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	<title>A Stranger Paradise</title>
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	<title>A Stranger Paradise</title>
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		<title>A religião para os religiosos, a ciência para os cientistas</title>
		<link>https://astrangerparadise.com/a-religiao-para-os-religiosos-a-ciencia-para-os-cientistas</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Bórgia Ginz]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 01 Jul 2021 19:44:53 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Zerox NON]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A religião para os religiosos, a ciência para os cientistas. O que assim não for redunda em erro crasso de desapropriação. A impossibilidade da determinação do erro existencial sobre a sabedoria, empírica ou abstracta, implica o afastamento, daquele que não quer errar, de toda a “verdade” por ele não constatada.</p>
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<h2>A religião para os religiosos, a ciência para os cientistas</h2>
<p>O que assim não for redunda em erro crasso de desapropriação. A impossibilidade da determinação do erro existencial sobre a sabedoria, empírica ou abstracta, implica o afastamento, daquele que não quer errar, de toda a “verdade” por ele não constatada. Serve de facto o “ver para crer”, em termos de conhecimento. Aquilo em que se crê sem se ver é do âmbito do pensamento religioso, místico-prático. Redunda assim o processo do conhecimento na necessidade deste “ser”, e não ser suposto.</p>
<p>Toda a suposição é erro de proposição enquanto não demonstrada, ou verificada, ou simplesmente constatada. A suposição goza do princípio da validade enquanto criação humana, de facto, mas segui-la como “princípio verdadeiro” é eliminar a sua análise: esta determina o próprio pensamento humano num círculo fechado. Quando a suposição passa a “verdade”, sem a sua devida demonstração, ou verificação, ou simples constatação, fecha-se o processo racional nela própria. (O mais natural, uma das questões elementares da existência, é da demonstração de qualquer suposição surgir uma outra que a desactualiza… A assumpção de qualquer suposição como “verdade” implica a “eterna” (humana) actualidade da suposição…) Sendo a simples suposição um erro de proposição, fecha-se portanto o processo racional num erro de proposição.</p>
<p>Demonstrar-se que a simples suposição é um erro de proposição é penoso, e não estarei para isso. Em termos absolutos, qualquer certeza não verificável é estritamente metafísica: a ocorrência de correspondência com a “realidade” é infinitamente improvável, e o ser humano nunca o saberá.</p>
<p>De qualquer forma, a suposição surge do desconhecimento. O conhecimento que se constrói “encima” do desconhecimento, tem partes deste, desconhecimento, ou, na suposição, “invenção”, e partes de conhecimento que tem qualidades outras relativamente ao que se desconhece. Ou seja, todo o desconhecimento será colmatado por si, desconhecimento, na invenção, e pela relação que o seu conhecimento estabelece com a realidade. A própria invenção saltará facilmente do desconhecido (criação pura) para a rede informatorial estabelecida pelo seu conhecimento-outro. Também podemos dizer que é o conhecimento que determina o desconhecimento… e a suposição.</p>
<p>Os factos:</p>
<p>Deus é inconstatável: toda a forma e conteúdo que se lhe possa atribuir estará errada. Há quem diga, no entanto, que é demonstrável…<br />
A Ciência nunca dará o inconstatável – nunca saberemos aquilo que não sabermos.</p>
<p>Sendo os aspectos da religião assumidamente culturais, resta saber em que medida esta infere no comportamento e socialização inerente num determinado meio. Sendo a religião uma destilação eminentemente abstracta e simbólica, resta saber em que medida esta corresponde a um determinado Ideal (abstracto-simbólico) humano. Sendo a religião uma manifestação “temporal”, resta saber de que forma esta colabora na construção de um determinado “tempo”. Se a religião é a destilação prática de uma Fé numa “verdade” Filosófica, resta estudar o motivo deste conhecimento prático. Nada disto é o propósito da Ciência. Nada disto é o propósito do religioso…</p>
<p>Não há diferença quantitativa entre duas suposições diferentes. Há apenas diferença qualitativa. Serão ambas igualmente suposições, e igualmente erros de proposição.</p>
<p>Para os utentes d&rsquo;Acrópolis, quatro suposições diferentes:</p>
<p>Deus; Deus não existe.<br />
&amp;<br />
1+(-1)=0; 1+(-1)=(11)</p>
<p>LSN/BG</p>
</div>

		</div>
	</div>
</div></div></div></div></div><p>The post <a href="https://astrangerparadise.com/a-religiao-para-os-religiosos-a-ciencia-para-os-cientistas">A religião para os religiosos, a ciência para os cientistas</a> first appeared on <a href="https://astrangerparadise.com">A Stranger Paradise</a>.</p>]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>O degredo da penumbra</title>
		<link>https://astrangerparadise.com/o-degredo-da-penumbra</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Juca Pimentel]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 06 Jun 2021 19:23:24 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Airf'Auga 5]]></category>
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					<description><![CDATA[]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div class="qt-vc-row-container"><div class="vc_row wpb_row vc_row-kentha"><div class="wpb_column vc_column_container vc_col-sm-12"><div class="vc_column-inner"><div class="wpb_wrapper">
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<p>O degredo da penumbra</p>
<p>Lambo-me todo no degredo da penumbra<br />
que esbelta progride<br />
pelo nunca do sempre.<br />
Olho-me de lado<br />
e vejo-me na morte que mata<br />
e solene me espia<br />
quando mais quero estar só.<br />
Vejo-me ponto negro no negro,<br />
aquele que é não.<br />
Alimento-me nos poros,<br />
do desperdício,<br />
em coma.<br />
A coma<br />
sintética zela<br />
pela minha loucura de pederasta,<br />
bruxa solene,<br />
que zela pela magia<br />
como quem cria o amor.</p>
<p>Juca Pimentel</p>
</div>

		</div>
	</div>
</div></div></div></div></div><p>The post <a href="https://astrangerparadise.com/o-degredo-da-penumbra">O degredo da penumbra</a> first appeared on <a href="https://astrangerparadise.com">A Stranger Paradise</a>.</p>]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>A natureza da carne é bem mais complexa do que a do espírito</title>
		<link>https://astrangerparadise.com/a-natureza-da-carne-e-bem-mais-complexa-do-que-a-do-espirito</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Bórgia Ginz]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 01 Jun 2021 19:00:07 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Airf'Auga 5]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Labaredas que se afogam para dar vida  terra que sente demasiado a sua lenta secura. Numismática. Olhos polares. Frenesins.</p>
<p>The post <a href="https://astrangerparadise.com/a-natureza-da-carne-e-bem-mais-complexa-do-que-a-do-espirito">A natureza da carne é bem mais complexa do que a do espírito</a> first appeared on <a href="https://astrangerparadise.com">A Stranger Paradise</a>.</p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div class="qt-vc-row-container"><div class="vc_row wpb_row vc_row-kentha"><div class="wpb_column vc_column_container vc_col-sm-12"><div class="vc_column-inner"><div class="wpb_wrapper">
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<p>&nbsp;</p>
<p><em>A natureza da carne é bem mais complexa do que a do espírito. A do espírito ainda está por desbravar, pela ausência do código, coisa que o músculo adquiriu há milénios. Isto a perceber pela tendência de ser o corpo a fonte de toda a alimentação espiritual. Mais exactamente, a manipulação final.</em></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Lá, Lá.<br />
O homem treme e o espírito esbraceja a sua<br />
exacta noção de ser a causa única do efeito tremer.<br />
Porque o desprezo não é bem consentido pelo belo<br />
mastodonte que ergue as presas como se estes fossem braços<br />
que acariciam mulheres em noites de verão pálido.<br />
E o músculo é envergonhadamente ocultado pelo suprema redenção que<br />
representa a existência do espírito no ser humano em geral,<br />
demonstrada por alguns de entre todos.<br />
Deveras?</p>
<p>Encolho os ombros porque não sei esbracejar<br />
o suficiente para manifestar a minha ira<br />
pelo calabouço da suave exactidão do momento.<br />
Olho-me membros em distorção com o teu escalpe a encimar<br />
a coroa muscular que envolve o meu sexo,<br />
os braços metálicos que se alongam pelo som afora<br />
e o o Pê-chênte que se entala nas entranhas e de lá<br />
se pode observar o fim do tempo, a masto-luz.<br />
Tudo teu.<br />
Apropriado pela falha que teima em sangrar limpidez.</p>
<p>Labaredas que se afogam para dar vida<br />
à terra que sente demasiado a sua lenta secura.<br />
Numismática.<br />
Olhos polares.<br />
Frenesins.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Bórgia Ginz</p>
</div>

		</div>
	</div>
</div></div></div></div></div><p>The post <a href="https://astrangerparadise.com/a-natureza-da-carne-e-bem-mais-complexa-do-que-a-do-espirito">A natureza da carne é bem mais complexa do que a do espírito</a> first appeared on <a href="https://astrangerparadise.com">A Stranger Paradise</a>.</p>]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Anemómetro de pedra perfurada pelo teu semblante</title>
		<link>https://astrangerparadise.com/anemometro-de-pedra-perfurada-pelo-teu-semblante</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Juca Pimentel]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 24 Oct 2020 21:59:58 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Airf'Auga 5]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Os miseráveis tombam pelas praias daninhas<br />
de tempos imemoriais<br />
Furtam o vento com as pontas dos cabelos em desalinho<br />
e procriam o efémero como se fosse uma mulher</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<div class="qt-vc-row-container"><div class="vc_row wpb_row vc_row-kentha"><div class="wpb_column vc_column_container vc_col-sm-12"><div class="vc_column-inner"><div class="wpb_wrapper">
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			<h2>Anemómetro de pedra perfurada pelo teu semblante</h2>
<p>&nbsp;</p>
<p>Os miseráveis tombam pelas praias daninhas<br />
de tempos imemoriais<br />
Furtam o vento com as pontas dos cabelos em desalinho<br />
e procriam o efémero como se fosse uma mulher<br />
Os membros<br />
velozes como antas<br />
assemelham-se aos desânimos das pessoas que passam<br />
de pernas ao léu</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><em>Juca Pimentel</em></p>

		</div>
	</div>
</div></div></div></div></div><p>The post <a href="https://astrangerparadise.com/anemometro-de-pedra-perfurada-pelo-teu-semblante">Anemómetro de pedra perfurada pelo teu semblante</a> first appeared on <a href="https://astrangerparadise.com">A Stranger Paradise</a>.</p>]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>O Anjo matante</title>
		<link>https://astrangerparadise.com/o-anjo-matante</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Juca Pimentel]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 24 Oct 2020 22:08:17 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Airf'Auga 5]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Nas cidades estão os cheios de amor.<br />
Como eles cantam os olhos na noite,<br />
os sentidos na noite,<br />
os mortos na noite,<br />
e as miragens da além noite,<br />
da cor toda no negro da noite apunhalada!,<br />
mas como os olhos são mesmo<br />
a noite dos sentidos mortos por punhais, miragens!</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<div class="qt-vc-row-container"><div class="vc_row wpb_row vc_row-kentha"><div class="wpb_column vc_column_container vc_col-sm-12"><div class="vc_column-inner"><div class="wpb_wrapper">
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			<h2>O Anjo matante<br />
Anjos Maravilha Redux</h2>
<p>&nbsp;</p>
<p>Nas cidades estão os cheios de amor.<br />
Como eles cantam os olhos na noite,<br />
os sentidos na noite,<br />
os mortos na noite,<br />
e as miragens da além noite,<br />
da cor toda no negro da noite apunhalada!,<br />
mas como os olhos são mesmo<br />
a noite dos sentidos mortos por punhais, miragens!<br />
Vem-me a carnificina à cabeça.</p>
<p>Nas cidades estão cheios os de amor.<br />
-Todos eles, os maravilha!<br />
Ensaboados por peneiras e estertores de fome aquecida pelo nojo de sempre.<br />
-Todos eles, os maravilha!<br />
Eu evoluo por entr&rsquo;eles e extingo romances.</p>
<p>Tenazes de ombros em fogo<br />
e olhos lampejos de fúria,<br />
no tronco despido do que se despiu morto,<br />
mas morto sofrerá mais.<br />
<em>-Lembras-te quando éramos crianças</em><br />
<em>e tudo dançava à nossa volta</em><br />
<em>e assim mesmo o que apetecia era fugir?</em><br />
<em>-Ah, olha um sonho!</em><br />
<em>-Apetece-me trincar-te.</em><br />
Nas cidades as crianças mortas estão cheias de amor.<br />
As almas dos ancestrais bateram as portas e os ombros pesam agora uma eternidade de pós e escolhas várias,<br />
sempre nuncas.</p>
<p>Eu evoluo por entr&rsquo;eles e extingo romances.</p>
<p>Nas cidades estão cheios os de amor.<br />
-Todos eles, os maravilha!<br />
Ensaboados por peneiras e estertores de fome aquecida pelo nojo de sempre.<br />
-Todos eles, os maravilha!</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><em>Juca Pimentel</em></p>

		</div>
	</div>
</div></div></div></div></div><p>The post <a href="https://astrangerparadise.com/o-anjo-matante">O Anjo matante</a> first appeared on <a href="https://astrangerparadise.com">A Stranger Paradise</a>.</p>]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Alsa Marítima</title>
		<link>https://astrangerparadise.com/alsa-maritima</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Juca Pimentel]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 24 Oct 2020 23:01:48 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Airf'Auga 5]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Vivo na indulgência.<br />
Tremo o acaso que atormenta<br />
a outra geração.<br />
Louvam os salmos!<br />
Sanguessugas.<br />
Esperar as coisas é tão fácil.</p>
<p>The post <a href="https://astrangerparadise.com/alsa-maritima">Alsa Marítima</a> first appeared on <a href="https://astrangerparadise.com">A Stranger Paradise</a>.</p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div class="qt-vc-row-container"><div class="vc_row wpb_row vc_row-kentha"><div class="wpb_column vc_column_container vc_col-sm-12"><div class="vc_column-inner"><div class="wpb_wrapper">
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			<h2>Alsa Marítima</h2>
<p>&nbsp;</p>
<p>Vivo na indulgência.<br />
Tremo o acaso que atormenta<br />
a outra geração.<br />
Louvam os salmos!<br />
Sanguessugas.<br />
Esperar as coisas é tão fácil.<br />
Esperá-las na plenitude da sua potência.<br />
Desejar, enfim,<br />
o que não se alcançou porque ainda está longe.<br />
Mas está.<br />
Enfim,<br />
o acreditar na especialidade do outro.<br />
Continuamos presas desta<br />
espera do fim claro,<br />
numerável pela glória da não existência,<br />
o que funde o adeus<br />
e o torna a única ponte para o destronar dos anjos.<br />
Merda para isso tudo!<br />
O aniquilamento é bem vindo se for de precisão.<br />
Uma tesoura analítica<br />
que corte a direito pela base do crâneo até<br />
a aresta mais fina daquilo a que chamamos<br />
o orgão dos sentimentos.<br />
Para lá dos tempos todos.<br />
Sem que haja qualquer confusão a<br />
perturbar o pleno explendor do quadro que<br />
se apresenta enfim belo,<br />
enfim único,<br />
enfim real,<br />
acabado.<br />
Merda para isso tudo!<br />
O que interessa é baixar as<br />
calças e louvar a existência da erva<br />
que pica no seu movimento procriado pelo vento.<br />
Não somos punhais.<br />
As adagas deixam-se entre os lençois quando<br />
se quer matar um amante.<br />
O veneno será sempre mais estético.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><em>Juca Pimentel</em></p>

		</div>
	</div>
</div></div></div></div></div><p>The post <a href="https://astrangerparadise.com/alsa-maritima">Alsa Marítima</a> first appeared on <a href="https://astrangerparadise.com">A Stranger Paradise</a>.</p>]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Zero Zero &#038; Necrocyber</title>
		<link>https://astrangerparadise.com/zero-zero-necrocyber</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Juca Pimentel]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 25 Oct 2020 08:19:35 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Airf'Auga 5]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Meto as mãos nos bolsos, sem fundo, como costume, ou com o fundo premeditado do meu elementar vazio, aquele que me perturba e dilacera como um boi. Assassinar o quotidiano como fazer amor ao Sol, eis o que me resta, neste tempo de nuvens e frio negro.</p>
<p>The post <a href="https://astrangerparadise.com/zero-zero-necrocyber">Zero Zero & Necrocyber</a> first appeared on <a href="https://astrangerparadise.com">A Stranger Paradise</a>.</p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div class="qt-vc-row-container"><div class="vc_row wpb_row vc_row-kentha"><div class="wpb_column vc_column_container vc_col-sm-12"><div class="vc_column-inner"><div class="wpb_wrapper">
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<h2>Zero Zero &amp; Necrocyber</h2>
<p>&nbsp;</p>
<p>Meto as mãos nos bolsos, sem fundo, como costume, ou com o fundo premeditado do meu elementar vazio, aquele que me perturba e dilacera como um boi. Assassinar o quotidiano como fazer amor ao Sol, eis o que me resta, neste tempo de nuvens e frio negro. Dou passos colados à minha mente, e muitos mais darei enquanto não me apresentar vivo perante mim, ou sem mim, que é sempre o melhor, e assim em contratempos de pernas eu me viciarei de tudo, e escarnecerei de tudo, porque tudo é nojo, e sombras, e nojo, e merda. Ou nem tanto, talvez o contratempo esteja no meu próprio andar como a inegável excelência do contratempo-Mor, o afundado nos bolsos. Talvez apenas seja eu o elemento único, logo aquele que é parasita. Mas o parasita do Monstro é parasita? Não será antes verme?!&#8230; E aqui o verme além-Monstro entedia-se de morte, e pensa duas vezes na morte, e a morte é apenas o cúmulo da merda, o cúmulo da merda, o cúmulo da merda!<br />
Os passos continuam precisos pela rua acima. O frio bate-me na cara como punhais. (Já que se aspira sangue, tê-lo-ão…) Os punhais não estão bem no frio, mas erguem-se das miseráveis pessoas, os outros… O frio que é frio torna-se áspero no meio das miseráveis pessoas. O frio que é frio volve-se facas no meio das miseráveis pessoas. Cadáveres abertos, escancarados nas mandíbulas tóxicas, infernais, de olhos macilentos e cortados como um piolho mostruário do nojo, da perfídia, progridem como elementos-caralho-estetizados do fundo da latrina Soviética, do Porco além-Porco, do Porco aquém-Porco!<br />
Se as torturas fossem bem-vindas haveria urros de Porco-Todo a dizer: “Basta! Basta! Basta! Não quero mais…” Mas não…. Haja o que haja, o facto é que o Porco-Todo anda a guinchar: “Mais!! Quero mais!!” Mas que merda é essa que o Porco-Todo tanto quer? Mas que merda é essa que o Porcalhão-Todo tanto necessita para se tornar ainda mais Porco-Mor? Em coro (imitem as crianças): “Mil enrabadelas com tições em brasa…” É isso que alimenta o Porco-Caralho… A fornalha-enrabadela que tanto arde nas vísceras entupidas com os cadáveres dos outros, dos assimilados, do futuro vómito.<br />
Entro num café. Tão limpo, tão nojento, tão estupidamente (caralhos vos fodam) Burguês. E vomito. Já agora saibam que vos vomito a vós. Porque se querem um Porco, aqui está um verdadeiro “Caralho que vos fôda!”</p>
<p>“Um antro de sonho.”</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><em>Juca Pimentel</em></p>
<p>&nbsp;</p>
</div>

		</div>
	</div>
</div></div></div></div></div><p>The post <a href="https://astrangerparadise.com/zero-zero-necrocyber">Zero Zero & Necrocyber</a> first appeared on <a href="https://astrangerparadise.com">A Stranger Paradise</a>.</p>]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>II</title>
		<link>https://astrangerparadise.com/ii</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Bórgia Ginz]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 23 Oct 2011 11:04:04 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Airf'Auga 5]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>De facto, as forças produtivas, por si só, não conseguem determinar a sua necessidade. Isto é, a sua necessidade será apenas valorativa sob o ponto de vista da sua orientação, do objecto final da sua actividade, e não como dogma assumido no seio da inércia: um operário é, logo existe. A ser assim, será satisfeita apenas a necessidade dos orientadores das forças produtivas, dos detentores únicos do capital.</p>
<p>The post <a href="https://astrangerparadise.com/ii">II</a> first appeared on <a href="https://astrangerparadise.com">A Stranger Paradise</a>.</p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div class="qt-vc-row-container"><div class="vc_row wpb_row vc_row-kentha"><div class="wpb_column vc_column_container vc_col-sm-12"><div class="vc_column-inner"><div class="wpb_wrapper">
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<div class="styletext" style="max-width: 600px;" align="justify">
<h2>II</h2>
<p>&nbsp;</p>
<p>De facto, as forças produtivas, por si só, não conseguem determinar a sua necessidade. Isto é, a sua necessidade será apenas valorativa sob o ponto de vista da sua orientação, do objecto final da sua actividade, e não como dogma assumido no seio da inércia: um operário é, logo existe. A ser assim, será satisfeita apenas a necessidade dos orientadores das forças produtivas, dos detentores únicos do capital. Toda a sociedade ocidental se encontra ainda no interior escondido da caverna intelectual. E isso passa-se no tremendo desconhecimento do mito provocador do sonho. O esquema de organização social actual poderá sintetizar-se na pirâmide adimensional cujo vértice superior/central é orientador de todas as estratosferas que directamente realizam o trabalho segundo as suas premissas fundamentais. É inegável que as pessoas vivem num tempo, só poderia ser assim (?), mas é também inegável que não são as pessoas a determinarem a qualidade desse tempo. As forças produtivas realizam o seu trabalho como se tratasse de uma missão, produzindo e consumindo os artefactos que o centro orientador determinou segundo teorias académicas de marketing e gestão criadas de uma forma suposta e risívelmente científica, não para sintetizar o real como forma de coabitação necessáriamente humana, mas antes para o transformar de acordo com o objectivo máximo em que se tornou o dinheiro/poder obtido a partir da transacção. Torna-se óbvio que são as teorias supostamente Sociais(istas) os principais motores do capital ao imprimirem no indivíduo a ideia inercial de que está determinada a sua função de operário. Restando apenas ao indivíduo a procura do retorno suficiente à possibilitação da satisfação dos desejos criados pelo próprio capital: a existência do condenado será mais prazenteira se as algemas forem confortáveis.</p>
<p>Bórgia Ginz</p>
</div>
</div>

		</div>
	</div>
</div></div></div></div></div><p>The post <a href="https://astrangerparadise.com/ii">II</a> first appeared on <a href="https://astrangerparadise.com">A Stranger Paradise</a>.</p>]]></content:encoded>
					
		
		
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		<item>
		<title>Um odor matinal é o teu véu</title>
		<link>https://astrangerparadise.com/producoes-ganza/musas/airf-auga/airfauga-5/um-odor-matinal</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Bórgia Ginz]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 31 May 2021 21:20:48 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Airf'Auga 5]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Um odor matinal é o teu véu, e nas tuas pernas tens a luz do encanto pleno.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<div class="qt-vc-row-container"><div class="vc_row wpb_row vc_row-kentha"><div class="wpb_column vc_column_container vc_col-sm-12"><div class="vc_column-inner"><div class="wpb_wrapper">
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			<div id="aa">
<h2>Um odor matinal é o teu véu</h2>
<p>Um odor matinal é o teu véu, e nas tuas pernas tens a luz do encanto pleno. Ris como um piscar de pássaro, e os teus beijos nos lábios é o amor a desabrochar. Deito-me nos teus cabelos-maré-oiro de sonho, e entro no Oiro de que é o teu nariz. És uma amante tremenda: encontras o prazer no anti-momento. Fodes-me todo. És’ma femme.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Bórgia Ginz</p>
</div>

		</div>
	</div>
</div></div></div></div></div><p>The post <a href="https://astrangerparadise.com/producoes-ganza/musas/airf-auga/airfauga-5/um-odor-matinal">Um odor matinal é o teu véu</a> first appeared on <a href="https://astrangerparadise.com">A Stranger Paradise</a>.</p>]]></content:encoded>
					
		
		
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		<item>
		<title>Caralho</title>
		<link>https://astrangerparadise.com/caralho</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Juca Pimentel]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 24 Oct 2020 22:31:18 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Airf'Auga 5]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Disperso-me no ridículo.<br />
Mas com uma garrafa de vinho á minha frente.<br />
Isto de ser ridículo<br />
tem que ser bem regado com álcool tinto.<br />
Para que dê cor e ambiência.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<div class="qt-vc-row-container"><div class="vc_row wpb_row vc_row-kentha"><div class="wpb_column vc_column_container vc_col-sm-12"><div class="vc_column-inner"><div class="wpb_wrapper">
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			<h2>Caralho</h2>
<p>&nbsp;</p>
<p>Disperso-me no ridículo.<br />
Mas com uma garrafa de vinho á minha frente.<br />
Isto de ser ridículo<br />
tem que ser bem regado com álcool tinto.<br />
Para que dê cor e ambiência.<br />
O tom das freiras ou dos conventos<br />
meticulosamente encaixados nas<br />
garrafas.<br />
O propanol líquido<br />
vai correr sem dúvida.<br />
Que amores são fúteis<br />
e que amores matam.<br />
Vê-se daqui<br />
ao longe<br />
a sombra<br />
do meu caralho murcho.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><em>Juca Pimentel</em></p>

		</div>
	</div>
</div></div></div></div></div><p>The post <a href="https://astrangerparadise.com/caralho">Caralho</a> first appeared on <a href="https://astrangerparadise.com">A Stranger Paradise</a>.</p>]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>A arte é a sublimação do engate</title>
		<link>https://astrangerparadise.com/arte-estrume</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Juca Pimentel]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 13 Sep 2009 16:13:46 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Airf'Auga 5]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O artista n&#227;o &#233; quando pensa que &#233;. Ou ent&#227;o &#233;  o maior, se andar no engate. Toda a gente coloca os seus berloques, como penas  de pav&#227;o da alma el&#233;ctrica que as endiabria. Uns &#233; o porsche, outros &#233; o curso  ilimitado na maior Enfermaria do mundo, outros &#233; o dinheiro assombroso que tudo  d&#225;, ou as mulheres que interessam pela quantidade. Uns dizem que amam em  demasia, outros que nunca amaram sen&#227;o a amargura. Mas toda a gente que coloca  as suas penas ao lustro anda a querer engatar algu&#233;m...</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<div align="center">
<div id="aa2_2" align="justify">
<h1>A arte é a sublimação do engate</h1>
<p class="styletext" align="justify">O artista não é quando pensa que é. Ou então é o maior, se andar no engate. Toda a gente coloca os seus berloques, como penas de pavão da alma eléctrica que as endiabria. Uns é o porsche, outros é o curso ilimitado na maior Enfermaria do mundo, outros é o dinheiro assombroso que tudo dá, ou as mulheres que interessam pela quantidade. Uns dizem que amam em demasia, outros que nunca amaram senão a amargura. Mas toda a gente que coloca as suas penas ao lustro anda a querer engatar alguém&#8230;</p>
<p class="styletext" align="justify">« <em>A arte que não seja para o engate é masturbação edonista do que tem os olhos fechados, ou com palas! O engate artístico é o sublime aroma da volúpia abstracta, e também da confusão dos sentidos. Mas é essencialmente a sensação contínua de que aquilo que se quer engatar é uma verdadeira obra de arte!</em>« </p>
<p class="styletext" align="justify"><em>In</em> Cobaia Literária</p>
<p align="justify">Os platónicos cerebrais, os impotentes generativos, recriam a existência de um conceito desprovido de « interesse » negocial, a Arte, como se isso fosse possível entre seres humanos manifestamente indecentes. São ao mesmo tempo carne para a fornalha burguesa dos assimiladores de Arte, numa atitude bem « negocial » em volta de coisas que têm mais a ver com intestinos e cú. De todas as formas, a partir do alvo e com mais ou menos tripas pelo meio, poderemos sempre determinar quem é que cada qual quer engatar&#8230;</p>
<p align="left"><em>Juca Pimentel</em></p>
</div>
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			</item>
		<item>
		<title>Antes morto que mal vivo</title>
		<link>https://astrangerparadise.com/antes-morto-que-mal-vivo</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Bórgia Ginz]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 04 Apr 2021 17:00:25 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[O Anormal]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Antes morto que mal vivo. O tempo é apenas o resíduo da nossa memória mais violenta, evolui segundo a expectativa que dela nasce, e assim morre, quando o desencanto surge no limiar da porta. Os olhos todos do abismo estão presentes nesse belo momento. O microsegundo eterno do adeus.<br />
As sombras que eu deposito no passeio que me acolhe estão gastas demais para daí retirar qualquer conveniência. Eu próprio me afundei na constatação do final urgente, da misericórdia sem meios capazes, no azul dos olhos que são castanhos. Não importa se o final tem mesmo um fim, ou se é apenas mais um adiar constante e firme sem ser convincente, ou se a mente apenas procria as imensidões sem as poder antever no corpo. O caso não é para agonias nem pesares. Tudo pode ser corrigido. Um gesto. Um olhar.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<div class="qt-vc-row-container"><div class="vc_row wpb_row vc_row-kentha"><div class="wpb_column vc_column_container vc_col-sm-12"><div class="vc_column-inner"><div class="wpb_wrapper">
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			<div align="center">
<div class="styletext" style="max-width: 600px;" align="justify">
<p>Antes morto que mal vivo. O tempo é apenas o resíduo da nossa memória mais violenta, evolui segundo a expectativa que dela nasce, e assim morre, quando o desencanto surge no limiar da porta. Os olhos todos do abismo estão presentes nesse belo momento. O microsegundo eterno do adeus.<br />
As sombras que eu deposito no passeio que me acolhe estão gastas demais para daí retirar qualquer conveniência. Eu próprio me afundei na constatação do final urgente, da misericórdia sem meios capazes, no azul dos olhos que são castanhos. Não importa se o final tem mesmo um fim, ou se é apenas mais um adiar constante e firme sem ser convincente, ou se a mente apenas procria as imensidões sem as poder antever no corpo. O caso não é para agonias nem pesares. Tudo pode ser corrigido. Um gesto. Um olhar. O corpo todo pode-se transformar na libélula em que a mente se vai metamorfoseando. As mãos podem ser os instrumentos lógicos do nosso querer, e assim, no meio da virtude, pode bem surgir um medo maior do que todas as belezas juntas, um medo que nos fascine ao ponto de o querermos sempre bem entalado no âmago do nosso ser, um medo que nos faça procriar. Não há dúvida que a procriação é bem a nossa urgência.<br />
Hoje, veio de través uma resposta às minhas maravilhas. O tempo. Ou a falta que o tempo faz. A necessidade de haver um tempo, uma cronologia acertada para tudo, um acerto geométrico da nossa progressão pelo mundo, é vazia e nada diz, é apenas mais uma escolha, um leve encolher de ombros com um tímido sim a empoleirá-lo. Queremos pura e simplesmente ser cronologicamente correctos.</p>
<p>Bórgia Ginz, <em>in O Anormal</em></p>
</div>
</div>

		</div>
	</div>
</div></div></div></div></div><p>The post <a href="https://astrangerparadise.com/antes-morto-que-mal-vivo">Antes morto que mal vivo</a> first appeared on <a href="https://astrangerparadise.com">A Stranger Paradise</a>.</p>]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Objecto criativo versus amplexo masturbatório</title>
		<link>https://astrangerparadise.com/objecto-criativo-versus-amplexo-masturbatorio</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Juca Pimentel]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 02 Mar 2021 22:59:17 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Airf'Auga 5]]></category>
		<category><![CDATA[Juca Pimentel]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O objecto da criação é normalmente confundido com o retorno em forma de cagalhoto que da sua realização se obtém. O fantasma dos protótipos, assumidos no seio do grupo, aquele que se regenera em turbina através dos tempos e que reclama existência em revolta, esse mito da prosperidade cultural, é a versão mais acabada e aproximadamente perfeita da moca pré-histórica que tantos estragos causou nas primeiras famílias homnídeas: devassa tudo e todos que da sua beira se aproximam.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<div class="qt-vc-row-container"><div class="vc_row wpb_row vc_row-kentha"><div class="wpb_column vc_column_container vc_col-sm-12"><div class="vc_column-inner"><div class="wpb_wrapper">
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			<p class="style3" align="center">Objecto criativo versus amplexo masturbatório<br />
Ou<br />
A incoerência abjecional do protótipo</p>
<p style="max-width: 450px; margin: 50px auto;" align="justify">O objecto da criação é normalmente confundido com o retorno em forma de cagalhoto que da sua realização se obtém. O fantasma dos protótipos, assumidos no seio do grupo, aquele que se regenera em turbina através dos tempos e que reclama existência em revolta, esse mito da prosperidade cultural, é a versão mais acabada e aproximadamente perfeita da moca pré-histórica que tantos estragos causou nas primeiras famílias homnídeas: devassa tudo e todos que da sua beira se aproximam. A “Arte”, enquanto movimento estupidificante, encontra nesses grupos perfeitas condições de germinação, havendo um subterfúgio em forma de ralé cumprido, que permanece obscuro a não ser em volta de mesas de café, onde a podridão da consciência humana se revela em todo o seu explendor. Os aspirantes a revolucionários de uma nova arte, que afinal é bem mais velha que o próprio Deus, acotovelam-se na ausência de princípios, na incoerência assustadora dos meios, cada um tentando gritar o mais alto possível a sua existência. (Diz-se que os ratos são os primeiros a abandonar o barco. Estes, nem isso, afogando-se irremediavelmente nas profundezas do seu próprio mijo.) Depois desse afogamento em seco, e após o seu contacto com S. Pedro às portas do paraíso, tornam-se almas penadas que nada mais fazem do que atormentar os simples de espírito que nada mais fazem no mundo do que fazer do mundo um objecto de arte. No entanto, a única diferença verdadeiramente visível, é o facto de as novas almas endiabradas terer sofrido do mal de ejaculação precoce, enquanto os outros se contêm e animam, sempre cientes que melhor que ir para o céu=esquecimento, é continuar a pisar o chão do passeio com a picha na mão.</p>

		</div>
	</div>
</div></div></div></div></div><p>The post <a href="https://astrangerparadise.com/objecto-criativo-versus-amplexo-masturbatorio">Objecto criativo versus amplexo masturbatório</a> first appeared on <a href="https://astrangerparadise.com">A Stranger Paradise</a>.</p>]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Merda para o tempo</title>
		<link>https://astrangerparadise.com/merda-para-o-tempo</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Bórgia Ginz]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 04 Apr 2021 17:27:03 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[O Anormal]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Merda para o tempo... Não sei o que fazer: sentar-me ou quedar-me deitado, a ouvir o vento a bater na vidraça. O dia está-me no sangue como se tratasse de poeira, não o sinto, excluído está de tão fútil ser. Mas está-me no sangue. E por isso mesmo fico alheado e exaltado ao mesmo tempo, pois que tudo me ameaça cair em cima dos ombros já bem pesados. Tenho vontade de correr os cem metros! Mas as forças abandonam-me já, estando ainda o desejo tão próximo. O desejo...  Tudo o que nós ambicionamos com o punho viscoso do nosso querer, tudo o que se afasta enquanto nos aproximamos demais. É o excesso que nos deixa alheados.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<div class="qt-vc-row-container"><div class="vc_row wpb_row vc_row-kentha"><div class="wpb_column vc_column_container vc_col-sm-12"><div class="vc_column-inner"><div class="wpb_wrapper">
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			<div align="center">
<div class="styletext" style="max-width: 600px;" align="justify">
<p>Merda para o tempo&#8230; Não sei o que fazer: sentar-me ou quedar-me deitado, a ouvir o vento a bater na vidraça. O dia está-me no sangue como se tratasse de poeira, não o sinto, excluído está de tão fútil ser. Mas está-me no sangue. E por isso mesmo fico alheado e exaltado ao mesmo tempo, pois que tudo me ameaça cair em cima dos ombros já bem pesados. Tenho vontade de correr os cem metros! Mas as forças abandonam-me já, estando ainda o desejo tão próximo. O desejo&#8230; Tudo o que nós ambicionamos com o punho viscoso do nosso querer, tudo o que se afasta enquanto nos aproximamos demais. É o excesso que nos deixa alheados.<br />
A noite aproxima-se com os seus passos de vagar sonolento. E é mesmo isso que me angustia, que me provoca náusea. Em ondas que me deixam velho e usado. A velhice da alma é bem mais precoce do que a velhice do corpo! Porque o corpo é exactamente aquilo que lhe damos como uso, nada mais do que isso. Enquanto a alma, é sempre um estranho bem dentro do nosso ser, com vida própria que não nos pertence, que até nos afronta da maneira mais impertinente. É uma velha debochada a nossa alma!<br />
E é isso mesmo que me angustia. A noite aproximar-se sem eu estar preparado para ela. Porque a chegada da noite é sempre o sinal da falta de tempo, da falta de mim. Eu vivo em desvio constante. Nada me fascina já, nada me faz rir um pouco, nada em nada me consome: porque eu já fui todo consumido! (Não chorem, não chorem, por favor&#8230; É tudo a brincar.)<br />
Desprezo e desprezo-me. É como se tratasse de um jogo: vamos ver quem despreza mais?<br />
Bolas para tudo. Tenho sono. Um sono profundo e maldoso. Mas é tudo a fingir. A mim apetecia-me era correr os cem metros! Correr a vida&#8230; e esperar pela Morte!</p>
<p>Bórgia Ginz, <em>in O Anormal</em></p>
</div>
</div>

