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Juca Pimentel
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O degredo da penumbra

Juca Pimentel
O degredo da penumbra Lambo-me todo no degredo da penumbra que esbelta progride pelo nunca do sempre. Olho-me de lado e vejo-me na morte que mata e solene me espia quando mais quero estar só. Vejo-me ponto negro no negro, aquele que é não. Alimento-me nos poros, do desperdício, em [...]



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O Anjo matante

Juca Pimentel

Nas cidades estão os cheios de amor.
Como eles cantam os olhos na noite,
os sentidos na noite,
os mortos na noite,
e as miragens da além noite,
da cor toda no negro da noite apunhalada!,
mas como os olhos são mesmo
a noite dos sentidos mortos por punhais, miragens!



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Zero Zero & Necrocyber

Juca Pimentel

Meto as mãos nos bolsos, sem fundo, como costume, ou com o fundo premeditado do meu elementar vazio, aquele que me perturba e dilacera como um boi. Assassinar o quotidiano como fazer amor ao Sol, eis o que me resta, neste tempo de nuvens e frio negro.


Bórgia Ginz
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II

Bórgia Ginz

De facto, as forças produtivas, por si só, não conseguem determinar a sua necessidade. Isto é, a sua necessidade será apenas valorativa sob o ponto de vista da sua orientação, do objecto final da sua actividade, e não como dogma assumido no seio da inércia: um operário é, logo existe. A ser assim, será satisfeita apenas a necessidade dos orientadores das forças produtivas, dos detentores únicos do capital.



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Caralho

Juca Pimentel

Disperso-me no ridículo.
Mas com uma garrafa de vinho á minha frente.
Isto de ser ridículo
tem que ser bem regado com álcool tinto.
Para que dê cor e ambiência.


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A arte é a sublimação do engate

Juca Pimentel

O artista não é quando pensa que é. Ou então é o maior, se andar no engate. Toda a gente coloca os seus berloques, como penas de pavão da alma eléctrica que as endiabria. Uns é o porsche, outros é o curso ilimitado na maior Enfermaria do mundo, outros é o dinheiro assombroso que tudo dá, ou as mulheres que interessam pela quantidade. Uns dizem que amam em demasia, outros que nunca amaram senão a amargura. Mas toda a gente que coloca as suas penas ao lustro anda a querer engatar alguém…


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Objecto criativo versus amplexo masturbatório

Juca Pimentel

O objecto da criação é normalmente confundido com o retorno em forma de cagalhoto que da sua realização se obtém. O fantasma dos protótipos, assumidos no seio do grupo, aquele que se regenera em turbina através dos tempos e que reclama existência em revolta, esse mito da prosperidade cultural, é a versão mais acabada e aproximadamente perfeita da moca pré-histórica que tantos estragos causou nas primeiras famílias homnídeas: devassa tudo e todos que da sua beira se aproximam.


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Manifesto caralhótico

Juca Pimentel

Camaradas, a falência do intelecto enquanto entidade abstracta e própria de cada um, a falência da acção como processo de construção de algo que caracteriza a qualidade de um ser, a falência do processo homem enquanto detentor da máxima inteligência, logo da máxima verdade, esta falência enorme, é a vossa. Sim, porque de facto neste preciso momento riem-se do que leram ou olham para o outro.


Bórgia Ginz
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Estruturas & utilizador III

Bórgia Ginz
Estruturas & utilizador III - Tópicos A estrutura dos dois pontos apoiados no terceiro. A estrutura dos três pontos. As ligações fortes estabelecem-se pelo contacto e primazia dos dois sobre o terceiro. A questão é: quais dois se unem para contrabalançar o terceiro. Unem-se dois a dois alternadamente. O Espaço [...]

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Apenas solidão

Juca Pimentel

Anton era um contratante, uma espécie de laboral perfilhado pela míngua do desejo, que suspirava modos de ternura através de papéis escritos sem cores, e avivava toda a memória de quem ansiava por mais qualquer coisa. Ele um dia aspirou possuir um desejo, ele que a tantos dava resposta.


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Pedra

Juca Pimentel

O que fazer aqui na morte sagrado dos Budas do Oriente maior,
Nas pirâmides não destruídas,
Famintas de maiores sonos e guerras,
Poluidoras do entre-cruzamento da real categoria dos espasmos
E dos medos como uma peneira sagrada,
O que fazer aqui quando ainda se treme de frio.






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A antropofagia humana como condensação única, por Juca Pimentel

Juca Pimentel

Fusis quebrados. O homem tende a ser encaminhado pelo outro. Um lado a lado com a miséria do outro. A inversão do erro não se dá. O espírito da discussão crítica das sonoridades interiores não se dá. A transmissão acontece na periferia do nojo. Roupa suja. Mental. Variações sem sentido do amor-próprio que mata o único condensamento possível: a irrealização atómica, supra-sonho, e além túmulo. Queimaduras? Nem por isso. Colocações senis e aprofundamentos ligeiros. No assombramento da consciência única que tornada Kitsh se manda “daqui” para “mim”. Anulamentos nada subtis. Periferias da zona. Um comércio das sensações básicas. Contratatempos fracos. Misérias condensadas.



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