, que até o cumpri em demasia. A chatice vem de as pessoas nunca saberem o que se passa na cabeça dos outros. Não fosse isso e não me avaliariam tão ao de leve.<br />
Mas estou-me a afastar do caso. O facto é que não estava ali apenas porque queria tomar café. Havia algo mais. Uma pessoa que eu perseguia há algumas horas e que entrara à minha frente tanto na pastelaria como no café, e das mesmas vezes pedira café, tal como eu. Era um homem de meia idade. Trazia vestido um sobretudo azul, e para proteger o pescoço do frio, um cachecol por sobre os ombros largos. Estatura mediana, cabelos desgrenhados e barba de vários dias. Vi-o pela primeira vez quando deixei o meu prédio, depois do almoço, quando me preparava para iniciar o meu habitual passeio da tarde. Seguia calmamente rua abaixo, com os olhos postos no chão do passeio, entretido com as suas divagações, apenas levantando o olhar para se desviar das pessoas. Foi numa dessas vezes que o seu olhar se cruzou com o meu. Esse instante não durou mais do que um segundo, pois logo ele se apressou a retomar o passo de olhos cabisbaixos, naturalmente. Segui-o. Não sei porquê, nada nele fugia da normalidade, no entanto não demorei muito a tomar a resolução de ir no seu encalço sem contudo me aproximar demasiado. Nada de grave, tendo em conta que não tinha rigorosamente nada para fazer.<br />
Após alguns metros, depois de virar uma esquina, segui-o pela rua que leva ao Estádio de Futebol, que contemplou durante longo tempo. Começava eu a sentir o efeito da falta do café, pois a primeira coisa que normalmente faço mal saio de casa é ir ao cafezinho da frente e pedir um café duplo sem açúcar. Estava já pronto a avançar para a pastelaria que havia do outro lado da rua quando ele, antecipando-se lestamente, apressou o passo e ele mesmo atravessou a rua, muito<br />
habilmente, por entre os carros, atingindo o outro lado. Entrou, e dirigindo-se ao balcão pediu qualquer coisa. O empregado trouxe-lhe um café. Entrei também, um bocado surpreendido com a evidência de ambos termos tido o mesmo impulso. Sentei-me na mesa que melhor me permitia observar os gestos do indivíduo, e esperei que o empregado atendesse o meu pedido. Tomei o café, ainda mais lentamente do que ele, permitindo-me estar ocupado enquanto ele pagava e se preparava para sair, coisa que fez logo a seguir. Deixei o dinheiro encima da mesa e saí para a rua quando ele já quase desaparecia por entre as pessoas que na altura enchiam os passeios. Mas não foi muito difícil alcançá-lo, pois ele caminhava realmente muito lentamente. Como se de calma fossem feitos todos os seus membros. O cachecol caia-lhe pelos ombros como se estivesse colado ao sobretudo, parecendo que sempre estivera ali, fazendo já parte integrante de todo o conjunto que representava o homem. Ele não parecia ter um rumo certo, caminhando ao acaso por entre as pessoas. Contudo, os seus passos eram determinados, e pareceu-me até ver os seus punhos crisparem-se a tempos, principalmente quando alguém mais distraído não o evitava e chocava com ele. Segui-o durante cerca de uma hora, sempre a uma distância razoável que me permitia não ser descoberto, e lentamente fomos abandonando a parte mais movimentada da cidade, vendo-se agora apenas alguns transeuntes que se entretinham a contemplar algumas lojas de vestuário e sapatarias. A dado momento o homem estacou. Do utro lado da rua caminhava uma senhora de idade de mão dada com um rapazinho novo, provavelmente<br />
seu neto, que ia ouvindo com impaciência o que a velha senhora lhe dizia. Tratava-se de um raspanete relacionado com a escola. Notei que o meu homem se esforçava por ouvir a conversa. A dada altura o jovem começou a rir e a fazer caretas, o que lhe valeu de imediato um estrondoso estalo nas faces coradas. No preciso momento em que a mão enrugada da velha cortou o ar e atingiu o objectivo, a sua expressão abriuse num esgar de ódio incrível. Quando reparei no homem estava ele encostado ao muro e ria-se. Parecia agradado com o que via. Metendo as mãos nos bolsos entrou de imediato num café que ficava mesmo ali ao lado. Entrei também logo após alguns instantes.<br />