		</div>
	</div>
</div></div></div></div></div><p>The post <a href="https://astrangerparadise.com/merda-para-o-tempo">Merda para o tempo</a> first appeared on <a href="https://astrangerparadise.com">A Stranger Paradise</a>.</p>]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Manifesto caralhótico</title>
		<link>https://astrangerparadise.com/manifesto-caralhotico</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Juca Pimentel]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 01 Jun 2009 16:01:32 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Airf'Auga 5]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Camaradas, a falência do intelecto enquanto  entidade abstracta e própria de cada um, a falência da acção como processo de  construção de algo que caracteriza a qualidade de um ser, a falência do  processo homem enquanto detentor da máxima inteligência, logo da <em>máxima verdade</em>, esta falência enorme, é  a vossa. Sim, porque de facto neste preciso momento riem-se  do que leram ou olham para <em>o</em> <em>outro</em>.</p>
<p>The post <a href="https://astrangerparadise.com/manifesto-caralhotico">Manifesto caralhótico</a> first appeared on <a href="https://astrangerparadise.com">A Stranger Paradise</a>.</p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div class="qt-vc-row-container"><div class="vc_row wpb_row vc_row-kentha"><div class="wpb_column vc_column_container vc_col-sm-12"><div class="vc_column-inner"><div class="wpb_wrapper">
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			<div align="center">
<div id="aa">
<p>&nbsp;</p>
<h1>Manifesto caralhótico</h1>
<p>&nbsp;</p>
<p>Camaradas, a falência do intelecto enquanto entidade abstracta e própria de cada um, a falência da acção como processo de construção de algo que caracteriza a qualidade de um ser, a falência do processo homem enquanto detentor da máxima inteligência, logo da <em>máxima verdade</em>, esta falência enorme, é a vossa. Sim, porque de facto neste preciso momento riem-se do que leram ou olham para <em>o</em> <em>outro</em>.</p>
<p>Devo esclarecer que escrevo neste momento em folhas de guardanapo e com uma caneta que dificilmente consegui que alguém do café me emprestasse. Há muito que me apercebi que as teorias nada dizem, e o que de facto interessa é o como. Aqui não há intelectualismos. Dou-lhes o buraco mais fundo.</p>
<p>Voltando ao tema que decerto já esqueceram porque é certo que o que vos interessa é a intriga: a falência do animal homem. O animal homem tende a abandonar a sua condição de homem para se volver aranha hiperbárica. Podem tentar procurar perceber o que quero dizer com isto, eu próprio o tentei, mas cheguei à conclusão de que entrar na essência do homem actual é entrar no domínio do absurdo. Camaradas, como se parecem com as meninas larocas que passam tanto tempo em frente ao espelho e assim se estupidificam! Não há tempo para tudo. E o homem existe em plena consciência disso, tanto que faz eternamente escolhas, apesar disso se ter esquecido. Essas escolhas dão-se num perímetro em que prima a ausência de qualquer sentido de abstracção e cuja orientação é iminentemente sexual. Isto é, o factor que determina a essência do contacto entre os indivíduos e a sua relação com o real, é totalmente determinado pela característica animal que garante a sobrevivência da espécie. Volto a repetir: SEXO. Quero que toda a gente sinta o fodilhão que é. Mulher incluida, óbviamente. Claro que isso advém do sexo ser ainda um dos mais solicitados elementos de troca entre indivíduos, pelo menos o mais excitante. O própio sexo tende a ser utilizado como arma de arremesso cultural pela estratosfera do poder que permite assim, por enquanto, laivos de unicicidade ao indivíduo, mas cujo tentáculo sedoso determina a forma como o próprio sexo é realizado. Irá cada vez mais foder-se à Bosq&rsquo;d&rsquo;Azevinho. Acreditem, do mal o menos, é bem mais interessante foder à Godard.</p>
<p>A reconstrução do homem, porque trata-se de facto de reconstruir sobre o que já foi construído, torna-se urgente na zona do sonho, e é bem mais complexa do que um seu aspecto sexual. Será um tema para muitas palavras, e ainda mais acções, para mais tarde. O homem-todo é que importa aqui.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div class="row">
<div class="col s12 m6 6">
<p align="center"><strong>definição de homem</strong><br />
comer<br />
sonhar<br />
ir<br />
respirar<br />
amar<br />
sentimento<br />
palavra<br />
elemento<br />
foder<br />
riso<br />
beleza<br />
cabelos</p>
</div>
<div class="col s12 m6 6">
<p align="center"><strong>definição de homem</strong><br />
comer<br />
sonhar<br />
ir<br />
respirar<br />
amar<br />
sentimento<br />
palavra<br />
elemento<br />
foder<br />
riso<br />
beleza<br />
cabelos</p>
<p align="center">
</div>
</div>
<p>&nbsp;</p>
<p>O Homem tende a acompanhar a noção de realidade, sempre volátil porque dependente do conhecimento, e por ele transformada, porque esta parece de certa forma proporcionar-lhe uma qualquer paz interior, aparentemente condição necessária à preservação da espécie. Trata-se, no fundo, da eterna procura da eliminação do medo através da sua simples eliminação.</p>
<p>Assim posto, será também eterna a destruição do mito, apesar de em boa verdade apenas se verificar uma alteração da sua condimentação. Podemos comparar um qualquer filme de Hollywood e a sua realização na sociedade portuguesa actual, à genese-fornicação-génese entre o mito do deus do vinho e o agricultor romano.</p>
<p>A destruição do mito surge precisamente em função de uma diminuição real do conhecimento, pela extrema pressurização da noção em detrimento do conceito. (Conceito no sentido de significante). Porque o mito nunca acontece connosco. Falando-se não em destruição, mas sim alteração do conhecimento, não evolução, a qualidade do mito parece depender da qualidade do conhecimento.</p>
<p>A criação humana, em especial a de contornos artísticos, cinema, televisão, música, teatro, literatura, pintura, tal como a sua assumpção no seio do intelecto, é unívocamente determinada pela qualidade do mito.</p>
</div>
</div>
<p>&nbsp;</p>
<p><em>Juca Pimentel</em></p>

		</div>
	</div>
</div></div></div></div></div><p>The post <a href="https://astrangerparadise.com/manifesto-caralhotico">Manifesto caralhótico</a> first appeared on <a href="https://astrangerparadise.com">A Stranger Paradise</a>.</p>]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Café</title>
		<link>https://astrangerparadise.com/cafe</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Bórgia Ginz]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 04 Apr 2021 17:21:20 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[O Anormal]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>No salão do café só estão agora alguns casais de idosos. Parece-me estar na fronteira de dois mundos que não coexistem de uma forma harmoniosa. Do lado de fora do café vagueiam os seres apressados, de objectivos bem definidos e ansiosos. Os jovens. No lado de dentro permanecem os idosos, cuja vida passou em frente a seus olhos sem deixar as marcas de uma missão. Eu estou bem encostado à montra, com uma janela enorme, com os olhos postos nas pessoas que passam lá fora, mas com a alma bem dentro da escuridão do salão. Sinto-me, (que absurdo eu sentir-me assim), o fiel da balança que nunca se equilibra, pois o peso morto da velhice é bem mais leve que todas as vidas que ainda viverão até ao futuro.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<div class="qt-vc-row-container"><div class="vc_row wpb_row vc_row-kentha"><div class="wpb_column vc_column_container vc_col-sm-12"><div class="vc_column-inner"><div class="wpb_wrapper">
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<p>No salão do café só estão agora alguns casais de idosos. Parece-me estar na fronteira de dois mundos que não coexistem de uma forma harmoniosa. Do lado de fora do café vagueiam os seres apressados, de objectivos bem definidos e ansiosos. Os jovens. No lado de dentro permanecem os idosos, cuja vida passou em frente a seus olhos sem deixar as marcas de uma missão. Eu estou bem encostado à montra, com uma janela enorme, com os olhos postos nas pessoas que passam lá fora, mas com a alma bem dentro da escuridão do salão. Sinto-me, (que absurdo eu sentir-me assim), o fiel da balança que nunca se equilibra, pois o peso morto da velhice é bem mais leve que todas as vidas que ainda viverão até ao futuro.</p>
<p>O ventre daquela mulher que tanto me agradou é saliente, o rabo torneado, as pernas finas talvez demais. O curioso é que o seu olhar vê-me como se eu falasse para ela, encostada ao balcão, talvez ali ao fundo onde não está ninguém. Mas nunca lhe disse coisa alguma.</p>
<p>O comprido dos cabelos chega ao fundo das costas magras e de ombros levemente inclinados para trás; traço lógico e singular de uma certa categoria de mulheres que teimam em não exprimir a sua beleza de uma forma mais viril. O que é certo é que poderia muito bem falar com ela, segurar-lhe a mão e encaminhá-la para a saída do bar, onde, no frio e escuridão da noite lhe faria um belo poema, mesmo ali, de improviso. O mais certo é que nunca cometerei tal proeza; o heroísmo anda arredado de mim de algum tempo a esta parte. O belo da questão é que o seu andar torto e a jovialidade aparente do seu sorriso deixam antever belas noites, longas e longas, cheias de apaixonadas conversas e abraços inocentes. É curioso.</p>
<p>Na semana passada decidi que iria viver plenamente e convictamente em castidade. Naquele dia da semana passada a ideia surgiu-me bela e bonita, linda e maravilhosa, e dei comigo a pensar que a partir daquele dia da semana passada é que as coisas enfim se tornariam belas e bonitas, lindas e maravilhosas. Não mais viver em função de baixos expedientes para conseguir um toque fortuito na suavidade de uma mulher; ou um beijo rápido e pouco apaixonado quanto rápido, ou outra coisa qualquer que me desse a ilusão de um prazer de um tamanho maior do que o mundo: essa terna ideia de acalmia e inocência enchia-me a cabeça de belos projectos e dava-me a provar o belo aroma da felicidade. Nunca chegaria a saber como seria isso tudo. Naquele dia da semana passada fazia muito calor, era de tarde, e o sol estava particularmente esfuziante. Saí do café onde tinha cogitado todas aquelas belas ideias, atravessei a passadeira para o outro lado da rua, aquela mulher estava à minha frente, esperava que os carros parassem, tinha uma saia tão bonita, uma pele de arrepiar, os ombros direitos, a saia não protegia o necessário, as pernas sem mácula, se eu lhe visse a cara então é que era, e assim por diante&#8230;</p>
<p>É verdade, toda a gente quer ser especial. Mas se toda a gente fosse especial, toda a gente quereria ser tudo menos especial. As virtudes, quando são em demasia até chateiam, são como os vermes que vão roendo, roendo, muito lentamente, sem que a gente se aperceba da sua presença imponente. Por exemplo:</p>
<p>Aquela mulher perdera o amor que outrora sentira por mim. Não podia de qualquer modo negar tal facto; mesmo que a compreensão das coisas surgisse lenta e triste, bem amortalhada pelo peso da memória. Por outro lado a amizade era algo que não me interessava. Bem podia eu gritar isso a plenos pulmões que menos nisso acreditaria. O facto é que a virtude começava a queimá-la, ou melhor, a picá-la, assim como que a dizer-lhe: “Vês? Vês?” Mas mesmo assim ela nunca via nada. Apenas pressentia a fuga como tábua de salvação e ei-la, toda ocupada a equilibrar-se naquele pequeno pedaço de madeira enquanto bate os braços tão nervosamente naquela água tão suja.</p>
<p>O equilíbrio. Eis uma coisa que é daquelas mesmo fundamentais. “O equilíbrio da mente aliado ao equilíbrio do corpo dá saúde e faz crescer”. Tudo muito certo. Mas o equilíbrio que realmente importa é um equilíbrio desse tipo sim, mas dos outros. O equilíbrio dos outros. Os outros, esses é que fazem a nossa vida, os nossos desejos, as nossas desmedidas ambições. E dentro desses outros equilibrados eu tinha perdido o lugar. Pelo menos ela julgava assim.</p>
<p>Eu sei que a morte poderia bem ser a melhor justificação para tudo. Mas o menos nunca é suficiente. E o menos mais menos que a morte me proporcionaria é bestialmente insuficiente. Não chega ter as dores que tenho, para proclamar em hasta pública que sou um miserável, que padeço da doença do suicidiário agudo. Não. As honras da minha vida não pertencem a ninguém. É como uma casa que vai a leilão, com muitos e bons potenciais compradores, mas que tem defeitos, uma racha na parede, a lareira que não funciona bem, e assim vai ficando sem um único rematador.</p>
<p>Mas aquela mulher que tanto me agradou, aquela do ventre saliente, é bem mais súbtil que qualquer pensamento mais destrutivo da minha parte. Ela na verdade não significa nada. É apenas mais uma, apanhada na corrente da minha existência só, que pomposo!, é apenas uma mulher. E aí está! É isso que ela tem de mais encantador. O olhar é normal, o andar, embora torto, é normal, o corpo é normal, os cabelos são normais, tudo correcto. Só que essa normalidade toda junta, toda aconchegada, contribui para que se forme um quadro onde se representa a beleza!</p>
<p>Não, não me sinto nada fascinado por essa mulher. Foi apenas uma que da primeira vez não desviou o olhar quando fixei nele o meu. Uma mulher que esperou um breve microsegundo para tentar ver algo para além do apresentável. Mais nada. Há tantas mulheres que olham!</p>
<p>Bórgia Ginz, <em>in O Anormal</em></p>
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		<title>Osmose tratus</title>
		<link>https://astrangerparadise.com/osmose-tratus</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Bórgia Ginz]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 30 Apr 2021 20:16:25 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Zerox NON]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A partir do momento em que o desfazamento entre o indivíduo comum e a tecnologia seja tão grande que não há outra hipótese senão a de haver intermediários pagos, como quase é agora, está tudo fodido…</p>
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<h6>2004 &#8211; Grupo Mão Morta &#8211; Yahoo!</h6>
<p>&nbsp;</p>
<p>A partir do momento em que o desfazamento entre o indivíduo comum e a tecnologia seja tão grande que não há outra hipótese senão a de haver intermediários pagos, como quase é agora, está tudo fodido&#8230;</p>
<p>E o facto é que a industria cultural é uma industria. Há regras que não há volta a dar, a não ser se que se queira deitar abaixo o castelo de cartas.</p>
<p>Há dois argumentos tipo contra o copyright. O dos artistas, e o do público. O dos artistas, passa muitas vezes, pela eliminação pura e simples do empresário; que redunda sempre numa maior perspectiva de renda para o próprio artista, pois passa a ser o Patrão. Isto em relação ao que me parece o « Copyleft ». No entanto, não me parece provado que esses artistas sejam bons patrões. Mesmo para eles. Ou seja, um artista patrão irá para o desemprego normalmente&#8230;</p>
<p>De facto, é preciso ir bem fundo para se justificar que aquilo que uma pesoa faz deixa de ser propriedade sua a partir do momento em que a mostra. Há que partir do pressuposto que ninguém pediu&#8230; (Estou a brincar, &#8230;) Mas o facto é que qualquer criação tem existência assegurada e independente do que quer que seja o criador. E não há qualquer intelectualidade num disco. Apenas matéria sonora. Os artistas ou os empresários não podem andar a vender aquilo que ninguém compra pois não está no produto. Isso portanto não existe. Propriedade intelectual sobre um disco, ou sobre um livro, etc. Pois não há intelectualidade do autor no produto. Ela aconteceu no autor e lá ficou. O que há é a manifestação de um trabalho, intelectual também, sim senhor, como dar a missa também é, mas que é essencialmente de produção. É um disco. E esse disco tem existência assegurada e independente do que quer que seja o criador. É um facto da matéria. A única maneira de contornar isso é destrui-la, ou fechá-la num local inalcançável. Ou então meter-lhe grilhões como acontece cada vez mais (anti-copy).</p>
<p>Quem quizer pode hoje em dia publicar aquilo que quizer sem se preocupar com os direitos de autor se pretende que tudo seja não comercial. Ninguém lhe rouba a obra e tal, e começa a fazer negócio com a coisa. A referência de autoria está portanto assegurada, pela posse do material original, ou documentação, como data de ficheiros, etc. Basta afirmar que é não comercial, num local qualquer. O Creative Commons é aceite juridicamente, pois trata-se de uma derivação. Se o artista pretende fazer negócio, então é mesmo aconselhável ir procurar um Empresário e que se enrabem os dois.</p>
<p>Há muita confusão na « cena ». Há regras da indústria e do capital que não podem ser quebradas se se andar nesse sistema. É absolutamente impossível. Um meio termo redunda no não crescimento do sistema, que só poderá assim atrofiar. Os artistas que lutam pelo pão já auguram bem essa impossibilidade que representa quebrar o sistema, sem se sair dele&#8230; Isto é, não poderão pensar os artistas que chegam ao público a que chegam hoje, que isso poderá se manter a partir do momento em que são eles, pelos próprios meios, a transmitir a obra. Isso qualquer artista saberá. Os artistas pretenderão mudar o quê a partir do momento em que obtenham o controlo editorial da sua obra? Pensam que não vão ter que gastar o mesmo dinheiro em publicidade resultando daí compromissos entre lucros e gastos? Pensam mesmo que o seu público actual é permitido pelas qualidades da obra? Não dá para saber&#8230; porque nunca foi assim. A teoria que uma obra não chega mais às pessoas do que podia é vaga. Tudo podia chegar muito mais a qualquer pessoa.</p>
<p>Portanto, heverá uma cena estranha, talvez em Portugal, que é os artistas aspirarem a detentores dos meios de produção. É de bom tom o artista não se misturar em política. A não ser que tenha consciência social, pois em política tratamos a sociedade&#8230;</p>
<p>E nesse sentido a teoria e a prática apontam para a eliminação do bem de transação. Não de todos, claro, mas da maior parte em que se fundam os mercados das necessidades espirituais. Passando a existir bens não produzidos para a transação, mas apenas transmissão. A adequação da nova industria e essa nova produção dependerá desta, e da forma como todas as outras necessidades são cumpridas. Portanto não dá para falar. Mas a ideia é a obra « publicada » começar logo á partida por ser uma transmissão, e não um bem de transação, como é considerada hoje em dia por toda a gente que recorre a uma label para publicar um disco.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><em>Bórgia Ginz</em></p>
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		<item>
		<title>Memória</title>
		<link>https://astrangerparadise.com/memoria</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Bórgia Ginz]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 04 Apr 2021 17:02:01 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[O Anormal]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A memória perdura na minha mente. Ainda... Faltam os acasos todos subtis, para que o assombro do sentir se volte para mim e me faça vibrar no escuro do meu quarto escuro.</p>
<p>Como todas as coisas que se fazem amenamente, o vicio já não tem a sua conta de maravilha, ele eclipsou-se para sempre em vagas de sonho inconcreto, velho, menos amoroso do que a rocha mais dura e inviolada. É a miséria a vibrar os seus golpes cruéis e certeiros.</p>
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<p>A memória perdura na minha mente. Ainda&#8230; Faltam os acasos todos subtis, para que o assombro do sentir se volte para mim e me faça vibrar no escuro do meu quarto escuro.</p>
<p>Como todas as coisas que se fazem amenamente, o vicio já não tem a sua conta de maravilha, ele eclipsou-se para sempre em vagas de sonho inconcreto, velho, menos amoroso do que a rocha mais dura e inviolada. É a miséria a vibrar os seus golpes cruéis e certeiros.</p>
<p>Sinto os braços como se eles cumprissem os onze trabalhos de Jasão. Cansados e frouxos, num misto de dor e fadiga, que é sem dúvida aliada da inacção da mente. A cerveja que há muito deixou de percorrer o seu meu corpo faz aparecer as suas marcas; ou a falta das suas marcas. O meu cansaço físico é bem físico! Já não é apenas a mente a gritar pelo descanso. O nervosismo dos membros assanhados assemelha-se à senilidade do corpo de um velho, oxigenado, ou com falta de oxigénio, que é rigorosamente o mesmo, porque vai dar invariavelmente à morte.</p>
<p>Tenho todo o tempo do meu tempo para retomar a minha vida, com os braços cheios de pedidos e de ansiedades. Eu necessito de paixão. Mas, de uma paixão que tenha a pureza de uma primavera, de um renascer de corpo, e de alma. A dor física e psicológica que sinto é de uma atrocidade enorme, desencorajante, mas tenho que perceber que só assim poderei encontrar uma qualquer paz de espírito. Devo apoiar-me no tempo, e procurar em mim o alimento de que necessito. Quero de novo sentir o vento a revolver-me os cabelos. Necessito de uma pequena fúria. Vou escrever para as gerações vindouras. Mas não tenho a sinceridade suficiente para falar das coisas como elas aconteceram realmente. Se as pessoas conhecessem os pequenos pormenores da minha vida. Mas eu já vou pensando na realidade como uma realidade literária, já faço a selecção até das pessoas que são, ou não são, literárias. Agora que vivo só, mais uma vez, vou deixar que os meus personagens vivam por mim. Vou criar pedaços de eu mesmo que vão vaguear por aí, no meio das coisas mais fantásticas e extravagantes. Depois, encontrá-os-ei por aí e aí me dirão todas as peripécias que testemunharam. Lembro agora que tenho ainda certos personagens presos no esquecimento, a quem falta apenas libertar para me felicitarem e depois abrir a voz.</p>
<p>Passei a manhã toda e parte da tarde na cama. Quis-me perder, afundar-me nela, mas ela invariavelmente repeliu o meu corpo para a sua superfície. É uma questão de persistência. Um dia destes conseguirei.</p>
<p>Acabou de se sentar, de perfil para mim, uma certa rapariga que recordo conhecer de algum lado. Está só, tal como eu sou só. Apoiou a cabeça de longos cabelos escuros no par de mãos cruzadas, em forma de prece. Não consigo recordar de onde a conheço, mas tenho no entanto a certeza que já vivi uma apaixonada estória de amor com ela. Ela ficou a olhar pela porta fora, observando, coisa que eu fizera até ela entrar, as pessoas que passam lá fora, debaixo do Sol que parece furioso. Ela não tem um sorriso bonito, mas que importância tem isso agora. De bom grado me abandonaria agora nos seus braços de mãos de unhas compridas. Ela foi-se embora. Adeus&#8230;</p>
<p>Bórgia Ginz, <em>in O Anormal</em></p>
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			</item>
		<item>
		<title>O encontro</title>
		<link>https://astrangerparadise.com/o-encontro</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Bórgia Ginz]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 04 Apr 2021 16:46:35 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[O Anormal]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Eu tinha chegado há pouco àquela cidade, devido à necessidade de conseguir trabalho, isto depois de uma breve passagem pelas salas escuras e anónimas de uma pequena instituição de ensino superior do interior, quando conheci S. e aquele grupo heterogéneo de amigos no meio do qual eu agora me passeava. Eu era de qualquer forma um estranho, um out-sider naquela cidade, eu, que conhecia o mundo através dos livros que lia, vivendo até então uma vida ascética e inóqua de prazeres modernos. De maneira que toda aquela grandiosidade das formas exercia uma espécie de fascínio sobre mim, apesar de nos primeiros tempos a dificuldade em me adaptar fosse quase penosa e me fizesse ter vontade de fugir, de escapar das pessoas e dos seus tentáculos de amizade. Até que conheci S., durante um episódio assaz singular.</p>
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<p>Eu tinha chegado há pouco àquela cidade, devido à necessidade de conseguir trabalho, isto depois de uma breve passagem pelas salas escuras e anónimas de uma pequena instituição de ensino superior do interior, quando conheci S. e aquele grupo heterogéneo de amigos no meio do qual eu agora me passeava. Eu era de qualquer forma um estranho, um out-sider naquela cidade, eu, que conhecia o mundo através dos livros que lia, vivendo até então uma vida ascética e inóqua de prazeres modernos. De maneira que toda aquela grandiosidade das formas exercia uma espécie de fascínio sobre mim, apesar de nos primeiros tempos a dificuldade em me adaptar fosse quase penosa e me fizesse ter vontade de fugir, de escapar das pessoas e dos seus tentáculos de amizade. Até que conheci S., durante um episódio assaz singular.<br />
Foi quando entrei pela primeira vez num daqueles locais de dança que pululam um pouco por todo o lado. Estava sozinho. Obviamente sentia-me um tanto deslocado, no meio de toda aquela gente que se contorcia alegremente enquanto dançava, que bebia e fumava de uma forma maravilhosa, sentindo-me eu um ponto negro miudinho numa imensa tela branca. Na ânsia de me sentir um pouco melhor entreguei-me desde logo à bebida, mandando vir sucessivamente uns licores e uns copos de rum, de maneira que após algum tempo estava já ligeiramente embriagado, sentindo os vapores tépidos do álcool assomarem-me à cabeça. Foi então que a vi, a um canto, conversando com uns tipos. Nada nela me chamou especial atenção, mas no entanto não pude deixar de fixar o meu olhar já meio desfocado na sua figura, e com tal insistência que acabei por sentir uma leve dor de cabeça. Pensei que seria melhor parar de beber e ir-me embora. A música tornara-se insuportável e a cabeça andava-me já à volta como se de um peão se tratasse. Preparava-me para levantar e vestir o sobretudo, quando ouvi uma voz muito suave atrás dele:<br />
-Gostas de mim?<br />
Virei-me e dei de caras com S. que pelos vistos acabara a conversa e se encontrava agora ali à minha frente. Notei que já estava seguramente um pouco bebida; a sua face estava anormalmente rosada e o olhar parecia bastante turvo.<br />
-Eu vi-te a olhar para mim. É que se gostares de mim eu passo a gostar de ti, também.<br />
Fiquei um pouco surpreendido com as suas palavras, achei-as muito estranhas mesmo, quis-lhe responder qualquer coisa com nexo mas, aos tropelões, disse apenas qualquer coisa como isto:<br />
-O gosto é extensivo à beleza. Se me provares que és bela, então aí, eu gostarei de ti.<br />
Ela riu-se. De uma forma muito solta, a resposta agradara-lhe. Convidou-me. a tomar um último copo ao que, após alguma hesitação, acedi.<br />
O salão encontrava-se agora bem mais vazio, a hora tardia e o cansaço afastava lentamente os casais e toda a gente dali para fora, de maneira que apenas eu e S. ainda bebiamos sentados. Um copo meio de whisky balançava suavemente nas suas mãos brancas e esguias.<br />
-Tu não és daqui, pois não?- perguntou, enquanto acendia um cigarro.<br />
Respondi que não, que estava na cidade há pouco tempo, que trabalhava num escritório piolhoso de uma ruela esquecida, e que por enquanto não conhecia ali ninguém.<br />
-Na ternura do desconhecido reside o encanto de uma vida&#8230; &#8211; respondeu ela no meio de um sorriso límpido mas transtornado pela bebida. Deixa lá que daqui a pouco tempo isso acaba. Acaba-se toda a piada. Deixa-se de sentir o delicioso charme que o não conhecer nada nem ninguém nos põe no andar.<br />
Não pude deixar de sorrir.<br />
-Achas isso mesmo?- perguntei.<br />
-Claro, vais ver que depois só conheces gente e acha-los todos chatos e inoportunos. De resto&#8230; és agora um desconhecido que provavelmente se tornará um conhecido e um chato, como os outros.<br />
Olhava para ela, a tentar descortinar uma qualquer ponta de ironia, mas não, parecia muito segura e a falar com seriedade. Tentei dizer-lhe que de modo algum concordava com ela, mas saiu-me exactamente o contrário, uma frase neutra.<br />
-As pessoas têm uma necessidade vital de convívio. A natureza&#8230;<br />
-A natureza quer que nos amemos&#8230; temos isso no sangue. Mas eu não consigo amar uma pessoa que conheço há séculos e no entanto continua ininteligível para mim, quer dizer, que conheço bem demais para a não detestar. Daí ser preferível apenas conhecer desconhecidos, viver num eterno desconhecimento flutuante.<br />
E riu-se, movendo apenas a sua cabeça, suavemente, como se tratasse antes de um leve pranto que fosse imperceptível a mim e aos empregados que se preparavam para levantar as mesas.<br />
-Posso presumir então que não te verei mais &#8211; repliquei.<br />
-Não. Ainda não te conheço, ainda não te detesto. Vamos&#8230;<br />
E levantámo-nos.</p>
<p style="text-align: center;">*</p>
<p>Nessa noite havia muita humidade no ar. O chão encontrava-se molhado e brilhante, assemelhando-se a uma espécie de espelho onde se reflectiam as luzes periclitantes e artificiais dos reclamos de néon das lojas comercias. Caminhavamos em silêncio. S., de cabeça baixa e cabelo esvoaçante parecia meditar profundamente. Eu ia de mãos nos bolsos, observando as irregularidades do passeio. A dada altura ela levantou os olhos.</p>
<p>-Eu moro aqui. Aparece cá amanhã, à hora do jantar. Temos festa&#8230;</p>
<p>Bórgia Ginz, <em>in O Anormal</em></p>
</div>
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			</item>
		<item>
		<title>Estruturas &#038; utilizador III</title>
		<link>https://astrangerparadise.com/estruturas-utilizador-iii</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Bórgia Ginz]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 11 Jun 2009 16:26:53 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Airf'Auga 5]]></category>
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					<description><![CDATA[]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div class="qt-vc-row-container"><div class="vc_row wpb_row vc_row-kentha"><div class="wpb_column vc_column_container vc_col-sm-12"><div class="vc_column-inner"><div class="wpb_wrapper">
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<div id="aa2_2" align="justify">
<h2>Estruturas &amp; utilizador III &#8211; Tópicos</h2>
<p>A estrutura dos dois pontos apoiados no terceiro. A estrutura dos três pontos. As ligações fortes estabelecem-se pelo contacto e primazia dos dois sobre o terceiro. A questão é: quais dois se unem para contrabalançar o terceiro. Unem-se dois a dois alternadamente.</p>
<h2></h2>
<h2>O Espaço interior com fuga de volume &#8211; IN-OUT</h2>
<p>O corte do espaço dá-se pela sobreposição física do volume interior à dualidade da dimensão exterior. O conceito obriga a não haver essa distanciação, ou melhor, perda de volume quando se passa do interior para o exterior.</p>
<p>(Assim, partindo do exterior, o espaço interior pode ser « reconstruído » de forma a haver sempre a noção volumétrica no utilizador.)</p>
<p>A relação existente entre a esfera interior e a esfera exterior é determinada pelo efeito sombra e reutiliza o termo OUT para lhe dar o mesmo significado volumétrico. Na equação da estrutura entram também as seguintes variáveis:</p>
<p>&#8211; Dispersão radial positiva, ao nível do aumento da projecção espacial onde se insere o utilizador. A parte física do utilizador projecta-se para o seu exterior. A sensação de flutuo do objecto é permanente.</p>
<p>&#8211; Dispersão radial negativa, ao nível da concentração do espaço físico determinada pelo centro (o centro não é o centro geométrico, mas a coordenada onde se encontra o utilizador). A parte física do exterior projecta-se na sensibilidade física do utilizador.</p>
<p>A relação existente entre a esfera exterior e a esfera interior é determinada pelo efeito luz e reutiliza o termo IN para lhe dar o mesmo significado volumétrico. Na equação da estrutura entram as mesmas variáveis acima, passando a Dispersão radial negativa a positiva, e a dispersão radial positiva a negativa.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><em>in</em> <strong>Estruturas assimiladas</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><em>Bórgia Ginz</em></p>
</div>
</div>

		</div>
	</div>
</div></div></div></div></div><p>The post <a href="https://astrangerparadise.com/estruturas-utilizador-iii">Estruturas & utilizador III</a> first appeared on <a href="https://astrangerparadise.com">A Stranger Paradise</a>.</p>]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
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		<title>Apenas solidão</title>
		<link>https://astrangerparadise.com/apenas-solidao</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Juca Pimentel]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 25 Oct 2020 13:12:37 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Airf'Auga 5]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Anton era um contratante, uma espécie de laboral perfilhado pela míngua do desejo, que suspirava modos de ternura através de papéis escritos sem cores, e avivava toda a memória de quem ansiava por mais qualquer coisa. Ele um dia aspirou possuir um desejo, ele que a tantos dava resposta.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<div class="qt-vc-row-container"><div class="vc_row wpb_row vc_row-kentha"><div class="wpb_column vc_column_container vc_col-sm-12"><div class="vc_column-inner"><div class="wpb_wrapper">
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<h2>Apenas solidão</h2>
<p>&nbsp;</p>
<p>Anton era um contratante, uma espécie de laboral perfilhado pela míngua do desejo, que suspirava modos de ternura através de papéis escritos sem cores, e avivava toda a memória de quem ansiava por mais qualquer coisa. Ele um dia aspirou possuir um desejo, ele que a tantos dava resposta. Colocou-se no ponto mais alto da cidade e observou dali todas as criaturas que lá ao fundo cumpriam a sua actividade com desenvoltura, acercou-se dos seus pensamentos, filtrou todas as perguntas, e também ele pôde começar a ter algumas.<br />
-Quem sou eu. E quem és tu.<br />
Ele era um vártil. A outra era uma mulher bela.<br />
-Também aqui estás.<br />
-Meu amor, vi-te ao longe e tão ao cimo e vi-me como um anseio teu, um beijo é o que te quero dar, mas não quererás tu talvez foder-me?<br />
-Não tenho pénis. Não tenho cú. Apenas solidão.<br />
-Meu amor, substituo o teu cú pelo meu, e poderemos andar de mãos unidas no cais de embarque. Poderemos partir para lá, onde se faz o tempo, e onde os sonos são mais majestade.<br />
Anton e ela acabarm por partir uma pedra do tamanho de uma laranja e separaram-se cada um com uma metade. A metade mais bela foi a que ficou por atribuir, a metade do tempo em que estiveram ambos em frente um do outro.</p>
<p>Anton foi sempre um bom homem. Bom de corpo para as mulheres, bom de alma para a mãe. Por todas elas desejado. Percorrera todo um tempo em que as sombras eram nitidamente mais fortes que os objectos, e em que se recriava a penumbra através do efeito-espelho. Antes novo agora velho ele permanecia enjaulado na JAE pelo foro psicológico.</p>
<p>Ela levou a mão à cona e lentamente esticou o dedo mais comprido e gordo que tinha, sentindo já na ponta da unha a viscosidade acumulada pelo sono de horas. Afastava-se de Anton com passo rápido. Deveria afastar-se da memória o mais rápido que podia, sempre em frente, até poder levantar o empedrado do passeio para assim se esgueirar por lá. O outro lado do mundo parecia tão perto! Lá, onde o tempo é mais majestoso, e onde todo Anton permanecia estéril e intocado.<br />
Queira visitá-lo na noite. O Sol era ainda demasiado para ser uma solução. Esperaria ali sentada. Anton deveria vir logo atrás.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><em>Juca Pimentel</em></p>
</div>

		</div>
	</div>
</div></div></div></div></div><p>The post <a href="https://astrangerparadise.com/apenas-solidao">Apenas solidão</a> first appeared on <a href="https://astrangerparadise.com">A Stranger Paradise</a>.</p>]]></content:encoded>
					
		
		
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		<item>
		<title>Pedra</title>
		<link>https://astrangerparadise.com/pedra</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Juca Pimentel]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 25 Oct 2020 09:13:13 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Airf'Auga 5]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O que fazer aqui na morte sagrado dos Budas do Oriente maior,<br />
Nas pirâmides não destruídas,<br />
Famintas de maiores sonos e guerras,<br />
Poluidoras do entre-cruzamento da real categoria dos espasmos<br />
E dos medos como uma peneira sagrada,<br />
O que fazer aqui quando ainda se treme de frio.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<div class="qt-vc-row-container"><div class="vc_row wpb_row vc_row-kentha"><div class="wpb_column vc_column_container vc_col-sm-12"><div class="vc_column-inner"><div class="wpb_wrapper">
	<div class="wpb_text_column wpb_content_element  qt-the-content" >
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			<h2>Pedra</h2>
<p>&nbsp;</p>
<p>O que fazer aqui na morte sagrado dos Budas do Oriente maior,<br />
Nas pirâmides não destruídas,<br />
Famintas de maiores sonos e guerras,<br />
Poluidoras do entre-cruzamento da real categoria dos espasmos<br />
E dos medos como uma peneira sagrada,<br />
O que fazer aqui quando ainda se treme de frio.</p>
<p><em>(Are you still fucking!</em><br />
Coil<br />
<em>Are you still cold?)</em></p>
<p>Lamentos não sofrem de amor<br />
Porque o amor é dano e não recordação.<br />
Pedra fria de faces cortantes<br />
E belíssimas pela mentira.<br />
E depois?</p>
<p>Como se o silêncio não fosse uma pedra gigante.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><em>Juca Pimentel</em></p>

		</div>
	</div>
</div></div></div></div></div><p>The post <a href="https://astrangerparadise.com/pedra">Pedra</a> first appeared on <a href="https://astrangerparadise.com">A Stranger Paradise</a>.</p>]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Calores Nocturnos</title>
		<link>https://astrangerparadise.com/calores-nocturnos</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Juca Pimentel]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 25 Oct 2020 08:09:14 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Airf'Auga 5]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Não pensem que o medo é único<br />
quando não se consegue medir.<br />
A ignorância também contribui para os aumentos.<br />
Qual subtilezas, qual quê? Eu vim cá para fora.<br />
Toda a gente grita.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<div class="qt-vc-row-container"><div class="vc_row wpb_row vc_row-kentha"><div class="wpb_column vc_column_container vc_col-sm-12"><div class="vc_column-inner"><div class="wpb_wrapper">
	<div class="wpb_text_column wpb_content_element  qt-the-content" >
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			<h2>Calores Nocturnos</h2>
<p>&nbsp;</p>
<p>Não pensem que o medo é único<br />
quando não se consegue medir.<br />
A ignorância também contribui para os aumentos.<br />
Qual subtilezas, qual quê? Eu vim cá para fora.<br />
Toda a gente grita.<br />
Foste tú.<br />
Foste tú.<br />
Não se parecem coisas diferentes.<br />
Pois o medo nasce do indiferente perante o que esteve.<br />
Assim os olhos prendem o agora<br />
como violetas.<br />
Toda a gente chora.<br />
Toda a gente berra.<br />
Foste tú.<br />
Foste tú.<br />
Brisas nocturnas ao som da chuva caída.<br />
Lá fora, no meio dos gritos,<br />
não há nuncas nem fomes antigas,<br />
apenas merda.<br />
Foste tú,<br />
foste tú.<br />
Quem diria.<br />
Que os elfos se matariam um dia como diamantes por<br />
cortar.<br />
Que os outros<br />
iriam se perder na metamorfose do que não é.<br />
Para nunca ser.<br />
Amor, meu amor, estás tão longe,<br />
e dizem-mem que és inconsciente.<br />
Mas estás.<br />
Não há mais prova da tua consciência.<br />
Em mim,<br />
nos calores nocturnos e teus olhos a brilhar.</p>
<p>Labirinto.</p>
<p>Crescem garras nos olhos famintos<br />
de fumos negros e almas em sangue por mim,<br />
deitado na asquerosa constatação do que é sempre:<br />
nunca.</p>
<p>Como?</p>
<p>Pois que eu não estou presente na<br />
fúria que mata, mas na tal que dilacera tudo.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><em>Juca Pimentel</em></p>

		</div>
	</div>
</div></div></div></div></div><p>The post <a href="https://astrangerparadise.com/calores-nocturnos">Calores Nocturnos</a> first appeared on <a href="https://astrangerparadise.com">A Stranger Paradise</a>.</p>]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Permissões sexuais no conteúdo</title>
		<link>https://astrangerparadise.com/permissoes-sexuais-no-conteudo</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Juca Pimentel]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 24 Oct 2020 22:44:01 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Airf'Auga 5]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O homem saiu para a noite. Silencios tenebrosos esperavam ao fim da escada que surgia ali. Quando ele-homem saiu toda a noite tinha caído. Sabemos bem como todos os homens que se procriam na noite saem estúpidos.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<div class="qt-vc-row-container"><div class="vc_row wpb_row vc_row-kentha"><div class="wpb_column vc_column_container vc_col-sm-12"><div class="vc_column-inner"><div class="wpb_wrapper">
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			<h2>Permissões sexuais no conteúdo</h2>
<p>&nbsp;</p>
<div id="aa2">
<p>O homem saiu para a noite. Silencios tenebrosos esperavam ao fim da escada que surgia ali. Quando ele-homem saiu toda a noite tinha caído. Sabemos bem como todos os homens que se procriam na noite saem estúpidos. Mirones da luz que nunca chega. Aquela que nunca chega. E esse homem alongou-se nos passos pela rua na noite. A bela mulher-noite. Não pensem que havia sexo. Apenas a majestade de ser um meio termo, sublime zero, que o matava no aconchego de braços longos, de joias milenares. E Rock &amp; Roll. Havia sexo. Mas os termos são sempre mais líquidos na periferia, logo é necessário ir ao centro, para que surjam maiores. E o centro é sexo líquido. O homem-noite desceu a rua sem sexo.Os termos são-no sempre em demasia.</p>
<p>A noite do homem cai da ponte.</p>
<p>&nbsp;</p>
</div>
<p><em>Juca Pimentel</em></p>

		</div>
	</div>
</div></div></div></div></div><p>The post <a href="https://astrangerparadise.com/permissoes-sexuais-no-conteudo">Permissões sexuais no conteúdo</a> first appeared on <a href="https://astrangerparadise.com">A Stranger Paradise</a>.</p>]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Diferente</title>
		<link>https://astrangerparadise.com/diferente</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Bórgia Ginz]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 04 Apr 2021 17:25:22 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[O Anormal]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://astrangerparadise.com/?p=3684</guid>

					<description><![CDATA[<p><em>-Eu sou diferente de todos os homens que poderás encontrar.<br />
-Todos os homens são diferentes...<br />
-Mas eu sou diferente até naquilo que os outros são iguais.<br />
-Podias concretizar?<br />
-Tu, por exemplo. Amo-te, julgo sabê-lo. E assim, nunca te conseguirei deixar. Faltar-me-ão sempre as forças para dar o último passo.<br />
-Eu sei. É por isso que te acho um fraco.<br />
</em></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<div class="qt-vc-row-container"><div class="vc_row wpb_row vc_row-kentha"><div class="wpb_column vc_column_container vc_col-sm-12"><div class="vc_column-inner"><div class="wpb_wrapper">
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			<div align="center">
<div class="styletext" style="max-width: 600px;" align="justify">
<p><em>-Eu sou diferente de todos os homens que poderás encontrar.<br />
-Todos os homens são diferentes&#8230;<br />
-Mas eu sou diferente até naquilo que os outros são iguais.<br />
-Podias concretizar?<br />
-Tu, por exemplo. Amo-te, julgo sabê-lo. E assim, nunca te conseguirei deixar. Faltar-me-ão sempre as forças para dar o último passo.<br />
-Eu sei. É por isso que te acho um fraco.<br />
Ela sabia! Logo aquilo que mais me esforçava por ocultar. E era esse o motivo porque me achava um fraco. Detestei-me como nunca naquele preciso momento. Ela sabia medir as palavras, calmamente, deixando-as fermentar até atingir a máxima acidez. Eu, pelo contrário, face a tanta calma aparente, enervava-me. Afinal, queria-lhe dizer coisas que ela ainda não soubesse. O meu castelo de cartas desmoronava-se por completo. Ela tinha acertado em cheio na ferida, e as palavras entalavam-se-me agora no céu da boca. No amor, quando às sensações sucedem as palavras, é muito perigoso dar a conhecer a jogada antecipadamente, e eu sentia já que estava condenado.<br />
-Porquê que me achas um fraco?<br />
Ela estava extremamente calma, e facilmente respondeu à pergunta óbvia.<br />
-Porque sim.<br />
-Então e onde vês tu a força, ou a falta dela, nas pessoas? É pela maneira de andar, e pela maneira de dizer bom dia?<br />
-Não é por nada disso, e é por isso tudo ao mesmo tempo. Vê-se, simplesmente. Mas deixa lá que eu também sou fraca, até talvez mais do que tu. Por isso preciso de alguém que seja forte.<br />
Agora eu sabia. Tudo era devido ao facto de eu ser fraco. Afinal era esse o meu pecado. Não era o ser baixo, ou o ter os dentes amarelos, não, era algo de geral, próprio de mim: ser fraco.</em></p>
<p>Bórgia Ginz, <em>in O Anormal</em></p>
</div>
</div>

		</div>
	</div>
</div></div></div></div></div><p>The post <a href="https://astrangerparadise.com/diferente">Diferente</a> first appeared on <a href="https://astrangerparadise.com">A Stranger Paradise</a>.</p>]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Parede nua</title>
		<link>https://astrangerparadise.com/parede-nua</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Bórgia Ginz]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 04 Apr 2021 17:22:29 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[O Anormal]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://astrangerparadise.com/?p=3680</guid>

					<description><![CDATA[<p>Descanso a cabeça de encontro à parede nua. Vejo assim mais nitidamente o meu futuro impossível, o sonho destravado e inútil dos meus desejos antigos. Toda a miséria da minha existência inunda agora os poros entupidos da minha pele ressequida e vencida pelo tempo. Não mais do que uma pequena solidez nos punhos e na face, não mais do que um pedaço de esforço vão e sôfrego, vão e inútil, como se estas palavras tivessem significados diferentes. Não vejo a minha sombra no asfalto da rua. Porque será? Não fosse noite na minha alma e tentaria responder a esta pergunta.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<div class="qt-vc-row-container"><div class="vc_row wpb_row vc_row-kentha"><div class="wpb_column vc_column_container vc_col-sm-12"><div class="vc_column-inner"><div class="wpb_wrapper">
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			<div align="center">
<div class="styletext" style="max-width: 600px;" align="justify">
<p>Descanso a cabeça de encontro à parede nua. Vejo assim mais nitidamente o meu futuro impossível, o sonho destravado e inútil dos meus desejos antigos. Toda a miséria da minha existência inunda agora os poros entupidos da minha pele ressequida e vencida pelo tempo. Não mais do que uma pequena solidez nos punhos e na face, não mais do que um pedaço de esforço vão e sôfrego, vão e inútil, como se estas palavras tivessem significados diferentes. Não vejo a minha sombra no asfalto da rua. Porque será? Não fosse noite na minha alma e tentaria responder a esta pergunta.<br />
Pergunto-me amiúde porque me sentirei assim. Não encontro resposta. Ela foge-me. Ela substitui-se à pequenez da minha visão. Porque os meus olhos vêm coisas que o mundo esconde, e assim iliba. Todo o mundo está de antemão ilibado. E a minha sorte será jogada com uns dados viciados que as mãos do meu amor lançou de encontro ao meu corpo dobrado e cansado. Sem a liberdade do sentir. Sem eu próprio poder soletrar uma palavra que seja em contrário. Nem sequer há a vontade de fazer isso. Estou resignado.<br />
O vento sopra sorrateiro por entre as pregas da minha camisa. Ela e o vento ensaiam uma pequena coreografia ondulante, e eu fico estático. Vejo as outras pessoas, sorridentes, a comentarem entre olhares expressivos: “Está tanto vento!” Mas este tanto vento não chega para varrer todas as misérias que nascem entre nós. Estamos impregnados de mau sentir.</p>
<p>Bórgia Ginz, <em>in O Anormal</em></p>
</div>
</div>

		</div>
	</div>
</div></div></div></div></div><p>The post <a href="https://astrangerparadise.com/parede-nua">Parede nua</a> first appeared on <a href="https://astrangerparadise.com">A Stranger Paradise</a>.</p>]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Zerox NON</title>
		<link>https://astrangerparadise.com/zerox-non</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Juca Pimentel]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 24 Oct 2020 21:30:50 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Airf'Auga 5]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Aqui morto eu!<br />
Façam de mim a penúria maior!<br />
Cantem os sinos de tronos partidos!<br />
A rebate os mortos da forca maior!<br />
Forca!<br />
Para mim aqui morto eu!</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<div class="qt-vc-row-container"><div class="vc_row wpb_row vc_row-kentha"><div class="wpb_column vc_column_container vc_col-sm-12"><div class="vc_column-inner"><div class="wpb_wrapper">
	<div class="wpb_text_column wpb_content_element  qt-the-content" >
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			<h2>Zerox NON</h2>
<p>&nbsp;</p>
<p>Aqui morto eu!<br />
Façam de mim a penúria maior!<br />
Cantem os sinos de tronos partidos!<br />
A rebate os mortos da forca maior!<br />
Forca!<br />
Para mim aqui morto eu!</p>
<p><em>Não sinto a cabeça.<br />
Isto é, sinto-a demasiado fortemente<br />
para a pressentir apenas como necessária.<br />
Ela formou-se em turbilhão vaporoso<br />
e agora a inércia transporta-me para o mais pesado,<br />
para o que não fecunda porque já foi castrado de virilidade,<br />
e assim vagueio na cal do sensacionismo,<br />
podre de perfeição.<br />
Os olhos já não vêm o que pretendo,<br />
eles próprios recusam assumir o assombro como próximo,<br />
anulam a existência da potência sensorial<br />
para cairem pelos becos cuja saída está sempre ausente.<br />
As minhas lamentações tomam a proporção do acabamento<br />
e assim termino-me sem qualquer honraria a compor-me<br />
a progressão no espaço,<br />
ou na metáfora,<br />
ou no anti-real.<br />
Querer os mesmos pontos de contacto com a realidade:<br />
eis o que me afasta do sentir.<br />
Ou o que me aproxima do sentimento.<br />
Sentir a sensação ou sentir o sentimento?<br />
Afastamento ou aproximação?</em></p>
<p>Lado. Escuro lado.<br />
Em canto nocturno.<br />
Membro da noite.<br />
O que fere o meu vazio<br />
espantalho<br />
agreste dos verdes<br />
em nada.</p>
<p>Eu fodo-me como um santo.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><em>Juca Pimentel</em></p>

		</div>
	</div>
</div></div></div></div></div><p>The post <a href="https://astrangerparadise.com/zerox-non">Zerox NON</a> first appeared on <a href="https://astrangerparadise.com">A Stranger Paradise</a>.</p>]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Airf&#8217;Auga 4</title>
		<link>https://astrangerparadise.com/airfauga-4</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Bórgia Ginz]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 09 Aug 2009 19:45:16 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Airf'Auga 4]]></category>
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					<description><![CDATA[<div style="text-align:center">Metalurgia – Juca Pimentel</p>
<p>Bronssi</p>
<p>THX – Sofia Bravo</p>
<p>Suicidiária e outros poemas – Bórgia Ginz</p>
<p>Venus of Kazabäika</p>
<p>Contos Normais – Bórgia Ginz</p>
<p><strong>Capa e THX Series – Sofia Bravo</strong></div>
<p>The post <a href="https://astrangerparadise.com/airfauga-4">Airf’Auga 4</a> first appeared on <a href="https://astrangerparadise.com">A Stranger Paradise</a>.</p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div class="qt-vc-row-container"><div class="vc_row wpb_row vc_row-kentha"><div class="wpb_column vc_column_container vc_col-sm-12"><div class="vc_column-inner"><div class="wpb_wrapper">
	<div class="wpb_text_column wpb_content_element  qt-the-content" >
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			<p><img class="size-full wp-image-2661 aligncenter" src="https://astrangerparadise.com/wp-content/uploads/2009/08/AirfAuga-4-1.jpg" alt="Airf'Auga 4" width="1066" height="1523" srcset="https://astrangerparadise.com/wp-content/uploads/2009/08/AirfAuga-4-1.jpg 1066w, https://astrangerparadise.com/wp-content/uploads/2009/08/AirfAuga-4-1-768x1097.jpg 768w" sizes="(max-width: 1066px) 100vw, 1066px" /></p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;">Metalurgia &#8211; Juca Pimentel</p>
<p style="text-align: center;">Bronssi</p>
<p style="text-align: center;">THX &#8211; Sofia Bravo</p>
<p style="text-align: center;">Suicidiária e outros poemas &#8211; Bórgia Ginz</p>
<p style="text-align: center;">Venus of Kazabäika</p>
<p style="text-align: center;">Contos Normais &#8211; Bórgia Ginz</p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;">Capa e THX Series &#8211; Sofia Bravo</p>