E ali estava eu. Confortávelmente sentado num velho banco de madeira. O homem estava sentado também, a uma distância de três mesas da minha, mesmo em frente a mim. Tomava lentamente o seu café, erguendo suavemente a chávena à altura dos lábios entreabertos e corados. Na mão esquerda, pendente, segurava um cigarro aceso que ia fumando entre os sucessivos e breves goles. Que raio de maneira de se tomar um café! Um café deve-se tomar de um só fôlego, de rompante, de modo a provocar no estômago aquela sensação de explosão que nos faz sentir ligeiramente leves e pesados ao mesmo tempo. Aquele tipo não, fazia-lo como se fosse a última coisa, a mais preciosa coisa que fizesse na sua vida. Tanta calma<br />
era deveras irritante, posso garanti-lo. Quase fiquei com vontade de me levantar e interpelar o sujeito, de forma a abaná-lo ao ponto de lhe revelar algum instinto mais violento. Olhei para o relógio. Já lá iam uns quantos minutos nesta extravagância. Decidi acender um cigarro, e embora já tivesse tomado o meu café há muito, comecei a imitá-lo, levando a chávena por várias vezes aos lábios, fazendo de conta que esta ainda estava cheia. Por momentos pareceu que<br />
ambos tínhamos ensaiado a mesma coreografia. Que ridículo! Olhei-o bem nos olhos e esperei uma qualquer reacção. E eis que os seus lábios sujos de café se abrem num ligeiro sorriso de provocação. Ele estava mesmo a gozar comigo! Não era apenas uma questão de hábito, havia sem dúvida na sua maneira de proceder uma qualquer vontade de confrontação! Muito bem, de um pulo levantei-me e dirigi-me para ele; sem antes me ter lembrado de pousar a chávena desnecessária… A sua expressão em nada se alterou enquanto me aproximei. Quando fiquei a um passo dele estaquei e atirei-lhe:<br />
&#8211; Será que me posso sentar?<br />
&#8211; Claro!<br />
E ali ficou a olhar para mim. Sentei-me. Estava eu a maquinar a maneira como iria abordar a questão que me incomodava quando ele tem nada mais nada menos do que esta tirada espantosa.<br />
&#8211; Já pensava que não se decidia a vir.<br />
Acendi outro cigarro. O tipo ficou sem resposta durante algum tempo. Convenhamos que era uma situação um pouco delicada.<br />
&#8211; Normalmente, o meu tempo de reacção é proporcional á minha vontade de me mexer. Mas já que aqui estou, sempre lhe vou perguntando por que me motivo o senhor estava precisamente à minha espera. Penso não fazer parte do círculo das suas amizades.<br />
&#8211; É um facto. Mas faz parte, sem dúvida, do círculo dos meus iguais. E a tendência é esses iguais juntarem-se, de forma a poderem existir como individualidade. É incontestável que os mortos vão todos parar ao mesmo “sítio”.<br />
Perante esta frase respondi-lhe calmamente, pelo menos, aparentemente.<br />
&#8211; Bem gostaria de perceber o que é que o faz pensar que sou um igual a si. Não será um pouco de presunção e acima de tudo ignorância da sua parte?<br />
O indivíduo, sem tremer um pouco que fosse, respondeu prontamente.<br />
&#8211; Não. É uma questão de observação. Não pense que hoje só você foi o observador. Devo dizer-lhe que você foi não só também o observado, como foi mesmo o iludido. Você, ao pensar que me seguia, não passou de uma presa que vivia na ilusão da caça. Mas não se preocupe. Não passa de um jogo que me deleita sempre que estou aborrecido; e que no fundo, teve sem dúvida origem no momento em que me apercebi que era um ser nefastamente calmo, e me decidi a usar isso em meu proveito. O jogo é muito simples. Saio para a rua, e muito discretamente, sempre sem revelar os meus verdadeiros propósitos, começo por procurar indivíduos que eu perceba que estejam nas mesmas condições. Depois basta espicaçá-los, até que um de nós se enerve e desista. Até agora saí sempre vitorioso. Tal como hoje, pois o senhor foi o primeiro a desistir. O prazer que me invade nesses momentos de glória é inimaginável. Sinto-me nessas alturas o ser mais qualquer coisa se um grupo imenso de seres semelhantes. Deve perceber que mesmo do saber-se que se é o tipo mais odioso à face da Terra se retira grande prazer. Posso dizer que até hoje nunca encontrei alguém que fosse tão calmo como eu. E nesse sentido, posso considerar-me superior.<br />