		</div>
	</div>
</div></div></div></div></div><p>The post <a href="https://astrangerparadise.com/airfauga-4">Airf’Auga 4</a> first appeared on <a href="https://astrangerparadise.com">A Stranger Paradise</a>.</p>]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>O Conde</title>
		<link>https://astrangerparadise.com/o-conde</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Bórgia Ginz]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 04 Apr 2021 16:57:53 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[O Anormal]]></category>
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					<description><![CDATA[<p><em>O Conde era muito moreno. Adivinhavam-se na sua cor e traços certos vestígios de uma qualquer raça arábica, como muitas que se encontram pela França inteira. Tinha o peito repleto de pêlos, uns pêlos rijos e fortes, que faziam ressoar um certo timbre de sussurro quando raspavam os meus, mais suaves. Os braços dele eram cheios, todos empanturrados de sensualidade; pareciam amarras de bons portos, sempre prontos a nos recolher e confortar. Apresentava uma leve barriga proeminente, que supus ser o efeito de exagero na bebida. As pernas eram lindas. Com os músculos todos certos, sem exagero, suaves. </em></p>
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<p><em>O Conde era muito moreno. Adivinhavam-se na sua cor e traços certos vestígios de uma qualquer raça arábica, como muitas que se encontram pela França inteira. Tinha o peito repleto de pêlos, uns pêlos rijos e fortes, que faziam ressoar um certo timbre de sussurro quando raspavam os meus, mais suaves. Os braços dele eram cheios, todos empanturrados de sensualidade; pareciam amarras de bons portos, sempre prontos a nos recolher e confortar. Apresentava uma leve barriga proeminente, que supus ser o efeito de exagero na bebida. As pernas eram lindas. Com os músculos todos certos, sem exagero, suaves. As nádegas eram a coisa mais sensual que jamais conseguira encontrar. Recobertas de pequenos e finos cabelos doirados, surpreendia a aparição de uma pequena lua tatuada na nádega esquerda, talvez lembrança de uma amante antiga.</em><br />
<em>Aquilo que nos dava mais prazer eram as longas horas que passávamos abraçados, ternamente enleados no sofá da sala, enquanto esperávamos o nascer do dia. Eu subia até ao quarto da minha pensão, e vinha de lá carregado com um cobertor azul que nos iria cobrir mais tarde.</em><br />
<em>Lembro especialmente das suas mãos. Frenéticas! Agarrava a minha mão e apertava-a, e os seus dedos não paravam, num constante movimento de abrir e fechar. Nunca aquelas mãos estiveram paradas. Os seus dedos… E assim ficávamos nós horas e horas. Depois levantávamo-nos e dançávamos, como dois amantes, libertos de qualquer peso, com todo o corpo a desejar o final, o abismo dos sentidos, o mergulhar do corpo no corpo do outro.</em><br />
<em>E ele saltava para as minhas pernas e atiçava-as, fazia-as endiabrar no lusco-fusco da sala. Era como se todo o mundo se concentrasse no seu corpo, sempre à espera.</em><br />
<em>A sua expressão abria-se num sorriso todo cheio de fragilidade, todo a pedir protecção, ternura. Pegava então nele e levava-o para o quarto, onde lhe contava histórias que eu inventava para o adormecer. “Conta-me uma história” – pedia ele. E então eu falava. Ao ouvido, enquanto fumava um cigarro. Contava-lhe histórias de príncipes e de pássaros falantes, mas acho que ele nunca compreendeu que falava dele. A música era cor para os olhos das crianças, nós, enfim nós, quando tudo parecia alcançável, quando todo o vento do mundo se podia suster com os lábios em bico.</em><br />
<em>Da imagem menos nítida dos seus olhos eu ainda enfrento a paz, sublime em pecado, com toda a volúpia de todos os homens do mundo.</em><br />
<em>As vozes dos fantasmas! &#8211; lembro-me agora deles… Todos os nossos amantes antigos nos apareciam em sonhos, e fazíamos amor com todos eles; em ilusão, em bruma dispersa que embriagava os sentidos. Eu não sei se estava com uma pessoa, ou se mergulhava no meio do mar. Eu não consigo reconstituir as suas feições, os seus lábios, os seus olhos escuros, a sua barriga, mas lembro-me de todo o seu ser. Ele ainda me toca, quando menos espero, na escuridão nua do meu quarto. Eu acordo e percorro o seu peito com as minhas unhas sujas de ganza.</em><br />
<em>Foi com ele que fumei o meu primeiro joint de ganza, no interior de uma casa em construção. Levara-me para lá uns meses antes, aos saltos, anunciando-me o elixir do tempo magnífico, o embalo adorado do Deus do Amor. E amámo-nos muito a seguir. Deitados no chão frio e áspero, não conseguíamos vislumbrar uma réstia de luz que fosse, que nos fizesse retroceder, atrasar o passo e retornar para o semblante carregado.</em><br />
<em>Fomos puros. Cristalinos. Provocantes. E ninguém soube.</em></p>
<p>Bórgia Ginz, <em>in O Anormal</em></p>
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		<title>Juca Pimentel</title>
		<link>https://astrangerparadise.com/o-anormal-juca-pimentel</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Bórgia Ginz]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 04 Apr 2021 16:55:38 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[O Anormal]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Decidi acender um cigarro, quando entrou no café um indivíduo de baixa estatura e aspecto desleixado que se dirigiu apressadamente para o balcão e logo se pôs a gritar para o empregado que o fora atender, tornando-se totalmente impossível não o deixar de ouvir:<br />
-Eu sei que o senhor tem pouca consideração por mim! Não, não diga nada, pois eu vejo-o nos seus olhos! Estava eu ainda desinteressado de tudo isto a que chamam “ir a um café” e já me vem o senhor abeirar-se e perguntar o que quero. Eu não quero nada! Eu só quero estar aqui!</p>
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<p>Decidi acender um cigarro, quando entrou no café um indivíduo de baixa estatura e aspecto desleixado que se dirigiu apressadamente para o balcão e logo se pôs a gritar para o empregado que o fora atender, tornando-se totalmente impossível não o deixar de ouvir:<br />
-Eu sei que o senhor tem pouca consideração por mim! Não, não diga nada, pois eu vejo-o nos seus olhos! Estava eu ainda desinteressado de tudo isto a que chamam “ir a um café” e já me vem o senhor abeirar-se e perguntar o que quero. Eu não quero nada! Eu só quero estar aqui! E além disso não poderia querer alguma coisa porque não teria dinheiro para o pagar. Mas eu sabia! Eu estive lá fora, a ser empurrado por gente que não conheço, a ser pisado e cuspido, a tentar encontrar a coragem para fazer avançar uma das pernas em direcção à porta desta espelunca. Estive lá uma boa vintena de minutos1 E mesmo assim tive de reunir todas as minhas forças, mesmo aquelas que ignorava possuir, para, num impulso e com uma lâmina a dilacerar-me os pulsos entrar e encostar-me ao balcão como se fosse uma pessoa normal!</p>
<p>Eu olhei melhor e vi realmente uma navalha de imitação que ele segurava na mão direita e encostava ao pulso esquerdo. O homem agora já não falava e o jovem empregado empalidecera até á cor da perafina, não podendo articular qualquer palavra que fosse. De súbito, a expressão dura do desconhecido abriu-se num enorme sorriso e levantando os braços acrescentou:<br />
&#8211; Caro amigo, acalme-se! Estava só a brincar consigo! Eu sei que não devia fazer isto, mas é uma mania que não me sai. Eu só queria ver a sua reacção e de certa forma fazer-lhe um aviso: é que o inesperado pode acontecer e há muitos malucos por aí!<br />
O empregado, bastante atrapalhado, fez que sim com a cabeça.<br />
&#8211; Bem, já vi que percebeu, sim senhora, deixo-o. Já agora traga-me um brandy que o efeito do último já vai passando.<br />
Não dava para perceber se o homem se encontrava embriagado, á primeira vista tudo indicava que sim, mas a forma como lançou um olhar largo por toda a sala indicava a existência de um controle que seria impossível caso estivesse deveras bebido. Com as duas mãos, segurou no copo que lhe for a servido e pareceu-me dizer qualquer coisa, um murmúrio, como se falasse para o líquido escuro e alcoólico que parecia o centro de todas as suas atenções.<br />
Foi então que ele nos viu, e logo se aproximou da nossa mesa, cambaleante.<br />
&#8211; Ainda ontem estava eu a fazer malha com os meus pensamentos mais descabidos, quando me apercebi de que nada me fazia sentir o frio das outras pessoas. Quando entraram três meninas recatadas na palidez do meu estado, logo me percorreu uma enorme vontade de lhes tocar, de sentir a libido dos seus corpos imundos. Sou uma besta sexual? Não, apenas me apaixono facilmente. É como levantar a colher de sopa e erguê-la à altura dos lábios: após anos de treino já nem nos apercebemos que o fazemos.<br />
Falava lentamente, abanando a cabeça a cada sílaba pronunciada. Um pedaço viscoso de baba pendia-lhe do canto da boca húmida. Vinho… parecia vinho.<br />
De súbito levantou-se ruidosamente e pôs-se a cantarolar a 5ª Sinfonia de Beethoven, acompanhando a sua cantilena com um esbracejar violento, com tal barulho que logo as pessoas que estavam no café dirigiram o olhar para ele. S. também olhava para ele, e ria-se, baixinho, imóvel, com todos os seus dentes brancos a reflectirem-se copo de Porto que segurava na mão esquerda.<br />
&#8211; Cantem, cantem comigo! – incentivava o indivíduo.<br />
S. sorriu ainda mais, mas sem se mexer, continuava a fumar. Quanto a mim, acompanhei-a. Via-se que o homem fazia um esforço tremendo para se manter de pé, oscilando pesadamente de um pé para o outro. Com as mãos à altura do peito, cantava cada vez mais alto, o que o fazia engasgar-se aflitivamente. De súbito, olhou-nos de fronte, completamente ofuscado por qualquer coisa que ia dizer, e caiu pesadamente em cima da mesa, vomitando mesmo ali. Foi um problema trazê-lo dali para fora. Começou a discutir ferozmente com o dono do estabelecimento e logo depois caiu num imenso torpor alcoólico que o deixou inconsciente. Uma vez cá fora deitá-mo-lo no passeio e esperámos uns bons dez minutos antes que se recompusesse. Acordou e logo cuspiu para cima do meu braço.<br />
&#8211; Como te chamas? – perguntei.<br />
&#8211; Juca… Juca Pimentel – respondeu atordoado.<br />
&#8211; E o que é que fazes?<br />
&#8211; Sou poeta.<br />
E voltou a adormecer.</p>
<p>Bórgia Ginz, <em>in O Anormal</em></p>
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		<title>S</title>
		<link>https://astrangerparadise.com/s</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Bórgia Ginz]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 21 Jan 2012 03:21:48 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[O Anormal]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>- Acreditas na beleza?  - Acredito na minha beleza, e na dos filhos que terei mais tarde.  - És muito narcisista. - Não! Sou apenas uma mulher deste século, alguém que deixou de acreditar em qualquer coisa que não ela própria. Aliás… como toda a gente que conheço. Eu só te digo as coisas desta maneira para te fazer ver as coisas como elas são hoje em dia. Se perguntasses a uma Antonieta ou a um Jeraldino qualquer, eles responderiam invariavelmente da mesma forma: eu, mim, minha… Se não fosse assim, as pessoas amar-se-iam todas, e isso seria insuportável, um verdadeiro suplício.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<div class="qt-vc-row-container"><div class="vc_row wpb_row vc_row-kentha"><div class="wpb_column vc_column_container vc_col-sm-12"><div class="vc_column-inner"><div class="wpb_wrapper">
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<p>&#8211; Acreditas na beleza?<br />
&#8211; Acredito na minha beleza, e na dos filhos que terei mais tarde.<br />
&#8211; És muito narcisista.<br />
&#8211; Não! Sou apenas uma mulher deste século, alguém que deixou de acreditar em qualquer coisa que não ela própria. Aliás… como toda a gente que conheço. Eu só te digo as coisas desta maneira para te fazer ver as coisas como elas são hoje em dia. Se perguntasses a uma Antonieta ou a um Jeraldino qualquer, eles responderiam invariavelmente da mesma forma: eu, mim, minha… Se não fosse assim, as pessoas amar-se-iam todas, e isso seria insuportável, um verdadeiro suplício. Não, as pessoas preferem proteger-se atacando os outros, a estender a mão e beijar a face de alguém que se calhar nem se conhece de lado algum. E em relação às pessoas que não se conhece o caso até se complica: é que ninguém sabe se no bolso têm uma flor ou uma faca. Bem, é difícil terem uma flor… Não houve já tantas guerras? Tudo a mesma coisa. Todos a pensarem que todos tinham uma faca no bolso! Nunca ninguém soube o que passou pela cabeça desses mortos todos, desses tipos de armas na mão que viram a porta fechar-se sob o impulso de uma bala. Mas decerto que se lhes dessem mais dez minutos de vida, os gastariam a chorar, como crianças cheias de dor, por nem elas nem os que mandam terem sabido erguer a flor bem alto e a tempo. Desenterrem-nos e ainda lhes verão na face amortalhada a expressão de surpresa por se terem apercebido que o que existe na vida é pura e simplesmente a probabilidade de morrer ao virar da esquina. Sem glória nem despedida, quanto mais dignidade. Depois há os outros que vivem como se ainda estivessem no interior das barrigas das mães, existindo a custa do que o sistema organizado e secular a que chamam civilização lhes dá. Enquanto jovens ficam-se por casa, e depois de concluídos os estudos empregam-se e entram no enorme rebanho bem sucedido dos que produzem algo: mais um computador, ou uma barragem, ou dois quilos de arroz, conforme… E sentem-se especiais, sentem-se importantes, olham para o vizinho, menos afortunado, e pensam: « Eu fiz mais e melhor do que ele, tenho um curso superior e distinção, ganho agora muito dinheiro, fiz o que devia, posso-me orgulhar de ter cumprido o meu dever. » E pensam tudo isto enquanto fazem a barba, de manhã, e se preparam para tirar da garagem o carro que os levará ao emprego. E pensar que viverão uma vida sem parar para perguntar: « Porquê? » Uma pessoa, antes de ser um filho, antes de ser um estudante, antes de ser um empregado, é um Homem. Um ser humano que não se poderá contentar em fazer parte de um acordo geral com a mecanização humana, que não poderá perder o rasto da sua individualidade. Essas pessoas pensam que produzem e contribuem para o engrandecimento da humanidade, mas não fazem nada que alguém nas mesmas condições não faça. Daqui a poucos anos dar-se-á inevitavelmente a sua queda na indiferença, no abismo do dispensável. Então, serão substituídas por máquinas, mais económicas e eficientes, e aí, onde residirá a importância e a glória dessas pessoas: em Nada! Porque de facto nunca criaram nada. Apenas deram o corpo enquanto foi necessário. Farão menos que uma planta que renova o ar. A pouco aspiram essas pessoas! Dou mais vivas a um camponês que nunca viu o mar e se alegra por fazer brotar da terra uma semente do que a um engenheiro que se entusiasma por ter obtido uma promoção. É por isto tudo que há tanta gente que chega ao fim de uma longa vida e, olhando para trás, apenas encontram o vazio. Se lhes perguntares o que de mais importante lhes aconteceu ou fez, terão uma única e breve resposta: « Os meus filhos! » Porque poderá não haver nada mais belo do que ter um filho, e porque sentirão que foi a coisa que deram ao mundo e é criação inteiramente sua, única, verdadeiramente bela. E eles sentem isso como sendo o único elo que ainda os liga à tal humanidade que tanto serviram durante toda a vida. A vida á como aquela pequena moeda que repousa solitária no fundo do bolso das nossas calças: temos que escolher onde vamos gastá-la. E tenho a certeza que muito mais difícil do que ser mais um a gozar a vida, é sem dúvida tomar o rumo que nós achamos mais correcto e assim arcar com as consequências… Mas dói imenso não ter ninguém com quem afagar um rato na escuridão do nosso quarto.<br />
E calou-se. Vi então que os seus olhos se tinham humedecido de súbito, brilhando ténuamente no meio da penumbra que afogava o canto onde nos encontrávamos. Havia nela, na maneira como se inclinava por sobre a mesa, no modo como erguia o cigarro à altura dos lábios, qualquer coisa que me deixava perplexo e fascinado. Tinha á minha frente alguém que vivia em sonho o que as outras pessoas esqueciam ao acordar de manhã, na placidez dos lençóis enrugados, alguém que se fustigava por ter nascido sem escolha própria. Estava encerrada no seu próprio corpo, e gritava pelo mar e céu: gritos mudos, amordaçados pela estúpida indiferença de toda uma vasta plateia que mais não fazia do que rir sem saber bem porquê. S. tinha chegado àquele ponto em que o limiar da incerteza se transforma em cruel desilusão. A realidade queima mais do que uma pira funerária e ela tinha percorrido todos os cemitérios do mundo. Nunca me sentira tão perto de uma pessoa como naquele momento, pela primeira vez olhava uma mulher e via-a realmente, não estando defronte de um pedaço de vidro translúcido com alguma capacidade de reflectir imagens, não, S. existia efectivamente e assim deslocava qualquer coisa no espaço que era meu também.</p>
<p>Bórgia Ginz, <em>in O Anormal</em></p>
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		<title>A Força</title>
		<link>https://astrangerparadise.com/a-forca</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Bórgia Ginz]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 04 Apr 2021 17:23:55 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[O Anormal]]></category>
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					<description><![CDATA[<p><em>Em quê que se revela a força de uma pessoa? Nas suas acções, talvez. Na sua maneira de estar, talvez. Ou então em pequenos pormenores de ocasião, tal como a maneira como saúda alguém que já não vê há muito tempo, ou como ergue a taça de vinho à altura dos lábios para uma golada rápida. Ou então, na maneira como ama e facilmente esquece...</em></p>
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<p><em>Em quê que se revela a força de uma pessoa? Nas suas acções, talvez. Na sua maneira de estar, talvez. Ou então em pequenos pormenores de ocasião, tal como a maneira como saúda alguém que já não vê há muito tempo, ou como ergue a taça de vinho à altura dos lábios para uma golada rápida. Ou então, na maneira como ama e facilmente esquece&#8230;</em><br />
<em>A força, entre homens, trata-se de uma coisa bem definida, medida por acções, por posições de firmeza em relação a certos assuntos. Um homem é forte quando se manifesta coerente, e aqui, até os músculos se revelam pouca coisa. É as ideias, a coerência das ideias, a dignidade dessas ideias, a tenacidade positiva, que torna o homem forte entre os homens. Já se vai abandonando a destreza dos músculos, a ligeireza do corpo, em favorecimento do ideal, da elevação moral. Com as mulheres, o caso complica-se. Que definição de força resulta face aos olhos das mulheres?</em><br />
<em>A mulher confunde muitas vezes fraqueza com respeito. É algo muito difícil de analisar e mesmo imperceptível a olho nu. E só quem alguma vez se confrontou com uma mulher em relação ao assunto poderá ter uma ideia de como assim é.</em><br />
<em>É um facto que a mulher gosta de ser cortejada pelo homem. Nem se trata já de algo social; é fisiológico. É hormonal. Após tantos anos em que a mulher esteve no tal pedestal ao qual os homens chegavam através da corte, a informação foi de tal modo apreendida que é como se um novo órgão tivesse nascido no seu corpo: o receptáculo da corte. Quando falo em corte, refiro-me obviamente aos seus aspectos actuais. O interesse, ou melhor, a demonstração de interesse por parte do homem.</em></p>
<p>Bórgia Ginz, <em>in O Anormal</em></p>
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		<item>
		<title>H</title>
		<link>https://astrangerparadise.com/h</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Bórgia Ginz]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 05 Apr 2021 20:23:43 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[O Anormal]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>H. pousou a caneta e olhou pela janela. A noite caíra decerto há muito, a penumbra do quarto deixava-o enleado pela ténue luz do candeeiro. O quarto era grande. Havia ao longo de toda uma parede uma série de prateleiras cheias de pó, onde os livros se amontoavam de uma forma pouco arrumada, livros velhos a maior parte, com as lombadas gastas e de aspecto barato.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<div class="qt-vc-row-container"><div class="vc_row wpb_row vc_row-kentha"><div class="wpb_column vc_column_container vc_col-sm-12"><div class="vc_column-inner"><div class="wpb_wrapper">
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<p>H. pousou a caneta e olhou pela janela. A noite caíra decerto há muito, a penumbra do quarto deixava-o enleado pela ténue luz do candeeiro. O quarto era grande. Havia ao longo de toda uma parede uma série de prateleiras cheias de pó, onde os livros se amontoavam de uma forma pouco arrumada, livros velhos a maior parte, com as lombadas gastas e de aspecto barato. A cómoda de madeira, colocada no limite da esquina, servia de guarda-roupa, com umas calças, camisas e meias espalhadas pelo seu tampo brilhante de verniz. Essa roupa, tapava quase metade do espelho alto e direito pendurado na parede. A cama ficava encostada à parede mais pequena do quarto, exactamente no meio, uma cama de solteiro de ferro pintado de verde. Uma cadeira ao fundo da cama. Havia no ar um odor algo pesado de tabaco, misturado levemente com qualquer coisa que poderia vir das meias encima da cómoda. A escrivaninha era mais uma espécie de mesa de escritório, toda feita de ferro preto, com um tampo de madeira forrada a contraplacado, onde um monte de folhas se espalhava a toda a largura, em volta de um cinzeiro repleto de cigarros fumados até ao filtro. Numa dessas folhas, aquela que parecia ser a última, podia-se ler:</p>
<p><em>“O silêncio é forte. Inunda as paredes de um torpor que até mete medo. O silêncio é feito de crosta de molusco, é frágil como a unha da mulher mais bela, e reina como ela até ao final dos tempos.”</em></p>
<p>H. tirou os olhos da janela. Levantou-se, e preparou-se para deitar.</p>
<p>Isto de o silêncio ser de crosta de molusco tem muito que se lhe diga. E talvez H. não tenha percebido ele próprio o que quis dizer com isso. As palavras tinham-se-lhe escapado da mão e estavam agora ali suspensas nas folhas de papel branco. Na altura em que as escrevera, a sua expressão não acolhia o sofrimento nem a voluptuosidade; era antes um confronto entre a calma e a ausência, com ambas a conspirar para atingir extremos do outro lado da barricada das sensações, mas um embate tão suave que logo se estacionavam encima da própria barricada, na neutralidade. Teria sido um impulso que o tomou na inércia branca do pensamento. E H. muitas vezes como que se irrealizava, numa modulação feita de signos existenciais diferentes, e era dessa magnitude que advinham a maior parte dos pensamentos e percepções lógicas. Quer dizer, os actos não vinham de si, mas do extremo pontiagudo em que ele se criava. A própria relação geométrica do espaço era já por si uma realização da realidade tumultuosa por ele manifestada, que se opunha ao processo corrente das sensações que qualquer um presencia.<br />
Até ao momento eu não tinha observado ainda a concentração desses dois corpos metafísicos numa só entidade, pelo que a percepção das coisas em que me baseava para avaliar H. era do primeiro nível, ao nível da expressão corrente, que é sempre a primeira que nos é feita perceber, e por muitas vezes a última.<br />
Eu, de olhos fixos nele enquanto escrevia acerca do reinado feminino do silêncio, não realizei eficazmente a dissolução do seu processo no ponto máximo da sua entidade. E penso que H. também não.</p>
<p>H. nasceu talvez do Romance. Foi lá que ele iniciou o processo de transformação do espaço em algo talvez mais lento ou discreto, talvez pelo estabelecimento da possibilidade de existência de buracos vazios na sua própria estrutura temporal, e da exploração do preenchimento desses mesmos blocos vazios e pesados que lhe navegavam pela existência. Se eu o percebesse melhor na altura, poderia muito bem estar melhor documentado para realizar aquele seu tempo aqui, mas as fundamentações dos seus actos aparecem-me bem definidas para poder afirmar algumas possibilidades. E se H. nasceu do Romance, é talvez um facto que fosse o seu maior defunto. Penetrara num velório mais ou menos consentido, que lhe fazia crescer asas no lugar onde já não havia carne, onde apenas os escombros orgânicos da metafísica evoluíam na lógica imortal do acaso que no seu andar se tornara Lei.<br />
Esse acaso levara-o a escrever. Pretendia colocar no papel a possibilidade do forte existir na suavidade, segundo me disse um dia durante um passeio oblíquo, escrever talvez um romance onde tudo fosse determinado pelo tempo lógico das sensações, que resolvesse algumas das questões que controlam o ser humano, e contribuir assim para determinar um qualquer bem estar futuro para a Humanidade.<br />
Como suporte para esse devaneio consciente tinha pensado a estória de um homem vulgar, e a sua inserção no Mundo que lhe parecera distante durante a maior parte da sua vida, passada entre livros e amigos de infância, um modo de “estar” e “ser” diferente, e a forma como acabaria por enlouquecer pela pessoas que conhecera. Um homem que reflectia a sua angústia em folhas de papel que escrevia esporadicamente, que poderiam mais tarde vir a tornar-se um livro, sua ambição antiga. Que não se deu conta de um estado psicótico que o assaltou até tomar cada vez mais parte da sua própria essência. E o surgimento de um crime.</p>
<p>Lembro-me que nesse tempo eu, ele, todos nós, navegávamos num mar quente de normalidade.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Bórgia Ginz, <em>in O Anormal</em></p>
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		<title>Metalurgia, por Juca Pimentel</title>
		<link>https://astrangerparadise.com/metalurgia-por-juca-pimentel</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Juca Pimentel]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 09 Aug 2009 19:57:47 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Airf'Auga 4]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Ali vai ele,<br />   o coito!<br />   Ali vai ela,<br />   a sombra!<br />   Om os meus  olhos negros de panos<br />   de censos e  fúteis enganos<br />   o último take  da tua enodora exctimada, lodora,<br />   tútril,  enxangue, ólida, quesh´ra, parfidean, lockia,<br />   loucura.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>&nbsp;</p>
<div id="aa1">
<p>&nbsp;</p>
<h2>Anemómetro</h2>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Ali vai ele,<br />
o coito!<br />
Ali vai ela,<br />
a sombra!<br />
Om os meus olhos negros de panos<br />
de censos e fúteis enganos<br />
o último take da tua enodora exctimada, lodora,<br />
tútril, enxangue, ólida, quesh´ra, parfidean, lockia,<br />
loucura.<br />
Os macacos escapam do toque como pequenas maravilhas todas feitas de pérola enrubescida pelo Sol que queima como um farol anunciando a extrema loucura<br />
que evapora os sentidos para os tornar pontuais<br />
a ponto de serem ponto no meio do círculo<br />
flutuante onde as mortes se amam.</p>
<p>Juca Pimentel<br />
Os bons sentimentos não são boa musa&#8230;<br />
Vai dar-se início à Arte. Vou tocar<br />
Uma punheta!</p>
<p>Sorvo o teu odor como se fosse<br />
um pincel pincel de formas bem augustas<br />
e Agosto é o tempo de cobrir a ramagem<br />
que verte orvalho e termos de esporas.<br />
A tua esporra poderá ser bem vinda<br />
se for a de ocasião e de termos<br />
inequívocos e fortes como se fosses<br />
a madrepérola do tempo em po po.<br />
A fome que temos é grande<br />
e assim aspiramos o odor do vazio.<br />
Da noite&#8230;<br />
A sonolência que te invade é toda feita de pérola<br />
e assim aspiras o odor do vazio.<br />
Da noite&#8230;</p>
<p>És a minha sombra volátil e suspensa.<br />
Ternura antes de tempo, fútil, encomenda extraviada.<br />
És a paixão do excremento,<br />
subtil, encomenda extraviada.<br />
Longo eterno beijo na nuca entreaberta pelos<br />
lábios semicerrados de sangue.</p>
<p>Vermelho o teu olhar e enfim sós.<br />
Eu tu e o machado suspenso da gaiola em cima<br />
do chinês.<br />
Afinal o chinês é alemão.<br />
Som de violinos são as vozes dos entes parentes<br />
e crianças infantes de sagres preta fresca à noite<br />
numa mesa de Bar verde. O Bar.<br />
Tantas palavras e o que resta; a mortandade<br />
do espasmo senil que gesticula perante mim,<br />
em frente a mim,<br />
acenando um cadáver isquesito<br />
de contornos fáceis e previsíveis<br />
mas perto da mãe Sol transexuada.<br />
Quero-te e entanto não estás, pelo menos como<br />
devias. És-me tão somente.<br />
Como foste criar a sombra.<br />
A eterna. A sombra majestosa do início da noite das<br />
vinte e três horas e treze minutos no relógio cinco adiantado.<br />
Analfos.<br />
Clima ensurdecedor e pobre de ser<br />
útil porque queima. (Os teus ventres salientes são ensurdecedores)<br />
Afinal o chinês alemão é alemã.<br />
Mais violinos a comporem bela música para os meus ouvidos.<br />
Acaso paraíso terá esta definição?<br />
Lógicas em mim e de mim afora dentro de mim e sons e<br />
violinos e chineses alemãs por implicação matemática, mas<br />
aqui a matemática está a mais, as coisas deveriam ser<br />
lógicas apenas por implicação, e instruendos<br />
de instrumentos nas mãos, história, agonias talvez<br />
do século III e turbinas com os cornos no chão, e<br />
turquídeas ferozes sem o sentido correcto, e vales<br />
a subir um escorpião todo feito de pénis e todo<br />
implodindo-me na cara.<br />
Um apenas som espera do outro lado do salão,<br />
as mãos unem-se pela ponta dos dedos antes enfiados em<br />
cetins de crosta, com as velas incendiadas nos cabelos<br />
das Níneves que dançam.<br />
Rostos de corda, notas nos dentes, Mozart nos regaços,<br />
olhos nas súplicas&#8230; e cada vez mais<br />
plurais em grupo de dois.<br />
Longamente o teu olhar persegue-me<br />
doce maravilha esta fuga de pernas no ar em cima<br />
do cadafalso<br />
veloz esta súplica que tende a sentir o infinito muito maior<br />
do que o imaginado<br />
longo olhar vazio cheio de cheias no país da eterna secura<br />
funerais aguentam o meu corpo<br />
cortejo imagem fútil esta a do cortejo que segue atrás.</p>
<p>Antes foi o tempo das misericórdias, vestes incendiadas do<br />
desejo, antes foi o tempo das carícias nos ventres inexistentes das orquestras, dos violinos.<br />
Coisos. Luvas. Larvas. Ternas. Rouquidões.<br />
Vejo as pessoas mas não as sinto. Quer dizer, sinto-as<br />
de uma forma que julgo não ser perfeita, única, ou pelo<br />
menos multicolor, sonora, completamente única.</p>
<p>Os toques fortuitos nos guarda-chuvas apenas me dizem que chove na cabeça<br />
destas gentes de pénis murcho em direcção ao trabalho.</p>
<p>Três ponto<br />
Depois da morte, elevado ás honras immortais<br />
Desprezado, obscuro e espoliado</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><em>O desprezo, a obscuridade e a espoliação do contemporâneo poderá ser a fonte da sua imortalidade. As honras poderão ser nada mais do que germes que minam a consciência, pois a elevam da categoria humana e assim a terminam. Homens elevados a Deuses são apenas falsos homens. As estátuas matam mais do que a fome. </em></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Os novos olhos são-no eloquentemente,<br />
com pontas de espasmos senis e febris e sonoros como um peixe.<br />
Ânus transversais querem-se amenos e<br />
aconchegados de medo.<br />
Torna-se tudo reflexo e despojos verdes analfos<br />
pela tempestade fora. O meu odor não é o teu.<br />
E assim a realidade tomba de lado até tu desapareceres.<br />
Porventura desconcertante?!<br />
Dois melões e um pudim!<br />
Que sensual esta mulher de dois melões e um pudim.<br />
Passas, passas, olhas e não tens cheiro porque não te cheiro<br />
porque passas, passas e apenas olhas.<br />
De bom grado agarrava-te um peito e<br />
o mostrava ás minhas gentes.<br />
Um dos teus peitos apenas seria um, mais um,<br />
mas um cheio de todo, todo cheio de toque,<br />
todo tocado pelas minhas gentes de peito na mão,<br />
com o teu peito na mão que seria uno e perfeito como o teu<br />
outro peito.<br />
E agarrava-te o teu peito menos um, um menos um<br />
elevado ao infinito das minhas gentes austeras e<br />
risonhas porque esperam algo de mim.<br />
E eu dar-lhes-ia o teu peito zero.<br />
Analfos.<br />
Estonteante a tua sobriedade piedosa de Deusa.<br />
Om os meus olhos são-no imperfeitamente,<br />
e mamo-te como um desesperado.</p>
<p>Ontem aquela mulher era um anjo.<br />
Ontem que foi ontem e será sempre ontem<br />
na comodidade das ondas.</p>
<p>Tu deixas-me maluco.<br />
Domingo de manhã.<br />
Claro está que a meta morfose é<br />
um paradigma que só a inteligência justifica e<br />
demonstra. Um ocaso imenso de ficção.<br />
E claro está que temos um censo fora da lógica,<br />
e ilógica porque lemos e estamos imersos em céu azul dentro das cidades.<br />
Antes do tempo.<br />
Antes do tempo.<br />
Blá-blá que te esfumas e partes como sempre fizeste.<br />
Terror no circuito.<br />
Em frente a uma porta quase lá.<br />
Em frente ao olho esquerdo em frente do buraco.<br />
A tua fechadura é imensa.<br />
Brasa e calor na face esquerda. A tua pele de água queima.<br />
O teu mamilo é enorme, pujante, escuro pela luz da lâmpada,<br />
eternamente esquerdo, dentes, dentes nele, dentes no<br />
mamilo escuro pela luz da lâmpada, mandíbulas.</p>
<p>Saio, e afunilo o som dos meus passos, pequenos e a contratempo,<br />
duros, sólidos, como gaitas de foles tão rapidamente cheios como vazios.<br />
O dia não nasceu há muito, pelo que as ondas da multidão<br />
tornam a rua um pequeno ribeiro sem peixes nem ostras<br />
cheias de pérolas que um dia estarão nestas montras. O meu reflexo<br />
esvaziado nos vidros destas montras assemelha-se a um pequeno riacho<br />
com peixes e ostras cheias de pérolas. Vou comprar cigarros naquele<br />
café da esquina com mulher estilizada nela. Vou também dizer adeus<br />
a essa mulher que dorme ainda entre as rugas dos meus lençóis.<br />
-Mulher sólida, perpétua, que fazes café na manhã que é<br />
ainda pequena coisa em breve majestosa mas pequena agora.<br />
Tomo o café com pequenos goles. Sinto um cheio aqui dentro<br />
do meu querer, um cheio grande e voluptuoso,<br />
tão perto de se tornar tudo. O sono vai descendo à terra<br />
como um pássaro gigante. Eleva-se dos meus pés um pequeno<br />
pó quando me dirijo ao balcão e peço um maço de cigarros,<br />
aquele ali, do lado direito, o primeiro da fila da direita, em<br />
cima, não, o outro, sim, esse, obrigado.<br />
Saio, e afunilo o som dos meus passos, pequenos e a contratempo,<br />
duros , sólidos, como gaitas de foles tão rapidamente cheios como<br />
vazios. Um breve olhar pelo meu pequeno mundo mostra-me<br />
A minha pequena grandeza. Esta cidade poderia muito bem<br />
um dia matar-me.</p>
<p>Comboio do mundo, súplica em uníssono sem acento,<br />
rosa a florir no sapato, de solas desfeitas, paredes vertidas na horizontal,<br />
medíocre cantilena de sangue.<br />
Os medos fundem-se aqui,<br />
como estamos livres do mundo e de nós, arriba,<br />
frente para a frente que se quer vício e não rotina,<br />
e amenas obras nos leitos, resíduos de mim.<br />
Temos um olho demasiado fechado, os outros atiram pedras<br />
e nós continuamos com um olho demasiado ranhoso.<br />
Ala para a frente que se faz tarde.<br />
Acima os cumes acima que estão longe, estas subidas e<br />
pantominas nos vales, estes fusíveis da unidade quebrada.<br />
Som, movimento, gargalhadas, uma porta que se fecha, não, não,</p>
<p>vozes completamente desconhecidas, suave embalo, a frente está<br />
atrás de mim, nas minhas costas, e eu não a vejo, vejo<br />
apenas o que já esteve à minha frente mas está agora atrás de mim,<br />
mas de frente para mim, porque eu sigo de costas voltadas para<br />
a frente a para algumas gargalhadas, ela está a pensar em&#8230; sei lá,<br />
sente, amigo, achas que vou cair?<br />
Cheiro a presunção.<br />
As hormonas explodem, seios tesos, pissa que apetece morder,<br />
cona sonora de vento.</p>
<p>Treze vozes que se juntam aqui.<br />
Estão aqui. Sentadas pela estrada fora e amenas.<br />
Antes volúvel que vulva aparente.</p>
<p>Política e ciência: o mito do desespero.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Analfo este som.<br />
Vibrante este som.<br />
Inteligência aberta na carótida.<br />
Fosso no ardil do cão com cio,<br />
funesta majestade de sombras feita e impelida.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>O mundo está de antemão fodido.<br />
E eu à cabeça!</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><em>Linda mulher de cornos dilacerados, vestes de sombra os passos atrás marcados, atrás de ti. </em><br />
<em>Tens os olhos incendiados por uma qualquer perífrase do espírito, sanguessuga da mente, e volátil és na dispersão,<br />
meu cruel suicídio.<br />
Nas tuas mãos os cantos pareciam diurnos, para se anteverem no escuro mais tarde, olhos, em brasa.</em><br />
<em>Ai a mente de quem é um e não dois e meio.</em><br />
<em>Linda visionária do tempo. </em><br />
<em>As armas ao alto dão-se nas datas de festa, na data de dias enormes que se seguem a esta noite, se os houver.</em></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2>Cercadura</h2>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>O romance trepa pelas<br />
paredes como uma andorinha ferida<br />
teimando o seu voo.<br />
Funde-se com anemia<br />
na alma das gentes de espírito<br />
que trepam pelas paredes como doidos.<br />
Os hediondos estéticos assumem<br />
o seu amor por aquilo que excita,<br />
consomem as entranhas em jantares de pompa,<br />
e fornicam a arte por amor ao Deus.<br />
Regular a beleza é cercar os sentidos.<br />
E o romance trepa os sentidos<br />
com paredes hediondas.<br />
Crer na Beleza é morrer.</p>
<p>Os Amantes dispersam-se pelos campos nus<br />
de vergonha.<br />
Num voo rasante cortam<br />
as amarras que os prende ao sol pedra,<br />
beijam-se num atónito sentido de si,<br />
a estética prende-os ao sonho de outro.<br />
É tempo de se espetar as agulhas<br />
no âmago do querer,<br />
inflamar o sangue morto<br />
com a alucinação do romance.<br />
Os olhos turvos animam-se perante<br />
a sua própria imagem,<br />
olhos que querem o fundo de si,<br />
olhos que se amam como se fossem únicos.<br />
E tramas de conas, pissas.<br />
Sombras voláteis.<br />
Batem-se as portas<br />
num tremer constante de pó.<br />
Quando o trono,<br />
bandeira encenada,<br />
é vertido em súplicas a três dimensões.<br />
Pois quero que estas palavras queimem.</p>
<p>O habitante menos um<br />
revolve a sua origem de homem-todo<br />
para se sentir presença em rodopio.<br />
Os tempos trocados<br />
afirmam-no em dor.<br />
Quando os hediondos plasmáticos<br />
se fundem para tolher o passo do simples de espírito.<br />
É sempre este tempo de penúria.</p>
<p>O cancro foge da mente em forma de ondas.<br />
O cancro é bem vindo quando é do próprio dia.<br />
A sua maravilha e a dos cornos confundem-se<br />
como sombras,<br />
é deles o trono nos céus.<br />
Como me apetece esbracejar o corpo,<br />
dominá-lo no anti momento da sua desgraça<br />
queda.<br />
As cinzas queimam-se ao vento suave,<br />
implodem os tronos que deixam para trás,<br />
o seu tempo será o de anemia<br />
e lógicas de fundos em brasa,<br />
pernoitarão para sempre no mistério.<br />
Como me apetece esbracejar o corpo,<br />
atirá-lo no anti momento da sua desgraça<br />
queda.</p>
<p>Coloco os cornos<br />
todos os dias que me embelezo.<br />
São bem belas estas astes que me encimam<br />
a inteligência.<br />
Por isso mesmo estou à vontade<br />
para continuar a minha estupidez.</p>
<p>Quando se ama<br />
é preciso estalar três vezes os dedos.<br />
Pois o início é o tabu.<br />
A não promessa como compromisso<br />
maior.<br />
O desvario.<br />
Olhos nos dedos de morte.<br />
Até se esgrimar a sensação<br />
do fundo que submerge.<br />
Não percebo bem o que digo<br />
mas sinto-o demasiado.<br />
Como de resto se pode<br />
sentir tudo o que apenas<br />
pertence ao desejo.</p>
<p>O Romance quando nasce<br />
vem sacado de roubo.<br />
Um tumulto de tronos no Hediondo.<br />
As mulheres gostam deles nas orelhas,<br />
para que se tornem<br />
enfim quase belas,<br />
pois não haverá maior enternecimento<br />
do que o mistério.<br />
Os seus beijos pálidos assemelham-se<br />
a rasgos de heroísmo,<br />
as suas cabeças tontas assemelham-se<br />
a caralhos ao vento,<br />
porcos quanto inocentes.<br />
Como toda a gente que conheço.<br />
Os hediondos estéticos são indomáveis,<br />
e matam para o provar.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2>Líquido</h2>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>O alheamento<br />
nas trombas,<br />
nos volúveis estados<br />
de metalurgia,<br />
encandeiam a posse<br />
como se esta fosse para bem<br />
longe,<br />
para o fim da utopia<br />
ou do fardo que dela cresce.<br />
Essa utopia lenta,<br />
tipo valsa de fúnebre alento<br />
com ondas de vermes que dançam<br />
nas balaustradas do desencanto.<br />
Essas vozes em<br />
coro desarmonioso,<br />
fausto e pobre<br />
no mesmo sentido desabrido.<br />
Se calasse<br />
os tempos,<br />
eles me diriam que nada mais podem<br />
fazer<br />
ou alhear<br />
e que tudo não passa<br />
de sombras,<br />
novamente estas sombras<br />
de olhos em furos de fome.<br />
Tornozelos vazios.<br />
Nas tuas eternidades que<br />
se afastam,<br />
que calam os membros,<br />
que calam os tempos,<br />
que calam as frontes,<br />
as minhas,<br />
as do ninguém,<br />
eu despejo ácido e vibrações sonoras.<br />
Não há perícia<br />
que afronte estes mistérios.<br />
As portas abertas deixam<br />
passar apenas um vento vazio,<br />
destituído de prática<br />
e inerte no além corpo.<br />
No meu além corpo em sangue.<br />
Toro psicadélico.</p>
<p>Anulamento.</p>
<p>Entram estas<br />
mulheres no perímetro<br />
do meu fumo.<br />
Mulheres anciãs,<br />
com ventres cheios de<br />
mistérios orgânicos que me<br />
faltam,<br />
que eu deixo para trás,<br />
deixando-me elas para trás<br />
quando se ausentam<br />
na procura de um<br />
outro espaço.<br />
Metalurgia.</p>
<p>La ter gia<br />
fonde de mental ka ess kas<br />
La brume<br />
et donc par le aeniman troissure<br />
Toissence<br />
La brume</p>
<p>Os panfletários<br />
progridem o som<br />
pelas pretuberâncias<br />
que colocam nos<br />
seus actos.<br />
Amam-lhes as frequências.<br />
Pom.<br />
Sombras de mim mesmo.<br />
Porque continuo meteoro fútil,<br />
pobre,<br />
meio animal de consolo,<br />
que nada, mada sada,<br />
nada, nada, vale.<br />
Mas ao mesmo tempo,<br />
vejo estes galos de<br />
lenços na cabeça,<br />
mestres da dança do arrepio,<br />
estes benfazejos<br />
da musicalidade<br />
e da felicidade na terra,<br />
e a deslocação é demasiado grande<br />
para que não exista algo.<br />
Algo por que valha a pena ser eu.</p>
<p>Onomatopeia<br />
que prende os<br />
tempos.<br />
Bem sei que o argumento<br />
por excelência<br />
é o absurdo.<br />
E este absurdo é o meu argumento.</p>
<p>Piano ventríloquo,<br />
que te expandes por estas<br />
paredes que recordam<br />
o esquecimento de umas outras,<br />
que alimentas<br />
os mesmos alentos dos ventos d’além,<br />
e baixas<br />
agora a frequência até<br />
esta se tornar<br />
saltitante<br />
apenas por existir,<br />
és testemunha<br />
do meu trono vazio.<br />
Falo-me com todas as coisas que detesto.<br />
Desço muito baixo para comprovar o<br />
que sinto<br />
sou.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&#8211; Eu, perante ti, transformo o sonho no seu próprio ocaso inevitável e profundo de turpor, que se escapa para logo se fundir como um escolho da mente, e no entanto será sempre a irrealização a ditar este sonho, esta volúpia que apenas existe na tua cabeça. Nada importa eu saber-me bela ou incandescente; tu não me realizas a potência que em mim sinto, não procrias o meu corpo de sensações irrecusáveis. São apenas velórios mais ou menos especiais, de figuras que colocaste em mim, mas que eu não reflito, que se apoderaram de ti como se fossem minhas, mas em boa verdade não existem. Como se o papel onde escreves as tuas façanhas fosse de fraca qualidade e assim se deteriorasse à mínima agrura atmosférica, ou à falta dessa agrura. Tudo se torna num ponto onde a máxima procura é ensimesmada, sem sentido, ou com um certo sentido que não é o meu, e mesmo que fosse eu o recusaria. Bem vês que a verdade é bem diferente do desejo que a sua procura desencadeia. E se assim não fosse, cá estaríamos nós para que assim se tornasse.<br />
<em>&#8211; Muito bem, afasto-me.</em></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><em> </em></p>
<h2>O terrível desespero da saudade</h2>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>O terrível desespero da saudade<br />
Tremenda sonora partida do fundo para dentro<br />
Quando todos os mistérios se fundem em sombra<br />
E a morte espreita pelo canto do olho da morte</p>
<p>As súplicas errantes de quem tem um medo maior que as mãos<br />
E faz a penúria tornar-se grande quando faz zumbido crescente<br />
Quando a côr se desprende do tecto<br />
E assinala a turva existência sem meios</p>
<p>Alas em busca de fome e proveito danoso<br />
Funda escarpada que sobes pela nuca acima<br />
E te esgueiras pela mão do condenado fútil<br />
como pérolas<br />
Anátemas de juventude em sangue</p>
<p>Longos beijos te dou<br />
Meu amor de longas carnes<br />
E sons de púrpura em seda milenar<br />
Ventos do fundo bem preciosos<br />
Amálgamas de fetiche cornos no chão</p>
<p>Lambes-me a mão que me ergue o despudor<br />
E tramas de conas enfileiradas por cima dos sentidos vazios em ti</p>
<p>Além do fim será sempre uma súplica<br />
Ter o deus na fuça sempre a tremer perante o teu escalpe sagrado<br />
O terrível desespero da continuação<br />
Permanece em mim<br />
Pelo tempo fora<br />
Como se tratasse de um sino de fraude possuído<br />
Entidade arbitrária<br />
A alma pode ser um refugo mas continuará pálida em paralelo<br />
Vezes em demasia pelo tempo fora<br />
Um contemplar de outras razões que não a usam<br />
Plurais de formas pouco definidas<br />
Em solavancos de sonos entrecortados pelo medo<br />
E tudo isto a sonhar alto enquanto a queda é eminente<br />
Vamos morder o sono da mente<br />
E tornear os dedos que se fecham<br />
Fumar um estrondo metafísico porque meta incansável<br />
Olhos de penumbra meio céleres e vagos<br />
Deitados pelas encostas de declive suave<br />
E duradouro<br />
Dannar é um impossível<br />
Tal como os números sem razão aparente<br />
Dedos de fungos cheios mas solenes<br />
Semeados em terrenos tão férteis como obscuros<br />
Prevejo a minha queda como um farol<br />
Prevejo a deusa dançante na minha mão que não é um bem<br />
Apenas propriedade<br />
Alto vazio<br />
A escolha poderá muito bem um dia tornar-se impossível<br />
Quando a irrealidade tombar e o meu nariz<br />
Aquecer-se de encontro à penugem do teu sovaco</p>
<p>Admiravelmente de encontro a ti</p>
<p>As vezes que escapam ao sentir<br />
A desabrochar no jardim de pedras<br />
Aquelas que nem eu nem tu lá pôs<br />
E fundos de moda fantasmas na luz</p>
<p>Sempre um desejo que se quer único na vertente do verdadeiro apocalipse<br />
Que torneou o odor dos fins de tarde amenos<br />
Chupados por deusas inconscientes e belas<br />
Perfuradas por mancebos a contraluz</p>
<p>Lama perante a vergonha de ti<br />
E turba de fome a cair aos pedaços<br />
Inconsequentes os teus passos<br />
Lume fome inalterado<br />
As raivas são grandes se forem do próprio dia<br />
Amar-te-ei então em dias alternados</p>
<p>Os terrenos da alma são breves passagens pelo cosmo,<br />
pedaços de inércia tão original como o pecado</p>
<p>Eser de mercúrio inflamado<br />
Sono perpétuo te extingo a afinidade com o diabo<br />
A solo de três quartos de nota<br />
Breve majestade de erro<br />
Súplica em fúria<br />
Masturbus envolve-se na miséria<br />
Pensa três vezes na morte<br />
Um rodopio na presença de Deus<br />
Castra-se no tempo e luta em demasia</p>
<p>Amas-me o tempo todo feito de caralho</p>
<p>Calabouço suspenso no âmago do teu terror<br />
Longo e ameno franzir de olhos<br />
Turvos como a noite de Inverno<br />
Fria no passeio de pedras pequenas<br />
Lagos afectos dentro de mim e apenas isso</p>
<p>Todo o tempo foi talvez um tempo de misericórdia<br />
Miséria</p>
<p>A des-honra dos sentidos<br />
Dá-se no campo da metamorfose</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2>Passadeira</h2>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Anatomia do golpe pérfido.<br />
Na loucura que assombra o sentir simples,<br />
e o transtorna na extrema placidez de um gemer de troncos,<br />
mastodontes febris como a minha loucura,<br />
ou como a minha amante só.<br />
Nesta esquina de rua civilizada,<br />
onde o pó não tem descanso,<br />
onde as sofreguidões não têm descanso,<br />
e rondam os passos como se fossem areia.<br />
Presos.<br />
Sentado à mesa que escolhi,<br />
ou que me escolheu pois esteve sempre aqui à minha espera,<br />
imóvel na sua plenitude diária,<br />
verde na sua estética diária,<br />
imutável,<br />
testemunha da minha própria mobilidade de cobra.<br />
Os corpos que se venderam passam por mim.<br />
Aqueles que como eu também um dia<br />
aparentaram essa mesma mobilidade,<br />
e no entanto agora deixam-se estáticos,<br />
mas em movimento,<br />
nas suas viaturas blindadas.<br />
O tempo transforma os corpos.<br />
Deixará incólume o espírito.<br />
<em>Um sonho uma vez,</em><br />
<em>um sempre sonho.</em><br />
<em>Uma aparência uma vez,</em><br />
<em>um sempre nada.</em><br />
São apenas os corpos a desejarem<br />
outras metafísicas,<br />
outras podridões de um outro quilate,<br />
e a mente a ditar o seu rol de intrigas.<br />
As suas clarabóias de anestesia,<br />
inercial,<br />
porque sempre a mesma.<br />
A velhice será a única comprovação<br />
daquilo que somos neste preciso momento.<br />
As coisas serão as mesmas,<br />
instalando-se apenas a preguiça<br />
de esconder o que agora desejariam envergonhadamente que fossem.<br />
E afinal de contas,<br />
os corpos apenas passam honestos.</p>
<p>Nas têmporas<br />
Do dia negro eu encontro repouso,<br />
suicida mental de um<br />
turpor maquiavélico,<br />
sopro de penumbra em torno<br />
da auréola mortal<br />
que assombra,<br />
fundo que pressente<br />
o terror pelas mãos<br />
de prece oculta.<br />
Libertinagem.</p>
<p>Neste café de esquina<br />
que assombra pelo desconhecido,<br />
e é sombra que me<br />
anula pela intensidade que se<br />
esvazia,<br />
esta mesmo que de mim<br />
brota na parafernália.</p>
<p>Os homens que entram<br />
com os líquidos oblíquos<br />
nos rolamentos do seu andar,<br />
e olham a sua refeição de Rei<br />
antagónico e cru.<br />
Cobradores de almas vazias,<br />
com lixo a compor a<br />
imagem da flor que<br />
não tem dono,<br />
que não é deles,<br />
que não é minha.<br />
Eles vão e voltam outros.</p>
<p>Planeamento.<br />
Falha inacabada.<br />
O que sei são apenas dúvidas,<br />
alimentadas pelo embalo constante<br />
das fisioterapias internas<br />
que a mim próprio imponho.<br />
Como cachimbadas de ópio semi-controladas<br />
por heroína hedionda.<br />
Um quanto nervo para<br />
a progressão da pirueta,<br />
uma quanta ferroada<br />
para a travagem que se pretende súbita.<br />
Um alento,<br />
um desalento.<br />
Um débil sim,<br />
um forte não.<br />
Ainda resta fazer a soma<br />
destes processos todos.<br />
Até quando?</p>
<p>Os transeuntes<br />
atravessam-se plenamente,<br />
vorazes,<br />
mas cheios da calma<br />
que o conhecer o seu presente<br />
lhes dá.<br />
O sarampo<br />
cresce como se fosse pó inacabado<br />
dos tempos tocados alados,<br />
feridos nas têmporas da morte,<br />
aquela que me é como amante hiper-perfeita,<br />
a que me morreu.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2>Poema destravado</h2>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><em> </em></p>
<p><em>Não vou escrever para ti.</em></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Baixam-se as asas<br />
pelas rochas leves de água<br />
em espuma quebrada<br />
aos solavancos.<br />
Tenho visões de<br />
mares em rochas quebrados<br />
e espuma em saltos<br />
aproximando-se através do vidro.<br />
Vejo as rochas e o<br />
mar que surge em catarata<br />
e a água se fende<br />
na espuma que<br />
salta.<br />
Mas já as vi há tanto tempo<br />
que já nem sequer sei como eram.<br />
Já as vi há tento tempo<br />
que se tornaram incómodas.<br />
Porque o que transmito<br />
não são recordações.<br />
Este anemómetro tolo regula<br />
o fundir,<br />
o estranho metafísico,<br />
porque sangue em sangue se forma,<br />
é animal que geme<br />
e vocifera o além possível<br />
como um coxo,<br />
e pumba,<br />
cá treme o punho porque a mente se torna idiota.</p>
<p>Vou-me deixar<br />
cair na lama,<br />
e olhem que não sabem o que eu<br />
sinto por ela!,<br />
vou-me libertar no tijolo que em<br />
mim mente,<br />
pelas horas mortiças<br />
que me encandeiam a mente<br />
no ponto alto da minha fúria tão pura.<br />
Anemómetro adorado,<br />
fúria de Alberin;<br />
o turno da noite<br />
que se esconde na<br />
sombra,<br />
que me lembra a desmembração<br />
tipo série<br />
em paralelo<br />
com dois solavancos de preta.<br />
Um olho<br />
pelo outro sempre ficaria bem,<br />
e apercebemo-nos sempre anemómetro<br />
desta dúbia sensação de tudo<br />
o que se diz ter a ver contigo<br />
e do que falo é do<br />
meu olho e o da preta.<br />
Plêiade dos povos,<br />
a mestiça ronda-me os panos com o<br />
seu braço louco de tom<br />
e punha-me nela se fosse<br />
tempo de sentir.<br />
Ela é a tal da cor que<br />
não existe,<br />
a tal da cor que eu fabrico com<br />
peles de várias mulheres<br />
das quais retirei a luz<br />
até ao negro.<br />
Disforme pelos<br />
cantos das paredes,<br />
meio curva para<br />
acompanhar o<br />
som que enche os cantos<br />
destas paredes,<br />
com estas paredes<br />
a serem paredes<br />
e eu a lembrar-me delas porque<br />
quero ser poeta,<br />
e a merda é outra.<br />
Não vou nada,<br />
não tenho nada,<br />
e as coisas não são assim<br />
ou assado,<br />
não são de uma maneira de puta,<br />
nem ohs nem uis pois<br />
a merda<br />
é outra.<br />
É outra!<br />
Só não sei o que é.<br />
Nem sei se é isto,<br />
mas pôr o tempo<br />
no papel é fodido.<br />
Palavras para quê.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><em>Não escrevi para ti.</em></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><em> </em></p>
<p>&nbsp;</p>
<h2>Lamaa</h2>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Alama é sedooosa<br />
Trem’o tempo numa onda<br />
no labbirinto que lh’ aclara<br />
a fronte diabo de Deusa.<br />
As trantas divinas vão-lhe saciar<br />
a fronte sedooosa de musa<br />
tua mulher divinal medusa<br />
tua virginal<br />
mulher em fúria<br />
campãnoola suave lamúria.<br />
Nan tão pouco<br />
surge belo o horror do só<br />
pelo só estado de amourir<br />
o lamento que turva com os oiros<br />
frios lentos solenes nos dentes<br />
que me pisam o corpo<br />
na alma dura tão pura<br />
na alma dura tão sua.<br />
Alama é sedooosa<br />
Trem’o tempo numa onda<br />
no labbirinto que lh’ aclara<br />
a fronte pura de Deusa.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>XER<em> <br clear="all" /></em></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2><strong>O término da questão social perante o tempo</strong></h2>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Algum tempo é constante: a sua passagem mede-se por sub-intervalos iguais.</p>
<p>A aparência inflamava-lhe o corpo.<br />
-Porquê que há tanto tempo não fodemos!<br />
Ela, de olhos fechados, braço sobre a barriga, com as mãos a afagar a sua cintura.<br />
-Não sei. Só que&#8230; apetece-me mas tenho muito sono. Tenho andado com muito sono.<br />
Ele ouviu e prezou o seu tempo, e a loucura que o purificava ali, naquele momento.<br />
-Queres tu dizer que não temos fodido porque tens sono – ergueu o punho bem alto enquanto desprezou acima de tudo o seu querer.<br />
-Oh! Eu sei lá, não tenho uma razão para estar assim, pode-se estar e pronto, e eu, meu deus, quero um sonho mas não o tenho, enquanto tu, foste a bandeira majestosa que se enxovalhou e agora não interrompe sequer o meu ressonar. Ali, bem longe, estás tu, mancha de betume, greta de porta que não se fecha, torneira em forma de cigarro que tanto oscila como cai, e apenas tu estás lá. Mais ninguém. Querido, não há motivos para eu estar assim. Além disso, há os comprimidos.</p>
<p><em>Barrei-me todo no sucesso, enfim, completo, da minha futilidade.<br />
Liquidei-me sem antes me acender até ao brilho da brasa. Penetrei-me todo.<br />
No coiro da vida. Velha teia que afunda a beleza.<br />
Um traço oblíquo permanecerá para todo o sempre em mim,<br />
marca da epopeia heróica de um homem pelos mares de Tchau Tchin.</em></p>
<p>Ela agora dorme. Ele, sonha acordado. Um dia será um belo esquecimento.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2></h2>
<h2><strong>Masturbus</strong></h2>
<h4>Cântico Semi-Rami</h4>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Querida Masturbação<br />
do género humano amada pelo tempo e tempo<br />
Que manual te expandes sem outro auxílio que as belas mãos<br />
e assim te escondes na fricção das glandes<br />
com os teus instrumentos no âmago da uretra<br />
Mecânica é tua força quando exercida no buraco anal<br />
de imensos objectos provocadores da eterna tumefacção<br />
É a tua psicose a engrandecer-te<br />
O doce roçar levíssimo roçar pelos genitais<br />
na Piça que te é adorada<br />
Nos tomates de tusa<br />
Foste tu que te apoderaste de mim<br />
e transbordaste a sólida e numérica fama<br />
do jugo Homem enfim grande<br />
e violenta é a tua face de fome<br />
Anciã a tua génese de tromba larga pelo Homem fora<br />
Das trombas humanas padecida<br />
que é longo o caminho da tua escada espiral acima<br />
até ao toque que apenas pressentes<br />
Galdéria adorada<br />
Os dedos são tua armadilha e o odor do teu ocaso<br />
entranha-se-me nas vísceras dos membros<br />
quando o choro é apenas multidão de espasmos<br />
Fetiche da multidão<br />
macerada pela porcaria dos dedos<br />
lixo<br />
mecanicismo psicológico de sexualidade<br />
Tu que fazes erecções experimentais de prolongada inércia<br />
O Homem enfim cadela anseia e foge<br />
coito do pré fabricado<br />
Com um coice desbravas a multidão de sexos e sonos<br />
de seios fartos e coloridos até ao ínfimo grão de cor<br />
que tem uma determinada frequência espectral<br />
e coloniza o afagamento<br />
Se fosses minha vibrava-te um golpe no cérebro<br />
A válvula na uretra<br />
Ponta afiada na glande<br />
Água a jorros por ti adentro ó Piça desmezurada e podre<br />
Ardo-te o pénis e o membro agora outro vai e vem<br />
e sugas-me o ser com esse fluido quente que por mim entra<br />
E ponta afiada no corte<br />
Corte na piça e dela sai o Amor<br />
Louco como um corte<br />
Masturbus<br />
és feito de perícia<br />
Inicias o canto enquanto as outras dormem<br />
Enfias-te pelos pedestais e congeminas maravilhas<br />
nas enfermarias do desejo<br />
Metes-me no cú esse halo eléctrico e transmites<br />
a voltagem exacta do meu desmembramento<br />
Cú de energia ansiã como eu</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2>Morteiro</h2>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Hipocondríacos de todo o mundo,<br />
acaso uma punheta vos serve,<br />
isto é,<br />
acaso uma punheta vos chega?<br />
Aqui está o homem só,<br />
benevolente com a sua própria miséria,<br />
ou mulher,<br />
o que brota o além como se<br />
fosse hipnotismo,<br />
do barato.<br />
Metrelhadora.<br />
Na sua fronte soturna<br />
brota o anfíbio supremo,<br />
o que maravilha o adeus,<br />
o só anfíbio solar.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2>La Beria</h2>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Meu amor de longas vestes.<br />
Encaixo-te os dentes com alicates<br />
marchetados a diamantes.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
</div><p>The post <a href="https://astrangerparadise.com/metalurgia-por-juca-pimentel">Metalurgia, por Juca Pimentel</a> first appeared on <a href="https://astrangerparadise.com">A Stranger Paradise</a>.</p>]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Necror</title>
		<link>https://astrangerparadise.com/necror</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Sofia Bravo]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 10 Aug 2009 17:59:46 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Airf'Auga 4]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://astrangerparadise.com/?p=1467</guid>

					<description><![CDATA[<p>&#160;</p>
<p>The post <a href="https://astrangerparadise.com/necror">Necror</a> first appeared on <a href="https://astrangerparadise.com">A Stranger Paradise</a>.</p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div class="qt-vc-row-container"><div class="vc_row wpb_row vc_row-kentha"><div class="wpb_column vc_column_container vc_col-sm-12"><div class="vc_column-inner"><div class="wpb_wrapper">
	<div class="wpb_text_column wpb_content_element  qt-the-content" >
		<div class="wpb_wrapper">
			<p><img class="size-full wp-image-2647 aligncenter" src="https://astrangerparadise.com/wp-content/uploads/2009/08/Sofia-Bravo-1-Necror.jpg" alt="Sofia Bravo Necror" width="1066" height="1411" srcset="https://astrangerparadise.com/wp-content/uploads/2009/08/Sofia-Bravo-1-Necror.jpg 1066w, https://astrangerparadise.com/wp-content/uploads/2009/08/Sofia-Bravo-1-Necror-768x1017.jpg 768w" sizes="(max-width: 1066px) 100vw, 1066px" /></p>
<p style="text-align: center;">Sofia Bravo</p>

		</div>
	</div>
</div></div></div></div></div><p>The post <a href="https://astrangerparadise.com/necror">Necror</a> first appeared on <a href="https://astrangerparadise.com">A Stranger Paradise</a>.</p>]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Bronssi</title>
		<link>https://astrangerparadise.com/bronssi</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Bórgia Ginz]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 10 Aug 2009 18:15:36 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Airf'Auga 4]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://astrangerparadise.com/?p=1469</guid>

					<description><![CDATA[<p>My body despedaçado<br />   anseia pela tua existência.<br />   Leve suave brisa do mar.<br />   Não te amo de uma maneira <br />   vã,<br />   não te quero na comodidade <br />   do meu abraço.<br />   Quero-te violenta nos sonhos do amor.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<div id="aa1">
<h2>Pumbra</h2>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>My body despedaçado<br />
anseia pela tua existência.<br />
Leve suave brisa do mar.<br />
Não te amo de uma maneira<br />
vã,<br />
não te quero na comodidade<br />
do meu abraço.<br />
Quero-te violenta nos sonhos do amor.<br />
Na Luz que incendeia os<br />
olhos que choram baixinho.<br />
O teu ventre sofre de mim.<br />
O meu corpo sofre da tua plenitude.<br />
És um beijo volátil do<br />
tamanho do mundo.<br />
Amo-te amei-te amar-te-ei<br />
de todas<br />
as cores dispersas.<br />
E assim o meu vento<br />
será sempre o teu vento,<br />
feito de ondas de mar<br />
da altura dos meus sonhos, enormes!<br />
Os teus clarões de beleza,<br />
aqueles<br />
que os olhos permeiam de mansinho,<br />
são-me totalmente pérolas em mim.<br />
És o meu tudo.<br />
Na tua morada do adeus<br />
viste-me e amas-me?<br />
O meu olho esquerdo vocifera<br />
mil razões para te amar.<br />
Se o teu olho viesse de encontro ao meu,<br />
e assim juntos dançassem uma<br />
balalaica de tempos imemoriais!<br />
És demasiado diamante para<br />
te ter apenas em carvão!<br />
És o meu diamante mais puro!<br />
Um leve odor de paixão<br />
que eu retirei dos teus cabelos<br />
é-me companhia.<br />
Todos os meus passos estão<br />
possuídos de ti.<br />
Vejo-te nas esquinas,<br />
aquelas que me querem muito<br />
pois são cruzamentos de vidas,<br />
vejo-te na garra dos pássaros<br />
que passam em debandada e gritam amor,<br />
pelos céus fora,<br />
pela noite fora.<br />
Vejo-te aqui e ali,<br />
e nos dois sítios<br />
ao mesmo tempo.<br />
E ousas chamar a isso<br />
outra coisa que não amor?</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2>Diamante</h2>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Há sonho em<br />
fim de tarde domingueiro,<br />
em cor estilizado<br />
e forte de pessegueiro construído.<br />
Há corpos que se escapam<br />
a mãos acolhedoras,<br />
tão longe<br />
se afiguram em<br />
meias sombras renascidos.<br />
Eu observo toda a gente com a<br />
paixão de quem não tem nada&#8230;<br />
Tudo são pérolas e diamantes,<br />
pequenos cristais translúcidos que volteio suavemente<br />
nos meus dedos ansiosos de recém-nascido.<br />
Da mesa do café onde me encontro,<br />
janela fechada para todo o meu passado,<br />
eu antevejo as torres<br />
torneadas a marfim do meu presente.<br />
E alegro-me com isso&#8230;<br />
E sinto-me todo,<br />
sinto todos os meus músculos<br />
prontos para a acção mais rápida,<br />
sinto o meu cérebro capaz<br />
do raciocínio mais genial,<br />
mais impossível&#8230;</p>
<p>Oh! Não fosse eu apenas eu,<br />
e poderia ser tudo e toda a gente!<br />
Vejo mulheres a quem<br />
gostaria de me dar,<br />
vejo corpos que gostaria de sentir com<br />
a palma da minha mão dourada,<br />
vejo lábios<br />
que gostaria de aflorar<br />
com o meu beijo eterno&#8230;<br />
Dia e noite<br />
sonho com o meu Deus de prata<br />
agigantado ao Infinito!<br />
Consumindo<br />
vidas em suaves embalos de torso despido,<br />
com o Sol a dourar tudo,<br />
fileiras intermináveis de prazeres<br />
a enternecê-lo e a embriagá-lo.<br />
Apoteoses febris de luxúria !!<br />
E eu a dirigir<br />
uma orquestra de mil instrumentos feitos de sonho!</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Não existem dobras nem rugas verdes no meu semblante.<br />
Uma Rainha cristalizada e purpúrea levanta o véu<br />
sobre o meu olhar&#8230;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2><strong>Metempsicose Aptúndica</strong></h2>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Ontem aspirei um sonho…<br />
Envolto em malvadez e desencanto,<br />
fui seguindo pela tracção d&rsquo;O envolto em penumbra.<br />
E quis ser generoso com a dúbia<br />
presença do estranho sentir de sucção<br />
que metamórficamente me percorreu o corpo.<br />
Quis acrescentar que estava solto,<br />
num percurso sonâmbulo de permissividade oculta.<br />
No entanto,<br />
fui interceptado pela razão omnítica<br />
de acordo com a perda de censo que<br />
me foi invadindo lentamente,<br />
após longas horas de meditação em<br />
volta de um sexo aberrante.<br />
Depois,<br />
foi a loucura que tomou conta do<br />
meu ser.<br />
A pouco e pouco senti-me invadir de uma<br />
loucura corporal tal<br />
que decerto estaria flutuando<br />
num qualquer antro derivante do Astral.<br />
Era,<br />
sem dúvida,<br />
a Permanência Newtoniana que discorria a espaços.<br />
Cruelmente real e aleatória que tal.<br />
Por essa altura senti-me<br />
ameaçado por algo exterior que não sei o quê.<br />
Acordei&#8230;<br />
&#8230;na minha cama, no meu quarto, na minha casa<br />
num corpo que não era o meu&#8230;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2>Z</h2>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Filigrana pura<br />
esvoaçante ao vento.<br />
És bálsamo expelido de<br />
mim para fora,<br />
com candeias azuis e vermelhas<br />
encastradas no teu seio desnudado.<br />
Fere-se toda a lucidez<br />
quando te toco;<br />
um tilintar de copos vazio<br />
que ecoa na minha mente<br />
asfixia o teu olhar.<br />
O teu olhar vermelho…<br />
Com fumo à mistura,<br />
em confusão estrambótica<br />
de sensações sem sentido,<br />
que a máscara me escapa<br />
para todo o sempre.<br />
Arde volátil todo o querer que<br />
é antigo e de renome.<br />
Uma mulher pura&#8230;<br />
Uma recordação&#8230;<br />
Estreito o teu sonho<br />
no sonho do meu Amor.<br />
Vejo a tua voz que me acaricia<br />
palavras suaves de sono,<br />
em lençóis brancos de paz.<br />
Esses olhos em sombras projectados,<br />
com as formas todas<br />
vertidas nos teus lábios entreabertos.<br />
O som de um beijo que cai<br />
no fundo suave do corpo…</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2>SMYNTHEUS (1)</h2>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>dorso<br />
torso<br />
fim que ele escolhe<br />
bum…<br />
ar<br />
vertigem<br />
indício de côr<br />
som<br />
tom<br />
a estrela é grande e foge-me</p>
<p>bum…</p>
<p>e<br />
las<br />
ti<br />
ci<br />
da<br />
de<br />
amena<br />
do<br />
fundo<br />
da<br />
alma</p>
<p>bum…</p>
<p>ouvem-se vozes de cantores mortos acima da<br />
linha do horizonte decapitado pelos prédios altos…<br />
vazio<br />
sonho<br />
narciso florido<br />
explosão dupla</p>
<p>bum… bum…</p>
<p>(1) SMYNTHEUS é, em Antonin Artaud, Apolo Smyntheus: que é o<br />
excedido, o extremado, o ponto de ruptura, o abcesso maduro.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
</div><p>The post <a href="https://astrangerparadise.com/bronssi">Bronssi</a> first appeared on <a href="https://astrangerparadise.com">A Stranger Paradise</a>.</p>]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Poesia do Nul</title>
		<link>https://astrangerparadise.com/poesia-do-nul</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Juca Pimentel]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 24 Oct 2020 21:11:18 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Airf'Auga 5]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://astrangerparadise.com/?p=2754</guid>

					<description><![CDATA[<p>Poentes caídos na lama<br />
e ventos futuros em rama:<br />
tudo isso congemina a minha<br />
alma de desaguçado e em frente morte.<br />
Num embalo tétrico quanto sublime porque deixa rasto.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<div class="qt-vc-row-container"><div class="vc_row wpb_row vc_row-kentha"><div class="wpb_column vc_column_container vc_col-sm-12"><div class="vc_column-inner"><div class="wpb_wrapper">
	<div class="wpb_text_column wpb_content_element  qt-the-content" >
		<div class="wpb_wrapper">
			<h2>Poesia do Nul</h2>
<p>&nbsp;</p>
<p>Poentes caídos na lama<br />
e ventos futuros em rama:<br />
tudo isso congemina a minha<br />
alma de desaguçado e em frente morte.<br />
Num embalo tétrico quanto sublime porque deixa rasto.</p>
<p>Olhos na noite como quem mata: um punhal na noite.</p>
<p>Para lá do Sol quente afigura-se o desprezo,<br />
o raiar de uma nova era,<br />
aquela que queima.<br />
Punhais na noite como quem tem fome.<br />
Aguçados sem ponta, o caralho!</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><em>Juca Pimentel</em></p>

		</div>
	</div>
</div></div></div></div></div><p>The post <a href="https://astrangerparadise.com/poesia-do-nul">Poesia do Nul</a> first appeared on <a href="https://astrangerparadise.com">A Stranger Paradise</a>.</p>]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>A antropofagia humana como condensação única, por Juca Pimentel</title>
		<link>https://astrangerparadise.com/a-antropofagia-humana-como-condensacao-unica-por-juca-pimentel</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Juca Pimentel]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 12 Apr 2011 12:55:07 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Airf'Auga 5]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Fusis quebrados. O homem tende a ser encaminhado pelo outro. Um lado a lado com a miséria do outro. A inversão do erro não se dá. O espírito da discussão crítica das sonoridades interiores não se dá. A transmissão acontece na periferia do nojo. Roupa suja. Mental. Variações sem sentido do amor-próprio que mata o único condensamento possível: a irrealização atómica, supra-sonho, e além túmulo. Queimaduras? Nem por isso. Colocações senis e aprofundamentos ligeiros. No assombramento da consciência única que tornada Kitsh se manda "daqui" para "mim". Anulamentos nada subtis. Periferias da zona. Um comércio das sensações básicas. Contratatempos fracos. Misérias condensadas.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>&nbsp;</p>
<div id="aa1">
<p>&nbsp;</p>
<h2>A antropofagia humana como condensação única</h2>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Fusis quebrados. O homem tende a ser encaminhado pelo outro. Um lado a lado com a miséria do outro. A inversão do erro não se dá. O espírito da discussão crítica das sonoridades interiores não se dá. A transmissão acontece na periferia do nojo. Roupa suja. Mental. Variações sem sentido do amor-próprio que mata o único condensamento possível: a irrealização atómica, supra-sonho, e além túmulo. Queimaduras? Nem por isso. Colocações senis e aprofundamentos ligeiros. No assombramento da consciência única que tornada Kitsh se manda « daqui » para « mim ». Anulamentos nada subtis. Periferias da zona. Um comércio das sensações básicas. Contratatempos fracos. Misérias condensadas.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Burning Inside é uma música de Ministry.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Andamentos na lógica. E sem ela. Um arremesso inconcreto. A aranha hiperbárica confunde-se com a sombra do que é, e do que nunca poderá vir a ser. Aquilo que nunca foi desejado. Mas que não deixa de ser a única coisa possível para o homem. A miséria da condensação. Da única possível. Da miserável.</p>
<p>A expulsão dos segredos é moradia.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Femme Fatale é uma música de Velvet Underground.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>LSN</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><em>Juca Pimentel</em></p>
<p>&nbsp;</p>
</div><p>The post <a href="https://astrangerparadise.com/a-antropofagia-humana-como-condensacao-unica-por-juca-pimentel">A antropofagia humana como condensação única, por Juca Pimentel</a> first appeared on <a href="https://astrangerparadise.com">A Stranger Paradise</a>.</p>]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Chuva Sobre Violetas</title>
		<link>https://astrangerparadise.com/chuva-sobre-violetas</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Sofia Bravo]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 10 Aug 2009 18:41:31 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Airf'Auga 4]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://astrangerparadise.com/?p=1471</guid>

					<description><![CDATA[<p>&#160;</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<div class="qt-vc-row-container"><div class="vc_row wpb_row vc_row-kentha"><div class="wpb_column vc_column_container vc_col-sm-12"><div class="vc_column-inner"><div class="wpb_wrapper">
	<div class="wpb_text_column wpb_content_element  qt-the-content" >
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			<p><img class="size-full wp-image-2652 aligncenter" src="https://astrangerparadise.com/wp-content/uploads/2009/08/Sofia-Bravo-2-Chuva-sobre-Violetas.jpg" alt="Sofia Bravo Chuva sobre Violetas" width="1066" height="1198" srcset="https://astrangerparadise.com/wp-content/uploads/2009/08/Sofia-Bravo-2-Chuva-sobre-Violetas.jpg 1066w, https://astrangerparadise.com/wp-content/uploads/2009/08/Sofia-Bravo-2-Chuva-sobre-Violetas-768x863.jpg 768w" sizes="(max-width: 1066px) 100vw, 1066px" /></p>
<p style="text-align: center;">Sofia Bravo</p>

		</div>
	</div>
</div></div></div></div></div><p>The post <a href="https://astrangerparadise.com/chuva-sobre-violetas">Chuva Sobre Violetas</a> first appeared on <a href="https://astrangerparadise.com">A Stranger Paradise</a>.</p>]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>THX, por Sofia Bravo</title>
		<link>https://astrangerparadise.com/thx-por-sofia-bravo</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Sofia Bravo]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 10 Aug 2009 18:45:47 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Airf'Auga 4]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>E se eu fosse a mais bela de todas as mulheres, o mais  doce de todos os seres, a mais terna das criaturas, o que faria com tanto? Se  não te tivesse a ti para me contemplar! E no entanto… não sou  tudo isto, não sou nada disto, mas tu  fazes-me sentir como tal. E tenho-te por efémeros momentos em Luas já altas,  sendo a despedida sempre tão dolorosa e desajeitada. Parece prenunciar um fim  inevitável, quando o que eu quero é apenas existir em ti!</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<div id="aa1">
<p align="center"><strong>OSSÂNICO</strong></p>
<p>E se eu fosse a mais bela de todas as mulheres, o mais doce de todos os seres, a mais terna das criaturas, o que faria com tanto? Se não te tivesse a ti para me contemplar! E no entanto… não sou tudo isto, não sou nada disto, mas tu fazes-me sentir como tal. E tenho-te por efémeros momentos em Luas já altas, sendo a despedida sempre tão dolorosa e desajeitada. Parece prenunciar um fim inevitável, quando o que eu quero é apenas existir em ti!<br />
A minha doença é incurável longe de ti, porque a minha cura…és tu!<br />
E procurar-te-ei na impossibilidade, procurar-te-ei na improbabilidade de um para todos os seres humanos à face da Terra! Que vago!… Que vazio! E mesmo neste vazio rebusco-te, vasculho em tudo, e só vejo parecenças contigo. E nesse incessante procurar deparo-me com a infeliz solidão de quem ama… a solidão é sagaz… e descubro que ela esteve sempre aqui no meu peito, e que se instala cada vez que tu estás ausente, ocupando cada vez mais espaço á medida que o tempo passa.<br />
E dói-me na Alma a minha memória!<br />
A recordação das tuas mãos a sufocarem-me de desejo, essas carícias a corromperem com o teu cheiro a minha malvada inocência, esse alecrim e malva que temo tocar porque são o meu veneno. Esse veneno do qual saboreio a maldade de não te ter, de ser, de pertencer…<br />
Este maldito destino, infeliz prisão de vazio que me deixa apenas flutuar nas minhas emoções desmedidas e incoerentes, para assim me deixar exausta de tanto desejar, essas malvas, esses lírios negros em que quase fui tua!</p>
<p><em>A confusão </em><br />
<em>reinou outrora </em><br />
<em>no sonho cheio de Poesia.</em></p>
<p>Hoje,<br />
o amanhecer é bem mais confuso<br />
e a alvorada tarda em chegar.<br />
As palavras&#8230;.<br />
são o meu revólver,<br />
e eu dou-lhes lustro cada vez que penso em puxar o gatilho.<br />
O projéctil vai-me ferir,<br />
como toda a incúria dos meus sonhos,<br />
esses sonhos que tanto gozo tenho em medir.<br />
O fim.<br />
A minha única salvação<br />
que reside na ponta desta pequena forma dourada.<br />
Tenho no bolso o poder da vida e da morte,<br />
e farei uso dele&#8230; em mim.<br />
Antes,<br />
vou-me descalçar nesta rua cheia de calhaus<br />
e senti-los debaixo dos meus pés<br />
com toda a intensidade que me é possível ,<br />
e esperar que a dor me acalme o juízo,<br />
que não tenho.</p>
<p>Os joelhos e os dedos dos pés também em peregrinação se lhes juntam,<br />
e agora as mãos e o tronco.<br />
Arrasto-os no chão húmido e molhado pela chuva<br />
desta noite Invernal.<br />
Sussurro,<br />
porque não tenho voz para toda a revolta<br />
que é a dor do meu corpo,<br />
que é a Alma já muito<br />
ferida no tormento negro dessa minha revolta,<br />
alma amarga como fel,<br />
envenenada nesta angústia,<br />
sem fim,<br />
sou eu<br />
própria,<br />
que se aquece nela<br />
como quem se enrola num véu negro de Igreja<br />
e o usa contra tudo o que é exterior.<br />
É este o legado do meu descontentamento.<br />
Este é o legado da minha dor.</p>
<p>As palavras são o revólver,<br />
a que dou lustro,<br />
enquanto penso em puxar o gatilho.</p>
<p>És um jardim fechado<br />
Abandonado ao vento.<br />
Sento-me num qualquer dos teus bancos,<br />
E não, não ficarei sentada<br />
Caminharei antes, por entre as tuas árvores.<br />
Olho as nuvens apressadas<br />
Que logo se perdem nas folhagem das árvores<br />
Que me cercam, e o vento que as agita<br />
agita também um rodopio de folhas<br />
Vermelhas, caídas no chão<br />
Elevando-as até á minha altura<br />
Numa espiral sonora, própria das folhas de Outono<br />
Rodopiam à minha roda,<br />
elevando-as e esmorecendo na canção do vento frio de Outono<br />
O riacho corre sorrateiro<br />
Por debaixo da ponte de madeira<br />
Salteando as pedrinhas,<br />
num sapateado alegre e distraído</p>
<p>Molhando gentilmente as raízes que repousam como<br />
Mãos cheias de longos dedos na beira do riacho<br />
Nas margens, o verde do musgo é tão alegre<br />
Que dá vontade de gritar com ele<br />
Toda a sua cor sublime de vida<br />
E caminharei com os pássaros<br />
A contarem-me histórias fúteis<br />
A contradizerem-se numa estridente algazarra<br />
Por entre este jardim fechado<br />
Habitado pelo vento,<br />
O vento sopra e espalha no infinito<br />
O aroma silvestre dos deliciosos frutos<br />
Que colho e saboreio como vinho<br />
Em bebedeiras de vida.</p>
<p>Anjo perdido,<br />
procura uma sombra<br />
anda fugido,<br />
algo que o esconda<br />
de rosto triste<br />
este sol que queima<br />
alma dorida desta realidade que teima<br />
desta vida sofrida<br />
que arrogante surge<br />
perturba as Crianças<br />
e o seu tempo que urge<br />
sacode-lhes a esperança<br />
e deixa que a mente lhes turve<br />
sem pensamentos nem Alma<br />
eis o Diabo que surge.</p>
<p>Vida impossível<br />
em todas as suas sinuosas farsas<br />
as minhas lembranças atraiçoam o destino<br />
que em caprichos é insuportável<br />
Esta aguarela viva<br />
que se pinta de caprichos<br />
da mão de um louco qualquer<br />
tela velha cheia de rugas<br />
imperfeições da loucura<br />
que atormenta cada instante meu<br />
da minha vida esborratada<br />
cheia de erros<br />
cheia do nada<br />
tu escreves em folhas novas<br />
e pintas em novas telas<br />
aquilo que haveria de ser<br />
o meu Mundo<br />
cheio de rosas<br />
mas eu sou Violeta<br />
e as violetas<br />
morrem á chuva.<br />
As tuas lágrimas<br />
ferem, de uma forma atroz<br />
molham-me de angústia<br />
neste vazio&#8230;<br />
na tua ausência.<br />
E quem chora sou eu<br />
e de angústia estou encharcada.</p>
<h2>Letras Douradas</h2>
<p>Letras douradas em pergaminho Violeta<br />
Caras pintadas num teatro maneta<br />
Portas Altas De fronte de um Altar<br />
Negros hábitos encolhidos a chorar<br />
Torre mística da Igreja Matriz<br />
É lívido o sorriso que me diz:<br />
-É por ali que tens de ir…<br />
Não creio que seja feliz.</p>
<p>(Estática, tento esconder a minha voz)</p>
<p>Sou um ser híbrido que se molha<br />
Com a dor de um ser feroz<br />
E mata sem pudor o sentimento<br />
Num agreste vento de Tarot maior<br />
E que de repente<br />
Sente algo que a perturba<br />
E sou eu própria a sentir-me só<br />
Adormecida num vale de Lágrimas<br />
A chorar o belo a detiorar-se<br />
A magia perdida<br />
O encanto disperso<br />
Na solidão que ninguém sente</p>
<p>Um sopro veloz de angústia<br />
Dissipa o Amor verdadeiro e cristalino<br />
Como as pedras preciosas desfeitas em pó<br />
Ou as penas de pavão que já não voam<br />
Que são cortadas para belos efeitos de velório<br />
A sete palmos da terra do cheiro intenso<br />
Da água putrefacta dos cemitérios</p>
<p>É só&#8230;<br />
Está só…<br />
Ainda não se libertou da cruz do calvário<br />
Que é a da perda<br />
Que é o corpo sem vida<br />
Que jaz inanimado e sem amor<br />
Como uma rosa vermelha<br />
Que morre sozinha<br />
Sem ninguém a contemplar a sua doce ternura<br />
Sons de sublime perícia serpenteiam no sentimento fúnebre&#8230;<br />
Vozes em lamúrias docemente sentidas de angústia perturbadora<br />
E que gritam em uníssono represálias de uma sinfonia ardente<br />
Falam de ódio porque não lhes é permitido Amar<br />
Anjos de espadas procuram o ultriz<br />
Oferecem recompensas a quem lhas vingar<br />
Na lua brilhante de prata<br />
Centelhas velozes de medo<br />
Torturam e mutilam o Amor<br />
Desse ser híbrido a quem não é permitido Amar<br />
Poderei eu ofertar-lhe as memórias que me perturbam?<br />
Poderei eu esquecê-las?</p>
<h2>A Árvore do Poeta</h2>
<p>Esse poeta,<br />
feito de retalhos,<br />
com a fisionomia<br />
marcada pelos defeitos e virtudes<br />
das paixões e angústias.<br />
A face expressiva,<br />
entalhe de vivências.<br />
As várias faces.<br />
A alma de cinza<br />
ou verde de sempre criança,<br />
na busca da inocência<br />
ou sabedoria<br />
do sonho sempre em azul.</p>
<p><em>As jarras onde crescem caules contêm a essência da poesia.</em></p>
<p>Dos caules<br />
pendem folhas escritas<br />
que voam ao vento<br />
e voam muitas vezes<br />
sem que ninguém as leia ou contemple<br />
e passa o tempo<br />
e elas caiem<br />
como as vivências que mudam<br />
e acabam no chão fértil do pensamento,<br />
alimentando essa mesma essência<br />
de alma<br />
de poeta<br />
neste ciclo.<br />
Dor.<br />
Sangue.<br />
Representando assim o Amor.<br />
Essas raízes bem presas ao chão<br />
do Mundo terreno,<br />
das paixões,<br />
nesse amor de pássaros e vento<br />
em voo livre,<br />
de rochas que<br />
estão sempre lá na sua velhice antiga,<br />
com os minerais a serem a essência da terra<br />
sempre mutável para nós,<br />
que tentamos diluir nos elementos<br />
do pensamento<br />
tornando-os pó,<br />
que se molda<br />
de acordo com a vida,<br />
e que eu quero diluir,<br />
transformar,<br />
ser.</p>
<h2>Da’ Wah</h2>
<ol>
<li><u>O Apelo Interior</u></li>
</ol>
<p>Sinto-te&#8230;<br />
no correr do meu sangue.</p>
<p>No desejo ofegante das lembranças quentes&#8230;<br />
nas vozes, nos cultos sagrados.<br />
És impregnado de fantasia,<br />
tenho-te condensado,<br />
no formol dos meus sentidos<br />
em todas as minhas moléculas,<br />
o teu ventre quente&#8230;</p>
<p>Todos os meus sentidos apurados, para te sentir melhor.</p>
<p align="center">-Ahhhhhh!&#8230;&#8230;&#8230;</p>
<p><strong>In</strong>&#8230;<br />
Já nada&#8230; do que foi real, o voltará a ser!<br />
Ficará para sempre<br />
nas catacumbas carnazes<br />
do que jamais será&#8230;</p>
<p><strong>Teri</strong>&#8230;<br />
Derrama encanto,<br />
mesmo em terras outrora adormecidas<br />
Despertando um extinto sentido&#8230;</p>
<p align="center">-Ahhhhhh!&#8230;</p>
<p><strong>Or</strong>&#8230;<br />
Abismo<br />
Império perdido<br />
Sétima dimensão<br />
talvez entre a vida e a morte<br />
e digo-te&#8230;<br />
Esses teus lábios&#8230;<br />
me beijarão!<br />
O teu corpo&#8230;<br />
se dará ao meu!<br />
Num tal impulso de terror,<br />
que perder-se-á no espaço,<br />
nessa sétima dimensão!</p>
<p>Resgato-te<br />
pela ponta dos dedos.</p>
<p align="center"><strong>I&#8230;</strong></p>
<p align="center"><strong>II&#8230;</strong></p>
<p align="center"><strong>III…</strong></p>
<p align="center">Rasgo e&#8230;</p>
<p align="center">Chão!</p>
<p align="center">Espuma, convulsão<br />
Dilação, conquista<br />
Grita, geme, fala,<br />
caminha, anda, trás<br />
Vem&#8230;Vem&#8230;Vem&#8230;<br />
Onde!<br />
Tardo na colina&#8230;<br />
no vale que desconheço<br />
na fonte perdida<br />
Q ninguém viu<br />
Nasceu ontem<br />
Com a chuva de Inverno<br />
Pura&#8230; escorre&#8230;<br />
Dissipa<br />
bosques molhados<br />
Água, terra&#8230;.<br />
Barro&#8230;. Argila&#8230;.<br />
Tranquila da sua existência perdida<br />
Passiva, crua, fria&#8230;<br />
Existência ocasional<br />
Capricho&#8230;compromisso</p>
<p align="center">Meio de mim<br />
se afoga em ti<br />
à deriva, esconjurada<br />
entranhada,<br />
estreita<br />
Quer endireitar-se<br />
Assim&#8230;<br />
Lunática obsessão, Rigoroso&#8230;.<br />
Vórtice, luping<br />
No memorial dos sentidos<br />
Infindável saliente<br />
proeminente no passado<br />
Impossível ser uma previsão futura<br />
são os sonhos que me lembro<br />
de não esquecer<br />
são tudo o que tenho<br />
no futuro<br />
que não é meu.</p>
<p align="center">Ainda&#8230;</p>
<p>Eu sei&#8230; aquilo quero é apenas o que quero, o meu desejo deste momento é completamente irreal. É precisamente esse o fascínio do desejo, ou não fosse eu o que sou, e deixaria de desejar o impossível.<br />
O irreal é idealizado por mim até ao pormenor, para que o desejo seja aquilo que quero.<br />
A vida subtilmente adoçada com o irreal.<br />
Algo que muito desejo, tem as qualidades de um ser prefeito, que me parece só em mim existir, porque a perfeição não é universal.<br />
O perfeito não se materializa!</p>
<p>Longínquo sentimento de razão que me traria algum alento sem sinceras esperanças busco uma coisa invisível, sempre ao longe.<br />
Tenho nas mãos os cardeais de um tesouro, que não se situa neste planeta!<br />
O Amor é um Beco sorvedor dos meus mais secretos lamentos, geometricamente medidos a partir de cardeais inconcretos, na dualidade de existências.<br />
São espectros do sentir de fera mansa, que se quer equilibrar nas diagonais do destino, e aos tropeções perde-se em becos sem saída, No Exit.<br />
Sou equilibrista nato que bamboleia na corda laça da razão, infinita teia crua da tristeza que se constrói na Alma, abafando-me assim o pudor, enlaçando-me com gestos mansos, deixando-me fraca com tanta ternura, vulnerável nas mãos de um predador.<br />
Eu&#8230; estrambótico ser alado de sentimentos cruéis…<br />
És a Obra-prima da minha loucura frenética em desespero melancólico.</p>
<p>E não te mereço nem por um só devaneio.<br />
Sinto-te como um&#8230; mero frio, que me tacteia a espinha&#8230; dissipando-se em suaves delicias, ornada de magistrais prazeres, fulcro total, és tudo!<br />
Eu, esqueleto trémulo, ténue, de memórias em vórtice, fragmenta-se em tremor no epicentro poeirento da tua memória. Espiral incontornável de sensações efémeras, ansiedade&#8230;<br />
Enrolam-se por mim acima, com braços, nádegas, coxas, as mãos nas minhas, estas que desejam esculpir o torpe barro dos sentidos, levando-o depois para a ressurreição. Mas, para ti sou apenas a expressão de um maneirismo feito á toa, inobservante!</p>
</div>
<div id="aa1">
<h2>Lorelei</h2>
<p>Obra-Prima da minha loucura frenética,<br />
fluir de desejos melancólicos!<br />
Ternura&#8230;<br />
Lívido ornamento dos sentidos,<br />
quer-me persuadir!<br />
Nua&#8230;<br />
Pérola Epiteal reflectida no espelho,<br />
loucura inquietante!<br />
Ossos&#8230;<br />
Esqueleto trémulo, ténue de memórias,<br />
cambaleia por entre destroços!<br />
Morta&#8230;<br />
Inspira as carícias fugazes<br />
desse corpo que te quer possuir<br />
na ternura do predador.<br />
Ele é teu&#8230; Agora!<br />
Tumba&#8230;<br />
No turbilhão da confusa<br />
dualidade das existências.<br />
Penumbra&#8230;<br />
Negro.</p>
<p>Albina e Cega<br />
Morta e Des&rsquo;Almada<br />
Náufraga<br />
Suspiro&#8230;<br />
alívio que reconhece a esperança.<br />
O sopro&#8230;<br />
É o Vento dos Homens.<br />
Estou enleada no lodo.<br />
Mas talvez a superfície me encandeie.</p>
<p><em>Tenho a meus pés, os alicerces de uma grande obra.</em><br />
<em>Tenho a Alma em construção.</em></p>
<p>A ruína é majestosa, requer cuidados.<br />
A construção&#8230; Perícia.<br />
O mestre será virtuoso.<br />
O propheta, cego.<br />
O Deus, absorto.<br />
O Rei, Imperador.</p>
<p>Já que a confusão reina, pondo e dispondo aos olhos da minha impotência, não é altura para provar nada a ninguém. Não há nada a provar! As provas ficaram para trás, assim como as escolhas acertadas; ficaram silenciadas nos presentes que já tiveram lugar. E lá ficaram!…<br />
A vida é um movimento incessante, e quando acelera rumo ao nada, a vaga é tempestuosa, forte, incontornável , toma-la à força! E a nossa desgraça… A fadiga silencia-nos. Deixo-me então ir para um Futuro que ainda poderá ser claro, e descobrir a direcção a tomar.</p>
<p>Autómato andrógino fatigado.</p>
<p>Toda a permanência torna-nos estáticos. Somos todos iguais em qualquer estaticidade. Não nos desembaraçamos do cordel sempre esticado da virtude. Não nos desenlaçamos desse cordel demasiado esticado que nos começa a marcar os tendões, começando assim a falta de força. Largo a meada e tudo se desenrola… Rasgo por força o cordão umbilical e toda a pele que reveste o coração. Rasgo… pela força da mudança.<br />
A mudança!…<br />
O Novo&#8230; Paladar, Olfacto, Presenças…Vasculho e Rebusco na cumplicidade o que desconheço, e encontro coisas que quero só para mim. E nado fundo, nesse Futuro que ainda há-de ser menos turvo.<br />
Vaga fria&#8230;<br />
Fria de desconsolo&#8230;<br />
Desalento.<br />
Lancinante…</p>
<h2>Cássio</h2>
<p>Dormente!<br />
Feto vacilante no recôndito útero do Mundo.<br />
Dormente!<br />
Estático<br />
Vacila e cresce numa redoma,<br />
agita-se no seu interior.<br />
Vacilante<br />
Útero estático,<br />
Em constante movimento,<br />
cresce numa redoma de inquietude,<br />
esbraceja de braços cruzados,<br />
apertados de encontro ao peito.<br />
Perímetro cefálico,<br />
córtex condicionado ao Rei dos sentidos:<br />
A Visão&#8230;<br />
Enquanto ela domina,<br />
todo o Mundo permanece encandeado na sua própria beleza.<br />
A mente dormente,<br />
encandeada em estímulos passionais.</p>
<p>Sente a proximidade do vácuo.<br />
Um infinito impalpável,<br />
longínquo&#8230;<br />
Dominante!<br />
Os sentidos são limitados<br />
pelo perímetro da percepção, imediata!<br />
Isolação.<br />
Talvez nos abstraia do exterior.<br />
Talvez torne possível a absorção do real.<br />
-Não há progresso sem acção!<br />
Sem interacção com o Exterior!<br />
-Fecha os olhos!&#8230;<br />
Percebe o porquê da nossa impotência!<br />
Isola-te.<br />
De qualquer comodidade<br />
ou de outra existência paralela à tua.<br />
No vazio&#8230;<br />
Perpetua a procura de algo,<br />
não sabendo exactamente o que é.<br />
Nada me satisfaz.<br />
&#8230;sinto-me completamente anestesiada.<br />
-Que loucura tão contida!&#8230;<br />
Loucura Lúgubre<br />
dos meus sentidos mais rebuscados.<br />
Tudo me parece tão pequeno,<br />
quase tudo deixa de existir,<br />
nada se materializa em desejo,<br />
é tudo vago&#8230;<br />
Amplo&#8230;<br />
sem intensidade.<br />
-O que se passará comigo?<br />
Será que a ciência explica?<br />
&#8230; A metamorfose do espírito insatisfeito,<br />
em abstracção completa?</p>
<p>Desmaio em mim!<br />
O Outro eu&#8230;<br />
que ainda se mexe,<br />
cutuca com uma Vara<br />
Num Corpo&#8230;<br />
caído no espaço vazio.<br />
Só&#8230;<br />
É-me difícil viver com ela,<br />
essa companheira insalubre,<br />
completamente insalubre<br />
para os meus sentidos<br />
bem apurados na loucura sentimental.<br />
Dentro da minha Redoma,<br />
estou fisicamente condicionada,<br />
os sentidos parecem perder as<br />
estribeiras!<br />
&#8211; A qualquer Momento&#8230;</p>
<h2>THX</h2>
<p>Na carne fria<br />
Molhada das minhas memórias<br />
Com os olhos dormentes<br />
De tanto sangrar a Alma<br />
Só queria poder arrancar de mim<br />
Toda a minha angústia<br />
Não me desiludir quando Amar<br />
Dormir contigo<br />
Ao invés das memórias<br />
Sorrir contigo<br />
E sentir o riso<br />
No meu corpo todo<br />
Ouvir as histórias<br />
Sem ti…<br />
O Mundo parace não ter Ar<br />
Não ter cheiro<br />
Não ter cor</p>
<p>Estou doente<br />
Demente de ti</p>
<p>&#8211; O meu corpo decompõe-se, na loucura desenfreada desta fuga ao Ódio que está em todo o lado, que me persegue, que fala dentro de mim, e fujo de mim, fujo de tudo, desse ódio que existe em mim…<br />
Quer levar-me à loucura. É um velho frio e nojento; ama-me com tal desleixo, que me entalou no ventre a mortandade que ele idealiza em mim. Como arrancar de mim a pureza amável do monstruoso ódio que me possui…<br />
&#8211; Mata-o.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Cristalz</title>
		<link>https://astrangerparadise.com/cristalz</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Sofia Bravo]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 10 Aug 2009 19:05:57 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Airf'Auga 4]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160;</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<div class="qt-vc-row-container"><div class="vc_row wpb_row vc_row-kentha"><div class="wpb_column vc_column_container vc_col-sm-12"><div class="vc_column-inner"><div class="wpb_wrapper">
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			<p><img class="aligncenter size-full wp-image-2645" src="https://astrangerparadise.com/wp-content/uploads/2020/10/Sofia-Bravo-3-Cristalz.jpg" alt="Sofia Bravo Cristalz" width="1066" height="1411" srcset="https://astrangerparadise.com/wp-content/uploads/2020/10/Sofia-Bravo-3-Cristalz.jpg 1066w, https://astrangerparadise.com/wp-content/uploads/2020/10/Sofia-Bravo-3-Cristalz-768x1017.jpg 768w" sizes="(max-width: 1066px) 100vw, 1066px" /></p>
<p style="text-align: center;">Sofia Bravo</p>

		</div>
	</div>
</div></div></div></div></div><p>The post <a href="https://astrangerparadise.com/cristalz">Cristalz</a> first appeared on <a href="https://astrangerparadise.com">A Stranger Paradise</a>.</p>]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Suicidiária e outros poemas, por Bórgia Ginz</title>
		<link>https://astrangerparadise.com/suicidiaria-e-outros-poemas-por-borgia-ginz</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Bórgia Ginz]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 10 Aug 2009 19:10:38 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Airf'Auga 4]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Escrevo em desalento fortes sonhos castrados por mim Incógnitos de cor verde que me penetram para logo me Despejarem dor e acidez nos cabelos velhos e deslavados Que eu sei serem meus na escuridão do meu ventre só Estou ameno, colhido na turva água do dia findo Finalmente no arcanjo que chora com o gelo Nas suas mãos doidas de espinhos a fremir Ferozes pilares que se encontram adormecidos por baixo dos corpos Dos olhos de jóias perfuradas na noite pobre do meu querer</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<div id="aa1">
<p>&nbsp;</p>
<h2>Suicidiária</h2>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Escrevo em desalento fortes sonhos castrados por mim<br />
Incógnitos de cor verde que me penetram para logo me<br />
Despejarem dor e acidez nos cabelos velhos e deslavados<br />
Que eu sei serem meus na escuridão do meu ventre só<br />
Estou ameno, colhido na turva água do dia findo<br />
Finalmente no arcanjo que chora com o gelo<br />
Nas suas mãos doidas de espinhos a fremir<br />
Ferozes pilares que se encontram adormecidos por baixo dos corpos<br />
Dos olhos de jóias perfuradas na noite pobre do meu querer<br />
Enfeitas-te, oh, querida noite que tanto foste travo e testa<br />
Cheia de rosas em semblante de oiro e que agora me<br />
Deixas virgem de cor e som, escorregadio na neve<br />
Eu vejo a tristeza dos meus queridos braços e pernas<br />
Tatuados por amigos de cinza nos olhos febris<br />
Eu vejo a amizade que os meus membros têm por mim<br />
E que eu não aconselho ao fim da mármore alta do Judeu<br />
Eu vejo homens violados por mulheres imaginárias<br />
Nas esfíngies violentas do adeus sonâmbulo<br />
Na noite adocicada do teu encolher de ombros<br />
Nascem os tornozelos dos anjos cantantes<br />
Das misericórdias supremas<br />
Em fins de tardes coçadas por mãos de Deusa<br />
Cruel e anónima, com os seus dedos esguios<br />
A esvoaçarem nos campos de ervas cheios<br />
Como os olhos dos felinos que se atravessam<br />
Nas estradas onde não passam carros<br />
Como os mendigos de pão no bolso que se afastam<br />
Em ondas de pernas brancas e lisas no escuro<br />
Como o suco de sexos usados em quartos de<br />
Paredes vazias com os mirones entrecortados<br />
Como a execução gráfica do condenado em páginas<br />
Adoradas e torpes como violetas e narcisos murchos<br />
Como as veias que sangram e dão vida a corpos<br />
Nus que se estendem pela manhã nascente<br />
No fim do mundo agonizante que quer pêndulos<br />
No seu sexo guarnecido a jóias milenares<br />
Eu sei que nasci para viver todos os dias<br />
Com as mulheres que eu não conheço todas doidas<br />
A fazerem carícias nas grades do meu calabouço suspenso<br />
No ar imundo que eu respiro para morrer<br />
Os pássaros que eu tenho no meu peito com cabelos<br />
Não são meus nem eu quero aprisioná-los com<br />
Palavras doces e mãos abertas em amor na ponta dos dedos<br />
Quero-os a pisar terras que eu não sei<br />
Que eu nunca sonhei mesmo depois de ter sonhado<br />
Tal como as sombras que se abatem por sobre as paredes nos<br />
Finais de tarde esquecidos e não violentos por serem sóbrios<br />
Queria poder aspirar o odor dos gatos quando estão com cio<br />
E em cima dos montes altos suspiram amor a cobrir-lhes o pêlo<br />
Há na fome do mundo todo um olhar vazio que se detém<br />
Sobre a minha nuca e eu piso com os dentes que se afastam</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2>Amantes longos</h2>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong> </strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>A alavanca puxa o tronco caído,<br />
verme latente a três dimensões,<br />
que se dissemina pelos poros que assombram<br />
beijos de cores disformes que se afastam.<br />
Anjos supremos diletantes em esforço<br />
anunciam a queda fuzil de tempos novos<br />
lestos alheios de antas vazias.<br />
Nervocide beija o amante morto em furo.<br />
O amante puxa a alavanca que se anuncia feroz<br />
e permanece em força bruta entre os seus dedos de carmim.<br />
O seu corpo beija Nervocide pela metafísica<br />
e percorre os elos que faltam na obscuridade latente<br />
entre olhos vazios furos de morte e espasmos senis.<br />
As peles deixadas ao acaso sussurram perenes.<br />
E a Bela deixa cair os braços pelos tendões.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2>Plano inclinado</h2>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong> </strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Lamento sempre o que vem<br />
e o que te tem<br />
para bem longe do Unicórnio dourado<br />
da minha lonjura.<br />
Esta doce estranheza que embarca<br />
sublime rumo ao monstro<br />
que se deita comigo no fim de mim.</p>
<p>No fim é sempre plano.<br />
Penetramus é o assombro do real inquebrável!</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Viajo no encalço do tempo<br />
meio perdido na imensidão do buraco<br />
que nasce a meus pés<br />
pelo movimento dos meus pés<br />
que me enterra enfim sempre aqui.<br />
Este impenetrável assombramento<br />
do que foi e nunca será<br />
a absoluta conjugação da Pirotécnia.</p>
<p>No fim é sempre plano.<br />
Penetramus é o assombro do real inquebrável!</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2>Bronssi</h2>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong> </strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Lon Min of tuly<br />
Ie donc par beltran<br />
Ka ess kas et june<br />
Ik tong pum pum</p>
<p>Sor per la fool des viles<br />
Ik tong pum pum lokes<br />
Dir fias el transksection<br />
Jor lion filles et kas ess kas</p>
<p>Rimbaud loked in furt<br />
Gonmeyer flip flop transisteur<br />
Duct ca los tier<br />
Ta beltran et ka ess kas</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Árvore do Poeta</title>
		<link>https://astrangerparadise.com/arvore-do-poeta</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Sofia Bravo]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 23 Oct 2020 22:16:49 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Airf'Auga 4]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160;</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<div class="qt-vc-row-container"><div class="vc_row wpb_row vc_row-kentha"><div class="wpb_column vc_column_container vc_col-sm-12"><div class="vc_column-inner"><div class="wpb_wrapper">
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			<p><img class="size-full wp-image-2658 aligncenter" src="https://astrangerparadise.com/wp-content/uploads/2020/10/Sofia-Bravo-5-Arvore-do-Poeta.jpg" alt="" width="1066" height="1306" srcset="https://astrangerparadise.com/wp-content/uploads/2020/10/Sofia-Bravo-5-Arvore-do-Poeta.jpg 1066w, https://astrangerparadise.com/wp-content/uploads/2020/10/Sofia-Bravo-5-Arvore-do-Poeta-768x941.jpg 768w" sizes="(max-width: 1066px) 100vw, 1066px" /></p>
<p style="text-align: center;">Sofia Bravo</p>