Então sempre era verdade que aquele sujeito estivera a divertir-se à minha custa durante todo aquele tempo. Começava a sentir-me mesmo desconfortável. Ali estava mais um a considerar teorias e argumentos sobre a minha existência, sendo que não me conhecia rigorosamente de lado nenhum! E continuava…<br />
&#8211; Eh! Eh! Amigo, olhe que a loucura está mesmo aí! Quer dizer, não precisa de se lamentar por ter sido derrotado mesmo sem o saber. Deve pensar que há momentos desagradáveis e pessoas que se deleitam em os procriar, e aí, dei-lhe uma novidade: também não é na mediocridade que o senhor se salienta!<br />
Continuava sorridente, todo esticado na cadeira, cada vez mais inchado na sua magreza de réptil ou algo parecido. Pronunciava as palavras com aquela lentidão que se colara tão bem ao seu semblante quase mumificado, teso pela regularidade. E eu não dizia nada. E ele falava.<br />
&#8211; Diga qualquer coisa, homem. Se quiser pago-lhe outro café. Se o senhor fosse homem de vinho pedia o encher do copo. Assim não, dou-lhe a possibilidade de um gole de café numa outra chávena. Magnífico! Como se esta outra possibilidade fosse o seu prémio de participação. Não é isto um jogo, ou como diria se hoje me sentisse poeta, a própria vida? Oh! E não pense nisto como uma esmola. Eu sei que para se reinar deve-se ter como leal conselheira a benevolência. Mas aqui não se trata disso. Deve pensar nisto antes como uma gota de água na língua do condenado pelo calor do deserto &#8211; os olhos dele reviraram-se lentamente &#8211; Que frase! Que poeta!<br />
Pareceu-me extremamente fácil o movimento de elevar a cadeira. Quando esta lhe atingiu o crânio os olhos dele pararam de se revirar. Fez bastante sangue. Como nos filmes. O tipo era mesmo um fenómeno. Mesmo a cair aquele peso morto parecia um personagem de um filme em câmara lenta; vi distintamente, ao retardador, as três pancadas que a sua cabeça sofreu de encontro ao chão de mosaico da taberna.</p>
<p><em>Estalido.</em></p>
<p><em>&#8211; Bom, acabou a fi ta. Mas não precisamos de gravar </em><em>mais nada; este depoimento já chega. Podem voltar a </em><em>colocar-lhe as algemas e levem-no para a cela.</em></p>
<p><em>&#8211; Espero que tenham fi cado com uma ideia do que se </em><em>passou.</em><br />
<em>&#8211; Sim, sim. Podem levá-lo.</em></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2>SONO</h2>
<p>Entrei na morgue no dia mais feliz da minha infância. Os braços esticados, em forma de sono, impeliam-me majestosamente em direcção ao desconhecido por que tanto ansiava, em formas estridentes de loucura suave e pacífica. Encontrava pela primeira vez o verme longínquo e latente que me atormentara a consciência durante tantos anos, e a calma dos meus ossos assombrava a quietude do meu andar seguro e pleno de convicção. Todas as dores nos lençois brancos sujos de mágoa que eu visitara no meio do meu sonho mais suave, desvaneciam-se agora sob o efeito de cada passo inclinado na escada sempre a subir do corredor que antecedia a porta alta e branca, de ferro lacado, pintalgada aqui e ali de manchas de ferrugem mais velhas do que eu. Os dedos hirtos e suplicantes, sonhando vozes de torturas carnais de odores intensos, faziam o prolongamento físico da minha pura e intensa vontade de me tornar crescente em direcção ao mais majestoso dos momentos por mim sonhados nas noites do meu sono quebrado. Eu via as lógicas capitais dos censos de perigo amortalhado, aqueles que eu criava e matava enquanto a língua atingia o ponto mais saliente da parede que normalmente se erguia à minha frente. Via os monstros alados que penoitavam simplesmente no encantamento mais subtil de uma noite