		</div>
	</div>
</div></div></div></div></div><p>The post <a href="https://astrangerparadise.com/arvore-do-poeta">Árvore do Poeta</a> first appeared on <a href="https://astrangerparadise.com">A Stranger Paradise</a>.</p>]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Venus of Kazabäika</title>
		<link>https://astrangerparadise.com/venus-of-kazabaika</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Bórgia Ginz]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 24 Oct 2020 07:07:31 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Airf'Auga 4]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O’, perco-me Toda!<br />
Entro no Teu Dommynio de Sonho<br />
e és a minha Funesta Maravilha.<br />
Espero pelos Teus Anjos nos braços,<br />
Gótticos Embates na minha Ventura,<br />
e entretenho a minha Virtude<br />
com os Tronos da Tua Pureza de Guerreiro.</p>
<p>The post <a href="https://astrangerparadise.com/venus-of-kazabaika">Venus of Kazabäika</a> first appeared on <a href="https://astrangerparadise.com">A Stranger Paradise</a>.</p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div class="qt-vc-row-container"><div class="vc_row wpb_row vc_row-kentha"><div class="wpb_column vc_column_container vc_col-sm-12"><div class="vc_column-inner"><div class="wpb_wrapper">
	<div class="wpb_text_column wpb_content_element  qt-the-content" >
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			<h2>Fora</h2>
<p>O’, perco-me Toda!<br />
Entro no Teu Dommynio de Sonho<br />
e és a minha Funesta Maravilha.<br />
Espero pelos Teus Anjos nos braços,<br />
Gótticos Embates na minha Ventura,<br />
e entretenho a minha Virtude<br />
com os Tronos da Tua Pureza de Guerreiro.<br />
A minha Mente é Tua Cama.<br />
Aplicas-Te Duro na minha Coroa<br />
e rolas-me nos Ventos do Nada para Bem Longe,<br />
para a Lonjura.<br />
E cá fico.<br />
Perante O Negro do Tempo em que se Tornaram Os Teus Cabelos.<br />
O’, perco-me Toda!<br />
Enfio-me pelos Teus Pedestais Loucos em Fúria!<br />
O’, perco-me Toda!</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><em>Vénus Caída</em></p>
<p>&nbsp;</p>
<h2>DRAMA ESTÁTICO A DUAS DIMENSÕES<br />
ou<br />
A PARAFERNÁLIA DO DESOSSADO</h2>
<p>(pum)</p>
<p>Lanebt.<br />
Quem tem os pós nos medos?<br />
Lanebt.<br />
Quem tem os pós nos medos?<br />
Lanebt.</p>
<p>Fim</p>
<p>Dramaturgia litúrgica com arremesso de matéria<br />
pesada na dilaceração.<br />
Lamento diário a 5 rpm. 1 rpm=380º.r. Dissonância<br />
concreta.<br />
Sala senhorial com metafísica aberrante na<br />
proporção. O encaixe dá-se<br />
pela medula. Óculo transviado.</p>
<p>2º Fim</p>
<p>O homem podre afasta-se pelo meridiano.<br />
A sala abate-se sobre a audiência.</p>
<p>Fim último</p>
<p>Em metamorfose oxidada, surge o pânico!</p>
<p>Lanebt, suspira de alivio!</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><em>Venus in Shadow</em></p>
<p>&nbsp;</p>
<h2>Mortandade elíptica</h2>
<p>Vocês,<br />
os mortos,<br />
os que me rodeiam a pretuberância,<br />
vão rastejar pelos lodos da fé<br />
enquanto espreitam a oportunidade<br />
de anteverem o meu sexo sagrado,<br />
de lhe tocarem com os dedos de<br />
esperma hediondo,<br />
infecundo,<br />
gangrenado.<br />
Vão lamber os cotos pela lamúria<br />
de serem tão toscos na celeridade.<br />
Oh, homens castrados que nada<br />
valem para além de um tiro!<br />
Lamento-me de ser tão bem lapidada<br />
no meio de vós,<br />
animais da formatura<br />
em rebanho.<br />
Amputo-vos a sombra,<br />
decepo-vos o cérebro quase existente,<br />
aniquilo-vos o tempo que já vai sendo demasiado.<br />
Adorarei saber o vosso sangue a escorrer pela calçada do cemitério,<br />
depois do louva a deus que enterra os corpos e os leva<br />
para o precipício de Abdalon.<br />
Eu lá estarei, de pernas abertas e mãos em forma de adeus.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><em>Venus of Kazabäika</em></p>

		</div>
	</div>
</div></div></div></div></div><p>The post <a href="https://astrangerparadise.com/venus-of-kazabaika">Venus of Kazabäika</a> first appeared on <a href="https://astrangerparadise.com">A Stranger Paradise</a>.</p>]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Oportos Chromaticus</title>
		<link>https://astrangerparadise.com/oportos-chromaticus</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Bórgia Ginz]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 16 Jun 2009 19:50:04 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Non classé]]></category>
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					<description><![CDATA[]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div class="qt-vc-row-container"><div data-vc-full-width="true" data-vc-full-width-init="false" data-vc-stretch-content="true" class="vc_row wpb_row vc_row-kentha vc_row-no-padding"><div class="wpb_column vc_column_container vc_col-sm-12"><div class="vc_column-inner"><div class="wpb_wrapper">
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			<p><center><img class=" size-full wp-image-1450" src="https://astrangerparadise.com/wp-content/uploads/2009/06/images_phocagallery_pG_Vortex_Vortex-XXXV.jpg" width="800" srcset="https://astrangerparadise.com/wp-content/uploads/2009/06/images_phocagallery_pG_Vortex_Vortex-XXXV.jpg 1000w, https://astrangerparadise.com/wp-content/uploads/2009/06/images_phocagallery_pG_Vortex_Vortex-XXXV-756x506.jpg 756w, https://astrangerparadise.com/wp-content/uploads/2009/06/images_phocagallery_pG_Vortex_Vortex-XXXV-768x514.jpg 768w" sizes="(max-width: 1000px) 100vw, 1000px" /></center><img class=" size-full wp-image-1451" src="https://astrangerparadise.com/wp-content/uploads/2009/06/images_phocagallery_pG_Vortex_Vortex-XXXVI.jpg" width="800" srcset="https://astrangerparadise.com/wp-content/uploads/2009/06/images_phocagallery_pG_Vortex_Vortex-XXXVI.jpg 1000w, https://astrangerparadise.com/wp-content/uploads/2009/06/images_phocagallery_pG_Vortex_Vortex-XXXVI-756x506.jpg 756w, https://astrangerparadise.com/wp-content/uploads/2009/06/images_phocagallery_pG_Vortex_Vortex-XXXVI-768x514.jpg 768w" sizes="(max-width: 1000px) 100vw, 1000px" /></p>
<p><img class=" size-full wp-image-1452" src="https://astrangerparadise.com/wp-content/uploads/2009/06/images_phocagallery_pG_Vortex_Vortex-XXXVII.jpg" width="800" srcset="https://astrangerparadise.com/wp-content/uploads/2009/06/images_phocagallery_pG_Vortex_Vortex-XXXVII.jpg 1000w, https://astrangerparadise.com/wp-content/uploads/2009/06/images_phocagallery_pG_Vortex_Vortex-XXXVII-756x506.jpg 756w, https://astrangerparadise.com/wp-content/uploads/2009/06/images_phocagallery_pG_Vortex_Vortex-XXXVII-768x514.jpg 768w" sizes="(max-width: 1000px) 100vw, 1000px" /></p>
<p><img class=" size-full wp-image-1453" src="https://astrangerparadise.com/wp-content/uploads/2009/06/images_phocagallery_pG_Vortex_Vortex-XXXVIII.jpg" width="800" srcset="https://astrangerparadise.com/wp-content/uploads/2009/06/images_phocagallery_pG_Vortex_Vortex-XXXVIII.jpg 1000w, https://astrangerparadise.com/wp-content/uploads/2009/06/images_phocagallery_pG_Vortex_Vortex-XXXVIII-756x506.jpg 756w, https://astrangerparadise.com/wp-content/uploads/2009/06/images_phocagallery_pG_Vortex_Vortex-XXXVIII-768x514.jpg 768w" sizes="(max-width: 1000px) 100vw, 1000px" /></p>
<p><img class=" size-full wp-image-1454" src="https://astrangerparadise.com/wp-content/uploads/2009/06/images_phocagallery_pG_Vortex_Vortex-XXXIX.jpg" width="602" height="900" srcset="https://astrangerparadise.com/wp-content/uploads/2009/06/images_phocagallery_pG_Vortex_Vortex-XXXIX.jpg 602w, https://astrangerparadise.com/wp-content/uploads/2009/06/images_phocagallery_pG_Vortex_Vortex-XXXIX-506x756.jpg 506w" sizes="(max-width: 602px) 100vw, 602px" /></p>
<p><img class=" size-full wp-image-1455" src="https://astrangerparadise.com/wp-content/uploads/2009/06/images_phocagallery_pG_Vortex_Vortex-XL.jpg" width="800" srcset="https://astrangerparadise.com/wp-content/uploads/2009/06/images_phocagallery_pG_Vortex_Vortex-XL.jpg 980w, https://astrangerparadise.com/wp-content/uploads/2009/06/images_phocagallery_pG_Vortex_Vortex-XL-756x470.jpg 756w, https://astrangerparadise.com/wp-content/uploads/2009/06/images_phocagallery_pG_Vortex_Vortex-XL-768x477.jpg 768w" sizes="(max-width: 980px) 100vw, 980px" /></p>
<p><img class=" size-full wp-image-1456" src="https://astrangerparadise.com/wp-content/uploads/2009/06/images_phocagallery_pG_Vortex_Vortex-XLI.jpg" width="600" height="900" srcset="https://astrangerparadise.com/wp-content/uploads/2009/06/images_phocagallery_pG_Vortex_Vortex-XLI.jpg 600w, https://astrangerparadise.com/wp-content/uploads/2009/06/images_phocagallery_pG_Vortex_Vortex-XLI-504x756.jpg 504w" sizes="(max-width: 600px) 100vw, 600px" /></p>
<p><img class=" size-full wp-image-1457" src="https://astrangerparadise.com/wp-content/uploads/2009/06/images_phocagallery_pG_Vortex_Vortex-XLIII.jpg" width="800" srcset="https://astrangerparadise.com/wp-content/uploads/2009/06/images_phocagallery_pG_Vortex_Vortex-XLIII.jpg 1000w, https://astrangerparadise.com/wp-content/uploads/2009/06/images_phocagallery_pG_Vortex_Vortex-XLIII-756x504.jpg 756w, https://astrangerparadise.com/wp-content/uploads/2009/06/images_phocagallery_pG_Vortex_Vortex-XLIII-768x512.jpg 768w" sizes="(max-width: 1000px) 100vw, 1000px" /></p>
<p><img class=" size-full wp-image-1458" src="https://astrangerparadise.com/wp-content/uploads/2009/06/images_phocagallery_pG_Vortex_Vortex-XLIV.jpg" width="697" height="900" srcset="https://astrangerparadise.com/wp-content/uploads/2009/06/images_phocagallery_pG_Vortex_Vortex-XLIV.jpg 697w, https://astrangerparadise.com/wp-content/uploads/2009/06/images_phocagallery_pG_Vortex_Vortex-XLIV-585x756.jpg 585w" sizes="(max-width: 697px) 100vw, 697px" /></p>

		</div>
	</div>
</div></div></div></div></div><div class="vc_row-full-width vc_clearfix"></div><p>The post <a href="https://astrangerparadise.com/oportos-chromaticus">Oportos Chromaticus</a> first appeared on <a href="https://astrangerparadise.com">A Stranger Paradise</a>.</p>]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Li</title>
		<link>https://astrangerparadise.com/li</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Sofia Bravo]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 24 Oct 2020 07:16:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Airf'Auga 4]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160;</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<div class="qt-vc-row-container"><div class="vc_row wpb_row vc_row-kentha"><div class="wpb_column vc_column_container vc_col-sm-12"><div class="vc_column-inner"><div class="wpb_wrapper">
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			<p><img class="size-full wp-image-2674 aligncenter" src="https://astrangerparadise.com/wp-content/uploads/2020/10/Sofia-Bravo-6-Li.jpg" alt="Sofia Bravo Li" width="1066" height="1278" srcset="https://astrangerparadise.com/wp-content/uploads/2020/10/Sofia-Bravo-6-Li.jpg 1066w, https://astrangerparadise.com/wp-content/uploads/2020/10/Sofia-Bravo-6-Li-768x921.jpg 768w" sizes="(max-width: 1066px) 100vw, 1066px" /></p>
<p style="text-align: center;">Sofia Bravo</p>

		</div>
	</div>
</div></div></div></div></div><p>The post <a href="https://astrangerparadise.com/li">Li</a> first appeared on <a href="https://astrangerparadise.com">A Stranger Paradise</a>.</p>]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>We</title>
		<link>https://astrangerparadise.com/we</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Bórgia Ginz]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 07 Jun 2009 23:14:08 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Non classé]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://astrangerparadise.com/?p=1428</guid>

					<description><![CDATA[]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div class="qt-vc-row-container"><div class="vc_row wpb_row vc_row-kentha"><div class="wpb_column vc_column_container vc_col-sm-12"><div class="vc_column-inner"><div class="wpb_wrapper">
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			<div align="center">
<p><img class=" size-full wp-image-1427" title="A Stranger Paradise" src="https://astrangerparadise.com/wp-content/uploads/2009/06/images_asp_asp.png" alt="A Stranger Paradise" width="726" height="107" /></p>
<p><a name="#ib"></a></p>
<p>Idaline B</p>
<table border="0" width="703">
<tbody>
<tr>
<td align="left" valign="top" width="57">1979</td>
<td align="left" valign="top" width="10"></td>
<td align="left" valign="top" width="622">Birth</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="top" width="57">2004</td>
<td align="left" valign="top" width="10"></td>
<td align="left" valign="top" width="622"><em><a href="index.php?searchword=Ilayali+Bunder&amp;ordering=&amp;searchphrase=all&amp;Itemid=1&amp;option=com_search" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Ilayali Bunder</a></em> &amp; electronic movement</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="top">2005</td>
<td align="left" valign="top"></td>
<td align="left" valign="top"><em><a href="http://omnicorn.com/olofnine/fuckyouredead/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">OLoF NiNe: Fuck, You&rsquo;re Dead</a></em>, sound on More than Amour<br />
<em><a href="http://omnicorn.com/olofnine/chateaurouge/"><em>OLoF NiNe</em>:<em> Château Rouge</em></a>, </em>concert at L’Omadis, Paris</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="top">2005</td>
<td align="left" valign="top"></td>
<td align="left" valign="top"><em>Folie Douce</em>:<em> Barbès Rouge, movie</em></td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="top">2006</td>
<td align="left" valign="top"></td>
<td align="left" valign="top"><em><a href="index.php?searchword=Ilayali+Bunder&amp;ordering=&amp;searchphrase=all&amp;Itemid=1&amp;option=com_search" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Ilayali Bunder</a></em> &amp; <em><a href="http://omnicorn.com/sexonsaturday/datingyou/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Sex On Saturday</a></em><a href="http://omnicorn.com/sexonsaturday/datingyou/">:<em> Dating You</em></a></td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="top">2007</td>
<td align="left" valign="top"></td>
<td align="left" valign="top"><em><a href="index.php?option=com_eventlist&amp;view=details&amp;id=2;pg-transmission" target="_blank" rel="noopener noreferrer">pG Transmissions</a></em>, live concerts in streaming<br />
<em><a href="index.php?searchword=Jos%C3%A9phine+Muller&amp;ordering=newest&amp;searchphrase=all&amp;limit=50&amp;option=com_search" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Joséphine Muller</a>: A Kind Of</em> (unpublished)</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="top">2008</td>
<td align="left" valign="top"></td>
<td align="left" valign="top"><em><a href="index.php?searchword=produ%C3%A7%C3%B5es+ganza&amp;ordering=&amp;searchphrase=all&amp;Itemid=1&amp;option=com_search" target="_blank" rel="noopener noreferrer">producões Ganza</a></em>: <em><a href="http://omnicorn.com/vortex/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Vortex08</a></em> at Casa-Viva, Oporto<br />
<em><a href="http://omnicorn.com/sexonsaturday" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Sex On Saturday</a>: </em>concert at Casa-Viva, Oporto<br />
<em><a href="index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=94;sex-on-saturday-full-of-void-the-movie&amp;catid=76;pg-motion&amp;Itemid=234" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Sex On Saturday</a></em><a href="index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=94;sex-on-saturday-full-of-void-the-movie&amp;catid=76;pg-motion&amp;Itemid=234">:<em> Full Of Void</em></a> (sound &amp; <em>movie</em>)<br />
<em><a href="index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=68;offb005-la-main-traumatique-loeil-interne-et-lapparition-du-soleil&amp;catid=55;releases&amp;Itemid=225" target="_blank" rel="noopener noreferrer">La Main Traumatique: L´Oeil Interne et L’Apparition du Soleil</a></em></td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="top">2009</td>
<td align="left" valign="top"></td>
<td align="left" valign="top"><em><a href="http://astrangerparadise.com/releases/offb009-empathy-kills-fade-out" target="_blank" rel="noopener noreferrer">EMPATHY KILLS</a></em><a href="http://astrangerparadise.com/releases/offb009-empathy-kills-fade-out">: <em>Fade out</em></a> (sound &amp; <em>movie</em>)<br />
<em><a href="index.php?searchword=Jos%C3%A9phine+Muller&amp;ordering=newest&amp;searchphrase=all&amp;limit=50&amp;option=com_search" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Joséphine Muller</a></em>: <em>Je me souviens du Brésil</em> (unpublished)</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p><a name="#fq"></a>Francisco Q</p>
<table border="0" width="703">
<tbody>
<tr>
<td align="left" valign="top" width="57">1973</td>
<td align="left" valign="top" width="10"></td>
<td align="left" valign="top" width="622">Birth</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="top">1985</td>
<td align="left" valign="top"></td>
<td align="left" valign="top">Flute, violin, Classical Music &amp; Mestre José Armindo until 1991</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="top">1988</td>
<td align="left" valign="top"></td>
<td align="left" valign="top">Automatic writings. Pseudonyms: <em>Vladimir Grabchenkov</em>, <em>Sandrinna’s</em></td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="top">1991</td>
<td align="left" valign="top"></td>
<td align="left" valign="top"><em><a href="index.php?searchword=Airf+Auga&amp;ordering=newest&amp;searchphrase=all&amp;option=com_search" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Airf’Auga</a></em> &amp; sound. First recordings with Luis Vale and António Correia</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="top">1992</td>
<td align="left" valign="top"></td>
<td align="left" valign="top"><em><a href="index.php?searchword=produ%C3%A7%C3%B5es+ganza&amp;ordering=&amp;searchphrase=all&amp;Itemid=1&amp;option=com_search" target="_blank" rel="noopener noreferrer">producões Ganza</a></em> and the tape <em>A Portuguese Prayer (for Telma), one copy, given</em><br />
Automatic writings &amp; <em>Francisco Orgia</em>.<br />
<em><a href="index.php?searchword=Airf+Auga&amp;ordering=newest&amp;searchphrase=all&amp;option=com_search" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Airf’Auga</a></em>: recordings with Zombie &amp; others, until 1995</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="top">1993</td>
<td align="left" valign="top"></td>
<td align="left" valign="top"><em><a href="index.php?searchword=borgia+ginz&amp;ordering=&amp;searchphrase=all&amp;Itemid=1&amp;option=com_search" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Bórgia Ginz</a></em> writes, and creates <em><a href="index.php?searchword=juca+pimentel&amp;ordering=&amp;searchphrase=all&amp;Itemid=1&amp;option=com_search" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Juca Pimentel</a></em></p>
<p><em><a href="index.php?searchword=olof+nine&amp;ordering=newest&amp;searchphrase=all&amp;limit=50&amp;option=com_search" target="_blank" rel="noopener noreferrer">OLoF NiNe</a> &amp; <a href="index.php?searchword=Ian+Linter&amp;ordering=&amp;searchphrase=all&amp;Itemid=1&amp;option=com_search" target="_blank" rel="noopener noreferrer">|Ian Linter|</a></em>. Tape: <em>ON</em></td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="top">1994</td>
<td align="left" valign="top"></td>
<td align="left" valign="top"><em><a href="index.php?searchword=olof+nine&amp;ordering=newest&amp;searchphrase=all&amp;limit=50&amp;option=com_search" target="_blank" rel="noopener noreferrer">OLoF NiNe</a><a href="index.php?option=com_content&amp;view=category&amp;layout=blog&amp;id=68&amp;Itemid=228"> &amp; </a><a href="index.php?searchword=Ian+Linter&amp;ordering=&amp;searchphrase=all&amp;Itemid=1&amp;option=com_search" target="_blank" rel="noopener noreferrer">|Ian Linter|</a><a href="index.php?option=com_content&amp;view=category&amp;layout=blog&amp;id=68&amp;Itemid=228">. Tape: </a><a href="http://omnicorn.com/olofnine/exp1/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">EXP1</a></em></p>
<p><em><a href="index.php?option=com_content&amp;view=category&amp;layout=blog&amp;id=68&amp;Itemid=228">Airf’Auga 1</a></em></td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="top">1995</td>
<td align="left" valign="top"></td>
<td align="left" valign="top"><em><a href="index.php?searchword=borgia+ginz&amp;ordering=&amp;searchphrase=all&amp;Itemid=1&amp;option=com_search" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Bórgia Ginz</a>:</em> <em>A Pele</em>, drama in three acts &amp; one copy, given</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="top">1996</td>
<td align="left" valign="top"></td>
<td align="left" valign="top">GRETUA, experimental theater group.</p>
<p><em>Performance O enforcado</em></p>
<p><em>Performance Dr Ben</em>way</p>
<p>Actor in <em>Fábula das Fábulas</em> (Vicente Sanches), directed by Mário Montenegro</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="top">1997</td>
<td align="left" valign="top"></td>
<td align="left" valign="top">Actor in <em>Nunca Sempre</em> (Almada Negreiros) , directed by João Tedim.<br />
Actor in <em>Uma Cerveja no Inferno</em> (Mário Cesariny/Arthur Rimbaud), directed by Pedro Laranjo<br />
New <a href="index.php?searchword=Airf+Auga&amp;ordering=newest&amp;searchphrase=all&amp;option=com_search" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Airf’Auga</a> recordings</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="top">1998</td>
<td align="left" valign="top"></td>
<td align="left" valign="top"><em><a href="index.php?searchword=juca+pimentel&amp;ordering=&amp;searchphrase=all&amp;Itemid=1&amp;option=com_search" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Juca Pimentel</a></em> creates and directs <em><a href="http://astrangerparadise.com/pg-motion/juca-pimentel-inst-voidtzen" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Inst Vöid’Tzen</a></em><br />
<em><a href="index.php?searchword=olof+nine&amp;ordering=newest&amp;searchphrase=all&amp;limit=50&amp;option=com_search" target="_blank" rel="noopener noreferrer">OLoF NiNe</a></em> records <em><a href="http://omnicorn.com/olofnine/fist/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Fist</a>. </em>More<em> <a href="index.php?searchword=Airf+Auga&amp;ordering=newest&amp;searchphrase=all&amp;option=com_search" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Airf’Auga</a></em> tapes<br />
<em><a href="index.php?searchword=juca+pimentel&amp;ordering=&amp;searchphrase=all&amp;Itemid=1&amp;option=com_search" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Juca Pimentel</a>: Guitar sessions</em></td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="top">1999</td>
<td align="left" valign="top"></td>
<td align="left" valign="top"><em><a href="//omnicorn.com/olofnine/instvoidtzen" target="_blank" rel="noopener noreferrer">OLoF NiNe</a></em><a href="tp://omnicorn.com/olofnine/instvoidtzen"> &#8211; <em>Inst Vöid’Tzen I</em></a><em>, II, &amp;III</em><br />
<em><a href="index.php?searchword=juca+pimentel&amp;ordering=&amp;searchphrase=all&amp;Itemid=1&amp;option=com_search" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Juca Pimentel</a>: Direct Movies </em>and other things<br />
<em><a href="index.php?option=com_content&amp;view=category&amp;layout=blog&amp;id=75&amp;Itemid=230" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Airf’Auga 2</a> &amp; 3.</em></td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="top">2000</td>
<td align="left" valign="top"></td>
<td align="left" valign="top"><em><a href="index.php?searchword=olof+nine&amp;ordering=newest&amp;searchphrase=all&amp;limit=50&amp;option=com_search" target="_blank" rel="noopener noreferrer">OLoF NiNe</a></em>&lsquo;s concert at Sentidos Grátis, Oporto</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="top">2001</td>
<td align="left" valign="top"></td>
<td align="left" valign="top"><em><a href="http://omnicorn.com/olofnine/dancingdays" target="_blank" rel="noopener noreferrer">OLoF NiNe : Dancing Days</a>/TEK NO</em><br />
<em><a href="http://omnicorn.com/rtp/jae" target="_blank" rel="noopener noreferrer">RTP: JAE</a></em><br />
<em><a href="http://omnicorn.com/jp/casiosa5" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Juca Pimentel </a></em><a href="http://omnicorn.com/jp/casiosa5">:<em>Casio SA-5</em></a></td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="top">2002</td>
<td align="left" valign="top"></td>
<td align="left" valign="top"><em><a href="http://omnicorn.com/olofnine/somesuicide/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">OLoF NiNe: Some Suicide</a></em></td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="top">2003</td>
<td align="left" valign="top"></td>
<td align="left" valign="top"><em><a href="http://omnicorn.com/mots/index.php#AirfAuga4" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Airf’Auga 4</a></em></td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="top">2004</td>
<td align="left" valign="top"></td>
<td align="left" valign="top"><em><a href="http://omnicorn.com/zvoid/kum/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">ZVoid (Trash is my heart): Kum</a></em></td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="top">2005</td>
<td align="left" valign="top"></td>
<td align="left" valign="top"><em><a href="http://omnicorn.com/olofnine/fuckyouredead/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">OLoF NiNe: Fuck, You&rsquo;re Dead</a></em><br />
<em><a href="http://omnicorn.com/olofnine/chateaurouge/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">OLoF NiNe</a></em><a href="http://omnicorn.com/olofnine/chateaurouge/">:<em> Château Rouge</em></a><em>, </em>concert at L’Omadis, Paris<br />
<em><a href="index.php?searchword=Ian+Linter&amp;ordering=&amp;searchphrase=all&amp;Itemid=1&amp;option=com_search" target="_blank" rel="noopener noreferrer">|Ian Linter|</a>: LOPKOLKILLSAF</em>, video</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="top">2006</td>
<td align="left" valign="top"></td>
<td align="left" valign="top"><em><a href="http://omnicorn.com/act9/cloud/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">ACT9: Cloud</a></em></td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="top">2007</td>
<td align="left" valign="top"></td>
<td align="left" valign="top"><em><a href="http://omnicorn.com/act9/lemiroir/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">ACT9: Le Miroir</a>, </em>concert at Le Miroir, Paris<br />
<em><a href="http://astrangerparadise.com/strange-frequencies/post-pgt-15-2" target="_blank" rel="noopener noreferrer">pG Transmissions</a></em>, live concerts in streaming</td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="top">2008</td>
<td align="left" valign="top"></td>
<td align="left" valign="top"><em><a href="index.php?searchword=produ%C3%A7%C3%B5es+ganza&amp;ordering=&amp;searchphrase=all&amp;Itemid=1&amp;option=com_search" target="_blank" rel="noopener noreferrer">produções Ganza</a> : <a href="http://omnicorn.com/vortex/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Vortex08</a> at Casa-Viva, Oporto</em><br />
<em><a href="http://omnicorn.com/olofnine/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">OLoF NiNe</a>, </em>concert at Casa-Viva, Oporto<br />
<em><a href="index.php?searchword=act9&amp;ordering=&amp;searchphrase=all&amp;Itemid=1&amp;option=com_search" target="_blank" rel="noopener noreferrer">ACT9</a>, </em>concert at Casa-Viva, Oporto<br />
<em><a href="http://offbruma.net">OFF/BRUMA</a></em><a href="index.php?option=com_content&amp;view=section&amp;layout=blog&amp;id=7&amp;Itemid=225" target="_blank" rel="noopener noreferrer"> net.video.label</a><br />
<em><a href="http://www.myspace.com/massacredivinoii" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Massacre Divino</a> : Nix Khaos, The womb of darkness &amp; Agarez-Arnal</em><br />
<em><a href="http://www.myspace.com/massacredivinoii" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Massacre Divino</a>: </em>concert at Fábrica de Som, Oporto<br />
<em><a href="index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=64;offb001-plasma-digital&amp;catid=55;releases&amp;Itemid=225" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Plasma : Digital</a></em><br />
<em><a href="releases/offb002-is-kya-vutszen" target="_blank" rel="noopener noreferrer">IS KYA &#8211; Vütszen</a></em><br />
<em><a href="http://www.myspace.com/jucapimentel" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Juca Pimentel : O quadrado Plasmático, Regressão Geométrica</a></em><br />
<em><a href="index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=68;offb005-la-main-traumatique-loeil-interne-et-lapparition-du-soleil&amp;catid=55;releases&amp;Itemid=225" target="_blank" rel="noopener noreferrer">La Main Traumatique: L´Oeil Interne et L’Apparition du Soleil</a></em><br />
<em><a href="http://omnicorn.com/rtp/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">RTP</a> : <a href="http://astrangerparadise.com/musis/rtp-bcp" target="_blank" rel="noopener noreferrer">BCP</a></em></td>
</tr>
<tr>
<td align="left" valign="top">2009</td>
<td align="left" valign="top"></td>
<td align="left" valign="top"><a href="index.php?searchword=Ian+Linter&amp;ordering=&amp;searchphrase=all&amp;Itemid=1&amp;option=com_search" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><em>|Ian Linter|</em></a>: Live concert at <a href="http://leplacard.org/2009/Au%20Vaisseau/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Le Placard</a> (Le Vaisseau)<br />
<a href="index.php?searchword=Ian+Linter&amp;ordering=&amp;searchphrase=all&amp;Itemid=1&amp;option=com_search" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><em>|Ian Linter|</em></a>:<em> <a href="http://astrangerparadise.com/releases/offb010-ian-linter-kuma" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Kuma</a></em></td>
</tr>
</tbody>
</table>
</div>

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		<title>Contos Normais, por Bórgia Ginz</title>
		<link>https://astrangerparadise.com/contos-normais-por-borgia-ginz</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Bórgia Ginz]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 24 Oct 2020 07:46:14 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Airf'Auga 4]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Acordei tarde. Abri a portada de madeira da janela do meu quarto e vi como a noite se aproximava: mais alguns minutos e nada mais haveria do que a própria escuridão. Um sono fácil ter-me-ia rapidamente feito tombar por sobre a cama de lençóis desfeitos, mas quis ver até que ponto ainda dominava os meus músculos, e em verdadeiro esforço dirigi-me até à sala e retirei o maço de tabaco do bolso do casaco.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<div class="qt-vc-row-container"><div class="vc_row wpb_row vc_row-kentha"><div class="wpb_column vc_column_container vc_col-sm-12"><div class="vc_column-inner"><div class="wpb_wrapper">
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<h2>Sonâmbulos</h2>
<p>Acordei tarde. Abri a portada de madeira da janela do meu quarto e vi como a noite se aproximava: mais alguns minutos e nada mais haveria do que a própria escuridão. Um sono fácil ter-me-ia rapidamente feito tombar por sobre a cama de lençóis desfeitos, mas quis ver até que ponto ainda dominava os meus músculos, e em verdadeiro esforço dirigi-me até à sala e retirei o maço de tabaco do bolso do casaco. Nada era para mim mais importante, naquele instante, do que levar o cigarro aos lábios e acendê-lo, até me envolver todo de fumo cinzento que por certo me afagaria a face ensonada. O rádio estava ligado. Mas não ouvia som algum. Dir-se-ia que todo eu repousava no mais inerte dos pântanos, amenamente frouxo. Regressei ao quarto e tirei do guarda-fatos um par de calças. Como elas pesavam! Senti os dedos, todos enclavinhados naquele tecido poeirento, a rangerem como guizos ferrugentos, entorpecidos. Sentei-me na borda da cama e fiquei a olhar as manchas de humidade nas paredes do quarto. Os ombros dobrados, voltados sobre si mesmos, como se fossem peças defeituosas de uma máquina qualquer, pareciam querer deitar por terra todo o meu corpo mole e doentio, até tudo perder o seu significado e eu fechar-me no aconchego da minha própria solidão. O meu vazio não tinha matéria: perdia-se a vontade no sono da carne.Quando saí já a noite tinha inundado toda a cidade naquela ausência de luz que ilumina todas as coisas de uma forma mais pura. Caminhava pelo passeio, meio encostada às paredes dos edifícios, como se me precavesse de uma qualquer recaída que me fizesse desfalecer e cair. Os meus olhos perscrutavam em redor. Mas não viam nada. Toda eu repousava no mais inerte dos pântanos, completamente frouxa. Mas continuei, convencida de que estava a caminho. Observei as montras iluminadas em meu redor, cheias de luz a fazer-me cerrar os olhos e repletas de coisas inúteis que toda a gente vê mas realmente ninguém quer comprar. Apressei o passo. Senti-me impelida para a frente, em direcção a um desconhecido, tão desconhecido que no entanto eu sabia tão bem todos os seus contornos, a ponto de o ver bem à frente dos meus olhos. Gritei com todas as minhas forças; um grito sujo, imundo. Mas ninguém o chegou a ouvir: a voz entalou-se-me nos dentes, e dei comigo parada no meio do passeio, com a boca meio escancarada, asfixiada, desfeita pela angústia. Não! Não voltaria àquele sítio de maneira alguma. Não quero! Senti o quão baixo tinha descido, mas vi bem também como o meu sonho voltava a adocicar-me a língua com uma vontade tão livre que me senti forte, magnânime, única. Andei durante alguns minutos, pausadamente, desfrutando uma sensação que há muito me deixara. Até que me encontrei mesmo em frente àquilo que mais temia. A porta erguia-se alta e direita. Foi quando me apercebi que o grito estava sujo&#8230; de sexo.</p>
<p>Peguei no auscultador do telefone e lentamente comecei a marcar o número. Esperei alguns segundos. O sinal de chamada parecia-me distante, exageradamente longínquo, como se eu não estivesse ali; nem eu, nem o telefone, nem o mundo.<br />
&#8211; Estou&#8230;, fez-se ouvir uma voz.<br />
&#8211; Sou eu, repliquei, já pensava que não estavas.<br />
&#8211; Não. Acordei há pouco e estava no quarto.<br />
Peguei no telefone e aproximei-me da janela do meu sétimo andar, donde fique a observar as pequenas pessoas parecendo-me tão insignificantes, tão sem sentido.<br />
&#8211; Também me levantei tarde. Hoje foi horrível. Ela não estava de acordo com nada do que lhe dizia. Discutimos muito.<br />
&#8211; Vocês não podem continuar com essas coisas, interrompeu ele. A continuar assim prefiro nem me levantar.<br />
&#8211; Eu já não controlo muito bem a situação. Bem vês, ela é minha mulher, só que&#8230; ela revolta-se demasiado.<br />
&#8211; Compreendo&#8230; Quer dizer, não compreendo nada: eu já não lhe interesso?<br />
&#8211; Sim, penso que sim. A situação é que a aborrece, e sabes como a noite apesar de tudo a impressiona.<br />
&#8211; Mas ela vem ou não vem?<br />
&#8211; Sinceramente não sei. Penso que sim. Provavelmente passará&#8230;<br />
&#8211; Espera, estão a tocar, vou ver quem é&#8230;<br />
&#8211; Depois volto a ligar. Adeus.<br />
Ele desligou o telefone, ao que logo o segui. Voltei para a cama.</p>
<p>Ali estava ela. E eu continuava com a mesma sensação de dispersão, de ausência, parecendo mesmo que ela própria aumentava todo o meu mal estar. Olhei-a nos olhos e no entanto foi como se não a visse de todo, pois ela confundia-se com a minha própria sombra reflectida na parede. Quis dizer-lhe como gostava que ela estivesse ali, como tinha esperado todo o dia que ela aparecesse, mas não era verdade, e a cama ainda desfeita parecia não me deixar mentir. Ela disse qualquer coisa a que não liguei. O que teria sido: um cumprimento, um adeus? Sentei-me na poltrona e ali fiquei a olhar para ela, com o cigarro meio fumado entalado entre os dentes, com as pernas cruzadas em gesto de fuga. E foi então ela falou e eu ouvi tudo. «Olha, eu quero-te, todas as noites, noite após noite, sempre mais e mais, só que&#8230; eu não sou apenas um corpo, sinto as coisas quentes demais&#8230;» Não quis ouvir mais nada. Levantei-me, com as mãos trémulas cerrei as cortinas da janela do quarto, dirigi-me para a cama e sussurrei: «Despe-te&#8230;» Ela hesitou, e ali ficou com os braços pendentes como moribundos, semelhantes a corpos executados. O quarto estava agora cheio de um barulho ensurdecedor, vindo de todos os lados, dos locais mais escondidos e inalcançáveis. Eu não compreendia a origem de tanto ruído. Tinha desligado o rádio e de fora não vinha som nenhum pois a janela estava bem fechada. Num relance percebi a origem de tanto barulho: era ela que me dizia qualquer coisa. «Não faças isso, não assim, tenho medo de estar aqui contigo, de noite, só contigo. Eu quero estar contigo, mas de noite&#8230; também quero estar com ele, vocês&#8230;» A minha cabeça latejava, possessa de um silvo agudo nauseante. Senti-me submergir nas águas lodosas de um pântano, totalmente frouxo. Consegui chegar à sala. Levantei o auscultador do telefone e lentamente comecei a marcar o número.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2>O equívoco</h2>
<p>Ali estava eu. Ofegante e completamente afundado na enorme poltrona do quarto encoberto em penumbra. O corpo dela jazia infielmente naquele pedaço torpe e cruel de mim, no meio do torpor obsceno dos lençóis em desalinho. Um fio de sangue sulcava a sua face esquerda, parecendo antes um golpe suave de baton que uma mão nervosa fizera perturbar a brancura da pele. Matei-a. Mas tive um bom motivo. Matei-a antes que ela me matasse a mim.<br />
Nunca a amei de verdade. Era sempre ela que exigia uma certa auréola de maravilhoso a inundar a nossa relação, os nossos passeios, os nossos beijos supostamente inflamados. E eu olhava para ela e fixava os seus dois olhos asfixiados de tanta paixão, que não me restava outra hipótese que não a de tentar um amor que eu sabia impossível. No fundo, ela era uma mulher adorável que muito dificilmente eu conseguiria magoar. Tinha passado um ano desde o primeiro dia em que a vi, totalmente encharcada no meio do passeio a olhar o céu enegrecido, enquanto à sua volta uma multidão de pessoas se acotovelava para tentar fugir à bátega de água que se abatera subitamente sobre a cidade. Também eu não tentara fugir, de maneira que em breves segundos apenas eu e ela ficáramos ali, sem nada para dizermos um ao outro, mas felizes por não estarmos sós. Quando nos apercebemos estávamos os dois bem agasalhados a beber uns cálices de Porto, no aconchego do meu sótão. Descobri que ela estudava Ciências Biomédicas, no instituto superior da cidade, e que falava fluentemente francês. Não foi difícil combinarmos um encontro, delicioso, que tornou fácil um ainda outro encontro, e mais outro, e mais outro&#8230; O tempo passou e agora vivíamos num apartamentozinho que alugáramos. Não posso precisar como tudo se começou a precipitar. Apenas sei que um dia ela chegou ao pé de mim e me perguntou se poderia ir a uma festa com umas amigas. Eu conhecia todas as suas amigas, o que me fez achar a ideia interessante, pois já não era a primeira vez que fazíamos uma farra juntos. “Gostaria de ir sozinha!” Mas claro! Que ideia a minha! Era óbvio que ela pretendia ir sozinha!. Só que eu, no meio do mais estranho torpor, tinha partido do princípio que estava incluído nos seus planos. “Claro! Claro!&#8230;” Nessa noite não me senti na melhor das disposições, pelo que afastei a ideia de sair também. Tentei ouvir uns velhos discos que me pareceram extremamente enfadonhos. Não tardou a aparecer uma ligeira dor de cabeça. Tentei ler uns quantos livros que também não me interessaram por aí além. Sentia uma enorme náusea a percorrer-me o corpo; algo que me fazia tremer as mãos de uma maneira inconcebível, diabólica. Deitei-me na cama, onde permaneci durante horas, tempo em que não parei de me revirar de um para o outro lado, envolvido pela imensa escuridão do quarto que me apertava o peito. Não parava de pensar nela. O medo daquela solidão era bem mais forte do que o desejo de estar só. Não conseguia parar de pensar que fora derrotado por qualquer coisa que desconhecia, algo que tinha uns contornos completamente indefinidos, abstractos. E era exactamente o facto de não saber o porquê do meu choro que me confundia, ao ponto de me atormentar até aos cabelos. Tive que me levantar. E foi assim que saí. Tinha por todos os meios de encontrar uma paz que se me escapava. Talvez o frio da noite me restituísse o semblante ameno e calmo. Andei durante algumas horas, em que fui fumando os cigarros uns atrás dos outros, pois a caixa de fósforos tinha chegado ao fim. As minhas mãos pareciam possessas, dominadas por uma força, um nervosismo que não conseguia controlar. Tremia de frio. Ao longe vagueavam uns quantos bêbados, completamente embrenhados na sua loucura gratuita, alcoólica. Pensei que um copo me iria aquecer. Talvez o calor de um bar me confortasse por alguns instantes. Entrei no primeiro que encontrei. Encarei com dificuldade o tipo que estava à porta; ele olhou-me de cima da escada, e não sei porquê senti-me imensamente culpado, como se não tivesse o mínimo direito de entrar ali. Eu era um desesperado. Lembrei-me que já tinha estado ali, uma noite, com ela. A recordação bateu-me forte, atingindo-me bem dentro do crânio, e o mal estar chegou célere, sob a forma de um enjoo violento. Dirigi-me ao balcão e pedi um bock. Não foi preciso muito tempo para que me pusesse a olhar em redor, num verdadeiro esforço de a antever. É que tinha colocado desde logo a possibilidade de ela estar ali! Percebi então que não entrara naquele lugar, não tinha saído de casa e ido até ali por mero acaso. Vilmente, estupidamente, eu procurava-a! Acabei por vaguear pela cidade durante a noite inteira. Quando cheguei a casa amanhecia. Abri a porta muito devagar. Ela dormia, muito suavemente, completamente estendida na nossa enorme cama de casal.<br />
Essa noite foi o início do meu declínio. Um declínio lento, muito lento, mas inevitável. Até que comecei a ver aquela mulher a assustar-me enquanto progredia nas suas pequenas coisas e todas elas me transmitiam o desengano do sentir. Os pequenos gestos começavam agora a tornar-se grandes afrontas, e tudo sempre em espiral, a crescer enquanto observava o tomar do café, ou o erguer da perna para a suave entrada no autocarro. Deitava-me sempre consciente do touro que se espreguiçava à minha volta, por todos os lados, que me lambia os cotos muito lentamente, com sevícias de puta rebuscada, longa, toda empanturrada na sua prolongação, no vício fremente de desavergonhada. E todas as noites comigo! De dia, perseguia-a. Mas de noite ela estava sempre comigo. E eu pus-me louco, até tudo sentir na espinha do meu cérebro, até a confusão começar a degradar-me o raciocínio e a acção. Entrara no labirinto do não-ser. Aniquilava-me. Até que tudo acabou na ponta de uma faca.<br />
Foi só isso que aconteceu. E ali estava eu, sentado na grande poltrona. Levantei-me. Movimentei-me com dificuldade, a penumbra não me deixava reorganizar a ideia que tinha sobre o que acontecera ali, e com o mínimo cuidado saí.<br />
Dei uns passos pela rua. A noite já tinha chegado há muito, pelo que não foi difícil ocultar-me dos olhos acusadores das pessoas. Também elas me exigiam razões. Mas ao mesmo tempo tudo me aparecia irrisório, cruelmente banal. Via agora como a realidade chegava até mim de uma maneira enganosa, sem propósitos de veracidade, como a fazer-me sentir culpado por ser eu e não outra pessoa. Olhei em redor, enquanto acariciava a faca ainda bem quente nos bolsos húmidos de sangue, no intuito de encontrar um rumo preciso por entre as pessoas, mas em vão: continuava tão indeciso como antes. Decidi entrar num café. Pedi café. A empregada sorriu-me, possivelmente como costuma sorrir a todos os clientes que entram, mas eu não era um cliente qualquer, e a sua face colou-se imediatamente à face de Ana, toda ali, sem sentido. Arrependi-me de ter entrado; afinal ainda não estava preparado para enfrentar a expressão das pessoas. O aspecto do líquido negro e quente que fumegava à minha frente não me agradava de maneira alguma, parecia-me exageradamente viscoso, e desejei com todas as forças que contivesse um veneno qualquer que me fizesse alhear de tudo, finalmente. Tomei o café. Por sinal até me soube bastante bem.<br />
Quando saí estava possuído da mais pura angústia. No lugar do meu peito havia agora um imenso buraco, não um buraco vazio, mas um extremamente pesado, denso, como se tratasse antes de uma bola de chumbo aquecida ao rubro. As pernas estavam sólidas, petrificadas. Se espetasse uma agulha nos meus músculos decerto não sentiria nada. Era o fim.<br />
Um indivíduo aproximou-se e pediu-me lume. Mal lhe via a cara, toda ela tapada pela mão que empunhava o cigarro nú e expectante. Procurei nos bolsos a caixa dos fósforos. Durante bastante tempo; os bolsos pareciam-me poços sem fundo. Acabei por encontrar a caixa e estendi-a ao homem. Foi a surpresa. Eu estava louco! Na minha mão estava agora a faca, reluzente, com algumas pingas de sangue a caírem por sobre o cigarro. Não acreditei no que vi e fechei os olhos, à espera da algazarra que se iria dar. Na minha cabeça um martelo fazia estalar os nervos como se estes fossem um sino de igreja. Esperei, sentindo já os braços vigorosos das pessoas que me iriam aprisionar. Mas nada aconteceu. Apenas ouvi um “Muito obrigado!”. Quando abri os olhos já o homem se tinha embrenhado na noite, completamente encoberto por uma névoa de fumo de tabaco.</p>
<p>Depois dessa noite, acabei por vê-la umas duas vezes mais, até que partiu para Madrid. Demorei algum tempo a aceitar a ideia de que ela me tinha trocado por outro.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2>Simplesmente calmo</h2>
<p>Pedi o café. Sentei-me à mesa do fundo, no tasco, e esperei que ele chegasse. Era já a segunda vez que repetia esta acção automatizada nas últimas duas horas. Em diferentes sítios, com diferentes desconhecidos ao balcão a falarem enquanto comiam. Só que desta vez andei mais tempo pelas ruas à procura de um local agradável, percorri mais vielas e ruas desta cidade que eu conheço tão bem e que afinal nada me diz porque ainda procuro um novo local onde possa tomar o meu cafezinho sossegado. Por isto e por aquilo tudo sentime ligeiramente cansado. Depois de uma pastelaria, lógica me parecera a entrada naquela taberna, como encadeamento inevitável da queda de um homem que se sente sempre calmo demais. Sim. Porque tomo café, várias vezes ao dia, para ver se me enervo com qualquer coisa. Dizem que o café aguça os sentidos, põe os nervos em sobressalto. Vai daí, peço sempre um café de todas as vezes que saio à rua. Não posso afirmar seguramente quando foi que tomei este hábito como meu, certo é que já lá vão alguns anos. Remonta aos tempos em que ainda tinha vida, mulher em casa, casa onde viver, com televisão e radiofonia e esquentador para a água quente do banho. Mais precisamente tudo terá começado nos últimos tempos dessa minha existência pacífica e integrada. Devo até dizer que nunca fora grande apreciador de café, nunca o seu sabor amargo e torrado me parecera agradável. Mas agora, permaneço horas no café, a olhar para os outros enquanto me tento enervar.<br />
Sempre fui muito calmo. Tentem lembrar-se de alguém conhecido vosso que seja extremamente calmo e imaginem que eu consigo ser ainda mais calmo do que ele. Esse problema sempre se revelou pernicioso durante a minha vida, na escola e mais tarde no trabalho, tanto que sempre foi encarado pelos outros como se de indiferença se tratasse. E isso não, indiferente é que não sou. Nunca o fui e nunca o serei, e desafio quem quer que seja para que venha dizer o contrário! Sempre cumpri o meu dever, e posso assegurar, coisa que muito boa gente não pode, que até o cumpri em demasia. A chatice vem de as pessoas nunca saberem o que se passa na cabeça dos outros. Não fosse isso e não me avaliariam tão ao de leve.<br />
Mas estou-me a afastar do caso. O facto é que não estava ali apenas porque queria tomar café. Havia algo mais. Uma pessoa que eu perseguia há algumas horas e que entrara à minha frente tanto na pastelaria como no café, e das mesmas vezes pedira café, tal como eu. Era um homem de meia idade. Trazia vestido um sobretudo azul, e para proteger o pescoço do frio, um cachecol por sobre os ombros largos. Estatura mediana, cabelos desgrenhados e barba de vários dias. Vi-o pela primeira vez quando deixei o meu prédio, depois do almoço, quando me preparava para iniciar o meu habitual passeio da tarde. Seguia calmamente rua abaixo, com os olhos postos no chão do passeio, entretido com as suas divagações, apenas levantando o olhar para se desviar das pessoas. Foi numa dessas vezes que o seu olhar se cruzou com o meu. Esse instante não durou mais do que um segundo, pois logo ele se apressou a retomar o passo de olhos cabisbaixos, naturalmente. Segui-o. Não sei porquê, nada nele fugia da normalidade, no entanto não demorei muito a tomar a resolução de ir no seu encalço sem contudo me aproximar demasiado. Nada de grave, tendo em conta que não tinha rigorosamente nada para fazer.<br />
Após alguns metros, depois de virar uma esquina, segui-o pela rua que leva ao Estádio de Futebol, que contemplou durante longo tempo. Começava eu a sentir o efeito da falta do café, pois a primeira coisa que normalmente faço mal saio de casa é ir ao cafezinho da frente e pedir um café duplo sem açúcar. Estava já pronto a avançar para a pastelaria que havia do outro lado da rua quando ele, antecipando-se lestamente, apressou o passo e ele mesmo atravessou a rua, muito<br />
habilmente, por entre os carros, atingindo o outro lado. Entrou, e dirigindo-se ao balcão pediu qualquer coisa. O empregado trouxe-lhe um café. Entrei também, um bocado surpreendido com a evidência de ambos termos tido o mesmo impulso. Sentei-me na mesa que melhor me permitia observar os gestos do indivíduo, e esperei que o empregado atendesse o meu pedido. Tomei o café, ainda mais lentamente do que ele, permitindo-me estar ocupado enquanto ele pagava e se preparava para sair, coisa que fez logo a seguir. Deixei o dinheiro encima da mesa e saí para a rua quando ele já quase desaparecia por entre as pessoas que na altura enchiam os passeios. Mas não foi muito difícil alcançá-lo, pois ele caminhava realmente muito lentamente. Como se de calma fossem feitos todos os seus membros. O cachecol caia-lhe pelos ombros como se estivesse colado ao sobretudo, parecendo que sempre estivera ali, fazendo já parte integrante de todo o conjunto que representava o homem. Ele não parecia ter um rumo certo, caminhando ao acaso por entre as pessoas. Contudo, os seus passos eram determinados, e pareceu-me até ver os seus punhos crisparem-se a tempos, principalmente quando alguém mais distraído não o evitava e chocava com ele. Segui-o durante cerca de uma hora, sempre a uma distância razoável que me permitia não ser descoberto, e lentamente fomos abandonando a parte mais movimentada da cidade, vendo-se agora apenas alguns transeuntes que se entretinham a contemplar algumas lojas de vestuário e sapatarias. A dado momento o homem estacou. Do utro lado da rua caminhava uma senhora de idade de mão dada com um rapazinho novo, provavelmente<br />
seu neto, que ia ouvindo com impaciência o que a velha senhora lhe dizia. Tratava-se de um raspanete relacionado com a escola. Notei que o meu homem se esforçava por ouvir a conversa. A dada altura o jovem começou a rir e a fazer caretas, o que lhe valeu de imediato um estrondoso estalo nas faces coradas. No preciso momento em que a mão enrugada da velha cortou o ar e atingiu o objectivo, a sua expressão abriuse num esgar de ódio incrível. Quando reparei no homem estava ele encostado ao muro e ria-se. Parecia agradado com o que via. Metendo as mãos nos bolsos entrou de imediato num café que ficava mesmo ali ao lado. Entrei também logo após alguns instantes.<br />
E ali estava eu. Confortávelmente sentado num velho banco de madeira. O homem estava sentado também, a uma distância de três mesas da minha, mesmo em frente a mim. Tomava lentamente o seu café, erguendo suavemente a chávena à altura dos lábios entreabertos e corados. Na mão esquerda, pendente, segurava um cigarro aceso que ia fumando entre os sucessivos e breves goles. Que raio de maneira de se tomar um café! Um café deve-se tomar de um só fôlego, de rompante, de modo a provocar no estômago aquela sensação de explosão que nos faz sentir ligeiramente leves e pesados ao mesmo tempo. Aquele tipo não, fazia-lo como se fosse a última coisa, a mais preciosa coisa que fizesse na sua vida. Tanta calma<br />
era deveras irritante, posso garanti-lo. Quase fiquei com vontade de me levantar e interpelar o sujeito, de forma a abaná-lo ao ponto de lhe revelar algum instinto mais violento. Olhei para o relógio. Já lá iam uns quantos minutos nesta extravagância. Decidi acender um cigarro, e embora já tivesse tomado o meu café há muito, comecei a imitá-lo, levando a chávena por várias vezes aos lábios, fazendo de conta que esta ainda estava cheia. Por momentos pareceu que<br />
ambos tínhamos ensaiado a mesma coreografia. Que ridículo! Olhei-o bem nos olhos e esperei uma qualquer reacção. E eis que os seus lábios sujos de café se abrem num ligeiro sorriso de provocação. Ele estava mesmo a gozar comigo! Não era apenas uma questão de hábito, havia sem dúvida na sua maneira de proceder uma qualquer vontade de confrontação! Muito bem, de um pulo levantei-me e dirigi-me para ele; sem antes me ter lembrado de pousar a chávena desnecessária… A sua expressão em nada se alterou enquanto me aproximei. Quando fiquei a um passo dele estaquei e atirei-lhe:<br />
&#8211; Será que me posso sentar?<br />
&#8211; Claro!<br />
E ali ficou a olhar para mim. Sentei-me. Estava eu a maquinar a maneira como iria abordar a questão que me incomodava quando ele tem nada mais nada menos do que esta tirada espantosa.<br />
&#8211; Já pensava que não se decidia a vir.<br />
Acendi outro cigarro. O tipo ficou sem resposta durante algum tempo. Convenhamos que era uma situação um pouco delicada.<br />
&#8211; Normalmente, o meu tempo de reacção é proporcional á minha vontade de me mexer. Mas já que aqui estou, sempre lhe vou perguntando por que me motivo o senhor estava precisamente à minha espera. Penso não fazer parte do círculo das suas amizades.<br />
&#8211; É um facto. Mas faz parte, sem dúvida, do círculo dos meus iguais. E a tendência é esses iguais juntarem-se, de forma a poderem existir como individualidade. É incontestável que os mortos vão todos parar ao mesmo “sítio”.<br />
Perante esta frase respondi-lhe calmamente, pelo menos, aparentemente.<br />
&#8211; Bem gostaria de perceber o que é que o faz pensar que sou um igual a si. Não será um pouco de presunção e acima de tudo ignorância da sua parte?<br />
O indivíduo, sem tremer um pouco que fosse, respondeu prontamente.<br />
&#8211; Não. É uma questão de observação. Não pense que hoje só você foi o observador. Devo dizer-lhe que você foi não só também o observado, como foi mesmo o iludido. Você, ao pensar que me seguia, não passou de uma presa que vivia na ilusão da caça. Mas não se preocupe. Não passa de um jogo que me deleita sempre que estou aborrecido; e que no fundo, teve sem dúvida origem no momento em que me apercebi que era um ser nefastamente calmo, e me decidi a usar isso em meu proveito. O jogo é muito simples. Saio para a rua, e muito discretamente, sempre sem revelar os meus verdadeiros propósitos, começo por procurar indivíduos que eu perceba que estejam nas mesmas condições. Depois basta espicaçá-los, até que um de nós se enerve e desista. Até agora saí sempre vitorioso. Tal como hoje, pois o senhor foi o primeiro a desistir. O prazer que me invade nesses momentos de glória é inimaginável. Sinto-me nessas alturas o ser mais qualquer coisa se um grupo imenso de seres semelhantes. Deve perceber que mesmo do saber-se que se é o tipo mais odioso à face da Terra se retira grande prazer. Posso dizer que até hoje nunca encontrei alguém que fosse tão calmo como eu. E nesse sentido, posso considerar-me superior.<br />
Então sempre era verdade que aquele sujeito estivera a divertir-se à minha custa durante todo aquele tempo. Começava a sentir-me mesmo desconfortável. Ali estava mais um a considerar teorias e argumentos sobre a minha existência, sendo que não me conhecia rigorosamente de lado nenhum! E continuava…<br />
&#8211; Eh! Eh! Amigo, olhe que a loucura está mesmo aí! Quer dizer, não precisa de se lamentar por ter sido derrotado mesmo sem o saber. Deve pensar que há momentos desagradáveis e pessoas que se deleitam em os procriar, e aí, dei-lhe uma novidade: também não é na mediocridade que o senhor se salienta!<br />
Continuava sorridente, todo esticado na cadeira, cada vez mais inchado na sua magreza de réptil ou algo parecido. Pronunciava as palavras com aquela lentidão que se colara tão bem ao seu semblante quase mumificado, teso pela regularidade. E eu não dizia nada. E ele falava.<br />
&#8211; Diga qualquer coisa, homem. Se quiser pago-lhe outro café. Se o senhor fosse homem de vinho pedia o encher do copo. Assim não, dou-lhe a possibilidade de um gole de café numa outra chávena. Magnífico! Como se esta outra possibilidade fosse o seu prémio de participação. Não é isto um jogo, ou como diria se hoje me sentisse poeta, a própria vida? Oh! E não pense nisto como uma esmola. Eu sei que para se reinar deve-se ter como leal conselheira a benevolência. Mas aqui não se trata disso. Deve pensar nisto antes como uma gota de água na língua do condenado pelo calor do deserto &#8211; os olhos dele reviraram-se lentamente &#8211; Que frase! Que poeta!<br />
Pareceu-me extremamente fácil o movimento de elevar a cadeira. Quando esta lhe atingiu o crânio os olhos dele pararam de se revirar. Fez bastante sangue. Como nos filmes. O tipo era mesmo um fenómeno. Mesmo a cair aquele peso morto parecia um personagem de um filme em câmara lenta; vi distintamente, ao retardador, as três pancadas que a sua cabeça sofreu de encontro ao chão de mosaico da taberna.</p>
<p><em>Estalido.</em></p>
<p><em>&#8211; Bom, acabou a fi ta. Mas não precisamos de gravar </em><em>mais nada; este depoimento já chega. Podem voltar a </em><em>colocar-lhe as algemas e levem-no para a cela.</em></p>
<p><em>&#8211; Espero que tenham fi cado com uma ideia do que se </em><em>passou.</em><br />
<em>&#8211; Sim, sim. Podem levá-lo.</em></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2>SONO</h2>
<p>Entrei na morgue no dia mais feliz da minha infância. Os braços esticados, em forma de sono, impeliam-me majestosamente em direcção ao desconhecido por que tanto ansiava, em formas estridentes de loucura suave e pacífica. Encontrava pela primeira vez o verme longínquo e latente que me atormentara a consciência durante tantos anos, e a calma dos meus ossos assombrava a quietude do meu andar seguro e pleno de convicção. Todas as dores nos lençois brancos sujos de mágoa que eu visitara no meio do meu sonho mais suave, desvaneciam-se agora sob o efeito de cada passo inclinado na escada sempre a subir do corredor que antecedia a porta alta e branca, de ferro lacado, pintalgada aqui e ali de manchas de ferrugem mais velhas do que eu. Os dedos hirtos e suplicantes, sonhando vozes de torturas carnais de odores intensos, faziam o prolongamento físico da minha pura e intensa vontade de me tornar crescente em direcção ao mais majestoso dos momentos por mim sonhados nas noites do meu sono quebrado. Eu via as lógicas capitais dos censos de perigo amortalhado, aqueles que eu criava e matava enquanto a língua atingia o ponto mais saliente da parede que normalmente se erguia à minha frente. Via os monstros alados que penoitavam simplesmente no encantamento mais subtil de uma noite vibrantemente engrandecida ao extremo da minha dor. Com toda a volúpia das mulheres que gritavam e chamavam pelo meu nome a dançarem de encontro ao meu corpo que se ia transformando em libélula gigante do tamanho de doze igrejas. Do sino da torre mais alta era executada uma balalaica de tempos imemoriais que me feria os ouvidos mas não o nariz, que é a parte mais preciosa do meu corpo celeste; em ondas azuis e vermelhas e verdes de conspiração que teimavam em desaparecer e que eu criava por entre os meus dedos para me divertir. Via o corpos meio antes d e serem aplainados pelo martelo de oiro fundido que surgia do ar numa elipse de contornos fantásticos e cruéis. E só a memória ficava plena de convicção e fúria, pois no assombro do sentir residia o sonho perdido de anos.<br />
Assombrei-me de encontro à parede nua e fria. Os ruídos longínquos que chegavam até mim em ondas de som violento e esmagador diziam-me que me aventurara longe demais. O meu sexo endiabrado empolgava-se em demasia. Como se todas as mulheres de todos os mundos possíveis se consolassem de encontro aos meus membros inferiores e os fizessem prostrar no meio do maior alarido. Os olhos, bem enfiados no pedaço de luz que se esgueirava pela abertura semi redonda que à minha frente se erguia, perscrutavam e ansiavam pelo mais pequeno movimento, aquele que retinisse na base da nuca as vagas rimbombantes do meu adeus embriagado de choro. Não haviam duvidas, era tempo de entrar.<br />
Senti um arrepio maravilhoso quando a palma da mão encontrou o frio da maçaneta da cor do oiro. Não foi difícil rodar um pouco o pulso. De olhos fechados, antevendo o sublime momento que se seguiria, ergui uma perna e entrei.<br />
A escuridão foi a primeira opressão. O primeiro grito abafado pelo ranger de ossos, pelo primeiro rastejar de pés no chão poeirento, a inicial constatação do meu absurdo. Ladeei o que pareceia uma grande mesa, com a qual eu contaria dissimular o meu tresloucamento de choro, e ali me possuiria como besta anónima e sem sentido. Senti-lhe a calma precisa do ferro há muito forjado, ténue na escuridão do pranto que me assaltava as pálpebras, duro na sua projecção do inquebrável, e amei-lhe a existência suave de estética. A minha assembleia dir-se-ia pronta. O canibal eu, de sonho múltiplo no desvario, que baixava as argolas do tempo para poder deixar passar o acaso, ali me tomaria como centro do meu universo; ali tomaria as minhas entranhas nos braços, e as adoraria pelo sempre não. No meio dos passos o meu peito era total explosão. Tomara-se de proporções gigantescas, de material bruto, arrancado das pedreiras mais malditas. A vertigem das ondas do meu semblante progredia pelo meu corpo livremente, tomando-o ao de leve, sentindo-lhe a anti-gravidade, subindo-o para lá do alto, e na queda a acelerar o destravamento.<br />
Foi na escuridão que peguei nas facas. Tudo tinha que ser rápido. A câmara lenta será o vosso julgamento. A lentidão das facas a penetrarem na carne. A lâmina afunda-se na carne como um verme languescente, pútrido de paixão, a contorcer-se na luxúria da Penetração suprema, a fazer ranger os tendões e os pedaços que dele se libertam, pequenas faúlhas envoltas em sérum viscoso, meio sangue de alquimia Bestial, que se espalha pelo resto do ventre, pelo meio do ventre até atingir as pontas, e a lâmina afunda-se na carne, enquanto o grito não vem, sendo ainda apenas inevitável. A moléstia das excrecências carnosas, no turvamento da hemorragia, progride pelo tempo anterior, realiza metamorfoses de asfixia, acerta-me no cérebro com a precisão de um piolho. Cravado no âmago da minha hiper-sensação. A lâmina afasta-se do canto do ventre e rasga o torax em chamas. revira-se sobre si própria, aninhada no caixão quente da carne. Um pouco para a esquerda. Um pouco mais. Agora um pouco para cima. Volta sobre si. Demónio entalado na puta. Como um cão tomado pelo nervo. E enterra-se mais.<br />
A outra faca atinge-me o olho.</p>
</div>
</div>

		</div>
	</div>
</div></div></div></div></div><p>The post <a href="https://astrangerparadise.com/contos-normais-por-borgia-ginz">Contos Normais, por Bórgia Ginz</a> first appeared on <a href="https://astrangerparadise.com">A Stranger Paradise</a>.</p>]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Airf&#8217;Auga 2</title>
		<link>https://astrangerparadise.com/airfauga-2</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Bórgia Ginz]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 04 Jun 2009 14:21:23 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Airf'Auga 2]]></category>
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					<description><![CDATA[]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><img class=" size-full wp-image-1514" title="Airf'Auga 2" src="https://astrangerparadise.com/wp-content/uploads/2009/06/images_pG_aa_airfauga-2.jpg" alt="Airf'Auga 2" width="540" height="756" /></p><p>The post <a href="https://astrangerparadise.com/airfauga-2">Airf’Auga 2</a> first appeared on <a href="https://astrangerparadise.com">A Stranger Paradise</a>.</p>]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Água Fria</title>
		<link>https://astrangerparadise.com/agua-fria</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Juca Pimentel]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 04 Jun 2009 14:30:21 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Airf'Auga 2]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A  mente é por natureza um poço de perversão. A supressão das mais elementares  ilusões, que nos vibram golpes de encanto de vigor esplendoroso, significa a  estupidificação de tudo o que nos faz ser e estar. Antes estar morto que mal  vivo. Os cadáveres não procriam deformações. E a maior enfermidade dos grous da  modernidade é serem eles tão somente a sua própria negação.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>&nbsp;</p>
<div align="center">
<div id="aa2">
<h2>Água Fria</h2>
<p>-Projecto in <em>verbis</em><br />
por J.P.</p>
<p>A mente é por natureza um poço de perversão. A supressão das mais elementares ilusões, que nos vibram golpes de encanto de vigor esplendoroso, significa a estupidificação de tudo o que nos faz ser e estar. Antes estar morto que mal vivo. Os cadáveres não procriam deformações. E a maior enfermidade dos grous da modernidade é serem eles tão somente a sua própria negação. Uma imensidão de castrados que se arrasta pela civilização e geme de luxúria ao virar da esquina, com as frontes inflamadas na observação de um rabo bamboleante de mulher, todos a conspirarem um mau cheiro de nojo sobreaquecido, tudo a ver-se através dos olhos estúpidos de aves de rapina que voam à altura dos meus pés, tudo é extremamente porco! E deixem os cãezinhos em paz&#8230;<br />
As pichas douradas dos jovens aquecidos ao rubro! Magia! Com as vestes incendiadas das mulheres que antes de o serem o desejariam ser! Com os cerebelos todos doidos no acolhimento de uma arte que apodrece entre os seus dedos! Com toda a miséria de todo o mundo amontoada por detrás da porta que enfeitam com corações e caras dos amores dos outros! Com a luxúria que aprendem nos filmes  à Hollywood a fazerem-lhes cócegas nos rabos desproporcionais à inteligência, mas proporcionais à estupidez! Enormes! Eu digo: majestosamente enormes! Os rabos&#8230;<br />
A majestade do mundo é precisamente tudo aquilo que felizmente o homem não alcança. Não fosse isso e os tomates enlatados dos homens que fornicam a arte há muito que teriam saído das suas latas velhas e nauseabundas para espalharem a sua letargia barata pelas latrinas municipais.<br />
Um desespero fundamental.<br />
Morram com a arte!</p>
</div>
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			</item>
		<item>
		<title>Para um golpe de estado</title>
		<link>https://astrangerparadise.com/para-um-golpe-de-estado</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Bórgia Ginz]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 04 Jun 2009 14:39:57 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Airf'Auga 2]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Temos o sonho entalado no meio dos nossos dentes  amarelecidos pelo tempo. Temos toda a nossa intelectualidade metafísica  dispersada na imensa miserabilidade do nosso corpo, e com isso sofremos todas  as atrocidades que nos fazem arredar passo de toda a “outra” humanidade. O exagero das formas passa por  ser hoje em dia uma verdadeira instituição comportamental, toda de beleza feita  nas faces frescas dos jovens. Mas, até quando a juventude?, sendo que ela não é  um posto vitalício? Não há explicação para a “criancice”. A não ser que a  palavra mais correcta seja “sacanice”.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<div class="qt-vc-row-container"><div class="vc_row wpb_row vc_row-kentha"><div class="wpb_column vc_column_container vc_col-sm-12"><div class="vc_column-inner"><div class="wpb_wrapper">
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			<div align="center">
<div id="aa2_2" align="justify">
<h3>Para um golpe de <em>estado</em></h3>
<p>&nbsp;</p>
<p>Temos o sonho entalado no meio dos nossos dentes amarelecidos pelo tempo. Temos toda a nossa intelectualidade metafísica dispersada na imensa miserabilidade do nosso corpo, e com isso sofremos todas as atrocidades que nos fazem arredar passo de toda a “outra” humanidade.<br />
O exagero das formas passa por ser hoje em dia uma verdadeira instituição comportamental, toda de beleza feita nas faces frescas dos jovens. Mas, até quando a juventude?, sendo que ela não é um posto vitalício? Não há explicação para a “criancice”. A não ser que a palavra mais correcta seja “sacanice”. O estado jovem é antes de mais uma palavra, um sussurro de individualidade, esquecidas que estão para sempre noções como o colectivo, a nação, o patriotismo, a camaradagem, acompanhadas pela crescente debilitação de teorias políticas como o comunismo. Pois que a própria política é olhada de soslaio e alvo da troça generalizada. (As pessoas que poderiam dar algum contributo futuro à política, são os que agora mesmo mais troça fazem da mesma. Só os oportunistas e os vagabundos mentais de agora serão os políticos do futuro. Prevejo uma vaga cada vez maior de corrupção e branqueamento políticos.) Porque a paixão, para a juventude, é uma palavra que tem a ver com mulheres, não vendo os “jovens” de agora nenhuma outra asserção para esta tão bela palavra. Paixão&#8230;</p>
<p>O cérebro, ao contrário do que dizem por aí, já se vai tornando pequeno para tanto processamento de informação. É óbvio que se revelam já por todo o lado certos    tipos   de    dislexias  próprias de fenómenos de impreparação mental, e até física,  em  relação   a certas realidades mais “modernas”. E cada vez mais as drogas têm uma componente psíquica, inerente ao subconsciente, a raiar o mortal, o inconcebível físicamente. “A droga que mata somos nós.” (Juca Pimentel) Encontro-me muito céptico em relação a qualquer teoria que aponte para um radical desenvolvimento psíquico/mental do ser humano, a exemplo do que se deu desde os nossos antepassados queridíssimos, os primatas. Não concebo que o cérebro humano tenha bases para um crescimento intelectual grandioso. Porque o homem, e aqui volto aos jovens, não têm motivações exteriores, no mundo circundante que consideram a sua realidade, motivações motoras que necessitem de um desenvolvimento em grau elevado do cérebro. Os jovens amealham kilobytes de informação por dia, a um ritmo muito maior do que o do processamento e eliminação do lixo, (há informação que um jovem de dez anos hoje, nunca processará!), numa atitude muito passiva, ou em linguagem mais in, numa atitude muito artística. Surge sim, e apenas, a necessidade de aumento da capacidade de reter informação, como se numa casa houvesse apenas a necessidade de ter armários e gavetas&#8230;</p>
<p>O cérebro humano desenvolveu-se através da experiência, através das motivações motoras, que desencadearam um processo de milénios. Foi, por exemplo, a necessidade de caçar melhor, mais rentavelmente, etc., que criou condições para o “crescimento” cerebral. Hoje em dia, a passividade tomou conta do dia-a-dia da juventude, aquela mesma juventude que se auto rotula de irrequieta e com febre no dia de Sábado à noite&#8230;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p align="right">pelos meados de Maio de 1995<br />
<strong>Bórgia Ginz</strong></p>
</div>
</div>

		</div>
	</div>
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			</item>
		<item>
		<title>Sono</title>
		<link>https://astrangerparadise.com/sono</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Bórgia Ginz]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 04 Jun 2009 14:50:42 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Airf'Auga 2]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Entrei na morgue no dia mais feliz da minha infância. Os braços esticados,  em forma de sono, impeliam-me majestosamente em direcção ao desconhecido por  que eu tanto ansiava, em formas estridentes de loucura suave e pacífica.  Encontrara pela primeira vez o verme longínquo e latente que me atormentara a  consciência durante tantos anos, e a calma dos meus ossos assombrava a quietude  do meu andar seguro pleno de convicção. Todas as dores em lençóis brancos sujos  de mágoa, que eu visitara no meio do meu sono mais suave, desvaneciam-se agora  sob o efeito de cada passo inclinado na escada sempre a subir do corredor que  antecedia a porta alta e branca, de ferro lacado, pintalgada aqui e ali de  manchas de ferrugem mais velhas do que eu.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>&nbsp;</p>
<div align="center">
<div id="aa2_2" align="justify">
<p>&nbsp;</p>
<h4>SONO</h4>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong> Entrei na morgue no dia mais feliz da minha infância. Os braços esticados, em forma de sono, impeliam-me majestosamente em direcção ao desconhecido por que eu tanto ansiava, em formas estridentes de loucura suave e pacífica. Encontrara pela primeira vez o verme longínquo e latente que me atormentara a consciência durante tantos anos, e a calma dos meus ossos assombrava a quietude do meu andar seguro pleno de convicção. Todas as dores em lençóis brancos sujos de mágoa, que eu visitara no meio do meu sono mais suave, desvaneciam-se agora sob o efeito de cada passo inclinado na escada sempre a subir do corredor que antecedia a porta alta e branca, de ferro lacado, pintalgada aqui e ali de manchas de ferrugem mais velhas do que eu. Os dedos hirtos e suplicantes, sonhando vozes de torturas carnais de odores intensos, faziam o prolongamento físico da minha pura e intensa vontade de me tornar crescente em direcção ao mais majestoso dos momentos por mim sonhados nas noites do meu sono quebrado. Eu via as lógicas capitais dos censos de perigo amortalhado, aqueles que eu criava e matava enquanto a língua atingia o ponto mais saliente da parede que normalmente se erguia à minha frente. Via os monstros alados que pernoitavam simplesmente no encantamento mais subtil de uma noite vibrantemente engrandecida ao extremo da minha dor.   Com   toda a   volúpia  das  mulheres que   gritavam  e  chamavam  pelo  meu nome a  dançarem    de    encontro    ao    meu    corpo    que se ia transformando em libélula gigante do tamanho de doze igrejas. Do sino da torre mais alta era executada uma balalaica de tempos imemoriais  que  me  feria os ouvidos mas não o nariz, que é a parte mais preciosa do meu corpo celeste; em ondas azuis e vermelhas e verdes de conspiração que teimavam em não desaparecer e que eu criava por entre os meus dedos para me divertir. Via os corpos meio antes de serem aplainados pelo martelo de oiro fundido que surgia do ar numa elipse de contornos fantásticos e cruéis. E só a memória ficava plena de convicção e fúria, pois no assombro do sentir residia o sonho perdido de anos.                  </strong><br />
<strong>          Assombrei-me de encontro à parede nua e fria. Os ruídos longínquos que chegavam até mim em ondas de som violento e esmagador diziam-me que me aventurara longe de mais. O meu sexo endiabrado empolgava-se em demasia. Como se todas as mulheres de todos os mundos possíveis se consolassem de encontro aos meus membros inferiores e os fizessem prostrar no meio do maior alarido. Os olhos, bem enfiados no pedaço de luz que se esgueirava pela abertura semi redonda que à minha frente se erguia, perscrutavam e ansiavam pelo mais pequeno movimento, aquele que retinisse na base da nuca as vagas rimbombantes do meu adeus embriagado de choro. Não havia dúvidas, era tempo de entrar.</strong><br />
<strong>          Senti um arrepio maravilhoso quando a palma da minha mão encontrou o frio da maçaneta da cor do oiro. Não foi difícil rodar um pouco o pulso. De olhos fechados, antevendo o sublime momento que presenciaria, ergui uma perna e entrei.  </strong><br />
<strong>          </strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p align="right"><strong>(continua&#8230;)</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
</div>
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			</item>
		<item>
		<title>Crónicas dos olhares por cima dos carros</title>
		<link>https://astrangerparadise.com/cronicas-dos-olhares-por-cima-dos-carros</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Juca Pimentel]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 04 Jun 2009 15:00:35 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Airf'Auga 2]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>-Oh,  vem! Anda para cima de mim! Penetra-me bem fundo! Eu amo-te tanto. Tu nem sabes  como eu te amo tanto, meu querido. Desde o primeiro dia, lembras-te? Estavas tu  parado no apeadeiro do autocarro. Sorrias para uma criança que dançava à tua  frente. E eu, quis logo agarrar esse teu sorriso com os dentes. Eras tão  cândido! Oh! Vem para cá! Fura-me! Anda! Tu olhaste para mim e continuaste a  sorrir, como se a partir desse momento também eu fosse criança, uma criança  bela e despreocupada. Eu logo ali me despedi do mundo para me devotar a ti, meu  amor...</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>&nbsp;</p>
<div align="center">
<div id="aa2_2" align="justify">
<p>&nbsp;</p>
<h4>Crónicas dos olhares das pessoas por cima dos carros</h4>
<p>&nbsp;</p>
<h5></h5>
<p><strong> </strong></p>
<p align="center">I</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Na montanha do pó cresce um torso feminino suspenso no ar por um cordel que se enfia nas cavidades pouco profundas visíveis no chão. É uma imagem algo desfocada de um Imperador antigo que foi hermafrodita enquanto se sentava no alto de um pedestal marmóreo, aquele que suportou Vénus antes desta se deslocar e esborrachar a cabeça da criança que brincava suportando na mão esquerda um longo facho de prata cinzelado pelo artífice da corte. À sua volta movimentam-se as carpideiras nos seus longos panos negros, que, com as lágrimas caindo num recipiente esculpido no mais puro diamante, juntam o precioso líquido acre e corado com o qual mais tarde saciarão a sede do seu mestre, no meio dos grunhidos e gestos de imenso prazer deste. No meio do fumo surge uma mulher semi-oxigenada, com os braços cobertos por tatuagens negras e exóticas, levada em ombros por seis negros de músculos brilhantes que seguem nus e de pichas entesoadas.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p align="center">II</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>-Oh, vem! Anda para cima de mim! Penetra-me bem fundo! Eu amo-te tanto. Tu nem sabes como eu te amo tanto, meu querido. Desde o primeiro dia, lembras-te? Estavas tu parado no apeadeiro do autocarro. Sorrias para uma criança que dançava à tua frente. E eu, quis logo agarrar esse teu sorriso com os dentes. Eras tão cândido! Oh! Vem para cá! Fura-me! Anda! Tu olhaste para mim e continuaste a sorrir, como se a partir desse momento também eu fosse criança, uma criança bela e despreocupada. Eu logo ali me despedi do mundo para me devotar a ti, meu amor&#8230; E deste-me a mão em silêncio e levaste-me a passear rua abaixo. Como eu gostei de mim e do mundo naquela hora! Anda! Enfia-mo todo! É bom! O nosso namoro foi tão bom. Ainda recordo a tua mãe que ainda era viva e quando tu me apresentaste  a ela a ela, como ela estava feliz; não parava quieta, sempre a perguntar se queria isto ou se queria aquilo. E eu amei-te ainda mais por ver que eras amado pela tua mãe. E éramos os dois tão lindos. Espera aí! Deixa-me levantar a perna. Agora! Mais rápido! Espeta! Oh, meu amor. E os dois tão inocentes. Fechaste os olhos quando te mostrei pela primeira vez os meus seios pontiagudos, e coraste também. Nem queria acreditar que ainda havia rapazes como tu, tão belos, tão sensíveis e amorosos. Estes tempos agora são tão esquisitos. Oh, querido! Rápido! Mais rápido! Rebenta-me! Oh, meu amor&#8230;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p align="right"><strong>produções Ganza:1999</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
</div>
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			</item>
		<item>
		<title>Airf&#8217;Auga 1</title>
		<link>https://astrangerparadise.com/airfauga-1</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Bórgia Ginz]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 01 Jun 2009 20:42:11 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Airf'Auga 1]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://astrangerparadise.com/?p=1501</guid>