vibrantemente engrandecida ao extremo da minha dor. Com toda a volúpia das mulheres que gritavam e chamavam pelo meu nome a dançarem de encontro ao meu corpo que se ia transformando em libélula gigante do tamanho de doze igrejas. Do sino da torre mais alta era executada uma balalaica de tempos imemoriais que me feria os ouvidos mas não o nariz, que é a parte mais preciosa do meu corpo celeste; em ondas azuis e vermelhas e verdes de conspiração que teimavam em desaparecer e que eu criava por entre os meus dedos para me divertir. Via o corpos meio antes d e serem aplainados pelo martelo de oiro fundido que surgia do ar numa elipse de contornos fantásticos e cruéis. E só a memória ficava plena de convicção e fúria, pois no assombro do sentir residia o sonho perdido de anos.<br />
Assombrei-me de encontro à parede nua e fria. Os ruídos longínquos que chegavam até mim em ondas de som violento e esmagador diziam-me que me aventurara longe demais. O meu sexo endiabrado empolgava-se em demasia. Como se todas as mulheres de todos os mundos possíveis se consolassem de encontro aos meus membros inferiores e os fizessem prostrar no meio do maior alarido. Os olhos, bem enfiados no pedaço de luz que se esgueirava pela abertura semi redonda que à minha frente se erguia, perscrutavam e ansiavam pelo mais pequeno movimento, aquele que retinisse na base da nuca as vagas rimbombantes do meu adeus embriagado de choro. Não haviam duvidas, era tempo de entrar.<br />
Senti um arrepio maravilhoso quando a palma da mão encontrou o frio da maçaneta da cor do oiro. Não foi difícil rodar um pouco o pulso. De olhos fechados, antevendo o sublime momento que se seguiria, ergui uma perna e entrei.<br />
A escuridão foi a primeira opressão. O primeiro grito abafado pelo ranger de ossos, pelo primeiro rastejar de pés no chão poeirento, a inicial constatação do meu absurdo. Ladeei o que pareceia uma grande mesa, com a qual eu contaria dissimular o meu tresloucamento de choro, e ali me possuiria como besta anónima e sem sentido. Senti-lhe a calma precisa do ferro há muito forjado, ténue na escuridão do pranto que me assaltava as pálpebras, duro na sua projecção do inquebrável, e amei-lhe a existência suave de estética. A minha assembleia dir-se-ia pronta. O canibal eu, de sonho múltiplo no desvario, que baixava as argolas do tempo para poder deixar passar o acaso, ali me tomaria como centro do meu universo; ali tomaria as minhas entranhas nos braços, e as adoraria pelo sempre não. No meio dos passos o meu peito era total explosão. Tomara-se de proporções gigantescas, de material bruto, arrancado das pedreiras mais malditas. A vertigem das ondas do meu semblante progredia pelo meu corpo livremente, tomando-o ao de leve, sentindo-lhe a anti-gravidade, subindo-o para lá do alto, e na queda a acelerar o destravamento.<br />
Foi na escuridão que peguei nas facas. Tudo tinha que ser rápido. A câmara lenta será o vosso julgamento. A lentidão das facas a penetrarem na carne. A lâmina afunda-se na carne como um verme languescente, pútrido de paixão, a contorcer-se na luxúria da Penetração suprema, a fazer ranger os tendões e os pedaços que dele se libertam, pequenas faúlhas envoltas em sérum viscoso, meio sangue de alquimia Bestial, que se espalha pelo resto do ventre, pelo meio do ventre até atingir as pontas, e a lâmina afunda-se na carne, enquanto o grito não vem, sendo ainda apenas inevitável. A moléstia das excrecências carnosas, no turvamento da hemorragia, progride pelo tempo anterior, realiza metamorfoses de asfixia, acerta-me no cérebro com a precisão de um piolho. Cravado no âmago da minha hiper-sensação. A lâmina afasta-se do canto do ventre e rasga o torax em chamas. revira-se sobre si própria, aninhada no caixão quente da carne. Um pouco para a esquerda. Um pouco mais. Agora um pouco para cima. Volta sobre si. Demónio entalado na puta. Como um cão tomado pelo nervo. E enterra-se mais.<br />
A outra faca atinge-me o olho.</p>
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