					<description><![CDATA[<p>Airf'Auga 1 - produzido e editado em 1994.</p>
<p>The post <a href="https://astrangerparadise.com/airfauga-1">Airf’Auga 1</a> first appeared on <a href="https://astrangerparadise.com">A Stranger Paradise</a>.</p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><center><img class=" size-full wp-image-1500" src="https://astrangerparadise.com/wp-content/uploads/2009/06/images_AirfAuga1.jpg" alt="Airf'Auga" width="540" height="800" srcset="https://astrangerparadise.com/wp-content/uploads/2009/06/images_AirfAuga1.jpg 540w, https://astrangerparadise.com/wp-content/uploads/2009/06/images_AirfAuga1-510x756.jpg 510w" sizes="(max-width: 540px) 100vw, 540px" /></center></p><p>The post <a href="https://astrangerparadise.com/airfauga-1">Airf’Auga 1</a> first appeared on <a href="https://astrangerparadise.com">A Stranger Paradise</a>.</p>]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>PÁRIAS, por Happuol Osogaarf</title>
		<link>https://astrangerparadise.com/parias-por-happuol-osogaarf</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Happuol Osogaarf]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 01 Jun 2009 21:19:36 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Airf'Auga 1]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://astrangerparadise.com/?p=1503</guid>

					<description><![CDATA[<p>Mas,…<br /> Várias…<br /> Filosofia…</p>
<p> Hoje ou amanhã?<br /> Talvez em tempo nenhum…<br /> Talvez nunca…<br /> Talvez sempre…<br
</p>
<p>The post <a href="https://astrangerparadise.com/parias-por-happuol-osogaarf">PÁRIAS, por Happuol Osogaarf</a> first appeared on <a href="https://astrangerparadise.com">A Stranger Paradise</a>.</p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div id="aa1">
<p>&nbsp;</p>
<h3>UMA FILOSOFIA</h3>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>“Mas,…<br />
Várias…<br />
Filosofia…</p>
<p>Hoje ou amanhã?<br />
Talvez em tempo nenhum…<br />
Talvez nunca…<br />
Talvez sempre…<br />
Talvez, Talvez, Talvez…<br />
Talvez…</p>
<p>Talvez um dia as flores riam no Inverno;<br />
“Talvez” as árvores frutiferem no Outono,<br />
e a neve caia no Verão,<br />
e o Sol abrase no Natal.</p>
<p>Que bonito!<br />
Que benção dos homens!<br />
Que beleza!,<br />
e que eu talvez, talvez…<br />
tal vez será uma efeméride…</p>
<p>Talvez o Mundo vá ao futebol,<br />
e venha ter comigo<br />
com o vento a esfriar-me as orelhas,<br />
numa rua escura de nevoeiro,<br />
e se sinta feliz a quatro dimensões…</p>
<p>Dimensiona em mim o terno pavor,<br />
e acalma os animais do tempo;…<br />
Força meu dia, afora os momentos,…<br />
Força meu vento…”</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><center>§§§</center>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Um bafo de heresia lançado ao vento,<br />
boiando no fofo colchão atmosférico,<br />
fala às estradas e aos rios.</p>
<p>Discute com rudes pedregulhos,<br />
e comunga todos os Domingos.<br />
-Sê bom! – e a Natureza ordena.</p>
<p>E não há faca que corte<br />
sem ser afiada depois da matança;<br />
Se o bafo protesta logo se amansa.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><center>§§§</center>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Sinto-me ficar louco<br />
Sinto-me loucamente ter nascido louco…</p>
<p>É uma loucura!</p>
<p>E a única loucura que possuo,<br />
é amar-te loucamente…</p>
<p>…até que a loucura ponha fim à minha<br />
loucura permanente…</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><center>§§§</center>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Há uma morte em cada pensador<br />
e cada pensador é uma morgue.</p>
<p>A Arte é diversificada<br />
e é bem vinda à maneira que o Sol brilha,<br />
e o poeta sofre.</p>
<p>O tempo passa<br />
e a vida foge,<br />
os planos morrem<br />
e os dias concretizam-se.</p>
<p>A apreciação depende inúmeras vezes<br />
e abana a cada sopro,<br />
pende do alto das covas<br />
e cai nas mais fofas nuvens.<br />
Ah, felicidade inexorável!</p>
<p>Não há alegria que alcance a tristeza,<br />
e não há loucura que ultrapasse o sofrimento…<br />
Não há reticências,<br />
há um adiamento que corre para lá das estrelas<br />
e se encolhe na estrada do Cemitério.<br />
Não há música que acelere o relógio<br />
e não há relógio que não faça música.<br />
Cada um à sua maneira…</p>
<p>Há maneiras para todos<br />
e não há tudo para ninguém.<br />
Todos têm infinitos<br />
e Ninguém tem nada.</p>
<p>O Ser é uma figura,<br />
cada figura é um caderno,<br />
e cada acção um romance.<br />
Um romance ninguém o lê…<br />
Todos lêem uma fantasia<br />
e a fantasia não é uma banalidade.<br />
Fantasiar é fazer circo,<br />
cada circo são vidas,<br />
e cada vida é um circo.<br />
Beber vinho é natural,<br />
natural é beber água,<br />
água é a vida,<br />
e a vida é um banho de banheira.<br />
Ah, pois é!</p>
<p>Fazer puzzles é divertido,<br />
jogar é um risco,<br />
um risco é uma recta,<br />
uma recta corre para o infinito<br />
e nunca volta para trás.<br />
Vai de encontro aos astros<br />
e nada se desfaz,<br />
tudo permanece intacto<br />
e nada se conserva.<br />
E o poeta sofre!</p>
<p>Cada corrida é uma parada,<br />
e a chuva cai.<br />
E a única reticência<br />
é pensar nas gotas de água<br />
que se unem como uma sociedade tornando-se num oceano gelado de brasa feito!</p>
<p>E a estrada roda,<br />
e os carros permanecem a olhar.<br />
As pessoas caminham embriagadas,<br />
e a estrada enlouquece<br />
e as pessoas sentem<br />
e fingem não dar conta de nada.<br />
E os poetas sofrem!</p>
<p>E se assim não for,<br />
que diferença faz?<br />
Três mais três são dois,<br />
e seis só é um,<br />
e todos são um milhão,<br />
e mais serão muitos milhões,<br />
e todos juntos só são um,<br />
e um é um,<br />
e será sempre um,<br />
e um são todos.<br />
E o homem não entende,<br />
e o homem vive,<br />
e o poeta sofre!<br />
E eu não entendo!</p>
<p>E depois?<br />
E depois não fica nada,<br />
e fica tudo igual,<br />
e são tantas coisas,<br />
e não é nada,<br />
e não é tudo.<br />
E sabe lá quem quanto é?<br />
E sabe lá quem o que é?<br />
E sabe lá quem sabe o que sabe?<br />
E todos sabem nada<br />
e nada sabe tudo…<br />
tudo é uma ilusão,<br />
uma ilusão é ficar parado,<br />
ficar parado é concentração.<br />
então concentrado,<br />
qual a satisfação?<br />
Parar um bocado,<br />
ficar aterrado,<br />
livre do Mundo.<br />
Grande ilusão…<br />
E a maior ilusão é não parar!</p>
<p>Há sempre uma paragem,<br />
nem sempre um recomeço.<br />
Só recomeça quem alguma vez começou!<br />
E quem começou?<br />
Quem nunca foi nada.<br />
Todos fomos alguma coisa,<br />
e quem de nós já começou?<br />
Quem de nós quer começar?<br />
Que somos? Que seremos? ou… Que fomos?<br />
Que sabemos?<br />
Que pensamos?<br />
Que dizemos?<br />
Nem tudo, nem nada, nem alguma coisa…<br />
Todos parámos,<br />
e não cumprimos o ser,<br />
e já estamos fartos de o ser…<br />
Não há regras para ninguém,<br />
e ninguém é uma regra.<br />
E Ninguém é uma regra!<br />
E alguém será uma regra?<br />
E Ninguém será uma regra?<br />
Porventura será alguém…</p>
<p>E o Sol brilha,<br />
e as nuvens passam,<br />
e o Céu é azul e cinzento e encoberto,<br />
e a água molha,<br />
e o calor sente-se,<br />
e o frio arrepia,<br />
e o barulho sente-se,<br />
e o silêncio ouve-se,<br />
e a terra move-se,<br />
e a distância encurta-se e alonga-se,<br />
e no Mundo há tantas coisas,<br />
e às vezes não há nada…<br />
E será tudo ilusão minha?<br />
Será tudo ilusão minha?<br />
Será tudo ilusão dos outros também?<br />
Será tudo ilusão nossa?<br />
E que tenho eu a ver com os outros? E que somos… todos separados? E todos juntos? E que amo eu além do paraíso?<br />
Quando lá estou não penso…<br />
E os poetas sofrem! E amam! E criticam! E amam!</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><center>§§§</center>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
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			</item>
		<item>
		<title>VISÕES, por Zombie</title>
		<link>https://astrangerparadise.com/visoes-por-zombie</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Zombie]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 04 Jun 2009 13:03:38 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Airf'Auga 1]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://astrangerparadise.com/?p=1505</guid>

					<description><![CDATA[<p>Forte como um touro raivoso me transforma…<br /> Garras de ave de rapina me dá…<br /> Loucura e precisão de ourives me fornece…<br /> Os meus olhos<br /> perscrutam ávidamente a paisagem nocturna,<br /> que se desenrola por detrás das sombras fugidias<br /> do comboio atrasado…</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<div id="aa1">
<h3>SOU…</h3>
<p>Forte como um touro raivoso me transforma…<br />
Garras de ave de rapina me dá…<br />
Loucura e precisão de ourives me fornece…<br />
Os meus olhos<br />
perscrutam ávidamente a paisagem nocturna,<br />
que se desenrola por detrás das sombras fugidias<br />
do comboio atrasado…<br />
Os meus olhos<br />
olham por entre os vidros das janelas<br />
imaginam um enorme espelho – opaco<br />
a figura esbelta da minha presença…<br />
O beijo de uma mulher –<br />
segurança… presença…<br />
superioridade não provocada…<br />
As garras actuam… provocando<br />
Da minha expressão o espelho arranca a expressão<br />
assassina de um cão que ladra,<br />
mas que não morde<br />
(Sim! Os cães não pretendem morder, apenas assustar)<br />
Como eu…<br />
Belo. Narciso superior.<br />
Aquele que gosta<br />
de observar,<br />
de comandar as tropas,<br />
os soldados para os infindáveis assaltos…<br />
Traidor de todos.<br />
Incendiário de paixões já não mais contidas.<br />
Traidor de mim próprio.<br />
Feliz – ao desconcertar quem não sabe<br />
a razão de não querer ser considerado amigo<br />
Sou<br />
livre… de todos<br />
Estou<br />
livre… de tudo<br />
Não me importunam mais os espíritos malignos<br />
que me povoam as trombas</p>
<p><center>§§§</center></p>
<h3>A ESLAVA COMPAIXÃO</h3>
<p>Acordar longínquo e tardio do ser<br />
Passar intermináveis tardes na pastelaria<br />
Sonhar esmaecidamente algo que não existe,<br />
sonhar num frémito a realidade<br />
Esquecer enternecidamente compromissos inadiáveis<br />
Esperar alguém que sabemos que não virá,<br />
mas que não queremos que chegue<br />
A permanência de nós em nós próprios<br />
A pureza de estar escrevendo<br />
sobre um livro insustentável, não o abrir<br />
por humildade e um pouco de preguiça<br />
A sensação de sermos realmente nós,<br />
de termos direito a abusar da nossa paciência<br />
Ah!, contemplar as pessoas que me observam<br />
como se fosse um esquizofrénico<br />
A vida, a eterna metáfora de quem sabe<br />
que algo sempre acontece quando o menos<br />
desejamos,…<br />
quando o menos<br />
esperamos,… (e SURPRESOS)<br />
Chove neste momento, estou preso<br />
Que bom!, a melancolia radiosa.</p>
<p><center>§§§</center></p>
<h3>CAPTOMENTE 2 (PARTE I)</h3>
<p>Convoluindo a génese humana<br />
com o doce sabor do som de uma guitarra<br />
Reparamos na existência<br />
de uma ténue esperança<br />
de que algo mudará.<br />
Mas, no entanto<br />
a imperceptível volúpia<br />
nos sussurra que nos sentimos sós.<br />
Este é talvez o maior dilema da Existência.</p>
<p><center>§§§</center></p>
<h3>TRÊS EM UM</h3>
<p>Uma sensação<br />
uma cadeira um poster uma cama um quadro<br />
Frio como a noite ele é<br />
Uma vaguear um delírio<br />
um tecto uma caneta um papel<br />
Terno como os lençóis ele gostaria de ser<br />
Um objecto perdido no meio da multidão<br />
uma negação uma escrita uma divagação<br />
Só como as sombras ele se sente<br />
Uma sombra uma luz uma melodia<br />
um objecto um tema um lema uma conversa<br />
Triste como a noite ele está<br />
Um esvoaçar de cigarros<br />
uma vontade um adormecer um poema<br />
(Fraco como o seu corpo ele permanece)<br />
Uma sensação de alívio… de triste beleza</p>
<p><center>§§§</center></p>
<h3>SCUASCRAAMO</h3>
<p>Senta-te em cima de um penhasco<br />
e pensa<br />
Convolui-te com a tua mente<br />
Ultrapassa a fronteira<br />
Atira-te<br />
e recorda<br />
Sente os teus conhecidos<br />
Chorando por ti rezando pela tua alma<br />
Recorda o teu passado<br />
pensa nas boas e más acções<br />
Admira os teus momentos de felicidade<br />
e chora<br />
A sorte não te premiou como devia<br />
Mas nunca te esqueças<br />
Os mortos também dançam</p>
<p><center>§§§</center></div><p>The post <a href="https://astrangerparadise.com/visoes-por-zombie">VISÕES, por Zombie</a> first appeared on <a href="https://astrangerparadise.com">A Stranger Paradise</a>.</p>]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>TRÊS POEMAS DE AMOR, por Juca Pimentel</title>
		<link>https://astrangerparadise.com/tres-poemas-de-amor-por-juca-pimentel</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Juca Pimentel]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 04 Jun 2009 13:50:28 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Airf'Auga 1]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://astrangerparadise.com/?p=1513</guid>

					<description><![CDATA[<p>É febril<br /> a sede de existência,<br />   e o desejo de nojo e vis pensamentos.<br />   Sangrentos ocasos de miséria e luxo!<br />   Anseio<br />   por mortes perenes e lívidas de desespero,<br />   crónicos olhares de luxúria ao virar<br />   de cada esquina.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<div id="aa1">
<h3>APOTEOSIS MURALIS</h3>
<p>É febril<br />
a sede de existência,<br />
e o desejo de nojo e vis pensamentos.<br />
Sangrentos ocasos de miséria e luxo!<br />
Anseio<br />
por mortes perenes e lívidas de desespero,<br />
crónicos olhares de luxúria ao virar<br />
de cada esquina.<br />
Desfaço-me lentamente em pranto<br />
e desvairo-me para lá do crepúsculo,<br />
orquestrando em mim<br />
o animal latente que geme e grita:<br />
“Amo-te! Vem morrer a meus braços!”<br />
Não mais que uma carícia!<br />
Não mais que um olhar!<br />
E depois…<br />
a noite, horrível… horrivelmente bela!<br />
E possuir-te-ia<br />
com a voracidade de<br />
miríades de ratos chiando, rangendo, roncando!<br />
Despedeçaria<br />
esse teu flácido corpo tão belo<br />
em mil pedaços<br />
de ódio e rancor pulverizados pelo tempo!<br />
E então, Eu seria eterno!<br />
E então, Eu seria aquele monstro que tanto<br />
gozo me dá!!</p>
<p><center>§§§</center></p>
<h3>ORLOG</h3>
<p>À sombra de Deus,<br />
eu te perpétuo em dócil volteio no ar…<br />
Confundo-me estramboticamente<br />
com paixão num eclipse crisálido de dor atroz.<br />
E Invejo-me de Te ter!<br />
Invejo-me de possuir esse<br />
teu corpo<br />
flácido e pecaminoso com que<br />
torturas a minha alma!<br />
Tenho gana de fugir para bem longe daqui!…<br />
Para nunca mais te ver… e te ter!!!<br />
Eu olho para Ti, e tenho medo, minha querida…<br />
Eu vejo-Te despida<br />
num sonho purpúreo e diabólico,<br />
e sinto nojo… e sinto vontade de vomitar,<br />
meu amor….</p>
<p><center>§§§</center></p>
<h3>SUICÍDIO MENTAL<br />
DE UM PORCO RANHOSO</h3>
<p>&nbsp;</p>
<p>Ai monk quin pá!<br />
E tu és ranho que me sai do nariz!<br />
Ai tun king for plá!<br />
E tu és um pénis dolorento em<br />
Noite de Verão!<br />
O frias mal tu nísias!<br />
E tu és o cheiro nauseabundo de<br />
Um ânus mal lavado!<br />
Fork fork et ka ess kas!<br />
Nada mais te quero “baby”,<br />
O sonho desfez-se em merda!</p>
<p><center>§§§</center></div><p>The post <a href="https://astrangerparadise.com/tres-poemas-de-amor-por-juca-pimentel">TRÊS POEMAS DE AMOR, por Juca Pimentel</a> first appeared on <a href="https://astrangerparadise.com">A Stranger Paradise</a>.</p>]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>MALDITA LITERATURA, por Zombie</title>
		<link>https://astrangerparadise.com/maldita-literatura-por-zombie</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Zombie]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 04 Jun 2009 13:45:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Airf'Auga 1]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://astrangerparadise.com/?p=1509</guid>

					<description><![CDATA[<p>Sentado estava num café esperando que as horas passassem   rapidamente, objectivo que quanto mais nele pensava mais   fustrantemente verificava ser impossível alcançar; conversava com alguns   conhecidos acerca da meteorologia e de quais seriam as previsões para os   próximos dias… enfim, banalidades!</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<div id="aa1">
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Sentado estava num café esperando que as horas passassem rapidamente, objectivo que quanto mais nele pensava mais fustrantemente verificava ser impossível alcançar; conversava com alguns conhecidos acerca da meteorologia e de quais seriam as previsões para os próximos dias… enfim, banalidades!</p>
<p>De repente algo se alterou, uma luz ao meu cérebro aportou, alguém no café entrou, trajando um simples cartaz onde se anunciava a evocação da vida e obra de um escritor-poeta já desaparecido.</p>
<p>“E porque não?” Pensei. Era tão grande a melancolia da indiferença para com os que me rodeavam que quase personifiquei as folhas secas da dormideira vermelha. “É isso, vou conhecer algo desse artista.”</p>
<p>A sua vida foi exposta, lidos foram alguns excertos da sua obra.</p>
<p>Como pessoa tinha dentro de si dois egos. Um, real que o levava a pensamentos melancólicos e destrutivos, vivendo sempre torturado pela alma, mendigando pelas ruas da amargura, pensando e lendo muito, procurando algo de supremo (a Beleza, a Perfeição, a Contemplação), algo que o fizesse alcançar o seu ego ideal. Mas… era incoerente e a todo o momento se contradizia (talvez?). Andava da ré para a proa como um marinheiro desprotegido numa noite de temporal. às vezes, possuindo o Absoluto sentia não ser aquele o seu lugar. Então, voltava a cair na desgraça, na sucessão de sentimentos e sensações confusas, de onde só retirava algum prazer se entretido a passá-los ao papel.</p>
<p>Encerrada a cerimónia, saí e vagueei. Escusado será dizer, todas estas revelações me impressionaram (sim, é verdade), marcaram-me muito. O que mais me espantou foi a semelhança, ainda que ligeira, entre aquela vida e a minha.</p>
<p>Deixei-me então cair numa intensa modorra. Sem dar por ela, tinhame instalado na tasca mais reles que por aqueles sítios havia. Instintivamente, puxei de um cigarro e um bagaço ia já a caminho do meu fígado. O quanto bebi não sei, apenas recordo a imensidão de corpos dispersos sobre o balcão, o empregado implorando. “Ó chefe! Não beba mais! Por favor! Era suposto eu estar de folga! Ande lá, ande lá! Quanto mais entorna, mais eu trabalho!!” Obviamente, um empregado sem espírito comercial.</p>
<p>Se bebi para esquecer tudo, todas aquelas similaridades, não o posso afirmar. Na realidade, comecei a imaginar ser o hospedeiro de duas personalidades – eu… e o tal poeta.</p>
<p>Com o passar do tempo a sua forma tornou-se mais nítida, assumiuse como sendo meu opositor psíquico. Devido à embriaguez descuidouse, abrindo-se uma janela no meu cérebro que me permitiu imiscuir nos seus pensamentos, no seu modo de estar e de sentir. Verifiquei abstracção, mesmo introspecção. Reparei na abundância de olhares virtuais quantificando o espaço em multivariadas formas ou símbolos – creio ser possível exprimir o seu pensamento em pauta. Ouvi pressentimentos indefinidos, meditava “As pessoas mudam mas o contexto onde estão inseridos é imutável”. Sentia-se farto, inadaptado e desinteressado, bem como desintegrado. Criara-se uma sensaboria que urgia combater não sabendo como, não conhecia a mais correcta opção. Pensava eu “sendo ele um egocentrista haverá apenas duas possíveis soluções: ou continuava fiel a si próprio desligando-se do mundo em redor e viveria sem competição procurando o gozo pessoal absoluto, ou então desapareceria simplesmente desta encarnação.” No fundo, creio ser ele um sórdido romântico, um idealista aspirando a algo e desejando por isso não se concretizar.</p>
<p>Sentia-me exausto, os olhos ardiam-me. Adorava esta sensação. Fazia-me sentir abandonado a um local de onde não conseguiria sai, não por impedimento mental mas sim por uma espécie de mazela física. No entanto estava a gostar de ali estar.</p>
<p>À minha volta vegetavam bêbados como eu. Comunicava com eles de um modo muito pessoal, aveludando invariavelmente processos, encobrindo a voz. (Seria medo? Talvez.) Alguém se tinha incomodado, porquê não sei, sentia-me impelido a pedir desculpas…, mas eis que o escritor se impõe: “Não!! Tu tens razão, que não te fiquem remorsos! Vamos, vamos embora deste antro!!” Espantado, assim fui, cambaleando e adormecendo mal chagado a casa.</p>
<p>Na ressaca do dia seguinte acordei recordando tudo isto. Talvez tivesse sido um sonho. Lembrei-me dos versos do poeta: “Eu não sou eu nem sou o outro,/ Sou qualquer coisa de intermédio:/ pilar da ponte de tédio/ que vai de mim para o outro.”* Lembrei-me das podres mentes abjectas que me rodeavam e furioso exclamei: “Maldita literatura!”</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>*Versos do poeta Mário de Sá-Carneiro.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><center>§§§</center>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
</div><p>The post <a href="https://astrangerparadise.com/maldita-literatura-por-zombie">MALDITA LITERATURA, por Zombie</a> first appeared on <a href="https://astrangerparadise.com">A Stranger Paradise</a>.</p>]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>ZINUM EXTRA-PEDAFFILIS, por Bórgia Ginz</title>
		<link>https://astrangerparadise.com/zinum-extra-pedaffilis-por-borgia-ginz</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Bórgia Ginz]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 04 Jun 2009 13:18:56 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Airf'Auga 1]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://astrangerparadise.com/?p=1507</guid>

					<description><![CDATA[<p>É noite.<br />   Nada segue o passo inseguro<br />   que esboças suavemente no ladrilho poeirento<br />   da tua alma.<br />   Aconchegas a súplica errante da morte.<br />   Orquestras o animal latente<br />   que em ti geme e vocifera:<br />   “Hei, Maldoror! Levas aí a tua dor?”</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<div id="aa1">
<h3>CANTO A MALDOROR</h3>
<p>&nbsp;</p>
<p>É noite.<br />
Nada segue o passo inseguro<br />
que esboças suavemente no ladrilho poeirento<br />
da tua alma.<br />
Aconchegas a súplica errante da morte.<br />
Orquestras o animal latente<br />
que em ti geme e vocifera:<br />
“Hei, Maldoror! Levas aí a tua dor?”<br />
Caminhas.<br />
Em sangue te violas e contrafazes.<br />
Erras por caminhos escuros<br />
e vais de encontro à parede embrutecida,<br />
até que o teu corpo se desfaça<br />
em silvos agudos de sofrimento.<br />
Mas tu és um monstro!<br />
És capado e congruente de for a para dentro!<br />
Mais um passo.<br />
Mais uma penúria…<br />
“Hei, Maldoror! Levas aí a tua dor?”<br />
Essa dor que refrescas constantemente e<br />
acolhes de braços abertos.<br />
Teimoso!<br />
Segues a tua sombra<br />
de noite e escuridão feita,<br />
que depois do ocaso tudo se amansa<br />
e o temporal é bonança.<br />
Pássaros carnívoros rodopiam à tua volta.<br />
“Hei, Maldoror! Levas aí a tua dor?”<br />
Em frente! que atrás fica o mistério!<br />
Em frente! que atrás fica a volúpia!<br />
Em frente! que para trás nada fica!<br />
Alcanças o muro de mármore que perseguias.<br />
Sentes-lo com o teu nariz<br />
enregelado e amarelecido.<br />
E cantas!<br />
Sempre em frente! Sempre em frente!<br />
“Hei, Maldoror! Levas aí a tua dor?”<br />
Mas como és pedante!<br />
Que figura triste, meu Deus!<br />
“Maldoror! Hei, tu aí! Levas a tua dor?<br />
Se não dou-te um tiro entre os olhos!”<br />
Não me ligas.<br />
A nada ligas.<br />
Flores inacabadas prendem-te os movimentos.<br />
Esforças-te por tentar mais<br />
um passo.<br />
Em vão…<br />
E cantas copiosamente uma valsa funerária,<br />
de trombetas cheia,<br />
e cravos velhos e murchos entupida.<br />
Ála! Para a frente!<br />
O passeio acaba,<br />
acaba o caminho.<br />
Agora é só terra e montes de carvão<br />
fumegante.<br />
“Hei, Maldoror! Levas aí a tua dor?”<br />
Pimba!<br />
Um toro esmaga-te o crânio.<br />
O lenhador louco afasta-se<br />
contorcendo-se de riso.<br />
Foste mais um paspalho apanhado na sua armadilha!<br />
“Hei, Maldoror! Levas aí a tua dor?”<br />
Sentes a vida em sangue.<br />
Sentes a vida numa mortalha negra<br />
prematuramente enterrada.<br />
Já não vais a lado nenhum.<br />
Que o mundo fechou-se para ti.<br />
Acaba-se o mundo quando te acabas,<br />
e a beata que fumas é velha<br />
como a morte.<br />
“Hei, Maldoror! Levas aí a tua dor?”<br />
“Não, meu querido pai! Eu já não sinto dor!<br />
Agora, sinto-me apenas capaz de provocar a dor!”</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><center>§§§</center>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<h3>NEORUM</h3>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Um olhar que se encobre<br />
em mil subterfúgios de semiescuridade.<br />
Nada que lhe fale de ardor<br />
e penumbra do sentir que já foi lei.<br />
É um resto de carne que se teme<br />
no toque que é subtil,<br />
porque subtil se forma em candeias azuis<br />
de perversão.<br />
É uma mão que se atemoriza<br />
pela existência cruel de um torpor inalcansável.<br />
Porque o medo extravia-se.<br />
Porque… sente-se medo e ódio que<br />
se fundem,<br />
em avaliação subtil de um foco de luz que é negra<br />
como a noite.<br />
De um eclipse carnal se estiola.<br />
De medo coabita um ser que não é<br />
perfectorial de sede e fome.<br />
E nada alcança o medo!<br />
Tudo se funde em zonas de metazonas,<br />
como uma flor que nasceu sem saber.<br />
E o latir cresce por dentro de<br />
um cérebro em plena extinção.<br />
Extinção de um querer mórbido que já foi<br />
mórbido e que agora não é mórbido,<br />
não é nada.<br />
A faca que se afia está pronta<br />
para o corte final que não é fatal.<br />
Dá-nos e transpõe-nos a passagem métrica<br />
daquilo que nada nos é perfectorial e mudo.<br />
Mudo… tal como surdo…<br />
Apenas o sentido não se transfigura em mim.</p>
<p>Claro que chove e não estou molhado.<br />
Mais uma traição da alma.</p>
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<h3>MORTUS</h3>
<p>&nbsp;</p>
<p>Eis que a morte chega pela madrugada<br />
acompanhada ostensivamente por seus mil<br />
servis lacaios.<br />
Entoam-se<br />
cantos de louvor eterno<br />
e uma corneta pingente e chorosa<br />
vai desfilando em frente<br />
a meus incrédulos olhos toda uma<br />
imensidão de horrores e coisas tétricas que tais.<br />
Não encontro em mim<br />
forças necessárias<br />
para me manter de pé e quedo-me tristemente<br />
no chão sangrento que suavemente me acolhe.<br />
Dois guerreiros de serventia<br />
cortam-me placidamente<br />
as penosas asas que exibo a<br />
encimar os meus débeis ombros,<br />
e brutalmente arrancam a auréola de metal que levita<br />
sobre a. minha cabeça.<br />
Sinto-me penetrar pela morte!<br />
O anjo caído que sou eu,<br />
em mármore pálida se transforma!<br />
Queixo-me da dor atroz que me afogueia a face<br />
a desvairo-me para além.<br />
É assim a morte!<br />
O fim do anjo que nos dá vida!</p>
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<h3>INANIA VERBA</h3>
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<p>Esforço-me em voltas suspensas<br />
pelo ar intenso da manhã<br />
por encontrar<br />
as mãos tensas<br />
e frias<br />
e lívidas<br />
e suadas<br />
do teu cérebro imundo que não<br />
é mais do que o fugitivo esgar<br />
que me persegue<br />
noite fora<br />
até não mais me poder<br />
sentar na cama fria<br />
que me espera sossegadamente no aconchego<br />
da minha tumba<br />
repleta de flores garridas milagrosamente<br />
pelo Sol dourado<br />
que inunda<br />
este belo antro de pecado onde decidi<br />
por fim<br />
ancorar a minha alma já cansada<br />
de tanto escrever nestas<br />
folhas<br />
frias<br />
e cruas<br />
que tão nada me dizem<br />
ao de leve ciciando<br />
e gemendo estupidamente de prazer.</p>
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<p><center>§§§</center>&nbsp;</p>
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<h3>BRANCO</h3>
<p>&nbsp;</p>
<p>Há noites de insónia branca<br />
reflectidas no espelho ondulado do quarto,<br />
pequenas luzes que se escoam<br />
no meio de sonos fugazes e esquecidos.<br />
Há um corpo que se mexe na cama<br />
solitária onde houve adeus matinal.<br />
E na sede reside o encanto…<br />
Pequenas barbas perdem-se nos lençóis.<br />
Sol, luz, amor, alheamento…<br />
As paredes<br />
brancas de um enclausoramento subtil e agradável.<br />
Eu…<br />
Cabelo vermelho,<br />
cabelo verde.<br />
Há castelos que são fortes, os nossos!<br />
Uma viagem.<br />
Uma doideira subtil.<br />
Dentes a quererem sono,<br />
em camas de lençóis cheios de confusão,<br />
de amanheceres distorcidos,<br />
brancos,<br />
da tua pele inundados e…<br />
mudos.<br />
Poeira cósmica sobre mim…<br />
Hoje,<br />
o mundo apresenta-se-me branco,<br />
um branco salpicado de muito negro,<br />
na intensa luminosidade do<br />
lusco-fusco inebriante.<br />
A calma quebra-se…<br />
Ruído,<br />
confusão,<br />
distorção.<br />
Há música no ar. Dancemos livremente…<br />
Há noites de insónia branca<br />
reflectidas no espelho ondulado do quarto.</p>
<p>&nbsp;</p>
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<h3>CISNE</h3>
<p>&nbsp;</p>
<p>Dorme, dorme,<br />
pequena sereia azul em mar turvo de lágrimas.<br />
Segues o teu sonho<br />
com a palidez da tua face adormecida.<br />
Os teus dedos esguios e suaves<br />
calculam trajectórias recambolescas nos<br />
meus caracóis pretos de carvão.<br />
E acordas de mansinho<br />
para me tocares nos lábios<br />
com o teu suave embalo de paz.<br />
Dorme, dorme,<br />
pequena sereia azul que és rainha em harém de cristal.<br />
Se eu fosse peixe<br />
tu serias Deusa.<br />
Se eu fosse mar<br />
tu serias gotícula a contraluz.<br />
Mas eu sou homem!<br />
Mas eu sou carne!<br />
E tu és simplesmente… recordação amena.<br />
Novas de outros mundos<br />
trazem-me aromas de ti,<br />
em êxtase fundidos numa só alma<br />
que adivinha o ocaso de mais um Sol nascente.<br />
E a noite encaminha a solidão para<br />
a rocha mais dura.<br />
Dorme, pequena sereia, dorme.<br />
Eu estou aqui.<br />
Eu durmo a teu lado.</p>
<p>&nbsp;</p>
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<h3>BRONSSI</h3>
<p>&nbsp;</p>
<p>Lon Min of tuly<br />
Ie donc par beltran<br />
Ka ess Kas et june<br />
Ik tong pum pum</p>
<p>Sor per la fool des viles<br />
Ik tong pum pum lokes<br />
Dir fias el transksection<br />
Jor lion filles et Ka ess Kas</p>
<p>Rimbaud loked in furt<br />
Gonmeyer flip flop transisteur<br />
Duct ca los tier<br />
Ta beltran et Ka ess Kas</p>
<p>&nbsp;</p>
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			</item>
		<item>
		<title>CRUZAMENTOS</title>
		<link>https://astrangerparadise.com/cruzamentos</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Airf'Auga]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 04 Jun 2009 13:57:57 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Airf'Auga 1]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Paris, Berlim, Casablanca,<br />   casa branca e o cão.<br />   Um sonho<br />   que se esfuma,<br />   um apocalipse<br />   que se dispersa interiormente e fora.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<div id="aa1">
<h3>O BAILE SÔFREGO</h3>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Paris, Berlim, Casablanca,<br />
casa branca e o cão.<br />
Um sonho<br />
que se esfuma,<br />
um apocalipse<br />
que se dispersa interiormente e fora.<br />
A mulher de gorro verde<br />
levantou-se e juntou-se ao homem<br />
e cabedal preto.<br />
Havendo sempre aquele frio!<br />
Nada…<br />
pedra preciosa que se perde no vício.<br />
Absorve-se esfomeadamente<br />
nicotina nas mesas distantes…<br />
a ao longe a minha silhueta<br />
reflecte-se<br />
várias vezes.<br />
Cor… anil…<br />
suave lágrima que seca a fonte interior<br />
de Élan.<br />
Ela morre<br />
asfixiada pelo seu peso sagrado.<br />
Entra um velho…<br />
Urna que segue em frente.<br />
Dentro dela…<br />
… o medo!<br />
Chega de Festa!, diz ele.<br />
E pede café com leite.<br />
Lá fora,<br />
no infinito,<br />
milhares de corpos contorcem-se destrambelhadamente<br />
andando.<br />
Escória…<br />
Lixo…<br />
Verme…<br />
Luxo que penaliza<br />
e transcende em for a dele.<br />
É hora… é hora de acabar e de partir,<br />
de nos desvanecermos no papel amarrotado de guardanapo.</p>
<p>&nbsp;</p>
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<p><center>§§§</center>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<h3>RIAS DE OSTRAS DESENGONÇADAS</h3>
<p>&nbsp;</p>
<p>Algures<br />
num espaço longínquo<br />
existia uma aventura em isolação<br />
e fúria.<br />
Teria se calhar<br />
algumas hipóteses de afirmação.<br />
Talvez…<br />
Por ora sinto-me apenas existência,<br />
não símbolo,<br />
não tela,<br />
apenas sinto ser.<br />
Mas seria uma minha ignorância própria<br />
imaginar o desenlace<br />
realmente enganado com uma mordaça…<br />
For a para a sensação do advir,<br />
esventre-se a questiúncula do pensar pensar,<br />
que terra se esvai em tropel sobre nós,<br />
que luz nos encandeia em fogo e paixão!<br />
Há pouco<br />
um carro ia tendo a mesma sensação que eu,<br />
uma sensação como desequilíbrio psíquico!!!<br />
Eu sinto-me!… Eu sinto-me!…<br />
Façam Festa!<br />
…porque eu sinto-me!!!</p>
<p>&nbsp;</p>
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<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p align="right"><strong>produções Ganza:1994</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
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